terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O “museu da memória” desapareceu do Parque da Ponte

A terceira fase de recuperação do Parque da Ponte está já em fase de acabamentos. Qual não foi a minha surpresa (ou talvez não...) de perceber que o parque foi 'limpo' na quase totalidade das 'relíquias' dos monumentos desaparecidos de Braga, principalmente do Convento dos Remédios, do elegante Cruzeiro do Senhor da Saúde das Carvalheiras, mas também do antigo pórtico jónico do Salvador, monumentos desmantelados entre 1911 e 1914.
Talvez seja melhor esperar pelo final das obras para atestar o que vai acontecer, mas antes que aconteça qualquer desastre, esperando o adormecimento dos cidadãos, é melhor lançar o alerta. Curioso é que muitas pedras desapareceram, mas algumas continuam lá. Se as retiraram para catalogação, então deveriam ter levado tudo…
Cito alguns exemplos dos elementos desaparecidos:
  • os capiteis da igreja dos Remédios que circundavam a fonte do 'Diabo manquinho'
  • as colunas do cruzeiro do Senhor da Saúde, que rodeavam o largo do Coreto.
  •  A fonte barroca, de duas bicas, forrada a azulejos da antiga igreja dos Remédios, que estava localizada bem próxima do portão nascente do parque
  •  As armas franciscanas que encimavam a igreja, bem como outros elementos da fachada que serviam de bancos, e que estavam junto da antiga sede da associação de protecção do parque, junto a umas escadas que davam acesso à avenida Viriato Nunes e ao estádio 1.º de maio.
  • Muitas das pedras que serviam de assento eram de cantaria e provinham de muitos dos monumentos acima citados. Existia uma das pedras que ainda tinha a data da construção da igreja demolida dos Remédios: 'ANNO DOMINI MDCCXXV'. Ou seja, qualquer pedra removida daquele recinto tinha uma referência à memória da história monumental da cidade.

Seria uma grande perda para Braga o desaparecimento destes elementos arquitectónicos do seu passado. Poderiam figurar, no futuro, num eventual museu da Cidade.
Concordo que uma modernização deste espaço possa implicar a colocação de mobiliário urbano moderno e outro gosto na decoração do espaço, todavia considero que se pode manter num espaço determinado ou num recanto deste enorme recinto as pedras de cantaria e, eventualmente, uma explicação histórica com fotos dos monumentos aos quais pertenceram. Bastava umas pequenas placas… Tornaria o Parque da Ponte ainda mais interessante como espaço de lazer, mas também de cultura.
       
      Esperemos que voltem…ou sejam garantidamente colocados em lugar seguro.

5 comentários:

  1. Ó meu Deus! Quando vamos lá fotografar o que (ainda) resta?

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  2. Eu não acredito no que estou a ler... Não será que vão repor isso tudo, ainda?

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  3. Pois. Ou se comprava o "mono" da fábrica Confiança ou se preserva os verdadeiros monumentos da cidade.
    Nada que me admire também.

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  4. Questionada pelo Diário do Minho, a autarquia garantiu que irá recolocar os elementos no parque. Porém, não esclareceu porque os retirou, não se percebendo porque retirou uns e deixou outros. Fosse qual fosse a motivação (catalogação ou restauro), a lógica implicaria retirar todas as peças e não apenas algumas... Estaremos atentos!

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