segunda-feira, 2 de abril de 2012

Braga, Compostela e a Cultura

Hoje ficamos a saber, através do Vice-Presidente da Câmara Vítor Sousa, que Braga quer afirmar novamente a sua primazia cultural sobre Compostela, no contexto do noroeste peninsular.
Para tal, sugere que é essencial apostar na cultura e transformar a cidade num grande pólo de atracção.
O grande projecto cultural apontado é a regeneração urbana, que vai alterar a face do centro histórico de Braga.

Ora, estas palavras deixam-me surpreendido. A aposta em cultura tem que ir muito mais longe do que renovar praças e fechar ruas. Aliás, muitos desses espaços estão a ser descaracterizados do seu valor histórico, devido a intervenções pouco sensiveis ao património: recorde-se o caso das reliquias do Parque da Ponte ou dos candeeiros do Largo Carlos Amarante (para não falar dos candeeiros do Campo Novo, que nunca mais voltaram ao seu lugar...).
Apostar na cultura é criar pólos de iniciativa (uma alternativa ao Theatro Circo, rentabilizar o PEB...), incentivar mais eventos no calendário anual, potencializar os recursos que a cidade oferece (o barroco, arte contemporânea, relação com a Igreja...)  e divulgar convenientemente o que já existe ( Braga Romana, Encontros de Imagem, Mimarte...).
Apostar na cultura é não deixar morrer uma das melhores Feiras do Livro do país!
Dizer que não há orçamento? Curiosamente Braga é dos raros municípios portugueses que não tem a seu cargo uma biblioteca pública. A poupança neste âmbito é elevada. Se utilizassem o que gastariam na gestão de bibliotecas, a cultura em Braga seria seguramente melhor.

É por estas e por outras que Braga precisa de mudar. Mudar de prioridades, mudar de 'interesses', mudar na forma de fazer política... Aguardo que os caros militantes socialistas da concelhia sejam inteligentes (alguns comprovadamente são) e façam a 'limpeza' necessária e operem um rasgo definitivo com este passado, na sua pior versão.

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