sábado, 30 de junho de 2012

O exemplo da Casa Sarmento

A Casa Sarmento disponibiliza espólio documental de Guimarães através do seu site
A Casa de Sarmento é uma Unidade Cultural da Universidade do Minho com sede em Guimarães, que iniciou a sua actividade no ano de 2002. Tem por base um protocolo de cooperação entre a Universidade do Minho,  Sociedade Martins Sarmento e Câmara Municipal de Guimarães.
Entre os trabalhos que desenvolve sublinhe-se o notável apoio à investigação da história e património vimaranense, concretizado na publicação de fontes documentais e de estudos e na edição e divulgação de inventários, catálogos e outros elementos destinados a facilitar aos investigadores a consulta de documentos. A Casa Sarmento faz também uma interessante ponte entre a cidade de Guimarães e a Universidade, potenciando o desenvolvimento de actividades de índole cultural.
Esta instituição apoia também projectos de restauro e conservação de património material.

Trata-se de um interessante projecto de cooperação entre a entidade que mais tem o dever de promover a cultura num município, a autarquia, e a maior instituição cultural da região, a Universidade do Minho. Sublinhe-se também a Sociedade Martins Sarmento que tem tido um papel notável no desenvolvimento cultural de Guimarães.

Com o acervo documental e com o património monumental de que Braga dispõe, e sendo até sede dos cursos de Ciências Sociais, como é possível que até hoje nada tenha sido feito neste âmbito?
Aqui está um exemplo que merecia ser valorizado e repetido. Talvez no dia em que a cultura for uma prioridade no nosso município. Recursos não faltam. História e Património também. Falta é vontade política...

Um futuro Museu da Cidade de Braga pode ser potenciador de um projecto deste género, que tem vantagens várias a nível de financiamento europeu e apoio à investigação, para além de um vasto campo de estudos para os alunos, mestrandos e doutorandos da Universidade do Minho.

Ângulo Maior: o novo hotel de Braga

É definitivo! As letras que durante décadas preencheram o edifício do Hotel Turismo já foram retiradas. Já se entrevê o nome da cadeia francesa que vai rebaptizar o histórico hotel bracarense: Mercure.
O Hotel Turismo vive, a partir de agora, apenas na nossa memória.

A RTP e o serviço público...

Ontem à noite, em pleno horário nobre, a RTP transmitiu uma corrida de touros em directo de Évora.
Depois de ter votado a terceira cidade do país, e o seu maior evento, à completa indiferença, a televisão pública dá destaque a uma tradição que nem sequer tem cariz nacional.
Durante o Estado Novo as tradições de Lisboa e arredores passaram a dizer-se nacionais. Falo do fado ou das touradas, entre outros exemplos. Porém, uma mentira dita muitas vezes não passa a ser necessariamente verdade.
O serviço público tem que ser mais do que esta falácia da generalização apressada (tomar a parte pelo todo) e pelas discriminações negativas de algumas delegações de informação, como a RTP Porto faz com Braga. 

É isto que fazem com os nossos impostos...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Câmara Municipal de Braga e a Cultura


Segundo a vereadora da cultura. Ilda Carneiro, “não há cultura em Portugal” e conta com o “desprezo absoluto” da parte do Governo.
É um facto que este Governo aposta muito pouco na cultura, e aí a Sr.ª vereadora tem toda a razão, agravado pelo facto de não existir um ministério que valorize  a actividade cultural no nosso país.

Porém:

  • Tem sido a Câmara Municipal de Braga um exemplo de aposta numa coerente e firme política cultural?
  • Porque razão Braga perdeu a candidatura a Capital Europeia da Cultura e foi suplantada por uma cidade de menor instrução e dimensão, que tem sabido valorizar o seu património e as suas tradições?
  • Será Braga um exemplo na forma como trata o seu património monumental e arqueológico e como promove um diálogo profícuo com os cidadãos e associações ligadas ao património?
  • Porque é que a Braga Romana, uma organização do pelouro da cultura, com interessantes cortejos e uma aprimorada feira de rua, não consegue aproveitar o evento para valorizar culturalmente o legado romano da cidade?
  • Numa autarquia, que é das raras no país que não suporta custos com Bibliotecas Públicas, porque não se canalizam as verbas que se poupam sem esse encargo para fomentar a actividade cultural?
  • Quando é que a Fundação Cultural Bracara Augusta, de capitais públicos, começa a ser verdadeira protagonista da actividade cultural na cidade, e tem uma acção que vá para além de publicações e conferências?
  • Porque é que a revista de história local “Bracara Augusta”, já considerada das melhores do género em Portugal, e que funcionou como motor da valorização cultural e patrimonial do município de Braga durante décadas, se encontra quase parada?
  • Quando é que a autarquia vai musealizar as ruínas romanas das Carvalheiras e o Teatro romano, iniciativas inscritas no programa eleitoral do PS Braga?
  • Para quando um espaço com programação alternativa ao Theatro Circo, que fomente a iniciativa das instituições culturais do município e sirva de plataforma para cinema alternativo e concertos (por exemplo recuperando o cinema São Geraldo)?
  • Porque razão as obras do programa Regenerar Braga em vez de promoverem a valorização do património existente em cada espaço urbano, fomentam o desaparecimento de alguns vestígios e de mobiliário urbano de outras épocas?
  • Quando é que o denominado barroco bracarense vai merecer a atenção devida dos poderes públicos municipais e vai ser alvo de uma estratégia de valorização cultural, económica e turística?

Quando souber responder a estas questões, Dr.ª Ilda  Carneiro, vou aplaudir de pé a sua crítica. Até lá não me resta alternativa, como munícipe que segue com atenção a actuação municipal, senão deixar-lhe estas questões, que me parecem pertinentes.

