sábado, 31 de março de 2012

O poder aos cidadãos

A revolução que trouxe a democracia a Portugal, há cerca de 38 anos atrás, tinha como um dos seus principais ideais a participação de todos nas decisões políticas e nos destinos do país. Criaram-se partidos polítticos, com ideologias base, e esses mesmos partidos foram abertos à participação dos cidadãos que se quisessem envolver nos respectivos projectos.
Hoje o cenário político aparece revestido de um cenário bem diferente do ideal de Abril. Nos principais cargos autárquicos ou legislativos, e mesmo nos cargos dirigentes de instituições estatais, estão destacados, muitas vezes, pessoas sem rosto, apenas reconhecidas nos corredores dos partidos ou pelas empatias pessoais de alguns dirigentes. São eleitos deputados aqueles que mais próximos conseguem ser de certos decisores, ou por serem filhos, primos ou sobrinhos de algum 'histórico', ou por terem sido dirigentes académicos ou 'jotas'... De muitos deles não se conhecem ideais, envolvimento em questões cívicas ou qualquer tipo de actividade profissional. São os chamados políticos de conveniência.
É verdade que nem todos são assim. Mas a imagem que passa é que os partidos vivem cada vez mais fechados em pequenos círculos, que vedam a participação àqueles que efectivamente querem lutar por uma sociedade melhor e que trazem ideias novas para defender a sua comunidade. Não falemos, então, do desencanto que surge por vermos muitos políticos ostentarem sinais de riqueza, que não se percebe bem de onde terão surgido... Este factor acaba por afastar as pessoas da política e coloca as decisões públicas muito distantes dos implicados pelas mesmas decisões.
O que recentemente se tem passado em Braga atesta a vontade dos cidadãos se envolverem nas decisões que afectam o que é património de todos. Os políticos, democraticamente eleitos, não gerem o que é seu, mas o que pertence a uma comunidade, daí terem que prestar contas de tudo o que fazem. As sucessivas reclamações relativamente ao arranjo do Parque da Ponte ou às obras do largo da Senhora-a-Branca, para não falar das Sete Fontes e do seu futuro, atestam esta vontade de participação cívica, fruto da desertificação dos partidos.
Se os partidos não aceitam renovar-se, ou não implementam formas de o fazer, só a cidadania poderá fortalecer a democracia. Caso contrário, esta democracia corre sérios riscos de sobrevivência...

sexta-feira, 30 de março de 2012

And the winner is...

Já estão encontrados os quatro projectos vencedores do concurso de ideias a incluir no programa funcional da Antiga Saboaria e Perfumaria Confiança. Diante das 77 propostas apresentadas, houve que seleccionar as quatro melhores, que ontem ficaram escolhidas. Porém, ainda não sabemos quem foram os seus autores.
Segundo notícias de hoje, as ideias contemplam a instalação de uma emcubadora para indústrias criativas, assim como de hospedagem juvenil, ficando a preservação da história industrial da cidade e da memória emblemática unidade fabril garantida com a instalação de um museu. Está ainda prevista a construção de um hostel, de forma a garantir a sustentabilidade económica do projecto.
Para maio está prevista a realização de uma exposição com todas as propostas. 

O interesse dos bracarenses por este concurso demonstra a importância da cidadania na gestão da vida da cidade. Sem cidadania, a democracia fica seriamente ameaçada...

Achados Arqueológicos? Que maçada...

É frequente ouvir-se falar de achados arqueológicos sempre que surge qualquer empreitada no centro da cidade de Braga. Como sabemos, a nossa cidade foi fundada há mais de dois mil anos pelos romanos, tendo sido a mais importante urbe do noroeste peninsular ao longo de quase quatro séculos.
Com a valorização progressiva da arqueologia como disciplina, e dos achados arqueológicos como património, aumentou a necessidade de não permitir a sua destruição.
Braga tem uma história curiosa quando toca a lidar com estes achados. Nas opiniões veiculadas para a imprensa, a autarquia mostra-se sempre pouco entusiasmada. Nas conversas de corredores, a arqueologia aparece quase sempre como uma maçada, quer para empreiteiros, quer para autarcas... Que o diga a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, que assistiu a intensos atentados contra o património arqueológico, com uma permissividade suposta da parte da autarquia. Dizem que o surgimento desta unidade em 1977 - considerada a melhor do país, pelo vasto campo de investigação proporcionado por Bracara Augusta - terá sido a maior dor de cabeça para o nosso presidente ao longo dos seus sucessivos mandatos.
Efectivamente a arqueologia não dá votos, nem é popular. Quem é que quer saber de umas pedras sobrepostas que ninguém é capaz de perceber?
Pelos vistos trata-se de património, e património procurado por visitantes e bracarenses (como atestamos ontem com a 'enchente' do dia dos centros históricos, ou com as iniciativas conjuntas da JovemCoop e Braga CEJ), que pode gerar riqueza e dinamismo económico, para além de aumentar a valia histórica e patrimonial da cidade de Braga.
Os recentes achados do Largo da Senhora-a-Branca ou da rua de S.Vicente vieram aumentar a urgência de valorizarmos o nosso passado. O que se passa com os projectos de musealização do Teatro Romano, exemplar único do nosso país, ou com a Insulae das Carvalheiras? Afinal qual é a prioridade dada à cultura e ao património no nosso município?

