quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Acidente, segundo Quim...

A derrota inglória do Sporting de Braga frente ao Clube Brugge reparte culpas entre os atacantes que falharam as oportunidades flagrantes produzidas pela equipa - e foram muitas! -, o treinador que decidiu colocar Leandro Salino em detrimento de Mossoró, numa altura em que a equipa carregava em busca do segundo golo, e Quim, o guarda-redes que cometeu o grave erro que deu o empate ao campeão belga. Nada de mais, diríamos nós, pois acontece a qualquer guarda-redes do mundo... Todavia, Quim demonstrou nervosismo em toda a partida e cometeu erro idêntico, embora sem as mesmas consequências, na 1.ª parte.
Todos sabemos da particular empatia existente entre Rui Patrício e Paulo Bento. Foi o treinador que o lançou no Sporting, que teimou na sua titularidade, mesmo quando o Sporting perdia pontos por sua causa e que, agora, lhe lançou a oportunidade de ser titular da Selecção Nacional. Tudo parecia perfeito - até Eduardo foi encostado na Luz... Contudo, Rui Patrício tem acumulado diversos erros nas suas mais recentes actuações. Parecia não haver desculpa para evitar a recolocação de Quim na titularidade nacional. 
Porém, acidente! Quim deixou Paulo Bento certamente com um sorriso no rosto e justificado na sua mais que previsível preferência.
Amanhã conhecem-se os convocados...

Praxe: integração ou humilhação?

    Cumprindo o costume anual, as praxes estão de volta. Basta caminhar escassos metros até à vizinha Avenida Central para observar os diversos grupos de caloiros reunidos em volta dos “doutores”. Com a cabeça para baixo, a bradar algo em coro, de cócoras a soletrar um qualquer chamadouro ou simplesmente com o rosto pintado e o cabelo arrebitado dando uma perspectiva cómica àqueles com quem se cruzam. É isto a praxe.
     A praxe académica é, com toda a certeza, o primeiro grande impacto de qualquer recém-chegado aluno a uma Universidade. Os veteranos procuram, salientando sempre o princípio hierárquico, acolher de formas criativas os novos membros da distinta academia.
     Divertida, rebelde, acolhedora ou humilhante, desanimadora, ridícula? As opiniões divergem muitas vezes, geralmente quando o desregramento se torna desproporcionado. Embora as actividades que são promovidas pela praxe sejam de aparência ordeira, os excessos e os danos que causam nos alunos que as praticam são mais questionáveis.
    Associado à praxe académica, está o mote Dura Praxis, Sed Praxis - a praxe é dura mas é a praxe! A motivação sobre a qual se baseia este ritual é integrar o caloiro na vida universitária. E se este é o princípio temos que aplaudir e agradecer a disponibilidade e atenção dos veteranos para tão grande e nobre empresa. Esperando, é claro, que o que os move seja de facto ajudar à integração dos neo universitários porque se não é…  
    Que responsabilidade grande é esta de acolher pessoas, às vezes de sensibilidades tão opostas, e que se propõem dar agora um dos passos mais importantes nas suas vidas. Vale a pena, talvez estarmos todos atentos à adaptação dos que chegam. É triste quando algum dos caloiros se recusa a fazer a praxe. Pode ser sinal de má vontade do próprio mas pode ser igualmente reflexo de uma abordagem pouco “ortodoxa” da parte de quem recebe.
    E as represálias pela não sujeição à praxe? Não seria melhor repensá-las? Quem não é “praxado” está, à partida, em desvantagem na sua adaptação. É preciso pois ajudar, mais do que afastar ainda mais. Acima de tudo deve prevalecer o respeito pela pessoa.
    A praxe mais do que hierarquia, mais do que acolhimento, mais do que tradição, é uma festa e tem, em si mesma, um objectivo muito elevado. Façamos, pois, dela alegria!

Adeus TUB!

Com as novas regras do Governo para as Empresas Municipais, o cenário mais provável para os transportes urbanos de Braga é passarem a ser serviços municipalizados novamente. Veremos se tal significará um melhor serviço aos bracarenses... Qualquer que seja o cenário, esperemos que seja tudo muito bem explicado aos cidadãos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O sorriso de Ricardo Rio!

Não, não estou equívocado na imagem que escolhi para esta mensagem. Não, não é o Ricardo Rio...é o António Braga, o histórico braço direito de Mesquita Machado e actual vice-líder parlamentar da bancada do Partido Socialista. Curiosamente nem está a sorrir...
O motivo de estar aqui é simples. Esta semana os militantes de Braga do PS foram convidados a apoiarem a candidatura de António Braga à Câmara Municipal. Ainda está longe o desafio autárquico, contudo a sucessão do eterno Presidente da Câmara faz tremer a estrutura socialista, dado o capital de confiança de que Mesquita goza nos eleitores bracarenses. Sem ele será difícil repetir as sucessivas vitórias. 
A verdade é que este nome nem será o mais popular entre os putativos candidatos. Daí o sorriso de Ricardo Rio! A sua persistência na oposição autárquica poderá render frutos, especialmente se os adversários facilitarem o caminho.

Braga depois do Livro Verde - proposta II

A minha especulação abaixo exposta poderá não ser tão viável, dado o facto de tornar S. Vítor - a única freguesia que actualmente cumpre os requisitos demográficos mínimos - uma excepção na planificação das freguesias urbanas. Talvez seja mais plausível a divisão da cidade em quatro macro-freguesias, na qual S. Vítor se integraria na Braga Nascente.