A prova de que quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras ao telhado do vizinho…

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Enorme está quase a regressar!


Apontem nas agendas:

Sporting de Braga – Al Ittihad: Melgaço, 17 de julho às 18 horas
Sporting de Braga - D. Aves: Melgaço, 19 de julho às 18 horas
Sporting de Braga – Coruxo: Melgaço, 21 de julho às 18 horas
Sporting de Braga - Olympiacos: Torneio do Guadiana, 26 de julho
Sporting de Braga - Newcastle:  Torneio do Guadiana, 29 de julho
Sporting de Braga - Gil Vicente: Barcelos, 1 de agosto
Sporting de Braga - Celta de Vigo: Fão, 4 de agosto às 18 horas
Sporting de Braga - West Ham: Estádio AXA, 10 de Agosto (Jogo de Apresentação aos sócios)

O São João é de Braga!


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Manifesto à Direcção da RTP

Bracarenses, é preciso reivindicar os nossos direitos perante a apatia e indiferença com que somos votados pela RTP, nomeadamente no que se refere às Festas de São João. É certo que esta situação se deve, em parte, à falta de ambição e de divulgação da comissão organizadora dos festejos, todavia isso não justifica esta atitude da televisão pública e o uso que faz dos nossos impostos.

Toca a escrever em força para a RTP: conselho.opiniao@rtp.pt;  provedor.telespectador@rtp.pt;
Ou no Facebook:  http://www.facebook.com/provedor.rtp/info

Ex.mos responsáveis da Direcção de Informação da Rádio Televisão de Portugal,
Sou um cidadão bracarense, por conseguinte português, contribuinte do mesmo Estado e cumpridor das minhas obrigações fiscais. Continuo, todos os meses, a pagar uma taxa referente à televisão e serviço público, da qual não sou livre de abdicar.
Por estes motivos, e porque entendo que a televisão pública deve representar com coerência e sem discriminações todos os portugueses, venho manifestar o meu desagrado pela indiferença como, uma vez mais, as festas de São João de Braga foram tratadas pela Direcção de Informação da RTP.  
É verdade... A RTP ainda é do Estado, ainda não foi privatizada e ainda tem como missão primordial o serviço público. Infelizmente nunca foram criadas condições para o estabelecimento de uma delegação da televisão pública em Braga, sendo uma televisão privada a primeira a dar um sinal da relevância que a cidade vai almejando a nível nacional. 
A verdade é que um dos maiores acontecimentos do ano é repetidamente ignorado, mesmo após várias manifestações formais da parte dos responsáveis autárquicos e corporativos: as Festas de São João! Depois de pequenas referências em anos anteriores, seguiram-se dois anos consecutivos sem que houvesse uma única menção ao facto de Braga estar a viver o seu momento alto na agenda anual. O que se passa?
Para a RTP nada se passou... Agradeçamos à TVI a gentileza de cá ter vindo!
A dependência informativa da delegação do Porto, para um distrito e região que representam cerca de 10% da população portuguesa é altamente reprovável. Acrescento ainda que o município do Porto, que tanta atenção deve à RTP, representa 2,249% da população portuguesa, de acordo com os Censos de 2011, o que perfaz 237.584 habitantes. O município cujas festas vocês desprezam, e onde se implanta a terceira cidade portuguesa, detém 181.874 habitantes, representando cerca de 1,72% da população total do nosso país. O município de Braga, cujas festas ultrapassam a noite dos martelinhos e fogo de artíficio, têm uma tradição que vem, pelo menos, do século XV, conservando quadros típicos no programa anual dos festejos. As festas de São João em Braga têm a adesão de toda comunidade, para além da "noitada" que a RTP Porto faz questão de transmitir em directo de uma cidade cujas festas apenas derivam da década de 30 do século XX.
A verdade é que o Minho existe! A terceira cidade de Portugal existe! Guimarães, Barcelos ou Viana do Castelo também existem... Este ano acolhemos a Capital Europeia da Cultura no Minho. Também a Capital Europeia da Juventude... Ena! E nada disto no Porto. Como se comporta a informação da RTP Porto relativamente a isto?
Para além da credibilidade informativa que se vê, inevitavelmente, afectada, perante esta situação, não resta alternativa aos bracarenses senão começar a desligar os canais da RTP em nossas casas.
Certo que serei escutado, sob pena de outras formas de luta serem a breve trecho agendadas.
Saudações bracarenses,
                                                Rui Ferreira

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ângulo Maior: o novo largo da Senhora-a-Branca

A remodelação do largo da Senhora-a-Branca já se entrevê. Apesar da modernidade do projecto, sente-se a falta de sombras e de verde. Esperemos que também não faltem bancos para que as pessoas possam efectivamente usufruir do espaço. Que não seja como o parque da Ponte ou o topo da avenida da Liberdade, esteticamente bem conseguidos, mas com imensas desfuncionalidades.


