quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Não matar a Confiança!

Tal como já havíamos aqui referido anteriormente, a recuperação e reutilização tendo em vista fins culturais, do espaço da antiga Saboaria e Perfumaria Confiança, é iniciativa louvável e necessária.
A notícia de hoje do Diário do Minho, que anuncia o fim das negociações da parte do actual proprietário, não deixa de se constituir como um triste desfecho para este processo. Todavia, sobra ainda uma das vias mais naturais e desejáveis, a meu ver: a expropriação. Resta saber se esta ainda irá a tempo de beneficiar de financiamento europeu... Esperemos que sim.
 
Em primeiro lugar, é necessário dizer que os motivos da desconfiança, relativamente a este negócio, são legítimos, diga-se, e enumero três pontos em torno dos quais deverá surgir qualquer processo dialéctico:

1. A que se deveu esta mudança de atitude da maioria socialista para com a reabilitação da antiga Saboaria e Perfumaria Confiança, quando sempre se escusou em valorizar este imóvel? Como soube Mesquita Machado da disponibilidade do proprietário para vender o imóvel?

2. Existe uma discrepância significativa entre os valores sugeridos para esta propriedade. Surgem 4 valorações diferentes:
  • 1.893.089 euros: valor da venda do imóvel em fevereiro de 2002
  • 263 mil euros: declarados pelo proprietário nas Finanças
  • 2.992.787 euros: valor da hipoteca declarada à Caixa Geral de Depósitos
  • 3,5 milhões de euros: proposta de aquisição da autarquia 
3.  Porque não proceder à classificação patrimonial do que resta da antiga fábrica, e à consequente desafectação urbanística dos terrenos em que se localiza, de forma ao valor atribuível ser mais coerente? Se todos concordam em que ali não pode surgir mais um prédio ou volume construtivo permitido pelo actual PDM, porque não garantir a protecção efectiva deste local? Não seria este o primeiro e natural passo de uma entidade pública interessada em salvaguardar um legado para os seus cidadãos?

Ora, em torno destas três questões muito haveria a dizer - e foi dito... - e outras discussões poderia gerar. O essencial, parece-me, é salvaguardar o interesse efectivo da parte da Coligação Juntos por Braga na recuperação deste imóvel. Ricardo Rio justificou todo este processo com relativa clareza, quando o Luís Tarroso Gomes levantou a problemática do valor de aquisição. 
Sinceramente, gostaria de juntar o Luís e o Ricardo Rio numa tertúlia, porque tenho absoluta confiança nas intenções dos dois intervenientes e na vontade de tornar esta cidade de Braga maior e melhor. É um amor partilhado, este, e tem um nome: Braga.

É certo que os valores discrepantes, que têm vindo a público, em nada ajudam a este processo. Da mesma forma, aquilo que já vamos conhecendo do actual poder autárquico, só pode deixar-nos de pé atrás para com as boas intenções do nosso Presidente relativamente à Fábrica Confiança.

Podemos continuar a discutir a frieza dos números, mas o mais importante é agir e agir bem e depressa. Queremos a Confiança? Queremos regenerar uma importante zona cívica de Braga? Queremos reabilitar a memória industrial de Braga? Queremos dotar Braga de mais um equipamento cultural?

Então, unamo-nos em torno da Confiança. Façamos um grande debate público sobre este tema. Mostremos à autarquia o nosso interesse efectivo por este projecto. Acorramos em massa à próxima Assembleia Municipal, não para protestar, mas para manifestar o quanto desejamos que este processo seja uma realidade. 

Não foram 84 as propostas ao Concurso de Ideias? Não temos leis a defender o interesse público e o património? Então, nada está perdido, basta haver vontade política para avançar...

1 comentário:

  1. Os números são frios e as paixões ardentes, mas por muito que desejemos um equipamento cultural da ex-Confiança, não podemos, como até agora, deixar andar sem perceber com efectiva clareza os contornos do negócio.
    Felizmente que este processo ganhou visibilidade. Espero que não seja o fim da Confiança enquanto futuro espaço cultural, mas o início de uma etapa. Um ponto de viragem na mudança de actuação do município, mal habituado que está a que ninguém se manifeste e "tudo coma". Espero que se manifeste agora o verdadeiro interesse na salvaguarda do nosso património, que é a questão central (shady business free).

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