segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Mercado das flores não é só em Amesterdão!

Amesterdão é a cidade afamada pelo mediático mercado onde só se vendem flores. Braga, porém, durante dois dias no ano, tem também o seu mercado das flores, mais modesto, mas tradição a salientar. 
A Praça do Município veste-se de um colorido inusitado e, desde há cinco décadas, oferece aos bracarenses a oportunidade de vestirem os cemitérios com as flores selectas do mercado aqui instalado. Mesmo para aqueles que consideram esta época um pouco confrangedora, devido à ida aos cemitérios, trata-se de uma tradição aliada ao povo português e que tem no Minho uma expressão elevada. A homenagem aos ente-queridos funciona como catarse e tem raízes nas primitivas tribos que nos antecederam. Os romanos tratavam a morte com enorme dignidade e foi o Minho que derrubou um governo por causa do cesar dos enterramentos nas igrejas... 
Este mercado das flores à moda de Braga é uma curiosa tradição que vale a pena apreciar, desfrutar e valorizar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Ideias para Braga: Centro Cultural...

Segundo o plano de investimentos para a reabilitação urbana de Braga, dois centros comercias serão renovados. São eles as galerias Lafayete na avenida Central e o Shopping de Santa Cruz no largo Carlos Amarante. Se o primeiro se situa num edifício, também ele mal conseguido, mas sem relativo impacto visual, já o segundo é uma das maiores desilusões situada no perímetro do centro histórico. 
Outrora convento dos Remédios e depois central de autocarros, este centro comercial está hoje degradado e a pedir, não uma reabilitação, mas um projecto inovador e de raiz. 
Se, em lugar de apoiar o comércio num edifício que já não parece ter futuro como centro comercial, se elaborasse um grande projecto que integrasse o cinema São Geraldo, também ele em vias de reconversão e a antiga Escola Profissional juntamente com o Shopping de Santa Cruz, numa espécie de grande Centro Cultural, talvez a cidade tivesse mais um decisivo meio para a carência cultural que evidencia. Apoiar e suportar um financiamento para um tipo de actividade que já expirou as suas possibilidades neste edifício, parece um grave erro e uma oportunidade perdida para a cultura na cidade.
Esse centro poderia englobar espaços de exposições, salas para cursos, um pequeno auditório, um bar e um restaurante com espaço para concertos...e o espaço para as indústrias criativas que será instalado no antigo quartel da GNR. O cinema São Geraldo poderia funcionar para cinema alternativo (BragaCine?), concertos de música alternativo ao programa do Theatro Circo e, porque não, para a tal cinemateca que foi falada para Braga.
O antigo quartel da GNR? Esse daria uma óptima Pousada da Juventude...

Porque não um parque?

Todos sabemos que o palco mediático da política implica que os partidos e respectivos políticos deixem bem vincadas as suas diferenças de ideias e opiniões. Sabem também que em Braga se vive uma renhida e acesa luta entre o partido socialista, no poder há quase quatro décadas, e a coligação de direita que já ameaçou o trono de Mesquita Machado nas últimas eleições. Por tudo isto, todos os assuntos e projectos são oportunidade para manifestar as diferenças. Todavia, alerto para a necessidade de, independentemente das motivações que presidirem a quem os promove, se colocarem de acordo com os projectos que são prioritários para os bracarenses.
A discussão em torno do Parque urbano do Picoto parece interminável e o prejuízo é de todos os bracarenses que há tanto anseiam por espaços verdes e de lazer. Há verbas do QREN para este projecto que poderão escapar caso a autarquia não seja célere no processo!
Ainda que Ricardo Rio conceda prioridade ao parque monumental das Sete Fontes - e eu, e muitos bracarenses, até possa estar de acordo com ele... - a verdade é que podemos perder uma oportunidade de financiamento que, a confirmar-se, será uma péssima gestão do erário público. Se está programada a obra e há financiamento, má conduta é não aproveitar...
Queremos um parque. O Picoto é um recurso natural que nunca foi devidamente aproveitado pela cidade. Tem uma localização invejável - neste aspecto bastante melhor que as Sete Fontes - e o projecto elaborado pela autarquia é efectivamente interessante e motivador. Por isso, esperemos que, neste caso, a oposição se coloque do lado dos anseios dos bracarenses, mesmo deixando as ressalvas que tem levantado em relação ao processo de expropriações e às motivações da autarquia.

Cidade mal planeada?

Na última reunião de vereação, realizada um dia após o forte temporal que assolou Braga, Ricardo Rio acusou Mesquita Machado de uma "claríssima falha no planeamento da cidade". Acrescentando a isto, sublinhou a escassez de meios que a protecção civil dispõe no município, problema que já foi levantado em outras situações semelhantes.
A questão do planeamento urbano é oportuna e justificará, no futuro, uma análise mais aprofundada. Sendo a área do planeamento um parâmetro multi-disciplinar, exigiria a presença, não apenas de arquitectos ou geógrafos, mas também de arqueólogos, historiadores, sociólogos, bem como outras instâncias que se dedicam a aprofundar a natureza do tecido urbano bracarense ou que trabalham em projectos de vertente social. Se uma cidade não é construída tendo em atenção o seu contexto histórico, sociológico e urbanístico, então os decisores políticos, quaisquer que sejam, correrão o sério risco de cometer erros difíceis de corrigir. Talvez Braga esteja a começar a pagar o preço de um crescimento acelerado e, seguramente, pouco reflectido.
É uma pena que nas reuniões de Assembleia Municipal ou de Vereação não co-exista um esforço conjunto por pensar as linhas com que se traça uma cidade. Não basta alterações de PDM atempadas, mas é necessário que sejam bem discutidas e aprofundadas. Não pode ser de ânimo leve, que se deixa destruir edifícios referência na arquitectura da cidade, ou que se permite o desaparecimento de ruas e das respectivas comunidades, como entretanto já sucedeu. Não basta traçar avenidas e artérias com a régua e esquadro. Não chega permitir uma volumetria de construção suficiente para determinada área. É preciso ir mais longe! É necessário pensar nas pessoas que aí se irão concentrar. É preciso entender a história como parte integrante da própria cidade. É preciso perceber que tipo de estruturas são necessárias patrocinar para o serviço do conjunto de cidadãos que determinada área alberga. A falha nos espaços verdes e de lazer é, talvez, o maior pecado e evidência das últimas décadas  de gestão autárquica.
Salvaguardo que em Braga nem tudo é falha e desorganização. Há bons exemplos de urbanismo. Pena é que haja também tão maus planeamentos efectuados... 
Que soluções poderemos adoptar para minorizar os efeitos de uma cidade, em parte, mal planeada? Seria este um tema tão pródigo para o futuro de Braga. Assim os 'nossos' políticos o queiram discutir...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Rio Este, inofensivo, mas pouco...