Por vezes não custa imaginar as expressões escutadas em certos corredores, após as descobertas das últimas 3 décadas:Achados arqueológicos? Outra vez? Que maçada!

terça-feira, 27 de março de 2012

Ângulo Maior: A Semana Santa à porta...

Sé Primaz de Braga em vésperas da Semana Santa, março de 2012

3 ideias para S. José de S. Lázaro

- Zona histórica dos Galos: caso avance o plano de regeneração urbana nesta zona, será importante perceber quais são as pretensões para o local. Realojar as famílias? Arrendar os imóveis vazios? Fazer um espaço didáctico no moinho?
Dado que esta pode ser uma zona potenciadora de animação e regeneração que contagie os locais à volta, poderá pensar-se em sediar aqui algumas associações da freguesia de São Lázaro, que potenciem este espaço semi-rural e sem automóveis, e tenha capacidade para atrair pessoas. Caso contrário, de nada valerá reabilitar este espaço...
Realizar uma feira de tradições anual, com um programa que inclua um cortejo etnográfico, música popular e exibição das profissões que faziam parte do quotidiano de Braga no século passado, conferindo particular destaque ao fabrico de farinha e pão e ao labor das lavadeiras. Ideias…

- Reabilitar Carandá e Fujacal: o que vai suceder a estas urbanizações daqui a uma/duas décadas? O fenómeno que se começa a verificar em certas urbanizações mal concebidas é evidente. Podem tornar-se guetos sociais, devido  a factores como o estado das edificações, a desertificação ou a falta de dinamização económica. O actual estado do Carandá é lastimável: lojas fechadas, jardins maltratados, edifícios com aparência descuidada, iluminação insuficiente… favorecido pela existência de túneis e circuitos inferiores aos edifícios.
Primeiro, deveria promover-se a reabilitação dos espaços urbanos existentes. Repensar os jardins e colocar mobiliário urbano e desportivo que possa promover o seu usufruto. Segundo, pensar na possibilidade de pintar as fachadas. O exemplo do bairro de Guimarães, pintado por Agata Ruiz de la Prada, é uma óptima referência.

- Aposta na Dinamização do Parque da Ponte: este recinto é o espaço de lazer por excelência para os bracarenses e para a freguesia. A recente renovação vem beneficiar a sua frequência. Porém, a Junta de Freguesia poderia assumir a dinamização de iniciativas, a exemplo do que se  faz noutros espaços do género em outras cidades. O exemplo da Quinta das Conchas em Lisboa poderia auxiliar a pensar num plano anual de actividades.
Eis alguns exemplos:
Cinema no Parque durante os meses de verão: exibição ao ar livre de filmes, com tela gigante e cadeiras para algumas centenas de espectadores. Actividades de Tempos Livres para estudantes durante as férias da Páscoa e de Verão: caças ao tesouro, torneios desportivos, corridas de barco no lago. O mês da poesia: aproveitamento do espaço para promover a escrita criativa. Visitas  guiadas ao património: promover a descoberta dos monumentos desaparecidos de Braga, a partir dos despojos existentes no parque.

NOTA: Ideias é sempre bom tê-las e acreditar nelas. Já a capacidade de concretização depende de muitos outros factores, nomeadamente económicos. Todavia, só seremos autênticos cidadãos se quisermos alterar a realidade que passivamente observamos...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Já está!

