quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dados e trunfos das autárquicas 2013

O embate autárquico que sucederá dentro de dois anos está a gerar uma expectativa incomum na história da democracia bracarense. Já se perfilam os candidatos - Ricardo Rio assumiu abertamente a sua terceira candidatura e António Braga confirmou a esperada disponibilidade para suceder a Mesquita Machado - e sobram assuntos polémicos para antecipar o duelo. Nesta perspectiva recordo alguns dados e trunfos que poderão ser decisivos na hora de acolher os votos dos cidadãos bracarenses.

  • O Futebol: todos sabemos que foi real a sondagem a António Salvador para ser o candidato do Partido Socialista. O capital de confiança de que goza junto da cidade e a proximidade evidente com Mesquita Machado, poderão constituir um apoio de peso para qualquer candidato socialista. O distanciamento de Ricardo Rio para com a maior instituição da cidade e seu principal embaixador poderão fazer temer os associados do Sporting Clube de Braga. Não queremos ver em Braga o que sucedeu com o 'outro' Rio no Porto. A autarquia deverá apoiar sempre incondicionalmente o clube que mais publicita a cidade e cujo crescimento tem trazido incontáveis dividendos para o município. Caso Ricardo Rio se torne cada vez mais braguista e menos sportinguista, talvez a balança fique um pouco mais equilibrada... 
  • A Reforma Autárquica: este é outro assunto que fará correr muita tinta até 2013. Segundo os critérios apresentados pelo Governo, o município bracarense poderá 'escangalhar' cerca de duas dezenas de freguesias rurais ou suburbanas. A concretizar-se será um desastre para muitas das nossas pequenas comunidades. Mesquita Machado já mostrou querer fazer deste ponto uma luta política. Todos sabemos que o Partido Socialista goza de maior popularidade nas freguesias menos urbanas. A capitalização desta luta, e caso Ricardo Rio não vinque uma posição de força para com a reforma proposta pelo 'seu' governo, milhares de votos poderão circular para o lado oposto, independentemente do candidato apresentado. A simpatia e gratidão pela obra de Mesquita Machado nas freguesias terão certamente repercursão positiva no seu sucessor. 
  • Independência face ao lobby da Construção Civil: Todos sabemos como os lobbys nos corredores do poder são fortíssimos e sufocantes. Os bracarenses estarão seguramente sedentos de isenção relativamente a um sector que está em forte crise. Por tudo isto, o próximo edil terá a ganhar se não lhe reconhecerem amizades pungentes pelos senhores do cimento. Ricardo Rio parte em vantagem neste campo. E o Partido Socialista tanto maior crédito alcançará junto do eleitorado urbano e esclarecido, caso escolha um candidato que represente uma absoluta isenção. Em face do actual cenário de crise, é de crer que muitas empresas vejam a autarquia como um cliente valioso para os seus projectos e empreendimentos...
  • Espaços Verdes e Cultura: Caso se efectue um inquérito à população de Braga - em particular à que habita na zona urbana - seguramente que o défice evidente de espaços verdes e de lazer será reportado à autarquia. Também a carência de mais actividade cultural e de respeito e promoção do património da cidade, serão comentados. Ora, o candidato que apresente propostas mais concretas nestes campos terá um maior capital de confiança dos eleitores urbanos. Parques urbanos, defesa intransigente do património e dinamização dos espaços culturais existentes, serão propostas interessantes e que visem a adesão da população a projectos. Neste aspecto Ricardo Rio, pelo trabalho continuado e visível na oposição, poderá estar em vantagem. Veremos!

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