 
Pequeno curso de água, nasce na Serra do Carvalho, situada na freguesia de S. Mamede d’Este, em pleno concelho de Braga. É um dos afluentes do Ave, ao qual se junta já perto da foz, em Vila do Conde. Tal como o Ave, o rio Este está bastante poluído, já desde o século XIX, quando o labor das lavadeiras e as tão conhecidas fábricas de chapelaria faziam as suas descargas poluentes sobre o seu curso. Mas nem sempre foi assim, pois em várias crónicas de séculos passados é referida a riqueza deste rio em peixes tais como barbos, enguias e trutas. Este rio esteve, durante séculos, ligado à cidade devido à actividade dos inúmeros moinhos aqui existentes. Foi, este rio, um dos principais factores que levaram os romanos a trazer os brácaros do cimo dos montes para o vale fecundo onde fundaram Bracara Augusta, há mais de 2 mil anos.
Apesar de parecer um curso de água inofensivo chegou a ser responsável por várias enchentes, especialmente nos meses de inverno, sendo uma delas um dos episódios mais trágicos da história de Braga. Foi há pouco mais de duzentos anos, e em pleno verão, a 30 de Junho de 1779, quando uma inesperada subida do caudal do Este destruiu várias dezenas de casas e moinhos, matando 32 bracarenses. Hoje em dia os habitantes que ainda sobrevivem junto ao rio continuam a ser vítimas de pequenas cheias, tal como em 2002 quando as águas do rio chegaram a atingir os telhados de várias habitações ribeirinhas.   
Ontem ocorreu mais um episódio negro, com uma vítima a lamentar.

Braga debaixo de chuva...

Braga fez jus ao seu estatuto de penico do céu. Chuvas torrenciais, trovoadas, vento forte emperraram o trânsito, inundaram ruas e casas, fizeram transbordar o rio Este. Não deixa de ter o seu encanto, embora carregue inúmeros inconvenientes.
Há um facto a lamentar. Um homem está desaparecido em Lomar. Poderá ter sido arrastado pela corrente do rio Este, junto à Ponte Nova.
Amanhã o cenário será muito semelhante...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Autárquicas 2013: Ricardo Rio já tem oponente!

Acabou o tabú... O amigo de Mesquita Machado já assume o papel de candidato. Agora só falta convencer Vítor Sousa e Hugo Pires...e os seus apoiantes.
Preparem-se bracarenses, pois o embate autárquico está a começar. Ricardo Rio versus António Braga!

Picoto: tribunal devolve processo à Câmara!

O tribunal considerou improcedente a reclamação da Arquidiocese de Braga relativa ao processo de expropriações dos terrenos onde será construído o Parque urbano do monte Picoto. Desta forma, a autarquia tem toda a legitimidade para avançar com as expropriações que permitam iniciar a construção do tão aguardado parque.
A mini-guerra com a diocese, inédita na gestão de Mesquita Machado, ainda não está terminada. Recorde-se que a remodelação do Parque da Ponte também justificou um pedido de embargo das obras, da parte da Mitra bracarense, pelo facto de, como proprietários, não terem sido informados do processo. Ainda não percebemos o motivo destes conflitos que Mesquita sempre evitou e que seriam desnecessários, caso houvesse lugar a diálogo.
Será desta que o Parque irá avançar?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Domingos no caminho do Jamor!

O Sporting Clube de Braga irá defrontar o homónimo Sporting em Alvalade na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Naquele que é um dos objectivos claramente traçados pelos Guerreiros do Minho, terá agora pela frente o treinador dispensado e que está em alta - como seria de esperar!
Na última época, recorde-se, o Braga também foi a Sintra na 3.ª eliminatória e depois voltou a Lisboa para defrontar o Benfica no estádio da Luz. Perdeu por 2-0 e foi eliminado. Incrivelmente a história parece repetir-se. Todavia, ainda faltam 90 minutos e, provavelmente, muita emoção e golos...esperemos que na baliza do delfim de Paulo Bento!
Os jogos serão disputados a 20 de Novembro.

Miguel Macedo abdica de subsídio...

O ministro bracarense recebia subsídio por supostamente viver em Braga. Todavia tem outra casa em Algés. Agora anunciou que vai abdicar das ajudas de custo de alojamento...mas apenas depois da imprensa ter comentado a situação...

sábado, 22 de outubro de 2011

Martinho, o grande!