Se os espaços públicos não são para as pessoas, para que servem então?

domingo, 24 de junho de 2012

As Festas de São João em Braga


O parque da Ponte durante as festas de São João do ano de 1917
O São João de Braga continua a ser o momento alto do calendário anual dos bracarenses. As festas revelam a identidade genuína da cidade, quer através das iniciativas das associações culturais e recreativas do município, que atingem por esta quadra o seu maior horizonte de activismo, quer pelas tradições e legado que conserva, quer pela elevação dos principais símbolos da cidade: como a bandeira e o hino.
Será sempre arriscado tentar datar a origem das festas, até porque este tipo de festividades se fundava no culto religioso. São João Batista é um dos santos mais importantes da Igreja, o único que é celebrado a partir da celebração do seu nascimento. Apenas Jesus Cristo e Nossa Senhora têm direito a essas prerrogativas.
O que podemos conjecturar é desde quando alcançaram dimensão municipal, e como é que se destacaram dos demais festejos que tinham este privilégio. Sabemos que existe uma igreja paroquial dedicada a São João, desde o século XII, e uma capela (da Ponte) desde 1616. Sabemos também, através das actas do Senado da Câmara, que ao longo do século XVI o São João já fazia parte das celebrações estatutárias da cidade, detendo até um estandarte oficial. Todavia, para além do São João, as festas do Corpus Christi, de Santa Isabel, de S. Tiago, de Nossa Senhora e do Anjo da Guarda também detinham um cariz municipal. Por este tempo, temos conhecimento da existência de algumas tradições. Uma delas é o Candeleiro, em que uma vela votiva era transportada pelas ruas da cidade. Associada a esta antiga usança estavam outras tradições como a dança das pélas (as padeiras da cidade, transportadas aos ombros, executavam uma coreografia); os espingardeiros, que deveriam disparar para o ar durante o percurso; e, ainda, uma dança de espadas, espécie de pauliteiros que deveriam secundar o Candeleiro. A corrida do porco preto era outra das grandes tradições sanjoaninas. Um porco era soltado do Picoto, e perseguido até às margens do rio Este, onde se encontrava, sobre a ponte, um grupo de moleiros que tentavam impedir a passagem do animal. Se o porco resolvesse atravessar o rio era pertença dos moleiros, se conseguisse atravessar a ponte ficava a pertencer aos cavaleiros. Outra das tradições associadas ao São João era a serpe, símbolo do pecado que se insinua aos humanos, e restituída às festas no Encontro de Gigantones e Cabeçudos.

sábado, 23 de junho de 2012

Um São João en'quadrado

Se em Braga és primeiro
Entre toda a devoção
Pelo nosso mundo inteiro
O maior é São João!

"O São João está em Braga!"
Diz o povo em comoção
"Vem para nos tirar da crise
e torcer p'la selecção!"

São João és bracarense!
Ninguém pode duvidar
Só em Braga tu encontras
Motivos para festejar.

A torcer por Portugal
São João vem este ano
Não traz bandeira para Braga
Quebraram-lhe o ordenado!

Ó São João és de Braga
Serás sempre o nosso amor
Desde a Ponte até Árcada
Tu és o rei e senhor!

O mais astuto romeiro
Vem a Braga ao São João
Bebe 'verde' e dança o vira
Vai à Ponte em oração.

Entre choros e suspiros
Chega a Braga o São João
Porque o seu clube querido
Não pôde ser campeão.

O São João anda triste,
Já foi outro em seu fulgor,
Sem balões e sem foguetes
Aguarda cabeça melhor…

São João se não me vires,
Não te zangues, por favor!
No novo parque da Ponte
Não há lugar para o sor

Se esta cidade de Braga
A louvar-te é a primeira,
São João faz um milagre
E torna-a a mais galhofeira!

Estourar dinheiro com foguetes...



"Estourar dinheiro com foguetes podia ser mal interpretado"

Vítor Sousa, presidente da Associação de Festas de S. João



Cá estaremos no próximo ano - 2013 - para ver se esta cândida intenção se mantém... 
Até a mais ínfima aldeia minhota tem foguetes nas suas festas.
Recordo que em 2009, ano de eleições autárquicas, a Britalar ofereceu gentilmente o fogo de artíficio para o encerramento das Festas de São João, quando não estava previsto inicialmente no programa.

Falta de ambição e de memória...

Na tradicional entrevista concedida por Vítor Sousa ao "seu" Correio do Minho, saltam à vista duas ideias: a falta de ambição e a falta de memória.

Falta de ambição (e de visão): "Em termos turísticos não temos aspirações a mais. Já trazemos muita gente à cidade com eventos como o Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos, que é uma actividade muito rica..."

Falta de memória: "não temos nenhum espectáculo pago. O S. João tem de servir de palco daquilo que representa a nossa festa e a nossa cultura popular"

Faltou dizer que nos últimos anos era preciso pagar para ver a festa de Encerramento, e que houve dois espectáculos de fado, também com bilheteira. Aliás, um tipo de música muito típico do Minho.


O São João é de Braga - parte 3

Talvez porque os balões têm marcado pela ausência nos últimos anos, a Braga CEJ promoveu uma interessante iniciativa: hoje, ao acordar, a cidade estava repleta de balões coloridos, que deram um particular brilho à abertura oficial dos festejos. Uma boa ideia!

Obrigado CEJ!

O São João é de Braga - parte 1

Exultam os bracarenses e o coração pula de alegria. É o São João de Braga, a maior festa do Minho e o orgulho das gentes brácaras.
As festas, de cariz municipal já desde o início do século XVI, continuam a ser o ponto mais elevado do associativismo e das tradições autenticamente bracarenses. Há que amar este evento, valorizá-lo e continuar a participar e assistir aos seus principais quadros tradicionais como o Cortejo das Rusgas, a Abertura Oficial das Festas, o Carro dos Pastores e a Dança do Rei David ou a Procissão. Só assim poderemos afirmar as nossas festas, que já foram consideradas as maiores do país.
Biba Braga e biba o São João!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Há adeptos da Selecção Nacional em Braga?

21h00: a praça da República, em Braga, repleta de bracarenses a puxar pela equipa nacional...

