domingo, 30 de outubro de 2011

Cidade mal planeada?

Na última reunião de vereação, realizada um dia após o forte temporal que assolou Braga, Ricardo Rio acusou Mesquita Machado de uma "claríssima falha no planeamento da cidade". Acrescentando a isto, sublinhou a escassez de meios que a protecção civil dispõe no município, problema que já foi levantado em outras situações semelhantes.
A questão do planeamento urbano é oportuna e justificará, no futuro, uma análise mais aprofundada. Sendo a área do planeamento um parâmetro multi-disciplinar, exigiria a presença, não apenas de arquitectos ou geógrafos, mas também de arqueólogos, historiadores, sociólogos, bem como outras instâncias que se dedicam a aprofundar a natureza do tecido urbano bracarense ou que trabalham em projectos de vertente social. Se uma cidade não é construída tendo em atenção o seu contexto histórico, sociológico e urbanístico, então os decisores políticos, quaisquer que sejam, correrão o sério risco de cometer erros difíceis de corrigir. Talvez Braga esteja a começar a pagar o preço de um crescimento acelerado e, seguramente, pouco reflectido.
É uma pena que nas reuniões de Assembleia Municipal ou de Vereação não co-exista um esforço conjunto por pensar as linhas com que se traça uma cidade. Não basta alterações de PDM atempadas, mas é necessário que sejam bem discutidas e aprofundadas. Não pode ser de ânimo leve, que se deixa destruir edifícios referência na arquitectura da cidade, ou que se permite o desaparecimento de ruas e das respectivas comunidades, como entretanto já sucedeu. Não basta traçar avenidas e artérias com a régua e esquadro. Não chega permitir uma volumetria de construção suficiente para determinada área. É preciso ir mais longe! É necessário pensar nas pessoas que aí se irão concentrar. É preciso entender a história como parte integrante da própria cidade. É preciso perceber que tipo de estruturas são necessárias patrocinar para o serviço do conjunto de cidadãos que determinada área alberga. A falha nos espaços verdes e de lazer é, talvez, o maior pecado e evidência das últimas décadas  de gestão autárquica.
Salvaguardo que em Braga nem tudo é falha e desorganização. Há bons exemplos de urbanismo. Pena é que haja também tão maus planeamentos efectuados... 
Que soluções poderemos adoptar para minorizar os efeitos de uma cidade, em parte, mal planeada? Seria este um tema tão pródigo para o futuro de Braga. Assim os 'nossos' políticos o queiram discutir...

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