  • Braga Norte: S. Vicente  (15 mil) + Dume (3 mil) + Real (5 mil) + Frossos (1 500) = cerca de 25 mil habitantes
  • Braga Sul: S. Lázaro (15 mil) + Lomar (6 mil) + S. João do Souto ( mil) + Arcos S. Paio (800) + Nogueira (5 mil) = cerca de 27 mil habitantes
  • Braga Poente: Sé (3 500) + Cividade (1 500) + Maximinos (12 mil) + Ferreiros (8 mil) + Gondizalves (1 500) + Semelhe (900) = cerca de 27 mil habitantes 
  • Braga Nascente: S. Vítor (30 mil) + Fraião + Lamaçães + Nogueiró + Tenões + S. Pedro d'Este + Espinho: cerca de 45 mil habitantes

Braga depois do Livro Verde?

O Livro Verde apresentado ontem pelo primeiro-ministro determina que as freguesias urbanas dos concelhos de primeiro nível - como é o caso de Braga - deverão ter no mínimo 20 mil habitantes. Isto significa que o mapa autárquico das freguesias com estatuto urbano de Braga terá que sofrer uma revolução:

  • Braga S. Vítor: 30 mil habitantes
  • Braga Norte: S. Vicente  (15 mil) + Dume (3 mil) + Real (5 mil) + Frossos (1 500) = cerca de 25 mil habitantes
  • Braga Sul: S. Lázaro (15 mil) + Lomar (6 mil) + S. João do Souto ( mil) + Arcos S. Paio (800) = cerca de 22 mil habitantes
  • Braga Poente: Sé (3 500) + Cividade (1 500) + Maximinos (12 mil) + Ferreiros (8 mil) + Gondizalves (1 500) + Semelhe (900) = cerca de 27 mil habitantes
  • Braga Nascente: Fraião + Nogueira + Lamaçães + Nogueiró + Tenões + S. Pedro d'Este + Espinho: cerca de 20 mil habitantes

domingo, 25 de setembro de 2011

Braga a circular por Portugal...

Trata-se de uma nota de 500 escudos na qual figurava Francisco Sanches, o filósofo bracarense, cuja fama e douta sabedoria muito honram a sua cidade-natal. Como cenário do rosto desta nota, entrevia-se o famoso mapa de Braga em 1594 e na contra-face surgia outra famosa gravura do Largo do Paço oitocentista. A primeira impressão ocorreu em Novembro de 1981 e as notas saíram de circulação em Maio de 1990. Durante quase uma década a cidade de Braga andou a circular por todo o país! Fica a memória desta inédita distinção.

Abram alas ao Líder!

Domingo, 21 de Fevereiro de 2010: o Sporting de Braga entrava em campo após 19 longas jornadas na liderança e vergado perante a suspenção absurda de dois dos seus principais jogadores e provisoriamente atrás do clube que antecipou um dos seus jogos na tentativa de psicologicamente afectar. O clube da capital minhota parecia imune a tudo, por isso nenhum expediente foi esquecido pelos lisboetas. Conseguiram! O Braga caiu com estrondo no Dragão - goleada por 5 a 1 - e não mais recuperou a liderança.
580 dias depois... a esperança renasceu!
Parabéns grande Braga! Vocês no campo e nós na bancada sempre a apoiar. Obrigado!

O Minho diz 'não' às touradas!

A notícia de ontem, de que a Catalunha decretou o fim das corridas de touros, veio fazer ressurgir um passo que urge na nossa civilização. É primário, sim! Desrespeita as regras elementares de uma sociedade razoável e civilizada, sim! É uma tradição, embora este facto não tenha necessariamente que o validar!
E, olhando o mapa nacional das Praças de Touros, concluímos que o Minho é pioneiro no avanço civilizacional do nosso país. A última Praça de Touros será transformada num Centro de Estudos do Mar, em Viana do Castelo. Se ainda restam dúvidas sobre a pertença da Póvoa do Varzim ao Minho - eu acho que sim, dado que o rio Ave marca a fronteira cultural - só fica a faltar o encerramento da praça de touros da cidade poveira para atingirmos o pleno e inquestionável avanço para uma renovada sociedade. Tudo isto sem manifestações ou apelos a quaisquer direitos civis. Naturalmente esfumou-se... Assim seja também no restante Portugal.

BRAGAtoon: política à moda de Braga...

Numa semana em que o Plano de Pormenor das Sete Fontes marcou o ritmo da política brácara, Mesquita Machado e Ricardo Rio deixaram bem vincadas as diferenças relativamente à sua visão das prioridades...

sábado, 24 de setembro de 2011

Quem está a mentir?

Segundo notícia veiculada no Diário do Minho de hoje, citando o arqueólogo Francisco Sande Lemos, ninguém do IGESPAR ou da direcção regional de Cultura terá autorizado o abate de árvores nas Sete Fontes. O Presidente da Câmara terá dito que "aquela é uma zona tutelada pelo IGESPAR, que foi a entidade que autorizou o privado proceder à limpeza do terreno com o objectivo de efectuar sondagens arqueológicas". Alguém não está a dizer a verdade no processo...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bracara Augusta gratuita hoje e amanhã!

As ruínas e espaço museológico da Domus da Escola Velha da Sé, na rua D. Afonso Henriques, a Fonte do Ídolo e as Termas Romanas do Alto da Cividade terão acesso gratuito hoje e amanhã. Trata-se de uma iniciativa para comemorar as Jornadas Europeias do Património, que se assinalam a 24 de Setembro. 
Uma oportunidade para conhecer um pouco mais sobre as origens da nossa cidade.

5 mil milhões e um coice!