O Sporting Clube de Braga venceu pela 13.ª vez consecutiva e atingiu o topo da classificação após a 24.ª jornada. Lima e Mossoró deram uma justificada vantagem de 2-0 ao intervalo, que bem poderia ser mais alargada, caso a sorte estivesse com os guerreiros do Minho. Frente a uma Académica atarefada a retirar espaços ao ataque do Braga, bloqueando Hugo Viana e Lima, os golos só poderiam surgir de pequenos lances de génio.
Fica o registo de um fora de jogo mal assinalado, que isolaria Hélder Barbosa e poderia fechar de vez as contas do resultado. A Académica marcou num lance de sorte, um grande golo de David Simão, com um pontapé a 40 metros de distância da baliza. Sem ter justificado este golo, os visitantes foram atrás do resultado e quase conseguiam numa sucessão de cantos ao minuto 86. Entretanto já Lima havia desperdiçado o terceiro...
Depois de alguma quebra física e de substituições duvidosas (Ukra entrou mal, uma vez mais, e Djamal não se entende...), o Braga garantiu os três pontos e instalou-se uma enorme festa no estádio do maior clube do Minho.
Abram alas ao líder! Já está!

Nota: No próximo sábado, todos a Lisboa apoiar o Braga frente ao clube do Alto dos Moinhos! Quem quiser aproveitar a oportunidade, acorra à manifestação pela defesa das freguesias, que decorre na tarde desse dia na capital...

Ângulo Maior: o Bom Jesus do Monte voltou a sair do templo

Santuário do Bom Jesus do Monte, 25 de março de 2012

Nota: O Arcebispo D. Gaspar de Bragança encomendou em 1775 uma imagem de Cristo Crucificado a um escultor do Reino de Nápoles, que deveria substituir a 'tosca' imagem ali venerada. O preço da imagem deu muito que falar na época. O Cristo 'italiano' está hoje colocado no altar-mor, no topo do elaborado cenário que o preenche. Apesar desta sublime e dispendiosa imagem, o povo jamais permitiu que a 'original' fosse retirada do santuário. Numa capela lateral à igreja, continua o Bom Jesus do Monte a atrair da devoção dos fiéis, cuja afectividade supera qualquer valor estético. Uma vez por ano, na procissão de Penitência que parte de Braga, a imagem vê a luz do dia...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Quem pode dar lições sobre o património a Mesquita Machado?

O blog Braga Maior lança uma grande sondagem. Recentemente Mesquita Machado afirmou que ninguém lhe pode dar lições sobre preservação do património. Vamos ficar a saber o que pensam os bracarenses sobre esta afirmação tão categórica do nosso Presidente da Câmara...

A Câmara Municipal de Braga e o Património - I

"Relativamente ao assunto acima mencionado, comunico que por informaçâo da DRU - Divisäo de Renovaçäo Urbana, que os diversos elementos em pedra que se encontravam no Jardim de S. Joäo, alguns dos quais pertencem ao antigo Convento dos Remedios, foram removidos do local, cuidadosamente transportados, catalogados, fotografados e armazenados nas instalaçöes da Cámara Municipal de Braga - no edificio do Convento do Pópulo, para salvaguarda e preservaçäo do vandalismo e/ou roubo. Grande parte dessas peças que foram em tempos algo desconexamente colocadas no espaço, apresentavam sinais de degradaçäo e em pouco contribuiram para a qualiñcaçäo espacial do jardìm, sendo assim decidido em projeto a remoçäo das mesmas'. O espólio recolhido pode ser observado por quem manifestar interesse, devendo para o efeito ser agenclada uma visita." (resposta da Vereadora Ilda Carneiro à interpelação do Presidente da Junta de Freguesia de São Lázaro, relativamente ao paradeiro das 'reliquias' do Parque da Ponte)

No dia em que o novo Parque da Ponte foi inaugurado, ficamos a saber que lá não há espaço para a história e o património. Não seria possível integrar estes elementos no projecto de regeneração urbana? E se os cidadãos fossem escutados antes de se executarem os projectos de intervenções em espaços que são "de todos", e não dos políticos ou dos funcionários da CMB? 

Ser autarca é promover uma gestão rigorosa e competente daquilo que é de todos os cidadãos de uma determinada comunidade? Ou ser autarca é fazer o que quero e me apetece, pois fui legitimado pelos votos de uma parte da população?

Ângulo Maior: uma rua (quase) Direita!

Rua Direita, Maximinos 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

Procura-se: vivo ou morto!