Hoje a Igreja de Braga está em festa, pois celebra-se o padroeiro principal da arquidiocese. Trata-se de um homem de excepcional importância para Braga e todo o noroeste peninsular que, crentes e não-crentes, devem conhecer e valorizar. Não é só a Igreja que está em festa, mas todos os autênticos bracarenses.
Martinho era natural da Panónia, província romana situada no território da actual Hungria, tendo nascido presumivelmente no ano de 520. Este santo foi bispo de Braga de 562 a 579, numa época conturbada em termos religiosos, na qual exerceu um papel fundamental em termos diplomáticos e religiosos. Em tempos de heresias, Martinho conseguiu converter o rei suevo, cuja corte se situava em Braga, ao cristianismo e, desta forma, conseguiu converter todo o Reino. Era um homem de uma eloquência e sabedoria elevada e por isso proferia discursos e pregações excepcionais. Legou-nos alguns livros de enorme valia no campo moral e ético, documentos que utilizou para purificar a fé do seu supersticioso rebanho. A influência de mitos, medos e superstições no imaginário do povo, conduziam a uma fé pouco depurada de influências pagãs e incoerente com a fé em Jesus Cristo. Dentro desta ‘limpeza’ se inclui a dos dias da semana.

Morreu a Bracalândia!

Aquele que era um grande produto turístico para a cidade de Braga, e que inexplicavelmente foi 'corrido' para Penafiel, anunciou que não tem condições económicas para continuar. A saída de Braga, aliada à actual conjuntura económica, facilitaram este desfecho.
Continuamos a questionar como é que o nosso país é tão pobre em parques temáticos e de diversões. No dia em que o Turismo for prioridade talvez consigamos valorizar este tipo de empreendimentos.
E Braga? Perdeu tanto em visitantes sem a Bracalândia (alguns ganharam a valorização dos seus terrenos, com a construção do Instituto Ibérico...) e, para calar os críticos, viu o presidente da autarquia anunciar negociações para a instalação de um grande parque de diversões... 
Onde está?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Maribor, capital europeia...

Maribor, a cidade eslovena que hoje recebe o Sporting Clube de Braga, tem muitos pontos em comum com o Minho, para além do panorama futebolístico. Maribor irá suceder a Braga como Capital Europeia da Juventude em 2013... e será, em conjunto com Guimarães, Capital Europeia da Cultura em 2012!
Para comemorar tal similitude, nada melhor que uma grande vitória. Assim esperamos, mais logo! Sem Salino e sem invenções é possível...

Benvindo Outono!

O Outono tardou, mas finalmente chegou a Braga. Vale a pena aproveitar a originalidade das cores que vão pintalgar as paisagens até Dezembro!

Braga respira barroco!

Começou hoje e termina no próximo sábado, o Congresso Luso-Brasileiro do Barroco. Centra-se no santuário do Bom Jesus do Monte e promete ser o mote para a candidatura desta estância a património da Humanidade.

A crise chegou aos bancos?

A questão é legítima e parece estar em consonância com as declarações repetidamente proferidas pelos líderes dos principais bancos portugueses. Parecem muito preocupados com a crise portuguesa e europeia, revelam problemas de financiamento a médio prazo e até parecem afectados pelas agruras da crise, como a maioria do povo português.
Porém, e observando a folha de vencimentos dos seus altos quadros dirigentes, consultores e até quadros intermédios, parece que a crise é um cenário muito distante. Os vencimentos bem acima da média nacional constituem-se como uma perfeita incoerência. É este o destino dos nossos depósitos? Andamos a suportar os luxos de alguns, que bem poderiam auferir significativamente menos e assim sustentar-se melhor financeiramente...
Comecem por poupar e dar sinais de sintonia com os sacrifícios dos portugueses e depois venham falar de crise e financiamento. Haja moralidade!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ideias para Braga: recriar fachadas!


Eventualmente já se terá lamentado pela quantidade abusiva de prédios dos anos 60, 70 e 80 que proliferam pelas ruas do Centro Histórico. Em tempos não muito distantes, e quando ainda não existia legislação a proteger os centros históricos, cometeram-se graves atentados contra o património de Braga. As fotos acima expostas são de artérias bem próximas da Sé Primaz: o largo de São Paulo e a rua D. Frei Caetano Brandão. 
É pena. Todos lamentamos. E ninguém faz nada para alterar a descaracterização evidente da nossa identidade. Porém, há um projecto que poderia ajudar a corrigir estes erros.
Refazer os edifícios seria projecto utópico. Mas refazer a fachada, sem alterar o interior dos edifícios, não seria empreendimento de grande monta. Colocar cantaria nas janelas e portas, pintar as fachadas com as habituais colorações oitocentistas e corrigir as varandas, dando-lhes a índole férrea e mais curta.
Impossível? Talvez não...

Assim não, bracarenses!

A imagem acima exposta foi captada esta tarde no curso do rio Este, junto à rua Professor Machado Vilela, onde se situa o Tribunal e o Centro Regional da Segurança Social. 
Sim, é lixo... Sacos de lixo tombados sobre o rio, patrocinando a poluição das águas e a proliferação de ratos. Não é caso único! Quem percorrer o curso do rio, a montante ou a jusante, há-de encontrar outros exemplos semelhantes a este...
Que fazer quando são os próprios cidadãos a contribuir para a degradação do património natural da sua cidade? Que falta de civismo e bom senso pode justificar actos destes? E a fiscalização da AGERE ou da Autarquia? Não fiscalizam? Não incriminam actos destes?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ah, grande Reitor!

Todos sabem que há abusos, humilhações e exageros... Todos sabem que nem todos os alunos têm a mesma proveniência ou sensibilidade... Todos sabem que quase todos se calam por receio e medo de represálias ou de rejeição da parte dos colegas...Todos sabem que o código da praxe é atropelado frequentemente... Agora vêm falar como se fossem 'anjinhos' ou vítimas de alguns pais à moda antiga!
Finalmente um Reitor resolveu colocar tudo em ordem! Obrigado!

Braga no ano de 1750

domingo, 16 de outubro de 2011

Dívidas e responsabilidades...

