quarta-feira, 25 de abril de 2012

Celebrar uma democracia em mudança

Democracia é uma palavra que deriva do grego (demos + cratos), que significa, de forma simplista, o poder do povo. Se fizermos uma leitura global da história dos povos poderemos perceber uma significativa evolução dos conceitos de poder. Primeiro esteve nas mãos da nobreza, uma elite responsável pela construção das nações, que assumiu o protagonismo do poder diante de outras classes, muitas vezes subjugadas aos seus caprichos. Seguidamente surge a burguesia, nomeadamente a partir do ímpeto revolucionário francês e da evoluída sociedade dos Estados Unidos. Após um período de domínio ditatorial, que conduziu a guerras violentas e a nacionalismos exacerbados, surge o ideal democrático nos países ocidentais. Criaram-se partidos políticos de acesso universal, centrados em projectos e ideais muito claros.
Em Portugal a democracia viu a luz há precisamente 38 anos. Desde aí muito se alterou. Os partidos cada vez parecem mais circunscritos a elites familiares e a grupos de interesses. Muitos cidadãos, eivados de vontade de intervir na sociedade, esbarram em círculos fechados e, desiludidos, colocam-se à parte. O abstencionismo cresce, perante os sinais exteriores de riqueza de alguns políticos, que antes da sua intervenção pública eram pouco mais que remediados. Muitos políticos, detentores de cargos públicos, agem perante o erário público, perante o que é propriedade de todos os cidadãos de um país ou autarquia, como se fossem 'donos' dos respectivos pelouros. Muitos não ouvem os apelos dos cidadãos, exultando de arrogância e insensibilidade.
Porém, os cidadãos parecem forçar a uma nova era democrática. Fartos dos vícios dos partidos, começam a gerar movimentos cívicos, que levam a cabo acções de esclarecimento, manifestações e exigem, junto dos poderes públicos, o que entendem ser construtivo. Os partidos, porém, parecem continuar apáticos perante esta mudança efectiva de postura de muitos cidadãos. Quanto maior for a arrogância ou o distanciamento dos partidos políticos dos respectivos cidadãos, maior vigor terá a cidadania. Os partidos têm inevitavelmente que se abrir à sociedade...
Em Braga observamos intervenções em espaços públicos, partindo de projectos elaborados sem escutar os cidadãos que habitualmente deles usufruem, que têm provocado inúmeras manifestações cívicas. Os membros das associações do Parque da Ponte protestam com cartas nos jornais pelo regresso das pedras patrimoniais, ou pela existência de mobiliário urbano que permita que as pessoas o frequentem.
Os moradores da Senhora-a-Branca também reclamaram alterações ao projecto inicial. Neste caso, a autarquia acabou por ceder em alguns pontos, todavia isto seria evitável se uma discussão pública tivesse antecedido o processo. Não falemos, então, da renovação do Campo da Vinha em 1995...
Hoje, a Câmara Municipal já não pode fazer o que quer sem que os cidadãos se manifestem. Que atrevidos, estes cidadãos? Já não se pode ser político e fazer o que se bem entende dos espaços que são de todos!

Despejados do edifício da Escola da Fontinha, um grupo de portuenses foi severamente agredido por ousar manifestar-se contra a arrogância costumada do seu presidente da Câmara. Um grupo de bracarenses, em solidariedade com os congéneres portuenses, decidiu tornar pública a luta deste grupo de cidadãos.
Mais do que uma atitude populista, trata-se de um sinal da vitalidade democrática. Venham mais, venham mais, porque o povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade.

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