A fonte barroca, forrada a azulejos do Convento dos Remédios

 Os elementos da igreja dos Remédios, que rodeavam a fonte do Diabo Manquinho

Os elementos do coroamento da fachada da igreja dos Remédios e outras pedras que serviam de bancos

Elementos do demolido cruzeiro do Senhor da Saúde, que rodeavam o coreto


Em breve, um abaixo-assinado vai recordar à autarquia que deve zelar pelo legado de Braga e dos bracarenses. Vamos requerer o regresso, conservação e valorização destes elementos. Há muitos recantos do parque em que podem ser expostos, sem prejuizos estéticos.

PS: "A mim!? Lições sobre preservação do património?" Que faria se assim não fosse...

segunda-feira, 19 de março de 2012

O maior produto turístico de Braga


As Solenidades da Semana Santa podem ser consideradas como o produto turístico mais consolidado de Braga. Detêm uma página web bem desenvolvida, com uma promoção e divulgação bem estruturada e apoiada na entidade de turismo responsável por Braga. Ao longo dos últimos anos, e fruto de uma atitude de responsabilização e consciencialização junto das unidades hoteleiras da cidade, tem conseguido alcançar um suporte económico e logístico mais alargado. No site e no programa oficial são recomendadas apenas as unidades hoteleiras que aceitaram apoiar o evento, o único que provoca a lotação total da ocupação hoteleira da cidade e também da região.
A pressão mediática, das televisões e jornais portugueses, dedica particular atenção a este evento que, cada vez mais se afirma como o principal cartaz da época pascal em Portugal.
O programa apresenta uma colaboração entre diversas entidades da cidade, tentando potenciar um itinerário paralelo ao das celebrações religiosas, incluindo exposições, conferências e concertos.
A preocupação pela atractividade turística deste evento ficou bem patente num inquérito cujos resultados foram publicados recentemente.
“Para o presidente da Entidade de Turismo Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira, a importância da Semana Santa está expressa num inquérito que reconhece a média da estada do turista, entre dois e três dias, associada ao turismo religioso (58%), os que visitaram o património (70%) e o agrado com o ambiente solene (80%). Dos turistas, 59% prometeram voltar”[1].


[1] In: Diário do Minho, 26 de janeiro de 2012, p.4.

Dia do Pai na Cidade Augusta

O Dia do Pai em Braga é especial. Para além do Lausperene Quaresmal e da Festa de São José na paróquia de São Lázaro, cumpriu-se a tradição dos deliciosos moletinhos.
Amanhã ainda vão a tempo...nas melhores pastelarias da Cidade Augusta.
(Estes são da Cabanelas!)

sábado, 17 de março de 2012

Patetice ou irresponsabilidade?

Para Mesquita Machado "é uma verdadeira patetice" e "ignorância pura" atribuir responsabilidade à autarquia pela insegurança vivida nas imediações do campus de Gualtar da Universidade do Minho.
"Não deixo de conversar com o comando da PSP, mas não nos atribuam responsabilidades para aquilo que não temos". Além disso, a Polícia Municipal (PM) "não tem competências de segurança pública", cabendo essa responsabilidade à PSP. "Não vou submeter a PM a executar tarefas que não lhe dizem respeito", garantiu o nosso presidente da Câmara.

Mas, Sr. Presidente, quem tem afinal responsabilidades sobre a cidade e os cidadãos? Quem tem como competência estar atento aos problemas da população e alertar as autoridades competentes para reforçarem a sua missão em certas zonas? Quem poderia/deveria ter pedido à PSP o reforço de efectivos numa determinada zona da cidade? Para que serve a autarquia?

Afinal não é uma questão de patetice. Parece mais irresponsabilidade.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A freguesia de São José de São Lázaro: fundação