Porque será que as três televisões de canal aberto só transmitem emissões em directo com os adeptos da Selecção Nacional de futebol em Lisboa, Porto e... Coimbra?
Se pelo critério demográfico não pode ser. Se também não pode ser pela importância económica ou histórica, ou até futebolística, porque será? Será que em Coimbra há muitos checos? Ou será que em Braga há poucos portugueses adeptos de futebol?

É por estas e por outras que sou contra a regionalização. Se a regionalização das delegações televisivas (localizadas no Porto) provoca este tipo de equívocos, o que seria se toda a administração territorial estivesse assim dividida.


É por isto que o melhor e mais antigo São João de Portugal continua a ser abafado pelas estações de televisão...

O museu da memória de Braga continua desaparecido do parque da Ponte

Fonte quinhentista do parque da Ponte, com a mutilação a tracejado e com a cornija assinalada
Salão de chá do parque da Ponte, com os "vasos", transferidos para a fonte, assinalados
O museu da memória de Braga continua desaparecido do Parque da Ponte e a autarquia ontem respondeu em comunicado, limitando-se, porém, à explicação sobre a intervenção na fonte de D. Frei Agostinho de Jesus, que aqui tivemos oportunidade de denunciar. 
Segundo o comunicado da nossa democrática autarquia, esta informação «pretende rebater alguns comentários surgidos na Imprensa relativos ao paradeiro de algumas das peças escultóricas ali existentes antes da intervenção de que agora foi alvo». Mas a Câmara Municipal de Braga não tem a obrigação de informar aos cidadãos a natureza das suas decisões? E está a rebater exactamente o quê? A sua função e missão é rebater o que dizem os cidadãos ou informar os mesmos sobre o que vai fazendo? E os bracarenses não estarão legitimados a fazer os comentários que fizeram relativamente à fonte em causa? Os cidadãos têm obrigação de saber que os "jarros" eram de argamassa ou seriam os técnicos da autarquia a deter essa faculdade? Justifica-se esta atitude "fanfarrona"?
Sinceramente não entendo a forma como a autarquia responde às solicitações dos cidadãos. Dá a impressão que lhe incomoda a cidadania, que se sente ofendida com questões e sugestões dos seus municipes. Basta ler as declarações recentes do Presidente da Câmara e do seu putativo candidato ao lugar, relativamente à intervenção no largo Carlos Amarante.
Aceito plenamente as explicações do arquitecto Sérgio Borges, dado que já tinha conhecimento que aquelas estruturas não eram originais da fonte, mas pertenciam a um salão de chá (Cf. foto 2) construído no recinto do parque no início do século XX. Todavia, isso não significa que não devessem lá permanecer. Falta explicar porque cortaram também a cornija à fonte. Era também de argamassa? Este facto leva-me a induzir que a opção de retirar estes elementos à fonte foi deliberada e pensada.
Relativamente aos elementos históricos, efectivamente bem tratados, tal como aqui já reconhecemos, não se percebeu porque foram retirados. O comunicado apenas versa sobre a fonte e esquece a explicação sobre estes elementos patrimoniais que passaram a estar arrumados num parque de estacionamento dos funcionários municipais.
A petição, que ainda circula, pretende que uma parte destes elementos regressem ao parque para decorar uma parte daqueles extensos relvados, e para enriquecer o recinto. Obviamente que se exigiria um quadro explicativo junto aos mesmos fazendo memória da Braga desaparecida. Estará a autarquia disponível para escutar as sugestões de um grupo de cidadãos? Ou ficará ofendida por ousarmos colocar em causa o seu trabalho tão meritório?
Para além do mais, é natural e perceptível a desconfiança que os cidadãos têm da autarquia em relação ao património. Uma Câmara Municipal que permite a destruição da Casa dos Castelos, Palacete Matos Graça, Casa de Santa Cruz, Casa da Naia, para além de inúmeros vestígios arqueológicos destruídos no centro histórico, exemplares que se estivessem em outras localidades seriam alvo de especial valorização (veja-se Fafe, que fez das casas de brasileiros a base do seu património, enquanto Braga permite a sua destruição...), obviamente que ficam de pé atrás com as suas decisões.
Recordo que esta autarquia, que hoje se vangloria do prémio recebido pela intervenção no parque da Ponte é a mesma autarquia que, durante mais de três décadas, votou este espaço à incúria e esquecimento.
 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um exercício de imaginação...

Imaginação é uma faculdade ou capacidade mental que permite a representação de objetos segundo as qualidades que são dadas à mente através dos sentidos. Quer isto dizer que um exercício de imaginação corresponde a algo que efectivamente não é real, mas que apenas aparece na nossa mente. Quase como um sonho, por vezes mais plausível de se concretizar, e outras vezes nem plausível e muito menos desejável.
Ora, o sr. vice-presidente da Câmara e putativo candidato à cadeira que secundariza, na sequência das constantes críticas e questionamentos de tantos cidadãos em relação às destruições efectuadas no largo Carlos Amarante referiu que "tudo quanto seja dito sem chancela científica, sobre pretensas destruições de património, só pode ser interpretado como mero exercício de imaginação".
De facto, os cidadãos bracarenses, principalmente aqueles que vão estando mais atentos à actuação municipal em relação ao património há muito que fazem um particular exercício de imaginação. Tem razão o sr. Vítor Sousa! Imaginam uma cidade em que os poderes públicos vão fazer jus à democracia em que vivemos e vão auscultar os cidadãos sobre as intervenções junto dos seus habituais espaços de convivência. Imaginam políticos com vontade de explicar aos seus municípes a natureza e fundamento das suas decisões, com capacidade de escuta e aceitação humilde de questionamentos ou críticas. Imaginam uma cidade em que o património, independentemente da época em que foi construído, é respeitado, valorizado e encarado como uma fonte de riqueza e identidade.
Enquanto isso, outros cidadãos preferem fazer exercícios de imaginação bastante menos plausíveis e, até, nada desejáveis, como por exemplo ser presidente da Câmara, liderar uma empresa municipal sem défices monumentais e outras tonterias do género... Tolices, diria o povo!

