segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Mãos sujas", segundo D. Jorge Ortiga

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, saltou hoje para as manchetes dos principais jornais nacionais devido ao facto de ter denunciado as "mãos sujas" daqueles que exploram os mais fracos e tentam conjurar inúmeros interesses. Trata-se de uma afirmação óbvia, num país que parece adormecer perante os abusos, nomeadamente no que toca ao capital financeiro.
Sempre me pareceu que o liberalismo económico e a fraca participação do Estado na economia são vectores de gestão pública demasiado perigosos. O Estado tem um papel regulador, particularmente no que concerne à busca de uma justiça social, do qual não se pode excluir.
O período de crise que atravessamos tem proporcionado a manifestação e proteção dos habituais privilegiados da sociedade.
Nunca percebi porque é que a banca se queixa de descapitalização, mas continua a pagar principescamente as suas elites dirigentes. Nem percebo como é que a EDP ou a Caixa Geral de Depósitos pagam autênticos tesouros aos seus consultores - para não falar dos gestores...- e depois têm o descaramento de aumentar brutalmente as tarifas em ano de crise. Muito menos percebi como é que um Estado quer poupar e continua a pagar pensões vitalícias a políticos e ex-políticos que estão no activo e, que se saiba, têm vencimentos elevadíssimos. Falou-se do assunto em outubro e depois um véu de silêncio envolveu este tema...Já para não falar nas gasolineiras, que lucram milhões todos os anos e continuam a "combinar" entre si os preços dos combustíveis, perante a passividade do Estado na proteção do interesse dos cidadãos.
Perante isto, o Estado cala-se e pouco ou nada faz. Como é possível? Onde está a moralidade? Tantos são os portugueses a sacrificar-se e com o emprego em dúvida...
Sou obviamente adepto de que quem tem currículo deve ser distinguido em termos salariais, porém não entendo como se pagam 50 ou 100 mil Euros mensais, acumulados com outras regalias, em empresas que se queixam de falta de financiamento.
Felizmente ainda há boas notícias. Vítor Gaspar parece ter exigido aos bancos que vão aceder aos fundos da Troika uma redução de 50% do vencimento dos altos gestores. Um pequeno sinal positivo no meio de tantos abusos e "mãos sujas" à custa do esforço da maioria dos cidadãos.

Para quando um Estado que regule efectivamente o mercado, não permitindo abusos e exigindo às empresas ética e responsabilidade no uso dos recursos? Para quando um Estado que proteja efectivamente os cidadãos?

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