Em meados do século XVIII a cidade de Braga estava em forte expansão na zona nascente devido aos atractivos provocados pela instalação de inúmeras oficinas que conduziram a um crescimento populacional significativo. A paróquia de S.Victor era muito extensa e contava com uma população elevada, difícil de ser servida por um só pároco, o que levou o Arcebispo vigente, D. José de Bragança, em Setembro de 1747 a retalhar aquele extenso território em duas paróquias: a de S.Victor localizava-se na zona este, e a de S.José de S.Lázaro cujo território abarcava a zona que vai desde a Igreja de S.Vicente até ao Monte Picoto, contendo artérias importantes da época como as ruas das Águas (percursora da Avenida da Liberdade), dos Chãos de cima (actual Rua de S.Vicente), dos Chãos de baixo (actual Rua dos Chãos), o Campo de Santana (actual Avenida Central), e a Praça do Gavião ou Campo Novo. Apesar da Igreja de S.Vicente ter maiores dimensões e ser sede de uma das mais importantes confrarias da cidade, foi escolhido o reduzido templo erigido em honra de S.Lázaro como Igreja Paroquial (talvez por se situar numa zona mais central do território da paróquia?...). O templo em honra do santo protector dos leprosos, S.Lázaro, foi fundado no século XVI sob os auspícios do Arcebispo D. Diogo de Sousa, e situava-se junto de um pequeno hospital de leprosos, que ficava, fora das muralhas da urbe, junto à estrada para Guimarães. D. José de Bragança quis deixar o seu cunho pessoal na paróquia por si criada, dedicando a paróquia a S.José (o seu nome) e respeitando a devoção já estabelecida a S.Lázaro, por isso a nova paróquia denominou-se S.José de S.Lázaro. O capricho de D. José de Bragança levou a que, todos os anos, no dia 19 de Março, na Igreja de S.Lázaro se realize uma festa em honra de S.José, que tem uma forte adesão popular.
O progresso chegou à metade Norte da cidade de Braga no inicio do século XX que fez desenvolver muito a zona envolvente à Igreja de S.Vicente, o que levou à criação da paróquia de S.Vicente em 1926. A paróquia de S.Lázaro cedia parte significativa do seu território à recém criada paróquia, e não tardou muito à criação da freguesia de S.Vicente (1933) o que vinha encurtar a freguesia de S.Lázaro. Porém a freguesia de S.Lázaro só viria a conhecer um desenvolvimento demográfico significativo no último quartel do século XX quando os campos de cultivo, que ainda preenchiam a freguesia, deram lugar a novas urbanizações que ocuparam praticamente toda a sua área tornando-a  na segunda maior freguesia, em termos populacionais, do concelho de Braga.
S.Lázaro, apesar do seu território estar fora do limite das muralhas medievais, contém um enorme património cultural que convém referir: a fonte do Ídolo (época romana); basílica dos Congregados; igreja da Penha de França; Palácio do Raio; as capelas de S.João da Ponte e de Santo Adrião; a zona histórica dos Galos; Parque da Ponte; e já da nossa época: as igrejas de S.Lázaro e de Santo Adrião; o Parque de Exposições; Mercado do Carandá; e o Estádio 1.º de Maio.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cidadania na Velha(Senhora)-a-Branca

E de repente o Largo da Senhora-a-Branca entrou em obras. Sem qualquer debate ou apresentação prévia do projecto de intervenção, os moradores e comerciantes foram confrontados com a remoção das famosas laranjeiras e dos passeios do lado nascente. Não estando contra intervenções no Largo, os moradores e comerciantes estão, no entanto, confusos com as notícias e imagens 3D contraditórias que vão chegando. Os moradores e comerciantes querem saber como vai ficar o seu Largo e até contribuir com sugestões concretas. 

Numa iniciativa salutar, a Velha-a-Branca organiza amanhã, quinta-feira, a partir das 21h30, um debate sobre o futuro do Largo quase homónimo. A Câmara Municipal de Braga, que se mostrou disponível, está convidada a apresentar o projecto nessa noite não tendo, contudo, ainda confirmado a presença neste primeiro encontro.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um sonho contra a hipocrisia...

Já todos sabemos o nível de isenção da imprensa nacional e desportiva. Basta ouvir os relatos de futebol nas rádios ou ler as páginas de qualquer um dos 3 jornais diários, que se debruçam sobre as questões do futebol. Há um então, cuja isenção é impressionante...
O Sporting de Braga jogou e venceu por 2-1 a União de Leiria. Ao minuto 3' o jogador Rúben Amorim foi 'ceifado' e, ainda na primeira parte, o mesmo sucedeu com Mossoró. Dois cartões vermelhos por mostrar. Porém, para a imprensa apenas existiu um lance polémico - que até pode ser questionável, dada a posição da cabeça do jogador... Para quem viu o jogo, ficou muito claro que se o Braga fosse empatado para o intervalo, teria poucas dificuldades em consumar a vitória. Em abono da verdade, o Braga deteve um domínio avassalador sobre o adversário, tendo sido o jogo com mais oportunidades de golo em toda a época. Os jogadores do Leiria pouco comentaram o lance e os próprios jornalistas que dele falaram, admitiram que dificilmente o Braga perderia... Quem tiver dúvidas, veja o vídeo do jogo.
Ontem, mais uma vez, o Benfica foi beneficiado. O Bruno César, autor do golo da vitória, não deveria já estar em campo e os dois penaltis simulados são dois penaltis simulados, com quedas muito pouco artísticas... É impressionante como se tenta alterar a realidade e a verdade dos factos, como já aconteceu com as análises posteriores ao jogo com o Porto, em que ficaram dois penaltis por marcar em favor do Porto. Se calhar o Benfica até ganhava o jogo, mas vale a pena sermos honestos nas análises... O Paços falhou golos e o adversário, com maior talento, soube ser eficaz.
O facto de se ter os holofotes da imprensa constantemente a falar de nós, não nos pode dar o direito de tentar camuflar a verdade. Infelizmente assim acontece.
Tal como há dois anos, aquando das estranhas suspensões de jogadores adversários, que vieram mesmo a propósito para a conquista do título, temos que nos preparar para os próximos capítulos esta época.
Sou bracarense, sim senhor, e é natural que também queira ver mais o que prejudica o meu clube. Todavia, ninguém me tira o direito de denunciar a hipocrisia. Felizmente há muitos benfiquistas a pensar como eu.