O valor do PIB português referente ao ano de 2010 foi de 167 mil milhões de Euros. Sendo que a nossa dívida pública atingiu um valor próximo dos 97 % do PIB, podemos aferir que o aumento brutal da dívida externa a partir do ano de 2009 se deveu, em grande parte, à crise financeira mundial. No contexto português há alguns factores a explorar.
Sim, é verdade, o último governo esgotou a sua capacidade de previsão e compromoteu o Estado com obrigações (contratualizações para obras públicas e concessões a privados) que excederam largamente a nossa capacidade financeira. Há, portanto, responsabilidade política. Todavia, está longe de ser total.
Oliveira e Costa e Dias Loureiro, os amigos do nosso Presidente, obrigaram o Estado a endividar-se brutalmente para não colocar em risco o sistema financeiro português. Foram 25 mil milhões de Euros, o que representa quase 20 % do total da dívida pública. Se acrescentarmos a este valor os quase 6 mil milhões que a Região Autónoma da Madeira acumulou como dívida, teremos um valor significativo.
Se, após tomar posse, o Governo revelou que era necessário um trabalho colossal para recuperar o desvio de mil milhões - que seria compreensível dada a instabilidade política e financeira vivida em Portugal nos meses de Março, Abril e Maio - então, que diremos do desvio de Alberto João Jardim?
Concordo com a proposta da JSD, de criminalização dos políticos. Todavia, haja moralidade! Se este regime legal estivesse em vigor, não seria José Sócrates o único e exclusivo afectado...
Por vezes sinto que a direita se arroga de ser mais honesta e competente no poder que a esquerda. Porém, os casos que penalizam os políticos têm vindo quase todos do mesmo sector político: Valentim Loureiro, Isaltino Morais, Duarte Lima, António Preto, Helena Lopes da Costa, Dias Loureiro, Oliveira e Costa...Alberto João Jardim...

PS - António Guterres, tão acusado por comentadores e pseudo intelectuais de ser o responsável pelo início desta 'década perdida', foi o último Primeiro Ministro a conseguir uma redução significativa da dívida pública... Análises estatísticas da economia europeia e mundial na última década (Cf. Entrevista a Medina Carreira) confirmam que o crecimento médio do PIB se situou entre 1 e 2%, numa efectiva desaceleração económica dos países desenvolvidos. Afinal a culpa poderá não ser cor-de-rosa...

Ideias para Braga: História da cidade

Agora que a tutela das Escolas básicas passou a ser competência das autarquias, há alguma autonomia para implementar projectos educativos que visem a promoção e divulgação da história e cultura local. Penso que, dado o volume historigráfico de Braga, se justificava utilizar alguns tempos lectivos da denominada disciplina de Formação Cívica para leccionar aquilo a que gosto de chamar Bracarografia. Tratar-se-ia de cultura geral sobre a história da nossa cidade, passando pela abordagem de algumas datas, figuras e monumentos. É inadmissível ser bracarense sem saber quem foi e o que fez D. Diogo de Sousa, ou não perceber o papel de Braga na fundação do nosso país, perceber quem foi André Soares ou Carlos Amarante, porque somos apelidados de Roma Portuguesa, Cidade dos Arcebispos ou do Barroco... Também poder-se-ia aproveitar para ensinar a letra do hino da cidade de Braga, bem como promover a visita a alguns museus da cidade. 
A Universidade do Minho em conjunto com a autarquia, poderia promover uma pós-graduação em História de Braga para docentes que, vindos de outras áreas, poderiam ter aqui uma possibilidade de beneficiar de novas oportunidades.
Isto, sim, seria cultura e serviço público.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dados e trunfos das autárquicas 2013

O embate autárquico que sucederá dentro de dois anos está a gerar uma expectativa incomum na história da democracia bracarense. Já se perfilam os candidatos - Ricardo Rio assumiu abertamente a sua terceira candidatura e António Braga confirmou a esperada disponibilidade para suceder a Mesquita Machado - e sobram assuntos polémicos para antecipar o duelo. Nesta perspectiva recordo alguns dados e trunfos que poderão ser decisivos na hora de acolher os votos dos cidadãos bracarenses.

  • O Futebol: todos sabemos que foi real a sondagem a António Salvador para ser o candidato do Partido Socialista. O capital de confiança de que goza junto da cidade e a proximidade evidente com Mesquita Machado, poderão constituir um apoio de peso para qualquer candidato socialista. O distanciamento de Ricardo Rio para com a maior instituição da cidade e seu principal embaixador poderão fazer temer os associados do Sporting Clube de Braga. Não queremos ver em Braga o que sucedeu com o 'outro' Rio no Porto. A autarquia deverá apoiar sempre incondicionalmente o clube que mais publicita a cidade e cujo crescimento tem trazido incontáveis dividendos para o município. Caso Ricardo Rio se torne cada vez mais braguista e menos sportinguista, talvez a balança fique um pouco mais equilibrada... 
  • A Reforma Autárquica: este é outro assunto que fará correr muita tinta até 2013. Segundo os critérios apresentados pelo Governo, o município bracarense poderá 'escangalhar' cerca de duas dezenas de freguesias rurais ou suburbanas. A concretizar-se será um desastre para muitas das nossas pequenas comunidades. Mesquita Machado já mostrou querer fazer deste ponto uma luta política. Todos sabemos que o Partido Socialista goza de maior popularidade nas freguesias menos urbanas. A capitalização desta luta, e caso Ricardo Rio não vinque uma posição de força para com a reforma proposta pelo 'seu' governo, milhares de votos poderão circular para o lado oposto, independentemente do candidato apresentado. A simpatia e gratidão pela obra de Mesquita Machado nas freguesias terão certamente repercursão positiva no seu sucessor. 
  • Independência face ao lobby da Construção Civil: Todos sabemos como os lobbys nos corredores do poder são fortíssimos e sufocantes. Os bracarenses estarão seguramente sedentos de isenção relativamente a um sector que está em forte crise. Por tudo isto, o próximo edil terá a ganhar se não lhe reconhecerem amizades pungentes pelos senhores do cimento. Ricardo Rio parte em vantagem neste campo. E o Partido Socialista tanto maior crédito alcançará junto do eleitorado urbano e esclarecido, caso escolha um candidato que represente uma absoluta isenção. Em face do actual cenário de crise, é de crer que muitas empresas vejam a autarquia como um cliente valioso para os seus projectos e empreendimentos...
  • Espaços Verdes e Cultura: Caso se efectue um inquérito à população de Braga - em particular à que habita na zona urbana - seguramente que o défice evidente de espaços verdes e de lazer será reportado à autarquia. Também a carência de mais actividade cultural e de respeito e promoção do património da cidade, serão comentados. Ora, o candidato que apresente propostas mais concretas nestes campos terá um maior capital de confiança dos eleitores urbanos. Parques urbanos, defesa intransigente do património e dinamização dos espaços culturais existentes, serão propostas interessantes e que visem a adesão da população a projectos. Neste aspecto Ricardo Rio, pelo trabalho continuado e visível na oposição, poderá estar em vantagem. Veremos!