Enfim, de poeta e de louco todos temos um pouco...

Ângulo Maior: Cabeçudos à solta!

Uma neo tradição que, felizmente, veio para ficar.
Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos, festas de São João 2012

Sporting de Braga: já vais tarde, muito tarde!

Com o aproximar do início da nova época futebolística o mercado de jogadores vai-se animando. O Sporting de Braga não foge à regra, principalmente num ano em que detém o aliciante de disputar a Liga dos Campeões.
No meio de tantas notícias, há uma particularmente feliz: a venda de Elderson, o desastrado lateral esquerdo responsável pela eliminação da equipa na Taça de Portugal, que quase nos atirou para fora da Liga Europa na fase de grupos e que afastou o clube da luta pelo título. Este jogador consegiu ser expulso duas vezes, sempre de forma infantil e no início das partidas, mesmo sendo o Braga a equipa mais correcta da Liga.
Com a entrada de dois novos defesas para a asa esquerda, Ismaily (ex-Olhanense) e Florent (ex-Leixões), o maior clube do Minho vai renovando o seu plantel.
Quanto a Elderson, é caso para dizer: "Já vais tarde! Muito tarde!!!"

sábado, 16 de junho de 2012

A memória de Braga no convento do Pópulo

Foi uma boa surpresa hoje reencontrar as pedras que, durante tantos anos, me habituei a ver no parque da Ponte. Não apenas aquelas que foram recentemente retiradas, devido à reformulação urbanística inaugurada em março passado, mas também as pedras rococó que decoravam os jardins do parque interior, remodelado em 2009.
Em abono da justiça se diga que estão muito bem tratadas, tendo sido numeradas e limpas. Falta apenas o devido trabalho de inventariação, pois muitas delas fizeram parte de monumentos da nossa vetusta cidade, como o Convento dos Remédios, Salvador e Cruzeiro do Senhor da Saúde.
Brevemente levarei uma petição de muitos cidadãos bracarenses requerendo o seu regresso ao Parque da Ponte, desta vez com a devida informação acerca dos monumentos de onde vieram e a referência do local onde se encontravam. Tal e qual como reconstruir um puzzle... O parque da Ponte ficaria a ganhar, pois aumentaria a sua dimensão cultural e monumental, e a cidade também, pois salvaguardaria a memória do seu passado.
Em vez de estarem colocados num recatado e reservado jardim do convento do Pópulo, poderiam estar à vista de todos os bracarenses. Apesar de estarem bem tratados - e mérito ao pelouro da cultura - são recursos patrimoniais para serem valorizados e conhecidos por todos os bracarenses!

Vamos lutar por isso!
E que tal criar o jardim da memória? Juntamente com os elementos perdidos nos jardins dos Biscainhos e no de Santa Bárbara.
Enquanto não existe um museu da cidade, vamos sonhando. Espólio não falta! E interesse dos bracarenses também não!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mesquitices - parte 1

Mesquita Machado afirma que "há muita gente que agora tem a mania que sabe tudo e que percebe de tudo, e na ânsia de querer criticar o município até escrevem barbaridades. O artigo da ASPA publicado no Diário do Minho é um autêntico churrilho de barbaridades, e depois obviamente leva a resposta adequada. Há uma obsessão de algumas zonas e de algumas pessoas em criticar a Câmara. E estão tão obsecados, que são possuidores de uma cegueira que não lhes permite ver a realidade".

Caríssimo Presidente da Câmara, anda muito desatento. Não foi apenas a ASPA, foi também a JovemCoop, e centenas de cidadãos através de blogues e redes sociais. Pena não ter uma conta no facebook, senão talvez tivesse uma percepção diferente do tal "churrilho de barbaridades".
Claro que não nos podemos esquecer que a si ninguém dá lições sobre património, e ninguém é capaz de ensinar que património arqueológico não se refere apenas aquilo que é romano e que se encontra a cada "cavadela", mas todos os elementos do passado que hoje podem não ter relevância, mas, se conservados, podem adquiri-la no futuro...

É verdade, sr. engenheiro, estamos mesmo a acordar do sono...
Já não é possível a um homem fazer aquilo que quer da "sua" cidade, e vem toda a gente reclamar e dar sugestões!!! Que atrevidos que estão, estes bracarenses!

O São João já chegou! - parte 2

Os quadros biblícos no rio Este são um dos factores de maior originalidade do São João em Braga. Apesar de ainda faltar compor as túnicas, os santos já estão no rio.
Porém, este ano vão ter a companhia das máquinas que, supostamente, estão em grande actividade desde agosto passado. Quem vir, até pensa que a renaturalização do rio Este já está quase feita, e que as obras já terão progredido no local onde começaram no verão passado: na avenida Frei Bartolomeu dos Mártires.
Estranho, não é? Em vésperas do São João, as máquinas apressaram-se a ir para um dos locais mais visitados das festas, sem acabar o que mal iniciaram.

Achará a Câmara Municipal que os bracarenses são desprovidos de inteligência???

O São João já chegou!

As iluminações continuam a ser um dos pontos fortes das Festas da cidade
Já começaram as festas de São João de Braga e continuam até o dia 24 de Junho, dia da cidade e do santo festejado. Chegou cinzento como o tempo, sem barulho e sem foguetes...
Apesar de todas as limitações, vamos festejar! Esta é a festa da Braga genuína, da Braga popular, da Braga minhota e festeira! É a festa dos autênticos bracarenses!