E o sonho está cada vez mais perto...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Os candeeiros do Largo Carlos Amarante

Os bracarenses já estão habituados a ver desaparecer as marcas do seu passado. No processo de modernização em que estamos inseridos há três décadas, muitas transformações urbanas foram implementadas, muitas vezes considerando o antigo como velho ou desnecessário. Se por vezes essa metodologia se revela adequada, em muitas outras iniciativas são destruídos selvaticamente testemunhos patrimoniais do passado. É por isso que as equipas de trabalho da autarquia devem ser constituídas sempre por um historiador ou especialista no património local...
O novo projecto de regeneração urbana previsto para o Largo Carlos Amarante parece cair no mesmo erro. Os candeeiros característicos deste largo, autênticos valores do património férreo da nossa cidade, parece estarem condenados a desaparecer. Mais uma vez, e à imagem do que parece ter sucedido com as reliquias do Parque da Ponte, estamos diante de um mini atentado contra a história patrimonial bracarense.
Não digo que se mantenham no largo Carlos Amarante, mas que haja o cuidado de os recolocar noutro espaço urbano do centro histórico, em que possam ficar enquadrados. Por exemplo, no Campo Novo, onde a luz está tão ausente...
Bora lutar por eles?

A primavera chegou a Braga

Uma solução para o 'velho' hospital

 
O arquitecto Carvalho Araújo, o mesmo que concebeu o conceituado edifício da Galeria Mário Sequeira, está a projectar um Museu de Arte Contemporâneo para Braga, o MACB, aproveitando o edifício do antigo hospital. 
Neste projecto, que integra um hotel e espaços de exposição diversos, o arquitecto procura regenerar toda área anteriormente ocupada pelo S. Marcos. Para suportar este 'museu', Carvalho Araújo propõe a criação de um Centro de Artes Preformativas no edifício monumental da rua do Castelo, também ele bastante desaproveitado. O Fórum Bracarae Avgvste já explorou este projecto, partindo da reportagem feita pelo jornal Público.

anteriormente comentamos a potencialidade da cidade de Braga relativamente à arte contemporânea. Já estamos nas rotas desta tipologia artística, devido ao novo Estádio Municipal e à Galeria Mário Sequeira, que todos os anos arrastam alunos e amantes da arte contemporânea a Braga. Basta lembrar o exemplo de Bilbau, cidade industrial, feia e cinzenta, que graças ao Guggenheim, se regenerou e transformou num local turístico, atraindo outros interessantes projectos arquitectónicos. Hoje a cidade gira em torno deste produto turístico: as ruas, a montras, os candeeiros transfiguram-se ao ritmo das exposições temporárias...

É mais um recurso que Braga não sabe aproveitar. Temos uma galeria e um galerista de renome, cuja colecção pessoal e contactos poderiam ser a base deste MACB. Assim os políticos e investidores dêm ouvidos a Carvalho Araújo, que 'oferece' este projecto à cidade.

terça-feira, 6 de março de 2012

Percursos Barrocos de Braga I: André Soares

Sábado, 10 de março de 2012
Praça do Município, 09h30

Incrições: aqui

Avivar a memória de Mesquita Machado...