A estratégia da desculpabilização, da obra feita e da analogia com as empresas públicas do Estado e o respectivo défice, é um apelo à inteligência fraca e uma falácia lógica monumental. Alberto João Jardim, a partir do momento em que não assume vontade de mudar o rumo, deverá ser irradiado da política. Trata-se de uma clara insubordinação em relação à estratégia económica nacional. Os 267 mil habitantes da Madeira não podem ser privilegiados relativamente aos 181 mil habitantes do município de Braga, bem como relativamente a todos os outros conjuntos populacionais que revelem um certo teor de autonomia política e institucional...
Acabe-se já com a zona franca da Madeira e haja verdadeira coragem para colocar este 'senhor' no seu devido lugar. Querem a independência? Então tenham-na, mas paguem vocês a dívida monumental que fizeram à custa de irresponsabilidade, populismo, controlo dos meios de comunicação e preconceito relativamente ao Governo Central... 
Surpreendente escutar Jardim a dizer que o Estado não executou nenhuma obra na Madeira... De onde virão os fundos para as 'suas' obras? Não existem Governos Regionais precisamente para executarem com autonomia as obras públicas necessárias e prioritárias à região? 
E as verbas dispendidas para os clubes de futebol? São 5 milhões de Euros por ano para as duas equipas da Liga e mais algum para a da Liga Orangina... Ainda se fala do subsídio que a Câmara de Braga dá à maior instituição da cidade - cerca de 75 mil Euros - por formar centenas de jovens do município...
E Cavaco? Na sua visita aos Açores entrou na linha de defesa do 'seu' estado laranja... Lamentável! Afinal também os Açores estão em dificuldade...não é só a Madeira. Como se pudesse haver analogia possível entre as duas gestões autonómicas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um estádio para a história!

Muito criticado pelo elevado valor despendido na sua execução, mas ainda mais elogiado. Terá sido o motor para que mais pessoas no mundo visitem Braga e oiçam falar da Capital do Minho. Souto Moura é o arquitecto desta obra-prima, numa interessante entrevista aos microfones da TVI.
Um verdadeiro bracarense, mesmo aquele que goste mais de fazer contas, só pode sentir-se orgulhoso!

Sete Fontes em pormenor

Trata-se de uma grande notícia para os defensores do património ambiental e histórico da cidade de Braga. As Sete Fontes foram hoje a discussão na reunião de vereação da Câmara, tratando-se o Plano de Pormenor a aplicar à área envolvente ao mais recente monumento nacional do nosso município. É um primeiro passo para a intervenção que tem vindo a ser sugerida pela Junta de Freguesia de S. Vitor e que colhe simpatia junto dos dois maiores partidos da autarquia, embora com uma visão diferente dos prazos a aplicar. Segundo Ricardo Rio é prioritário construir o parque urbano nas Sete Fontes, segundo Mesquita Machado a prioridade é o Picoto - para não perder as verbas do QREN...
Tudo isto numa altura em que as Sete Fontes são notícia, devido ao abate clandestino de árvores...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A réplica e o original!

Corria o ano de 1985 e o município brasileiro de Congonhas, a sul de Belo Horizonte, rejubilou com a classificação de Património da Humanidade pela UNESCO do Santuário do Bom Jesus de Congonhas. Este santuário foi construído por artistas portugueses, extasiados pela beleza de um outro santuário em Portugal: o Bom Jesus do Monte.
A réplica está classificada. Falta agora a merecida distinção para o original! Se melhor argumento houver, não o encontro...

Futuro Maior: Pousada da Juventude de Real

Muitos anos após ter sido falado, depois de muitos avanços e recuos, amanhã estará em discussão na habitual reunião de vereação a aquisição de serviços necessários à evolução das obras. A nova pousada de Juventude de Braga será oportunidade para finalmente reabilitar o antigo convento franciscano de S. Jerónimo de Real, abandonado desde a trágica lei de 1834.

E se Villas-Boas treinasse o Braga?

A revelação é recente e vem descrita em pormenor num livro sobre André Villas-Boas, o treinador mais caro da história do futebol mundial. É verdade, garantem, que aquando da saída forçada de Jorge Jesus para o Benfica, Villas-Boas seria a escolha de Salvador para treinar o Braga. Naquela que foi a melhor época de sempre do clube nos campeonatos nacionais, 2009/2010, em que o Braga lutou pelo título até ao fim, tendo ocupado o primeiro lugar durante 2/3 da prova, foi Domingos o escolhido. Segundo o relato deste livro, Salvador, Jorge Mendes e Villas-Boas teriam estado reunidos. Sá Pinto seria o treinador-adjunto...
Será que a história do Braga teria sido a mesma? Melhor que Domingos seria quase...impossível!
Fica a revelação...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Taça de Portugal: Braga regressa a Sintra

Há grandes coincidências, é verdade! O Sporting Clube de Braga iniciará o seu percurso na Taça de Portugal 2011/2012 novamente em Sintra no terreno do 1.º Dezembro, agora na 2.ª Divisão. Tal como na época passada, em que o Braga venceu por 2-1. O jogo disputar-se-á a 15 de Outubro.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Braga e Guimarães: rivais, mas pouco...