Ó São João vem cá abaixo,
Que tu chegas cá n'um ai
No céu nem fazes ideia 
Do que cá por Braga vai!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Memória Maior: Santo António em Braga

Em dia de Santo António, fica a memória de duas capelas bracarenses, demolidas em nome do progresso e devotadas a este ilustre português.
Capela de Santo António dos Esquecidos (adossada à Capela dos Coimbras) - demolida em 1921

Capela de Santo António da Praça (Praça do Município) - demolida em 1949

São João de Braga: a maior festa do Minho?

  • Festas da Senhora d'Agonia de Viana do Castelo: 420 mil euros
  • Festas e Feiras Novas de Ponte de Lima: 350 mil euros (2011)
  • Festa das Cruzes de Barcelos: 335 mil euros
  • Festas de São João de Braga: 250 mil euros
  • Antoninas de Vila Nova de Famalicão: 210 mil euros
  • Gualterianas de Guimarães: 180 mil euros (2011)

terça-feira, 12 de junho de 2012

E se Hugo Pires avançar?

Depois da mais do que previsível vitória no duelo pela liderança da concelhia do PS Braga, Vítor Sousa vê-se confrontado com a possibilidade de umas "primárias" para decidir o candidato à Câmara Municipal em 2013. O próprio afirmou que esse assunto apenas seria tratado após o duelo com António Braga. Será agora capaz de ultrapassar a sua ambição pessoal?
Caso Hugo Pires decida confrontar esta intenção, é muito provável que saia vencedor e se torne o adversário de Ricardo Rio, algo que, digamos em abono da verdade, seria muito mais interessante para Braga. É certo que Pires pensará, de forma calculista, dado que é bem provável que o PS perca as eleições e o melhor será resguardar-se para aparecer na altura certa. Porém, seria um sinal muito positivo que alguém, mais desligado desta gestão municipal e com capacidade para atrair pessoas jovens e dinâmicas (como Rui Dória, Rui Silva ou Miguel Corais), e principalmente que tivesse a coragem de desafiar o "imperador", que continua atrás da cortina a influenciar os protagonistas, de forma a manter o actual estado de coisas.
Só um PS com rasgo e coragem para cortar com os "boys" do passado pode garantir a confiança dos bracarenses, em particular daqueles que estão atentos e percebem o que se vai passando no ambiente urbano. Soubessem os cidadãos das zonas rurais o que se passa na cidade e há muito já teriam alterado o seu sentido de voto...
Seja na Câmara ou na oposição, Braga ficará a ganhar se tiver um Partido Socialista mais límpido e autêntico, com ideias novas e novos protagonistas.
Há coragem para o fazer?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Comunicação e (ataque à) cidadania


Não deixa de ser surpreendente o artigo, assinado pelo arqueólogo responsável pelos trabalhos desenvolvidos no largo Carlos Amarante, ontem publicado no jornal Diário do Minho, no qual este membro da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, para além de justificar o andamento das prospecções arqueológicas, faz acusações, na minha opinião sem sentido, aos cidadãos bracarenses que ousaram questionar a destruição de um aqueduto. Também aqui questionamos, com toda a legitimidade e evitando até tecer qualquer consideração ética ou científica.
Talvez este responsável não tenha percebido, mas qualquer cidadão tem o direito (e o dever) de questionar o que é feito daquilo que lhe pertence. Se a ASPA e a JovemCoop, associações já de reconhecido mérito na protecção e defesa do património de Braga, decidiram intervir publicamente a respeito deste assunto, tal não pode constituir uma afronta para o trabalho desenvolvido pela Unidade de Arqueologia da UM, bastante reconhecida e já aqui elogiada. Desde quando é que colocar questões pode ser fonte de incómodo?
Discordo também totalmente quando o artigo refere que os cidadãos deveriam ter colocado questões à Unidade de Arqueologia. Os bracarenses, a partir do momento em que um espaço público está a ser intervencionado – e à vista de todos – têm toda a legitimidade para questionarem as entidades competentes, neste caso a autarquia.
O problema de falta de comunicação já vem de trás e não deveria partir da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho qualquer esclarecimento, mas sim da autarquia que, assistindo à revolta de tantos cidadãos perante a destruição de elementos que estavam no seu subsolo, deveria ter elaborado um documento a esclarecer os bracarenses. Isso sim transparência e consideração democrática. O arqueólogo em questão também é uma vítima desta estratégia de indiferença e apatia da Câmara Municipal perante os cidadãos.

É óbvio que as explicações do arqueólogo responsável acerca das escavações me deixam mais descansado relativamente a alguns procedimentos, porém não é admissível que o mesmo decida aproveitar os esclarecimentos para fazer as acusações que fez (“individualidades com sofreguidão de protagonismo”) e basicamente desconsiderar a intervenção de associações a quem Braga muito deve no âmbito do património. Sentir-se incomodado por algumas considerações erradas ou por ideias formuladas por quem não tem preparação académica é compreensível, mas isso não serve de justificação para condenar a intervenção cívica e fazer ataques individuais a pessoas e entidades sem rosto.
Mais grave, ainda, é a tentativa de evitar as fotografias e colocar uma proteção na zona intervencionada para que os trausentes não possam ter visibilidade, quando poucos dias antes, o mesmo arqueólogo convidava, num debate público, os cidadãos a passarem pelo largo Carlos Amarante para observarem os trabalhos.
Obviamente que todos estes atritos se evitariam se a Câmara Municipal de Braga fosse ciosa de fornecer informação detalhada aos cidadãos, protegendo assim quer a entidade convidada a fazer as escavações, quer as supostas opiniões infundadas que foram veiculadas pela imprensa.