O parque urbano da Zona Norte no compromisso com os eleitores de Mesquita Machado para as autárquicas de 1997:

«Desenvolvendo-se a partir da rodovia, em direcção ao Vale que antecede a freguesia de Dume, numa área de 55 hectares, a nova infraestrutura vai contemplar a criação de um sector individualizado e qualificado para a prática de desporto federado (...) o sector de desportos de recreio, de parque florestal e de desportos radicais concentram entre si as diversas actividades previstas para o público em geral, servido por um parque de estacionamento»

Num debate com os candidatos na RTP, Mesquita Machado mencionou que este parque seria o novo Bom Jesus do Monte, com uma área significativa entregue ao usufruto dos cidadãos.

37 anos depois, a cidade de Braga tem o mesmo número de parques urbanos que tinha: o parque da Ponte. Promessas não faltaram...

Sim, é betão, é betão....

Uma questão de betão: o Campo das Hortas

Uma notícia de hoje do Diário do Minho revela que um cidadão bracarense pretende interromper as obras de requalificação do Campo das Hortas, devido ao "excesso de betão".

Apesar de serem louváveis, e algumas terem até uma interessante configuração, as propostas de regeneração de alguns espaços urbanos da cidade pecam precisamente por desmerecer a existência de áreas verdes e de lazer. O melhor exemplo é o topo norte da avenida da Liberdade: esteticamente agradável, mas pouco prático - os bancos não convidam a sentar, a passagem de cortejos não foi ponderada, a iluminação deixa muito a desejar, faltam sombras...

A arquitectura não tem que ser apenas bela, mas essencialmente funcional, como bem diz Souto Moura.

domingo, 4 de março de 2012

Braga, cidade do Barroco: uma proposta

Braga, cidade do Barroco: Numa cidade que se ufana de ter uma derivação particular de um estilo arquitectónico e de vida que marcou uma época, não há nem um roteiro particular do barroco, nem iniciativas que permitam explorar este potencial.
A realização de um Festival Barroco, de periodicidade anual, à imagem do que acontece em algumas cidades europeias, poderia ser um foco atractivo para Braga. A quantidade inumerável de monumentos desta época poderia ser mote para conferências, concertos, teatros, exibições temáticas de rua, recriação da entrada de D. José de Bragança em Braga, e promoção do denominado Barroco bracarense com roteiros e visitas guiadas.
O retorno económico seria seguramente superior ao investimento e poderia ajudar a estabelecer uma rota que perdurasse todo o ano, que pudesse ser dinamizada por empresas privadas.
Poderiam ser integradas neste âmbito as seguintes medidas:
  • criação de uma rota, com uma imagem própria;
  • produção de manuais e guias especializados para serem distribuídos aos visitantes;
  • durante os colóquios e congressos, fazer publicações no âmbito da história da arte, que captasse públicos universitários e investigadores;
  • criação de um portal dinâmico na internet, com oferta de pacotes integrados com museus, restauração, hotelaria e Theatro Circo, e descrição da rota e monumentos disponíveis;
  • promover visitas guiadas todo o ano com diversidade de percursos e rotas temáticas, permitidas pela diversidade de monumentos e tipologias estilísticas. Fazer acompanhar as visitas com personagens vestidas como na época barroca.
  • criar placas identificativas em cada monumento desta rota, de forma a criar um circuito informativo e para promover a própria marca criada.
  • o Festival Barroco seria o grande certame promovido, que teria que envolver toda a cidade, com uma campanha de marketing que modelasse a imagem da cidade durante o evento e apostar forte na divulgação nacional e internacional. (abrir os monumentos à noite, realizar grandes concertos nas igrejas, simular uma festa barroca, teatralização da entrada de D. José de Bragança em Braga…)
  • integrar este plano cultural e turístico na rota do Barroco já existente no Conselho da Europa, o que implicaria um alcance de divulgação europeu, gratuito e eficaz.

A alternativa (natural) à Loja do Cidadão

Exactamente ao lado do edifício onde está situada actualmente a Loja do Cidadão, temos o edifício mais vazio da cidade. É verdade, o antigo hospital de S. Marcos.
Não estaria a Santa Casa da Misericórdia disponível para negociar um arrendamento 'económico' ao ministro Miguel Relvas? Terão os especialistas de Lisboa pensado nesta natural hipótese?

Recordemos que o Ministério da Saúde pagava 'apenas' 25 mil euros pelos 100.295 metros quadrados de toda a área hospitalar. Seguramente que o arrendamento do piso inferior do antigo hospital, com uma área incomparavelmente menor, ficará por bastante menos que os actuais 21 mil euros que o Estado paga à Rodrigues e Névoa...

sábado, 3 de março de 2012

Vamos continuar a sorrir!