“Antes quebrar, que torcer”, eis o mote escolhido pelos vimaranenses no distante ano de 1885, para encimar a sua luta pelo desmembramento do distrito de Braga. Os de Guimarães entendiam que o Estado investia mais em Braga do que era a relação proporcional dos impostos pagos pelos contribuintes do seu concelho, e decidiram manifestar esse desagrado junto do Governo e do próprio Rei. O povo de Braga, em revolta com esta atitude, decidiu brindar os procuradores vizinhos, aquando de uma reunião da Junta Distrital, com insultos e pedradas… A verdade é que Guimarães não quebrou, mas torceu, e continuou a pertencer administrativamente à Cidade dos Arcebispos, apesar de um interregno de alguns anos, durante os quais ficou provisoriamente sob a jurisdição de Lisboa. O advento da República em 1910 arrefeceu as reivindicações vimaranenses e Guimarães continuou, até hoje, a fazer parte integrante do distrito de Braga.
Terá sido este o episódio mais duro da história entre estas duas cidades vizinhas. Tudo suscitado pela escolha de Braga para cabeça de distrito em detrimento de Guimarães, por altura da reforma liberal. Porém, falar da história das relações entre Braga e Guimarães é muito mais do que comentar as acicatadas rivalidades ressuscitadas nas últimas décadas pelo futebol.
Os mais entendidos dirão que não é bem verdade esta afirmação, dado que no século XIII terá havido uns atritos devido aos limites da jurisdição da Colegiada de Guimarães, que se queria isentar do poder e influência do Arcebispo de Braga. Pelo meio ainda D. José de Bragança, Arcebispo Primaz entre 1741 e 1756, que foi viver para Guimarães durante longo tempo, devido às azedas relações com o Cabido da Sé de Braga, que não queria largar os poderes obtidos no período de Sede Vacante. Todavia, nada que tivesse cariz de rivalidade entre as populações. Falar de rivalidade para um bracarense, significava referir Compostela ou Toledo, essas sim rivais de longa data. Braga sempre deteve poder jurisdicional, devido à organização eclesiástica, e Guimarães sempre aceitou esse estatuto de submissão. Tudo mudou, porém, quando a cidade de Vimara Peres começou a desenvolver-se e economicamente se pôs à frente de Braga… o que vem a suceder nos finais do século XVIII.
Não falamos, portanto, de uma rivalidade multissecular. Terá pouco mais de uma centúria de existência e refere-se sempre às reivindicações de Guimarães relativamente ao estatuto privilegiado de Braga. ‘Complexo de inferioridade’ dirão uns, ‘a defesa dos legítimos direitos’, dirão outros… A verdade é que nos últimos anos os episódios sucederam-se e não se limitaram ao futebol.
A instalação da Universidade do Minho foi um dos focos da luta – a academia acabaria por ficar concentrada em Braga, tendo o polo de engenharia em Guimarães – e reacenderia o fervor bairrista nos dois lados da Falperra. O concelho de Guimarães detinha alguma vantagem em habitantes, porém Braga era claramente a maior cidade. Os vimaranenses ficariam sempre convencidos de que saíram prejudicados desta repartição…
Entretanto surge o caso da Capela de Santa Maria Madalena, a jóia rococó que André Soares desenhou, e que o Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles mandou edificar. Este edifício está voltado para Braga, foi construído a expensas do povo desta cidade, mas há divergências na linha fronteiriça dos dois concelhos. Algumas versões das cartas militares põem o templo do lado de Braga, contudo a mais recente versão coloca-o em Guimarães. Mandaria o bom senso determinar que pertence à Cidade dos Arcebispos. Que razão haveria para os bracarenses construírem uma capela para a oferecerem aos vizinhos de Guimarães?
Os mais recentes episódios referiram-se a grandes conquistas para o Minho. O Governo de Sócrates prometera o Centro Ibérico de Nanotecnologia e a Capital Europeia da Cultura para o distrito. Ambos eram disputados pelas duas cidades. Para resolver a contenda da melhor forma, assistimos a uma decisão salomónica: Braga ficou com o investimento ibérico e Guimarães será a terceira cidade portuguesa a receber o certame europeu. A capital minhota garantiu, entretanto, a organização da Capital Europeia da Juventude, prémio de consolação que transformará o Minho num foco de mediatismo e iniciativa ao longo do ano de 2012. Todavia, Braga e Guimarães são muito mais do que estas pequenas tricas.
O dia 27 de Maio de 1128 responde a quem fala de duas cidades inimigas. Nada disso! O documento que confirma o Couto de Braga e que cede novos direitos e propriedades, inclusive o de cunhar moeda, é assinado pelo Príncipe Afonso e pelo Arcebispo de Braga. Este documento é chamado "Certidão de Nascimento de Portugal", porque confirma o apoio do Arcebispo D. Paio Mendes a D. Afonso Henriques, nas vésperas da decisiva batalha de S. Mamede. Trata-se de um apoiante de peso às pretensões do infante que queria ser Rei de uma nova nação. O Arcebispo prestou-lhe o apoio militar que foi decisivo para bater as tropas de sua mãe Dª Teresa no campo de S. Mamede e afirmar a sua reivindicação sobre o governo do Condado. Braga e Guimarães de mãos dadas fundaram um país. Aqui, efectivamente, nasceu Portugal!
Num ano em que Guimarães será capital europeia da Cultura e Braga capital europeia da Juventude, é tempo de viver unidos os sucessos de uma região dinâmica e criativa, onde está a melhor universidade de Portugal (segundo estudo recente) e na qual o futebol é promotor de identidade e de um bairrismo que se quer sadio e construtivo. As duas cidades de cuja aliança - selada entre o infante Afonso e o Arcebispo D. Paio e decisiva para a vitória em S. Mamede - surgiu uma nação, merecem ser exemplo de unidade e respeito.
E o futebol? Futebol é festa e alegria…e que orgulho é ter no Minho dois dos maiores e mais destacados emblemas da competição nacional!
Biba o Minho!

domingo, 18 de setembro de 2011

O grande do Minho visita Guimarães!