Igreja dos Terceiros classificada!

Mais de uma década após o início do processo de classificação, a Igreja dos Terceiros vai obter o estatuto de monumento de interesse público. Trata-se de mais uma importante distinção para o património bracarense. Este templo, recorde-se, viu a sua estrutura abalada significativamente pelas obras de construção do túnel que liga a Avenida António Macedo à Avenida da Liberdade, tendo sido reforçada a sustenção do tecto e do coro alto por essa altura. A classificação visa a sua conservação e protecção, dada a fragilidade manifestada pela sua estrutura edificada.
Originária do período pré-barroco, a igreja apresenta uma interessante colecção de azulejos e retábulos acrescentados no final do século XVIII, em estilo neo-clássico. Deve-se a sua construção à Ordem Terceira de São Francisco no ano de 1690.

Ricardo Rio é candidato!

Ricardo Rio confirmou ao Correio do Minho o que todos já esperavam. Resta saber quem terá de enfrentar no outro lado da contenda...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Aqui efectivamente nasceu Portugal!

 
Para quem efectuou o trajecto Memória e Conhecimento, promovido pelo Festival de Outono da Universidade do Minho, teve a feliz oportunidade de sentir bem próxima a fundação da nacionalidade. Se o slogan escolhido pelo Estado Novo para rebaptizar a cidade de Guimarães - Aqui nasceu Portugal! - teve um impacto errático nas populações, dado que acham que se refere ao nascimento de D. Afonso Henriques quando o objectivo era indicar a Batalha de S. Mamede, então não poderá ser mais acertado se aplicado à cidade de Braga. É verdade! E não se trata de nenhum laivo de fervor bairrista...apenas corrigir a verdade histórica, tantas vezes ocultada por romantismos e lendas.
O documento, cuja foto tive o privilégio de tirar por mão própria, que acima vemos é a chamada Certidão de nascimento de Portugal. Neste manuscrito, datado do dia 27 de Maio de 1128, podemos observar as assinaturas legíveis de D. Afonso Henriques e do Arcebispo de Braga D. Paio Mendes. Para além de renovar o apoio declarado às pretensões do Infante, o Arcebispo Primaz vê fortalecidos os seus poderes sobre o Couto de Braga e, em troca, confere apoio militar na guerra contra D.ª Teresa. Este suporte militar permitiu a D. Afonso Henriques vencer a batalha mais importante da sua vida: S. Mamede, que se deu a 24 de Junho do mesmo ano, perto de Guimarães.
Ora, se a história popular criou o mito de Guimarães como berço da nacionalidade, há que acrescentar que foi em Braga que tudo se definiu. Se há legitimidade para Guimarães ufanar-se de ser o berço da nação, então Braga terá até maior disponibilidade nesse ensejo. Aqui nasceu Portugal poderá ser aplicado a Braga, com toda a propriedade.
Em Braga concretizou-se o plano e em Guimarães verteu-se o sangue...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Braga Menor: as ruínas discretas...

Quando há alguns anos atrás a Câmara decidiu realizar a renovação urbanística do Largo de São Paulo, a unidade de arqueologia encontrou vestígios de uma residência romana sob o solo. Dado que era difícil manter as ruínas a céu aberto, optou-se por deixar gravado no pavimento o espaço ocupado pelas mesmas. Hoje os trausentes que por lá circulam não imaginam a razão daqueles traços geométricos no chão que pisam. 
Porque não colocar um painel a explicar a importância do local e o que significam estas ruínas? Porque é que ainda não percebemos a importãncia da herança romana da nossa cidade? Porque é que ainda não aprendemos a valorizar Bracara Augusta e não fazemos de Braga o mais importante local para se falar da civilização romana em Portugal?
A aguardar que algum responsável autárquico leia este texto...

Ângulo Maior: Braga vista do antigo paço!

A cidade mais quente do país!

Não se trata de uma alusão à juventude efeverscente que pauta o ritmo de vida da cidade. Nem sequer me refiro ao calor provocado pelas praxes académicas...
Nos meios de comunicação social, Braga é destaque por apresentar a temperatura de 32º. Hoje somos destacadamente os mais quentes de Portugal!

A última entrevista de Luís Archer

Há dois dias o nosso país perdeu um grande homem, padre e cientista. Quando ainda pertencia à Companhia de Jesus, tive a oportunidade de entrevistar o Pe. Luís Archer, para a revista Educar para Servir. Tratava-se de um homem grande, enorme na simplicidade, afável e sorridente. Em Junho passado retive-lhe estas palavras que passo a transcrever.