Os guerreiros do Minho conquistaram mais uma vitória, desta feita contra o Nacional da Madeira, prolongando para 10 o número de triunfos consecutivos. Com este resultado o Sporting de Braga encosta no Benfica e, ainda que não admita, vai continuar a perseguir um sonho...
Apesar de ter entrado no jogo algo apático e sem velocidade, sofrendo um golo aos 12 minutos por Moreno, o Sporting de Braga recupera num lance de futebol eficaz por intermédio de Mossoró - que cruza - e de Lima - que finaliza com classe. Estavamos no minuto 40 e logo depois Lima poderia ter colocado os arsenalistas na frente, com um potente remate, defendido pelo guarda-redes adversário.
A segunda parte é uma história de simplicidade e classe. Com um meio-campo dinâmico e eficaz, que com facilidade recuperava a posse da bola e se lançava na construção de jogo ofensivo, o Sporting de Braga chega à vantagem com auxílio dos mesmos protagonistas: Lima e Mossoró, desta vez com posições trocadas. Lima lança a bola para a pequena área, onde Mossoró, depois de primeira tentativa de Hélder Barbosa, encosta para o segundo golo. Com o Nacional a tentar recuperar, o Braga ganhou espaço e poderia ter ampliado a vantagem.
Quando os guerreiros já descomprimiam e se limitavam ao seu meio-campo, Ukra marca o terceiro golo, numa jogada de contra-ataque, fruto da extrema competência da equipa de Leonardo Jardim.
Os bracarenses vão continuar a sorrir na próxima semana, e a verdade é que a jogar desta forma os sorrisos podem prolongar-se por largo período. Vitória justa, por 3-1, num jogo de elevado grau de dificuldade.
Melhor em campo? Mossoró, sem dúvida!
Faltam 3 jogos para o embate da Luz e, até lá, há que apoiar estes guerreiros do Minho.
É possível continuar a sonhar!

A seca chegou há muito a Braga

Tem-se falado com insistência no grave período de seca que o nosso país atravessa. As chuvas que caem por todo o país nos últimos dias, vêm amenizar o cenário negativo. Todavia, na cidade de Braga há muito que a seca chegou. Não notaram?

No largo do Paço, onde repousa uma das mais vivas memórias históricas da nossa cidade, situa-se a mais bela fonte exposta em cenário urbano, entre o mui valioso e rico espólio hidráulico-monumental que dispomos. Braga foi sempre uma cidade rica em recursos hidraúlicos, daí provavelmente a fundação de Bracara Augusta num local aparentemente desprovido de um grande rio.
Ora, a fonte dos Sete Castelos, obra de Marceliano de Araújo em 1723, alegoria do brasão do grande arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, está sem água há muito tempo. As más línguas dizem que foi um dos efeitos das obras de construção do novo hospital, dado que o abastecimento desta fonte se faz a partir das Sete Fontes. O facto é que a fonte continua sem água, sem que ninguém proteste, reclame, repare...
Há uns anos era o cimento armado visível, que uma reconstrução pouco profissional havia proporcionado, depois a falta de iluminação nocturna... Até os frequentes descuidos da empresa de iluminações se expandem neste importante espaço urbano, com os ferros e arames do São João a ficarem todo o ano a 'decorar' este local. Agora até a Universidade pretende retirar a reitoria do edifício que foi durante seis séculos o segundo mais importante da cidade: o Palácio dos Arcebispos.

Para quando mais dignidade para o Largo do Paço?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Confiança vai ser expropriada

O presidente da Câmara anunciou ontem a intenção de expropriar o edifício da antiga Saboaria e Perfumaria Confiança. Trata-se de um desfecho anunciado, depois do proprietário ter renunciado às negociações. As dúvidas, essas ficam guardadas na mente dos bracarenses, pois Mesquita Machado escusa-se a responder a questões sobre este assunto. Porquê o silêncio, Sr. Presidente?

Entretanto, a Coligação Juntos por Braga anunciou a sua disponibilidade para apoiar a expropriação, caso haja unanimidade na Assembleia Municipal. Resta saber se a extrema esquerda, tão empenhada em defender as vantagens da expropriação, vai ser fiel e coerente com a palavra dada, e vai validar a solução defendida há umas semanas atrás.

A Assembleia Municipal desta noite vai ser animada!

Assembleia Municipal de Braga

Grande Auditório do Parque de Exposições 
Hoje pelas 21h30