Recordo que já não estamos numa ditadura mas, felizmente, numa democracia cada vez mais participada e onde a cidadania tem que ter lugar.

Comemorações do Dia de Portugal


As comemorações do Dia de Portugal decorrem habitualmente numa localidade do nosso país previamente escolhida. Para lá se desloca o Presidente da República, decorrendo uma série de iniciativas, aproveitadas para reforçar os laços entre os portugueses.
Este ano Cavaco Silva decidiu escolher Lisboa, por suposta contenção de custos. Quando já tantos actos oficiais decorrem nesta cidade, não é admissível esta escolha, até porque ao presidente bastaria pagar as portagens e o combustível para se deslocar a uma qualquer localidade portuguesa...e fazia-lhe bem, numa época em que tantas comunidades vão ser afectadas negativamente por uma reforma administrative que vai incrementar a centralização já tão evidente.

Para quando um 10 de junho celebrado em Braga, a terceira cidade portuguesa e protagonista fundamental da independência nacional?

sábado, 9 de junho de 2012

Visita guiada ao Convento dos Remédios


O Convento dos Remédios, monumento demolido no ano de 1911 pela Câmara Municipal de Braga, vai ser revisitado a partir de uma visita guiada ao espólio disperso por alguns locais da cidade.
Trata-se de uma iniciativa inédita, que vai decorrer no próximo sábado, dia 16 de junho, sendo organizada pela JovemCoop e Braga CEJ.
O objectivo desta sessão é conhecer a história do mais antigo edifício conventual de Braga, bem como da sua polémica demolição em 1911. Para além disso, esta visita guiada vai permitir reconhecer uma parte do espólio deste convento, que se encontra disperso por alguns locais da cidade de Braga, alertando a população para a importância de valorizar o espólio e a memória deste convento.
O ponto de encontro para esta visita guiada acontece pelas 09h30 junto à Arcada, iniciando-se o percurso com uma passagem pelo largo Carlos Amarante, onde vai ser feita a contextualização histórica deste monumento.
Os participantes seguem depois para a reitoria da Universidade do Minho, jardim de Santa Bárbara, igreja e convento do Pópulo e, ainda, salão nobre da Câmara Municipal. O momento alto da visita vai ser a passagem pelo Parque da Ponte, onde repousa a maior parte dos elementos da fachada do tempo conventual.
Esta iniciativa termina na Falperra, com uma passagem pela capela de Santa Marta do Leão, onde se encontra o retábulo mor, tribuna e sanefas que pertenceram à igreja dos Remédios. Os primeiros 50 inscritos têm direito a transporte gratuito até aos locais, e os restantes interessados poderão fazer-se transportar em veículo próprio.
As inscrições para esta atividade já estão disponíveis, podendo ser feitas no site da Braga CEJ.

Inscrições AQUI

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Bracarenses, queremos continuar assim?

@ Luís Tarroso Gomes
Esta foto é supostamente uma ilegalidade. Dada a revolta que se instalou em muitos bracarenses - alguns até sem grande ligação às questões do património - devido à destruição brutal de um aqueduto subterrâneo e, pasmem-se, da linha que marcava o arranque das paredes do demolido convento dos Remédios, a autarquia mandou acrescentar uma rede verde à zona de obras, para que a visibilidade dos trausentes se tornasse mais difícil. Para complicar os "aventureiros", proibiu também a captação de fotos...
Uma vez mais, e tal qual há 36 anos, temos políticos em Braga que agem perante o espaço público como se fosse o seu quintal. Como é possível impedir os cidadãos de captarem o que é legitimamente seu? Será que os bracarenses não têm o direito de se pronunciarem sobre o destino a dar a achados arqueológicos que fazem parte do seu passado?

Assim é a democracia em Braga...
Queremos continuar assim?

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O dia em que São Jorge caiu do cavalo...

Hoje, dia em que os cristãos celebram a Solenidade do Corpo de Deus, uma tradição que já vem do século XIII, recordamos aqui uma interessante história ocorrida em Braga neste preciso dia.
A procissão do Corpo de Deus em Portugal tinha o costume de incluir uma imagem de São Jorge, muitas vezes representado a cavalo. O santo e seu estado fora introduzido durante o reinado de D. João I (1385-1433).
Em Braga, capital de uma província que prima ainda por um apego inexorável às tradições instituídas, manteve-se, até ao primeiro quartel do século XX, essa tradição. A imagem de S. Jorge, que ainda se conserva na Sé Primaz, e cujo selim - bordado a ouro - chegou a estar exposto na nova versão do Tesouro-Museu, costumava sair a cavalo na solene procissão do
Corpo de Deus.
Conta-se ainda hoje entre os bracarenses mais antigos - e não há melhor testemunho que os presenciais - que a imagem de São Jorge deixou de ser assídua no préstito sagrado devido a um episódio que nos cabe hoje contar. Também José Saramago, na sua obra “Viagem a Portugal”, quis deixá-lo transcrito, pela singularidade do ocorrido.
Algures na década de 20 do século passado, ia solenemente S. Jorge, abrindo a procissão do Corpo de Deus, quando o cavalo em que ia montado, fornecido por novas ferraduras, tropeçou nos carris dos carros eléctricos e caiu com grande estrondo no chão. Sendo a imagem do santo também projetada
na mesma queda, o inesperado sucedeu. Uma ninhada de ratos, que tinha abrigado no interior da imagem, desatou a correr pelas ruas, causando grande susto às pessoas que assistiam à procissão.
Desde essa data, não mais o São Jorge se passeou pelas ruas de Braga. Tentámos apurar, na imprensa regional, o ano em que tal terá sucedido. Sabemos que, em 1923, São Jorge ainda saiu no préstito, mas em 1926 e anos seguintes, já não há qualquer referência. Dado que os jornais primavam por descrever cuidadosamente a composição da procissão, possivelmente esta história terá acontecido entre 1924 e 1925, anos em que, estranhamente, se oculta a notícia da ocorrência da procissão.
Talvez por vergonha...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Um São João cada vez mais triste...