Aí está o jogo mais desejado no Minho!
Se o Minho é descrito como a terra das festas, dos foguetes, das concertinas, cantares ao desafio, vinho verde a pingar da malga, da broa e da boa mesa, então também terá que ser acrescentado a esta infindável lista o futebol. Já não se pode ser minhoto autêntico e sem fingimento se não se adicionar uma pitada de bairrismo e rivalidade ligada aos dois grandes emblemas da região.
O Vitória de Guimarães e o Sporting de Braga são, desde os primórdios, queridos inimigos. Não faltam as histórias de ânimos exaltados e elevadas manifestações de júbilo pela supremacia instantânea que se alcança após uma vitória contra o grande rival. Se o campo de futebol serve de pretexto para reacender velhas lutas do passado, a verdade é que tem sido também o motor que torna bem vivas as identidades de cada localidade, numa espécie de hino à alma das duas cidades.  
Dos dados divulgados durante a semana fica a certeza de que o Braga já tomou claramente a dianteira, não só no palmarés e nos resultados desportivos, mas também em assistências e número de associados, tornando-se inequivocamente o maior clube do Minho. Facto apoiado por uma história recente, na qual o Braga aparece como candidato ao título, apontado pelos próprios adversários que historicamente estão nessa luta. É verdade, os guerreiros do Minho atravessam a melhor fase da sua história e nada melhor que este embalo para dar a maior alegria do ano aos seus indefectíveis adeptos.
É certo que para o Vitória de Guimarães este jogo funciona como uma carga catártica sem igual. Há que carpir as mágoas e os constantes sucessos desportivos alheios com uma vitória sobre o eterno rival. Prémio de consolação? Ou apenas reforço da vinculação com a massa adepta? Depende de quem faz a análise e da forma como se expõem os dados, contudo há um facto inegável: a ligeira ascendência sobre Braga que os vimaranenses afirmavam no futebol, está em vias de extinção, e isso naturalmente afecta o ego das suas gentes. Braga é a capital de distrito, cabeça de diocese, tem mais habitantes – incomparavelmente mais se falarmos da demografia urbana, e agora até se destaca mais a nível desportivo. Portanto, este jogo está carregado de sentimentos para um vimaranense. É uma espécie de último reduto do orgulho de uma gente zelosa da sua identidade… É mesmo preciso ganhar!
Mas no que toca ao futebol em questão, Leonardo Jardim, o 3.º classificado da Liga à passagem para esta jornada, anuncia que a equipa que alcançou a histórica vitória em Birmingham poderá ter o mesmo onze titular. Uma boa notícia para Nuno Gomes, que assim manter-se-á intacto na equipa que subirá ao relvado do D. Afonso Henriques. A grande exibição e dinamismo apresentado pela equipa nos últimos jogos, acaba por mascarar os defeitos da sua asa esquerda, talvez o ponto mais fraco da formação arsenalista. O talentoso Hélder Barbosa e o seu defesa acompanhante Elderson aparecem como heróis da manobra ofensiva, mas no capítulo defensivo ambos têm falhado. É pelo seu lado que nasceram os lances de perigo e o golo do Birmingham… À atenção de Leonardo Jardim, já que é no lado direito que o Vitória de Guimarães mostra mais competência. E, claro, a pressão do público no estádio será um factor a ter em conta. Em nenhum outro estádio os jogadores do Braga sentirão tamanha animosidade como em Guimarães. Será que este facto fará tremer a equipa do Braga?
Veremos! Os sete pontos de vantagem na tabela e as recentes exibições poderão ser um tónico positivo sobre a equipa. E do outro lado encontrarão um adversário ainda em busca de si mesmo, eventualmente desconfiado, mas cheio de vontade de agradar aos seus apaniguados…
Grande espectáculo no Minho, esperemos que sem violência e com muita intensidade. Afinal o ‘grande’ do Minho visita Guimarães!

Imóvel de Interesse Municipal!

A galinha dos ovos de ouro e a ave de rapina capital!

É um facto: os bracarenses pagam a taxa máxima permitida para o IMI, Imposto Municipal sobre Imóveis! Isso permite receitas mais elevadas ao município, contribuindo decisivamente para o orçamento municipal. Ricardo Rio revolta-se e fala de uma galinha dos ovos de ouro para a gestão socialista, alcançada à custa dos sacrifícios dos bracarenses.
Se, por um lado, concordo com o líder da oposição camarária na defesa dos interesses dos cidadãos, por outro tenho que concordar com Mesquita Machado. O presidente da Câmara acusa a oposição de demagogia, pois sem estas receitas a autarquia não teria meios para suportar a quebra do financiamento autárquico. E todos concordamos que Braga habitualmente não se dá bem com os Governos PSD... A cor autárquica vai infelizmente influenciando os investimentos e a distribuição das verbas do PIDDAC. Basta lembrar o inusitado exemplo do Museu D. Diogo de Sousa, que se arrastou anos a fio... Os acessos de Braga à A3, atrasados pelos Governos de Cavaco Silva. O Hospital de Braga, prometido por Mário Soares, lançado por Guterres e concretizado por Sócrates...e sucessivamente atrasado pelo actual Presidente da República e por Durão Barroso. Ou o Theatro Circo, que esteve sete anos em estaleiro, porque um novo Governo tomou posse em 2002 e decidiu parar com as obras.
Enquanto assim for, talvez não tenhamos outra galinha dos ovos de ouro que nos defenda da ave de rapina que actualmente estacionou na capital... Esperemos que o PSD local nos saiba defender!

Foi desta! Braga agradece...

A assembleia municipal de Braga, realizada na noite da passada sexta-feira, não pode deixar de ser considerada um exemplo de funcionalismo democrático de defesa dos interesses dos cidadãos. Todos os partidos do plenário - e falamos de diferenças, por vezes, acentuadas - votaram em conjunto uma proposta que recomenda ao Governo que aperte a fiscalização sobre a gestão privada do Hospital de Braga. Porque a saúde e o serviço disponibilizado aos cidadãos bracarenses deverá estar sempre acima da luta político-partidária e dos interesses particulares!
Outro facto digno de nota, foi a aprovação da classificação da Barbearia Matos como Imóvel de Interesse Municipal. Um passo de gigante para salvar aquele que é um dos ex-libris da cidade de Braga.
Como bracarense orgulho-me dos deputados municipais eleitos e do bom-senso manifestado! Que seja exemplo para uma renovação efectiva da defesa dos interesses de Braga e dos bracarenses. Obrigado!