O Pe. Luís Archer tem 82 anos, é jesuíta há 61 anos e dedicou quase toda a sua vida à investigação científica. É considerado o ‘pai’ da genética molecular portuguesa, tendo-se destacado no mundo académico. Actualmente reside na Comunidade do Colégio de São João de Brito e aceitou gentilmente tecer umas palavras à Educar para Servir.
Qual é o segredo para descobrir a vocação?
A vida é extremamente curta e é preciso ver longe. Todos nós temos tendência para a eternidade e a vocação é um desafio a ver o definitivo perto de nós. A vocação não é nenhum segredo, mas a descoberta do nosso lugar na Igreja.
A sua vida foi uma espécie de conciliação entre a fé e a ciência. É possível superar as dificuldades que surgem deste conflito de mundividências?
É preciso ver que isto tem uma história. Até ao século XVII, a religião e a ciência tinham quase o mesmo ponto de vista. A Bíblia era um suporte lógico para as falhas e deficiências da investigação científica. A partir do momento em que se começou a avançar e a perceber que a Bíblia não era uma manual científico, houve uma oposição da Igreja perante a Ciência, que só ficou resolvida recentemente. Um cientista a sério tem que dormir, pensar e trabalhar inteiramente naquilo que busca. A vida religiosa implica obrigações que muitas vezes podem aparecer como inconciliáveis. Eu consegui as duas coisas, mas muitos disseram-me “Não vais conseguir!”. Apesar disso, o Papa diz que é bom que apareçam pessoas que conciliem estes dois tipos de vida. Deus não é um objecto científico, por isso é difícil implica-lo na investigação científica. Mas é possível ser cientista e ser um homem de fé.
Não pensa que os padres se devem dedicar exclusivamente aos sacramentos, dada a crise de vocações sacerdotais?
Há o perigo de ‘meter’ a religião na sacristia. Houve tempos em que a preocupação era que os padres não se limitassem ao trabalhjo pastoral. Hoje parece que estamos ao contrário. Por isso, é bom que os padres sejam capazes de conciliar outras tarefas para além do que é exclusivo dos sacramentos. É preciso que haja alguns que se aventurem nas áreas onde está a sociedade.
O Concílio Vaticano II proclamou o fim de uma Igreja exclusivamente clerical, colocando ao mesmo nível todas as vocações, nomeadamente a laical. Não podem os leigos ser mais responsabilizados na missão da Igreja?
A Igreja do futuro há-de ser um vaivém constante de o padre não ser só padre. E depois pode banalizar-se porque já faz todas as coisas e há um movimento oposto para o padre ser só padre. A história é sempre marcada por ciclos. É preciso ver que a Igreja não tem a mesma infalibilidade nas questões morais ou sociais, como tem nas questões teológicas. Portanto, há uma necessidade evidente de questionar constantemente as suas posições. Tudo aquilo que puder ser feito por leigos, deve ser feito. Por exemplo, a administração das paróquias pode ser entregue a leigos e muitas vezes não é. O padre continua, muitas vezes, a manter um estilo dominador. Por isso, o ideal do Concílio ainda não está instalado na Igreja. Está longe de ser a prática normal.

sábado, 8 de outubro de 2011

Reforma autárquica: Comunidade e comunidades

As recentes declarações, quer do presidente Mesquita Machado, quer do líder da oposição, Ricardo Rio, a respeito das pretensões do Governo para a redução do número de freguesias e dos critérios adoptados para a execução dessa mesma reforma administrativa, fazem prever um tempo de árdua discussão e polémica. Mesquita Machado radicaliza o discurso, talvez numa tentativa de captar a adesão popular, e Ricardo Rio, certamente consciente do efeito lesivo que esta proposta poderá ter sobre muitas das nossas pequenas comunidades, adopta uma posição moderada, mas de valoração idêntica à do edil. Neste ponto estão os dois de acordo: "não se pode cortar freguesias tendo em atenção apenas números demográficos".
É verdade que se justificava uma revisão evidente na organização administrativa, nomeadamente no tecido urbano. É certo que as Câmaras Municipais centram a sua principal atenção e investimentos na área predominantemente urbana do município, daí o papel das juntas de freguesias urbanas ser limitado. Outro aspecto a considerar, é o facto das populações das cidades - em particular nas de maior dimensão - já não terem vinculação a mini-comunidades. A cidade vale pelo seu todo e a dimensão bairrista das freguesias está em nítida quebra. Hoje quando alguém decide viver numa cidade, escolhe a cidade e não uma freguesia determinada do tecido urbano. Estamos perante comunidades abertas que permitem uma mobilidade acentuada, já não falamos de indivíduos que vivem toda a sua vida no mesmo local e com as mesmas pessoas. As relações dissolvem-se no anonimato das cidades. O paradigma cultural mudou e com ele o estilo de vida das pessoas também se alterou.
            Por tudo isto, parece plausível e justificada uma neo-organização da cidade no seu funcionamento e administração. Porém, nas freguesias semi-urbanas e nas de cariz rural o vínculo social entre as populações é muito denso. O papel das juntas de freguesia é essencial na reivindicação de pequenas e médias intervenções da parte do poder local. Têm igualmente uma função relevante na promoção do associativismo e de iniciativas particulares que fundem a cultura local e unem as populações. Portanto, o mapa das freguesias rurais não poderá ceder a números populacionais que, dado o estatuto de nivelação do munícipio bracarense, se transformaria num verdadeiro desastre para inúmeras comunidades. Não são os números definidos em gabinetes da capital o critério essencial. Este processo só poderá ser bem-sucedido se existir um profícuo diálogo com as comunidades locais e com as autarquias, que têm maior legitimidade para analisar e propor alterações administrativas.
Se assim não for, poderemos estar perante um grave erro, que terá consequências nefastas para muitas das actuais comunidades.

