| O tema das Convertidas transferiu-se definitivamente para as casas ao lado... |
Nessa crónica, Costa Guimarães, homem de reconhecida inteligência, que foi diretor do Correio do Minho durante longos anos, critica as forças da oposição e as associações cívicas por criticarem o negócio das Convertidas, o qual - convém recordar - não tem nada que ver com as Convertidas, já que a única decisão tomada foi a expropriação urgente sobre os imóveis nos quais recai uma hipoteca da filha e genro do Sr. presidente da Câmara. Depois de expor uma série de declarações retiradas do seu devido contexto, termina falando de insanidade política, sem nunca referir as tais expropriações urgentes que envolvem familiares do Presidente da Câmara.
E por falar em insanidade, eu, que sou assíduo leitor das crónicas do Costa Guimarães, as quais sinceramente aprecio pela forma inteligente com lê os factos, a realidade e até a Igreja à qual pertenço, reparei que há quase um ano que não versa sobre assuntos da política brácara. A última vez, se a memória me não falha, foi para apelar à unidade do Partido Socialista em Braga num tempo em que se disputava a liderança da concelhia. Se a memória não continuar a falhar, julgo ter perdido o interesse por estas temáticas precisamente quando estourou a polémica sobre suspeitas de corrupção nos Transportes Urbanos de Braga. Uma mera coicidência, talvez.
Mas voltando ao cerne da questão, porque não quero ter a insensatez de fugir do tema central, não posso eu, até porque não sou militante de nenhum partido, tomar a defesa da honra das respetivas bancadas, mas posso falar em nome da associação que represento e de outra que admiro e sigo, chamada JovemCoop. Porque é uma pessoa atenta, Costa Guimarães certamente terá lido o comunicado que a JovemCoop e a Braga + publicaram a respeito das expropriações urgentes sobre os imóveis nos quais recai uma hipoteca da filha e genro do Sr. presidente da Câmara. No mesmo comunicado referia-se que as duas associações continuarão a pugnar pela reabilitação do recolhimento das Convertidas, atribuindo responsabilidades quer ao Governo central quer à autarquia, e dando até a sugestão para que o dinheiro que está a ser aplicado na exproriação "urgente" seja sim aplicado na recuperação do imóvel. Não é a recuperação das Convertidas o fundamento de tudo isto?
Aliás, à insanidade política, permitam-me juntar a insanidade jornalística de quem tenta defender uma contradição que não existe - visto que todos continuam a defender a urgência da recuperação das Convertidas - e oculta, suponho que deliberadamente, o motivo da revolta dos partidos da oposição e das associações: o facto da única decisão até agora tomada ser meramente a expropriação com carácter urgente (a urgência é a recuperação das Convertidas!) dos imóveis sobre os quais recai uma hipoteca da filha e genro do Sr. Presidente da Câmara, repito sobre os quais recai o ónus de uma hipoteca contraída pela filha e genro do Sr. Presidente da Câmara.
Entendo perfeitamente que cada um de nós, legitimamente, e por questões de ideologia ou afinidade, apoie declaradamente um candidato às próximas autárquicas. Até compreendo, porque o pão faz falta na mesa, que se misture a salvaguarda legítima do posto de trabalho de quem se dedicou anos a fio a uma tarefa. Entendo-o e não estou a ser irónico. Agora, busquemos traduzir esse apoio com algum toque de lucidez e sendo sempre fiéis companheiros da verdade.
PS - Caro Costa Guimarães, vou continuar a ler as suas crónicas com muito interesse, porque aprecio sobremaneira a forma como escreve e partilho de muitas das suas opiniões, todavia, sempre que o assunto for política brácara, seguramente que me irei poupar ao seu teor. É pena!










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