Minho Maior: o bairro de N.ª S.ª da Conceição!

Este bairro social de Guimarães recebeu uma nova decoração das fachadas. A estilista espanhola Agatha Ruiz de la Prada é a autora desta proposta criativa que transformou este bairro social numa atracção turística. Vale a pena ver! Fica mesmo à entrada da cidade, antes do Estádio, para quem vem na estrada nacional a partir de Braga.

E que tal fazer o mesmo nas Enguardas, Santa Tecla e São Gregório???

Regresso do Eléctrico volta à discussão...

Na última assembleia municipal de Braga voltou-se a falar das vantagens de um regresso do eléctrico às ruas de Braga.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Camilo, o braguez I: Braga, a segunda Paris!

Camilo Castelo Branco é e será para sempre o grande descritor da alma minhota. A sua perspicácia feita palavra e a sua paixão assumida por esta ultra-conservadora e verde província, fizeram-no retratar com nitidez o Minho nú e crú nas suas famosas Novelas do Minho
Numa dessas passagens, que de vez a vez vêm desembocar na capital minhota, Camilo troça inteligentemente e com ironia das extenuantes analogias de Braga com a capital francesa. Aqui segue um extracto dessa deliciosa descrição: 

"A cidade santa de nossos pais e dos cónegos, a esposa de Fr. Bartolomeu dos Mártires, Braga despeitorou-se, desnalgou-se, sofraldou as saias e mostrou a liga sobre o joelho desde que um jornal da terra lhe chamou segunda Paris. Eu não reparo na desproporção do confronto, quando ali me vejo no Café Faria, a sentir-me arquejar em uma das artérias do grande corpo da civilização chamada Europa, como lindamente o dia o Sr. Vaz de Freitas na sua Guia do Viajante em Braga, por seis vinténs. Tudo me leva à persuasão de que me acho na segunda Paris, quando a Guia me assevera com exactidão, ainda não contraditada pela inveja, que Braga encerra nos seus muros sete procuradores de causas, e que aí os barbeiros superabundam. Fazia-se ainda pelos modos uma terceira Paris com a superfluidade dos barbeiros! A categoria modesta, em que o jornalista afidalgou a sua terra, justifica-se principalmente nas estalagens. Aí, é aí onde o viajante se sente saturado de Paris, a ponto de, cuidando que acorda alvoroçado pelas campainhas eléctricas do Grande Hotel no Boulevard des Capucines, achar-se em Braga, no hotel Aveirense, largo dos Penedos. Avantajam-se ainda às hospedeiras parisienses, no ponto de vista zoológico, os hotéis da princesa do Minho. Os forasteiros dados a pesquisas, podem, mediante uma gratificação razoável, passar as suas noites em vigílias úteis estudando insectos sem queixos e sem asas, de membros articulados, consoante a classificação de Cuvier. Ali se lhes oferecem exemplares em barda da pulga braguês (Pulex Bracharensis)..."

Reportagem Maior: Braga na Califórnia!

Esta história é verídica e irá ser atestada pelas fotos que abaixo apresentarei. Há uma igreja na cidade de San Jose na Califórnia que foi uma tentativa de copiar a Igreja de Santa Cruz em Braga. Trata-se da Church of the Five Wounds e serve a comunidade portuguesa desta cidade norte-americana. É um dos principais monumentos da cidade e, apesar de não ser exactamente igual, foi essa a pretensão daqueles que inicialmente a edificaram. 
Trata-se de um senhora muito devota, natural dos Açores, que, por volta de 1914, vivia em Braga e nutria particular afecto por este templo. O afecto era tão grande que os seus elogios trouxeram a Braga um padre, também açoriano, que estava interessado em levar os planos desta igreja bracarense para a Califórnia, onde estava a ser planeado um templo. Ora, o seu desejo foi concretizado, não tendo, todavia, os meios económicos para construir uma igreja com a mesma qualidade e acabamentos. Ficou mais modesta, digamos... Mas as imagens veneradas no interior sairam todas de oficinas de santeiros bracarenses.
Vejamos as fotos em pormenor. Pode não parecer à primeira, mas a igreja americana é efectivamente um réplica do belo templo bracarense.

 Zona Inferior da Fachada:




 Zona Central da Fachada:


Frontão:


 Coroamento das torres:

Janelas laterais:


Irradiem este senhor...para o bem da democracia!

Dívidas da Madeira obrigam a revisão dos défices entre 2008 e 2010

Somos 26.831 no maior clube do Minho!

Está confirmado, o Sporting Clube de Braga é o clube com mais sócios do Minho pelo segundo ano consecutivo. A juntar ao historial europeu e à última década de sucessos na Liga, juntamente com a Taça de Portugal, Intertoto e Taça da Federação, não restam dúvidas sobre quem é o Maior! Se dúvidas havia...

Braga, capital da Fotografia!

O maior evento de fotografia em Portugal inicia-se hoje em Braga. O Mosteiro de Tibães, Museu da Imagem, a Galeria Show Me, o espaço cultural Pedro Remy, o Museu D. Diogo de Sousa, o Museu Nogueira da Silva, o Braga Parque e a Casa dos Crivos serão o rosto dos Encontros de Imagem 2011!
A não perder!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Yes we can!

