sábado, 31 de março de 2012

O poder aos cidadãos

A revolução que trouxe a democracia a Portugal, há cerca de 38 anos atrás, tinha como um dos seus principais ideais a participação de todos nas decisões políticas e nos destinos do país. Criaram-se partidos polítticos, com ideologias base, e esses mesmos partidos foram abertos à participação dos cidadãos que se quisessem envolver nos respectivos projectos.
Hoje o cenário político aparece revestido de um cenário bem diferente do ideal de Abril. Nos principais cargos autárquicos ou legislativos, e mesmo nos cargos dirigentes de instituições estatais, estão destacados, muitas vezes, pessoas sem rosto, apenas reconhecidas nos corredores dos partidos ou pelas empatias pessoais de alguns dirigentes. São eleitos deputados aqueles que mais próximos conseguem ser de certos decisores, ou por serem filhos, primos ou sobrinhos de algum 'histórico', ou por terem sido dirigentes académicos ou 'jotas'... De muitos deles não se conhecem ideais, envolvimento em questões cívicas ou qualquer tipo de actividade profissional. São os chamados políticos de conveniência.
É verdade que nem todos são assim. Mas a imagem que passa é que os partidos vivem cada vez mais fechados em pequenos círculos, que vedam a participação àqueles que efectivamente querem lutar por uma sociedade melhor e que trazem ideias novas para defender a sua comunidade. Não falemos, então, do desencanto que surge por vermos muitos políticos ostentarem sinais de riqueza, que não se percebe bem de onde terão surgido... Este factor acaba por afastar as pessoas da política e coloca as decisões públicas muito distantes dos implicados pelas mesmas decisões.
O que recentemente se tem passado em Braga atesta a vontade dos cidadãos se envolverem nas decisões que afectam o que é património de todos. Os políticos, democraticamente eleitos, não gerem o que é seu, mas o que pertence a uma comunidade, daí terem que prestar contas de tudo o que fazem. As sucessivas reclamações relativamente ao arranjo do Parque da Ponte ou às obras do largo da Senhora-a-Branca, para não falar das Sete Fontes e do seu futuro, atestam esta vontade de participação cívica, fruto da desertificação dos partidos.
Se os partidos não aceitam renovar-se, ou não implementam formas de o fazer, só a cidadania poderá fortalecer a democracia. Caso contrário, esta democracia corre sérios riscos de sobrevivência...

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