domingo, 18 de setembro de 2011

O grande do Minho visita Guimarães!

Aí está o jogo mais desejado no Minho!
Se o Minho é descrito como a terra das festas, dos foguetes, das concertinas, cantares ao desafio, vinho verde a pingar da malga, da broa e da boa mesa, então também terá que ser acrescentado a esta infindável lista o futebol. Já não se pode ser minhoto autêntico e sem fingimento se não se adicionar uma pitada de bairrismo e rivalidade ligada aos dois grandes emblemas da região.
O Vitória de Guimarães e o Sporting de Braga são, desde os primórdios, queridos inimigos. Não faltam as histórias de ânimos exaltados e elevadas manifestações de júbilo pela supremacia instantânea que se alcança após uma vitória contra o grande rival. Se o campo de futebol serve de pretexto para reacender velhas lutas do passado, a verdade é que tem sido também o motor que torna bem vivas as identidades de cada localidade, numa espécie de hino à alma das duas cidades.  
Dos dados divulgados durante a semana fica a certeza de que o Braga já tomou claramente a dianteira, não só no palmarés e nos resultados desportivos, mas também em assistências e número de associados, tornando-se inequivocamente o maior clube do Minho. Facto apoiado por uma história recente, na qual o Braga aparece como candidato ao título, apontado pelos próprios adversários que historicamente estão nessa luta. É verdade, os guerreiros do Minho atravessam a melhor fase da sua história e nada melhor que este embalo para dar a maior alegria do ano aos seus indefectíveis adeptos.
É certo que para o Vitória de Guimarães este jogo funciona como uma carga catártica sem igual. Há que carpir as mágoas e os constantes sucessos desportivos alheios com uma vitória sobre o eterno rival. Prémio de consolação? Ou apenas reforço da vinculação com a massa adepta? Depende de quem faz a análise e da forma como se expõem os dados, contudo há um facto inegável: a ligeira ascendência sobre Braga que os vimaranenses afirmavam no futebol, está em vias de extinção, e isso naturalmente afecta o ego das suas gentes. Braga é a capital de distrito, cabeça de diocese, tem mais habitantes – incomparavelmente mais se falarmos da demografia urbana, e agora até se destaca mais a nível desportivo. Portanto, este jogo está carregado de sentimentos para um vimaranense. É uma espécie de último reduto do orgulho de uma gente zelosa da sua identidade… É mesmo preciso ganhar!
Mas no que toca ao futebol em questão, Leonardo Jardim, o 3.º classificado da Liga à passagem para esta jornada, anuncia que a equipa que alcançou a histórica vitória em Birmingham poderá ter o mesmo onze titular. Uma boa notícia para Nuno Gomes, que assim manter-se-á intacto na equipa que subirá ao relvado do D. Afonso Henriques. A grande exibição e dinamismo apresentado pela equipa nos últimos jogos, acaba por mascarar os defeitos da sua asa esquerda, talvez o ponto mais fraco da formação arsenalista. O talentoso Hélder Barbosa e o seu defesa acompanhante Elderson aparecem como heróis da manobra ofensiva, mas no capítulo defensivo ambos têm falhado. É pelo seu lado que nasceram os lances de perigo e o golo do Birmingham… À atenção de Leonardo Jardim, já que é no lado direito que o Vitória de Guimarães mostra mais competência. E, claro, a pressão do público no estádio será um factor a ter em conta. Em nenhum outro estádio os jogadores do Braga sentirão tamanha animosidade como em Guimarães. Será que este facto fará tremer a equipa do Braga?
Veremos! Os sete pontos de vantagem na tabela e as recentes exibições poderão ser um tónico positivo sobre a equipa. E do outro lado encontrarão um adversário ainda em busca de si mesmo, eventualmente desconfiado, mas cheio de vontade de agradar aos seus apaniguados…
Grande espectáculo no Minho, esperemos que sem violência e com muita intensidade. Afinal o ‘grande’ do Minho visita Guimarães!

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