Foi um Braga decidido e determinado aquele que pela primeira vez ganhou em solo inglês. Defesa à frente da área – raras vezes os atacantes do Birmingham conseguiram ter iniciativa dentro da área de Quim – bola a circular pelo chão com passes curtos e ao primeiro toque. Futebol rápido, com eficazes movimentações a permitir a entrada de jogadores a rasgar a defesa adversária que, apesar do erro de Elderson que permitiu um perigoso contra-ataque ao minuto 3, abriu caminho a um belo golo construído pelo flanco esquerdo. Hélder Barbosa passou a bola para Elderson e este cruza novamente para Hélder que, com um remate de belo efeito, inaugura o marcador. Estavam passados apenas 6 minutos e a partir daí vimos uma equipa de nível superior a jogar.
O meio-campo do Braga esteve irrepreensível, com Djamal e Hugo Viana em grande destaque. Nuno Gomes foi feliz no apoio a Lima, que poderia ter marcado o 2-0 ainda antes do intervalo. Foi, contudo, o Birmingham a dar pequenos sinais de reacção, apenas no final da 1.ª parte.
No tempo complementar foi uma vez mais o Sporting de Braga a surgir com bastante espaço para expandir o seu futebol e com intervenções de bom nível dos protagonistas mais avançados. O segundo golo do Braga ia-se adivinhando e surgiu mesmo numa excelente desmarcação de Lima que enviou uma bomba à baliza de Myhill e consumou o domínio arsenalista. Após este golo, o jogo foi do Braga e o terceiro só não surgiu por infelicidade de Lima aos 69’ e Hélder Barbosa no minuto a seguir. Foi contudo o Birmingham a marcar ao minuto 71, num excelente lançamento para as costas da defesa do Braga, que permitiu a King dar esperança de recuperação à sua equipa. A defesa do Braga ficou a aguardar um fora de jogo e acabou completamente batida, não dando hipótese de intervenção a Quim. O guarda-redes português que foi valioso ao minuto 82, numa fase em que a equipa da casa acreditava do empate.
Todavia, foi o Braga a dar, uma vez mais, uma prova de classe ao marcar o 3.º tento. Cruzamento excelente do estreante Carlão para a pequena área, onde surgiu Hélder Barbosa – o herói do jogo – a concluir da melhor forma.
Estava consumada a primeira vitória do Braga em solo de Sua Magestade, com um nível exibicional muito elevado e a fazer sonhar uma vez mais os adeptos do Braga. Segunda-feira será a vez do adversário mais aguardado pelos braguistas: o Vitória de Guimarães! E que se preparem, pois este Braga a jogar assim será muito difícil de travar.
Força Braga! Já dá para sonhar…

Futuro Maior: Dolce Vita

Depois de alguns atrasos, parece que é desta que irá abrir ao público o maior Centro Comercial a Norte do rio Douro. O Dolce Vita Braga promete agitar o tecido económico da cidade. Veremos os efeitos que terá no comércio tradicional. Falta 1 mês!

Emergência para o comércio tradicional!

A Associação Comercial de Braga anunciou hoje que vai avançar com um plano de emergência económico junto do Governo, de forma a defender o risco de falência iminente que muitas empresas dedicadas ao sector terciário atravessam. Este plano visa a criação de um seguro de proveitos e apoios à descentralização das empresas. 
Esta iniciativa surge também na sequência dos problemas criados devido à deslocalização do hospital, que provocou uma iminente descida do número de pessoas que frequentam o centro de Braga. Para além deste factor, há ainda a abertura prometida do Dolce Vita Braga, que deverá ocorrer no próximo mês de Outubro e que poderá asfixiar o comércio tradicional.
Pena que a autarquia não tivesse previsto antecipadamente os efeitos da deslocalização do hospital, apoiando planos de incremento à economia neste local da cidade... Esperemos que a próxima Assembleia Municipal se debruçe sobre esta problemática!

A peste de 1570: D. Frei Bartolomeu dos Mártires e o cruzeiro da Ponte

Seguramente que não passa indiferente a quem caminha no Parque da Ponte, o cruzeiro de simples feição que se situa a escassos metros da Capela de São João da Ponte. É certo que muitos destes monumentos, a maior parte deles, surgem associados à existência de pequenos templos, como que anunciando a presença de um espaço sagrado. Contudo, não é essa a justificação para a sua existência e provavelmente nem valeria a pena escrever sobre este cruzeiro, se fosse esse o fundamento da sua edificação. Efectivamente, trata-se de um monumento de pouca valia do ponto de vista artístico.
Este cruzeiro de arquitectura simples é essencial para falar da história da cidade de Braga, pois assinala uma época difícil e trágica para muitos dos seus habitantes. Em 1570 a “peste”, que vitimou milhares de portugueses, atingiu Braga. Era Arcebispo, à época desta epidemia, D. Frei Bartolomeu dos Mártires, homem recordado pelas suas destacadas virtudes.
D. Frei Bartolomeu dos Mártires nasceu em 1514, na freguesia dos Mártires em Lisboa, numa época de muitos conflitos na Europa devido à Reforma Protestante protagonizada por Martinho Lutero. Aos 15 anos recebeu o hábito de S. Domingos e pouco depois foi chamado a Évora, onde ensinou teologia. Mais tarde foi eleito Prior do convento de Benfica. Nesta altura o humanismo era a corrente ideológica, sob a qual a Igreja se reerguia. Frei Bartolomeu era um homem de boa índole, simplicidade e humildade – segundo é citado - o perfil perfeito para ocupar a cadeira de Arcebispo Primaz. E assim foi em 1559, sendo D. Catarina regente, D. Frei Bartolomeu tornou-se Arcebispo de Braga. Em Braga preocupou-se com a instrução religiosa e dedicou-se a visitar o Arcebispado, tomando pulso aos problemas dos seus ‘rebanhos’. Deve-se a este prelado a memorável participação no Concílio de Trento onde D. Frei Bartolomeu interveio com brilhantismo. Este Concílio foi um dos momentos mais importantes na história do cristianismo, dado que deu início a uma grande reforma na Igreja, que D. Frei Bartolomeu dos Mártires fez questão pôr em prática, mandando abrir o primeiro seminário da Península Ibérica (situava-se no Campo da Vinha, e tinha como orago S. Pedro). Em 1582 pediu a renúncia do cargo de Arcebispo, muito afectado pela morte de D. Sebastião e consequente perda da independência do reino. Retirou-se para o Convento de S. Domingos em Viana do Castelo onde veio a falecer, com fama de santo, em 1590. Foi beatificado pela Igreja Católica em 2001, reconhecendo-se desta forma as suas qualidades humanas e morais.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Welcome to Birmingham!

