domingo, 13 de novembro de 2011

A propósito da fábrica Confiança

Após o anúncio da intenção de adquirir o imóvel da antiga fábrica Confiança pela Câmara, em negociações conduzidas pela oposição, surgiu um coro ineludível de críticas. Não percebo.
É certo que vivemos tempos de contenção financeira, que também afecta a autarquia bracarense, mas zelar pelo património, neste caso pelo último exemplar das históricas fábricas bracarenses, não pode nunca ser encarado como desperdício. Quando a autarquia apresenta um plano de investimento na reabilitação urbana superior a 80 milhões de Euros, porque não enquadrar este projecto nesse plano? Quando se apoia a reabilitação de dois centros comerciais que, na minha opinião, não têm futuro - e não ouvi ninguém pronunciar-se sobre isso...- porque não apoiar a reabilitação do último exemplar da cintura industrial de Braga, que se localizava entre o Monte d'Arcos e São Vítor-o-velho?
A cultura não é desperdício, é investimento no futuro. Será essencial os futuros bracarenses olharem para a sua cidade e não verem apenas cimento e prédios altos, mas poderem percepcionar um pouco dos vestígios do que foi a sua cidade.
Deixemo-nos de lutas político-partidárias (eu apoio porque vem do partido x, ou rejeito porque vem do partido y...) e passem a zelar por Braga, pelos bracarenses e pelo seu futuro.
Eu apoio a Confiança!
Aguardo com expectativa a discussão pública de ideias sobre o destino a dar ao edifício.

3 comentários:

  1. Acontece que o pais está falido, F-A-L-I-D-O.

    Não é o momento do estado procurar mais encargos. A requalificação da Confiança, não é só a obra. Como todo o património imobiliário terá custos de exploração para sempre (eletricidade, agua, manutenção de equipamento, etc). Além disso serão necessários contratar quantos funcionários? Será um pequeno museu com um/dois técnicos ou será, uma unidade autónoma com diretor, chefe, secretariado, etc? Somar tudo multiplicar por 30 anos e temos logo uma imagem do custo real da obra para agora e gerações vindouras... Não caiam na falácia dos co-financiamentos que representam custo zero, porque os co-financiamentos não pagam os salários nem exploração, apenas e só a obra.

    No momento em que estamos na penúria é preciso pensar bem em cada decisão porque acabou a lógica "faça agora, pague depois" que grassou neste pais

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  2. Caro CLLC, percebo perfeitamente os seus argumentos e concordo que deve haver uma gestão rigorosa do erário público. Todavia, acredito que é possível maximizar outros recursos humanos do município, promover programas de estágio com alunos da universidade do Minho e, até, através de uma boa gestão promover actividades que possam ter lucros que contribuam positivamente para o orçamento.
    Braga tem um défice tremendo de oferta cultural e valorização do património. O potencial turístico de Braga está muito mal aproveitado. Numa altura em que o número de chegadas turísticas à nossa região acresce 6,4% num ano de crise, temos que ser ambiciosos e permitir que Braga cresça em termos culturais e turísticos. Isso gera empregos, receitas e um inevitável retorno.

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  3. Antes de responder gostaria que fique claro que já votei em partidos ditos de esquerda e direita e sou pouco adepto de políticos que mais não fazem de tornar a política num teatro de guerra ou numa guerra de claques. Prefiro uma postura eclética, porque de ambos os quadrantes é sempre possível obter ideias positivas.

    Estamos de acordo. Sem dúvida que o programa cultural de Braga é medíocre para não dizer mau, tendo em conta que é considerada terceira cidade do país. O Theatro Circo é um exemplo de uma estrutura cara (de fazer e manter) e completamente sub-aproveitada. Estruturas turísticas idem. No entanto, receio, para não dizer que tenho a certeza, que se perdeu o comboio da oportunidade (quando havia dinheiro) para investir em estruturas culturas e turísticas auto-rentáveis. Conhecendo cidades como Viana do Castelo ou Guimarães, percebemos o quão pouco foi feito por Braga no que toca a estes assuntos. Braga merecia mais, outra visão, uma visão como a de Santos da Cunha...

    Mas agora os tempos são outros. São tempos de escassez, de ponderação nas decisões, numa avaliação dos custos/benefícios. Os tempos das decisões baseadas nos sonhos, humor ou palpites de uma pessoa com a consequente leviandade no tratamento dos dinheiros públicos terminou, na verdade nunca devia ter começado mas isso é outra história...

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