Futuro Maior: TUB mobile

A TUB acabou de lançar um inovador sistema que permite aceder a toda a informação referentes às linhas e horários de transportes no telemóvel. Chama-se TUB mobile e está acessível para download na página dos Transportes Urbanos de Braga. Um pequeno passo de modernização e eficácia, numa altura em que as empresas municipais em falência técnica estão em risco de extinção.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Obrigado Universidade do Minho!

Uma vez mais a Universidade do Minho promoveu o denominado Festival de Outono. Trata-se de uma iniciativa que conta com um vasto programa cultural disponibilizado gratuitamente nas cidades de Braga e Guimarães aos alunos e à população que quiser aderir. Gostaria de ressaltar em particular as visitas guiadas ao romano e medieval da cidade de Braga, não apenas pela oportunidade que constituíram, mas igualmente pela possibilidade de percepcionar a importância que esta Universidade tem no panorama cultural da capital minhota. A maior parte dos vestígios de Bracara Augusta devem-se à unidade de arqueologia fundada com a academia bracarense nos anos 70. O trabalho de investigação promovido pelos seus alunos e docentes, integrado numa profícua colaboração com a autarquia e com outras instituições, está hoje a recolher fruto. O aumento da afluência de turistas à cidade, bem como o crescimento e surgimento de novas unidades museológicas, revela uma nova imagem de Braga, que tem uma herança do seu vasto passado invejável no contexto português.
Descansem os neo-estudantes porque o trabalho ainda está longe de estar terminado. No que toca à herança romana ainda muito há a investir. E saber que vivemos numa das cidades mais importantes do período imperial, capital de reino bárbaro, sede da mais antiga província eclesiástica das Hespanhas...
Obrigado Universidade do Minho!

Não, não será contigo Salino!

Em recentes declarações, analisando o presente momento da equipa bracarense - que conta duas derrotas consecutivas para a Liga Europa e campeonato - o jogador Leandro Salino referiu que o Sporting de Braga "tem de voltar às vitórias". Uma coisa é certa, com Salino em campo dificilmente tal sucederá, isto se excluirmos o simpático embate para a Taça de Portugal com o 1.º de Dezembro.
Nunca fui um particular admirador deste jogador e da sua forma de jogar, que parece exceder sempre as medidas à crítica. Domingos insistiu, mas percebeu a sua pouca produtividade. Leonardo Jardim parece ainda não ter percebido...
Contra a União de Leiria revelou a sua inutilidade na produção de jogo ofensivo. Agarrado à bola, ocupa pouco espaço no terreno de jogo, sendo frequentes as perdas infantis quando a equipa está a tentar construir jogo atacante. Geralmente oferece contra-ataques ao adversário. Revela pouca visão de jogo e alguma ineficácia na recuperação do esférico. No recente encontro da Liga Europa, substituiu Mossoró e a equipa sofreu dois golos e manifestou inoperância atacante. Porque será? 
Ainda não perceberam...

D. João Peculiar: "El Pixote!"

Já todos os bracarenses coraram de vergonha por verem a sua cidade exposta ao ridículo nas televisões e jornais - ávidos de sensacionalismos - devido à polémica estátua de D. João Peculiar. A notoriedade do seu fálico báculo até poderia ser bem aproveitada para finalmente fazer jus à importãncia que este Arcebispo brácaro teve na fundação do nosso país. Segundo o inatacável José Mattoso, D. João Peculiar foi a "segunda figura histórica mais relevante da fundação de Portugal", isto num ranking liderado por D. Afonso Henriques, o homem que protagonizou as vontades autonómicas do Entre-Douro-e-Minho. Quando é que vamos ver o nome de D. João Peculiar nos manuais de história dos nossos alunos? Falem, falem da estátua, mas aproveitem para falar desta grande figura histórica, à qual devemos o nosso reconhecimento internacional como reino... Talvez um dia tenha um monumento mais adequado à sua grandeza. Enquanto não tem, aproveitemos o mediatismo para o recordar.
Entretanto, o monumento foi recentemente vandalizado... A aguardar atenção dos responsáveis autárquicos.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Os Jesuítas e a cidade de Braga


A Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada a 27 de Setembro de 1540, e cujos membros são apelidados de Jesuítas, é indispensável para nos referirmos à história de Braga a partir do século XVI.
O Colégio de São Paulo terá sido, durante quase dois séculos, um verdadeiro centro difusor de cultura para Braga e a sua região. Documentos referentes ao século XVIII confirmam que terá atingido a cifra de dois milhares de alunos, em alguns anos lectivos. Teve, pois, um alcance amplo. Os métodos educativos adoptados pela Ratio Studiorum da Companhia de Jesus eram absolutamente inovadores para a época. Fomentava-se o espírito crítico e a capacidade de argumentação, recorrendo aos melhores manuais da época. Exemplo deste ensino de excelência é Francisco Sanches, um dos mais ilustres bracarenses da história. Grande médico e filósofo, percursor de Bacon, Descartes e Pascal, tem uma estátua no Largo de S. João do Souto, e foi alvo de grande homenagem ao figurar nas notas de 500 escudos que circulavam por todo o país há cerca de 20 anos. Não foi Jesuíta, é certo, mas é ícone da importância que o Colégio de São Paulo teve na história da cultura de Braga e do Minho.
A fundação do Colégio é atribuída a D. Diogo de Sousa no ano de 1531, todavia o edifício e o seu funcionamento só foi efectivado três décadas após. A iniciativa de chamar os Jesuítas para Braga passará para a história como acção de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que foi o Arcebispo que oficialmente concretizou a entrega do Colégio de São Paulo à Companhia de Jesus no distante ano de 1560. Contudo, é provável que tenha sido o futuro Cardeal e Rei, D. Henrique, a iniciar este processo, dada a sua íntima ligação a esta ordem religiosa. Recorde-se que foi D. Henrique o responsável pela fundação da Universidade de Évora, entregue aos Jesuítas, e pelo fomento da presença assídua dos mesmos na Corte portuguesa.