A cidade de Birmingham, onde amanhã o Sporting de Braga irá jogar, é actualmente a segunda maior cidade do Reino Unido. Só a cidade terá cerca de um milhão de habitantes, sendo a sua área de influência de cerca de 2,5 milhões. Trata-se de um pólo industrial de relevo, já desde a revolução industrial. Relativamente ao futebol, o Birmingham nem é o seu mais alto representante, uma vez que o Aston Villa atingiu maior destaque e também está sediado nesta cidade inglesa.
Espera-se que seja uma cidade agradável para as pretensões do vice-campeão da Liga Europa!


Reportagem Maior: vestígios de Braga na capital!

Estátua de D. Pedro IV no Rossio em Lisboa. 
Na base da estátua estão as heráldicas dos principais municípios de Portugal. O 2.º da face Norte representa Braga.
A heráldica de Braga no século XIX, apresentando já as duas torres e a imagem de Santa Maria de Braga. A diferença é a mitra sobre a imagem em vez dos actuais 3 escudos.

Futuro Maior: Escola André Soares

Aqui fica a imagem da nova Escola André Soares. O edifício actual data do início dos anos 70 e revela já diversas fragilidades na estrutura. As obras deverão avançar ainda no presente ano lectivo. O projecto é interessante e parece superar, em termos pragmáticos, o actual modelo importado dos países nórdicos.

Ideias para Braga: Museu da Cidade

Não é algo de inédito, dado que Braga já teve uma espécie de museu da cidade nos primórdios do Museu D. Diogo de Sousa. Esta ideia nasce do imperativo de divulgar a riqueza de uma história com dois mil anos, por onde passaram diversos povos e culturas que deixaram bem vincadas as suas marcas. Os bracarenses só poderão perceber a sua identidade se acederem à sua história. 
Para além de um percurso cronológico ao longo da história da cidade, desde os primeiros vestigios de ocupação humana na região, passando pela civilização romana, até à cidade dos Arcebispos remodelada por D. Diogo e transformada a partir do traço de André Soares. Poderia ser também aproveitado para recordar os monumentos desaparecidos da cidade, mostrando fotos ou gravuras e expondo alguns vestígios dos mesmos, de forma a conservar a memória da Braga desaparecida. De aproveitar também os escritos de grandes homens da literatura nacional, que tiveram em Braga uma musa de inspiração; recordo-me de Camilo... Também seria oportuno olhar em pormenor a Semana Santa e o São João, recordando as personagens (farricocos, Rei David...) e as tradições presentes e passadas. 
Que melhor forma para revelar a alma de uma cidade?
Este museu poderia ser instalado no grande edifício da rua do Castelo, projecto do portuense Marques da Silva, que actualmente se encontra sem utilidade. Poderia ser feita uma ligação à Torre de Menagem, dando acesso a um dos monumentos mais importantes da cidade. Poderia ter outras valências, como um auditório de realtivas dimensões, salas para exposições e tertúlias e, ainda, uma biblioteca com toda a Bracarografia publicada. Funcionaria como pólo cultural prioritário de tudo o que implicasse o interesse histórico-documental da nossa cidade. Conferências recorrentes sobre a nossa história e património, exposições com a mesma temática, edição de livros e visitas temáticas ao nosso património...

Convertidas para a multi-cultura!

Segundo anuncia o Diário do Minho de hoje, a Câmara Municipal de Braga decidiu finalmente avançar para a recuperação do antigo Recolhimento das Convertidas. Este edifício de cariz conventual é uma obra do período barroco mandada erigir pelo arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles. É um edifício de interessante recorte que está em vias de ser classificado imovel de interesse público.
Para este local já concorreram interessantes ideias, como a de um museu do Traje (promovida pelo Grupo Folclórico Gonçalo Sampaio) e, recentemente, um museu do Folclore (defendida pela Associação Cultural Os Sinos da Sé). Nenhuma delas parece ter recebido da Câmara acolhimento, sendo que o destino pretendido pela autarquia para este imóvel será uma espécie de centro cultural para os imigrantes e visitantes da nossa cidade. O orçamento para a recuperação deste edifício será de 800 mil Euros e está prometido para o próximo exercício autárquico, a ocorrer apenas em 2013. 
Esperemos que sim, que seja desta...e que passe das intenções aos actos! Antes que seja tarde, dado o perigo iminente de desabamento deste edifício.
Ainda não sabemos bem se é verdade, mas estou a gostar desta nova versão autárquica que revela o património como uma das suas prioridades!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

1778 para Guimarães!

O Vitória de Guimarães cumpriu os requisitos da Liga de Futebol e enviou 5% da lotação para Braga, repetindo o preço que a direcção do Braga requereu aquando do último duelo entre as duas equipas. Esse facto fez gerar polémica, e um corte de relações entre os clubes, devido a uma eventual quebra do acordo de cavalheiros que permitiu a ida de 5 milhares de bracarenses ao Estádio D. Afonso Henriques, num jogo que ficou marcado pela polémica devido à arbitragem e a uma certa agressividade contra os adeptos, jogadores e equipa técnica do Sporting de Braga.
Este ano serão menos, mas a confiança mantém-se em alta. Os guerreiros do Minho irão entrar em campo com uma vantagem de 7 pontos sobre o rival, facto que aumentará a confiança numa vitória que foge aos bracarenses desde a época 2005/2006. Força Braga!