segunda-feira, 2 de abril de 2012

Os vícios do passado


"Falla depois da Avenida entre o largo da Lapa e o local de S. João da Ponte, cujo projecto acaba de receber, projecto que lhe merece rasgados elogios, assim como o seu auctor, o snr. Engenheiro João Casimiro Barbosa, do Porto, que apresentou um trabalho notável, pelo qual nos terrenos do extincto convento dos Remédios, será construído um bairro novo, moderno, melhorando notavelmente a cidade."
Correio do Minho, 5 de Novembro de 1907


A transcrição acima exposta pertence às actas de uma reunião camarária de novembro de 1907, e bem poderia pertencer à actualidade. Nos finais do século XIX e inícios do seguinte, os políticos que governavam a autarquia dedicaram-se a aniquilar património para alargar ruas e atingir o progresso que tanto ambicionavam. O convento dos Remédios é um dos exemplos de património sacrificado, numa longa lista da qual fazem parte o castelo da cidade e algumas portas e capelas.
Hoje ninguém se recorda do nome desses políticos, apenas são citados os atentados contra o património por eles protagonizados. O progresso era, então, sinónimo de aniquilação de património.
Um reflexo da actualidade?
Se o presidente da Câmara da altura dizia que iria melhorar "notavelmente" a cidade, o de hoje diz que a cidade vai ficar "um espectáculo", mesmo traçando os projectos sem escutar a população que usufruiu habitualmente desses espaços.

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