Que saudades do Cajuda!

Numa altura em que se fala insistentemente do nome de Manuel Cajuda, recordo o tempo feliz passado em Braga. Os meus primeiros anos como associado estiveram ligados ao trabalho de Manuel Cajuda, o treinador mais carismático que passou pelos bancos do Estádio 1.º de Maio. Recordo em particular a fantástica época de 2000/2001 em que o Braga, ainda sem António Salvador e sem 'estrelas', lutou pelo título e humilhou os grandes do futebol português. Só não se falou mais do Braga porque o Sporting, tal como no ano passado, recuperou o 3.º lugar em cima da meta, e surgiu um super Boavista no 1.º lugar. O Benfica olhou para o Braga de baixo...pela primeira vez na história!
Numa altura em que o actual treinador do Braga mostra conformismo e futebol medroso, é tempo de chamar a nós os bons exemplos de futebol de ataque, alegre e motivador. Quem dera que pudessemos apreciar o seu trabalho, agora no Estádio de Souto Moura!
Manuel Cajuda é o treinador com mais jogos ao serviço do Sporting de Braga: 212 jogos acumulados nas épocas de 1994/1995 até 1996/97 e desde os últimos 8 jogos de 1998/99 até 2001/2002. Igualou por duas vezes a melhor classificação do Braga até à época - 4.º lugar - e estabilizou o percurso classificativo do Braga, conquistando para sempre o coração dos bracarenses!
Há coisas que não percebo... Não estariam os treinadores trocados no seu respectivo banco, no recente jogo na Marinha Grande?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Que saudades dos irmãos Vilaça!

Para quem não se lembra, até o ano de 2002 as Festas de São João, a Semana Santa e até a quadra natalícia eram abrilhantadas pelo talento inédito de um grande mestre: José Veiga. Conciliava a sua qualidade artística popular a um amor sem precedentes pela sua terra, Braga! Dessa imensa dedicação nasciam as decorações que adornavam as praças e ruas de Braga, juntamente com os cartazes. Os Irmãos Vilaça era a empresa que adoptava o Mestre que, após a sua morte em 2002, da mesma forma desapareceu. 
Não se pode exigir à actual empresa que tenha o mesmo brilhantismo. Já houve anos em que se esmeraram, é verdade. As decorações natalícias são para esquecer...(Quando é que algum responsável repara nisso???); a Semana Santa passou a exibir cartazes pelas ruas!!! E o São João, esse prolonga-se todo o ano. Estamos em Outubro e as estruturas metálicas, que serviram de suporte, continuam nas ruas e praças, talvez à espera de serem úteis para algum pássaro que deles necessite para apoiar o seu ninho...
Para além de alguma falta de brio, constantes falhas eléctricas parciais, fica a nota de demérito. Como gostaria de ver o Largo do Paço livre daqueles postes metálicos! Como seria usufruir da Avenida da Liberdade sem aquela inusitada parafrenália de ferro e arame...

Portugal: the beauty of simplicity!

Trata-se do mais recente vídeo promocional do Turismo de Portugal. Classe, qualidade e profundidade... Gostei, pena não aparecer uma única imagem do Minho, sem menosprezo para as deliciosas imagens que aparecem. É por estas e por outras que a denominada associação de Turismo Porto e Norte é uma forma de ceder à macro-cefalia portuense.

Isaltinando...

Não, não se trata de uma nova forma verbal, no gerúndio, talvez vocábulo brasileiro introduzido pelo recente acordo ortográfico... Dou asas à minha criatividade para fabricar um vocábulo, muito usado nas autárquicas que reelegeram Isaltino. Isaltinando bem poderá descrever o acto de amizade pungente entre autarcas e empreiteiros, uma espécie de acção beneplácita muito repetida noutros municípios deste país...e talvez do Brasil também. Nisso, é verdade, somos países irmãos.
Na passada semana voltou-se a falar do caso Isaltino Morais. Estava adormecido, parecia, porém a sua detenção veio incendiar a discussão em torno da corrupção na classe política. Não irei discutir a legalidade ou não da sua detenção. Acho isso um pormenor irrelevante em todo este caso.
Os habitantes de Oeiras, escutados nas habituais conversas de imprensa, dizem que fez muito pelo seu concelho, que tem uma obra notável e que até é legítimo receber recompensas por ajudar os 'amigos'. Contudo, o que aqui se revela é a limitação do nosso regime legal em punir os casos de corrupção activa nas autarquias. Se um autarca é amigo de empreiteiros ou outros empresários, que concorrem a licenciamentos e concursos públicos dependentes do mesmo autarca, que mal haverá nisso? Se numa conversa de amigos, o amigo empreiteiro toma conhecimento de uma alteração de PDM que tornará um terreno agrícola num terreno urbanizável, que ilegalidade aqui existe? Não podem os amigos conversar sobre a sua vida profissional? Que mal existirá no facto do amigo empreiteiro utilizar a informação cedida pelo seu amigo autarca para facturar milhares de euros ao adquirir os terrenos agrícolas e a vendê-los, passados poucos meses, a um valor muito superior?  E se não os vender, mas os aproveitar para legitimamente os urbanizar, beneficiando ainda do preço anterior ao PDM? Que percebem os pequenos proprietários agrícolas do Plano Director Municipal? E, ainda, porque razão se há-de desconfiar da idoneidade do amigo autarca quando recebe um apartamento ou uma ajuda de custos do amigo empreiteiro? Porque havemos logo de pensar em coisas más? Ai, ai estas mentes tão corrompidas pela maldade... Já não se pode ser amigo de ninguém?!
Para quando um Estado que zele efectivamente pelos interesses dos seus cidadão e que promova e faça aprovar leis que aumentem a eficácia da Justiça? Talvez um dia... Talvez...