Foi ontem apresentado o programa das festas de São João, sem grandes novidades ou inovações. Apenas se salienta o rali até à serra da Estrela, numa iniciativa que nem sequer parte da Associação das Festas.
O grande ponto negativo é, uma vez mais, a ausência do habitual espetáculo de fogo de artíficio que, há mais de um século marcava as festas de São João. Isto depois de alguns anos em que o espetáculo tinha que ser pago...
Enfim, o corolário de um processo de constante diminuição das festas de São João, iniciado sensivelmente a partir de 1996, ano em que Vítor Sousa assumiu a liderança do grupo de bracarenses que organizam as festas.
Para memória futura, recordemos o que perdeu o programa do São João na última década e meia:
  • Cortejo do Traje e Cortejo e Festival Folclórico, que serviam para promover a originalidade minhota das festas
  • Concurso de montras: que dinamizava o comércio local
  • Concurso de cascatas: para além da beleza dos conjuntos, era um factor de criatividade para muitas associações
  • Espetáculo duplo de fogo de artifício na noite de São João, sobre o monte Picoto: agora há apenas um...e mau...
  • Animação de ruas em todos os dias das festas: pelas 09h00 e pelas 15h00
  • Foguetes... que costumavam dar o tom festivo à cidade
  • Balão gigante na abertura e balões durante a noite (se a Associação se queixa da falta de quem produza, há muitas empresas que o fazem por todo o país)
  • Feira Franca no campo das Camélias: era uma feira de gado que recordava o São João de outros tempos
  • Festival de Tunas
Se as novidades que temos para destacar são um espetáculo de fados - tradição que nada tem de minhota ou bracarense - e um programa de televisão cujo teor nada tem que ver com a organização das festas, então não podemos augurar um grande futuro ao São João. Enquanto não percebermos que é a aposta naquilo que nos distingue das outras festas, a base da sua própria valorização e divulgação, dificilmente as festas de São João voltarão a assumir o papel de romaria motriz que já adquiriram no passado. E há tanto a valorizar!
Salientar muito positivamente as decorações e iluminações para este ano. Provavelmente as melhores desde a morte de José Veiga.

Entretanto ficamos a saber que no próximo ano haverá um grande investimento em novas barracas, e talvez até se recupere o espetáculo de pirotecnia no encerramento, ou não fosse o próximo São João a ante véspera das autárquicas... Portanto, para o ano temos São João!

Ângulo Maior: o esplendor de Tibães

«Entrando por uma porta lateral, avistei um mar de ouro banhado pelo sol, onde aos poucos se destacam retábulos, sanefas, púlpitos, grades, bancos e varandas, todos unidos pela força de um formoso estilo monumental. Senti o profundo poder daquele lugar quase abandonado - a mística tibanense - que nunca mais me tem largado»

Robert Smith, 
investigador norte-americano de história da arte, 
quando avistou Tibães pela primeira vez em meados da década de 1960.

terça-feira, 5 de junho de 2012

E tudo a retroescavadora levou...

Ontem, durante a tarde, foi parcialmente destruído o avantajado aqueduto que levava as águas das Sete Fontes até à fonte dos Granjinhos, e que estava localizado no subsolo do largo Carlos Amarante. Com tanto espaço nesta praça, para fazer passar as novas condutas de água, fica a pergunta: havia necessidade de destruir esta marca histórica da nossa cidade?
Está tudo dito!

Vale a pena ler o comentário do Ricardo Silva sobre este assunto.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Alguém viu o Gonçalo Sampaio?

O professor Gonçalo Sampaio foi um insígne botânico e folclorista, autor do famoso cancioneiro minhoto, a quem Braga soube homenagear com um busto. Este monumento foi levantado no parque da Ponte, talvez por causa da sua dedicação ao estudo das plantas e pelo seu contributo à musica popular que tem o seu palco principal neste local, durante as festas de São João. O busto era da autoria do grande escultort portuense Abel Salazar e foi recolocado no parque em 2009, após quase duas décadas guardado numa arrecadação.
Porventura alguém o achou bonitinho e o retirou do seu devido lugar nas últimas semanas. Alguém o viu por aí? Não consta que as entidades responsáveis já tenho dado pelo seu sumisso.
A provar que sem pessoas, sem condições para que elas usufruam do espaço, o parque da Ponte vai estar sujeito a todo o tipo de atentados...

Costinha: uma anedota de verão?

Tem sido consensual em muitos dos jornais desportivos a alta probabilidade da contratação de Costinha para manager do Sporting Clube de Braga. Uma notícia que mais parece uma anedota, dado o percurso que este ex jogador de futebol tem tido nessas funções.
Para memória futura é bom recordar que Costinha assumiu o cargo de director desportivo do Sporting Clube de Portugal em fevereiro de 2010, tendo saído em conflito com a direcção cerca de um ano depois. Em junho de 2011 foi contratado pelo clube suiço Servette, tendo sido afastado em abril deste ano, depois de ter criado conflitos com o treinador João Alves, obrigando à sua saída depois de ter alcançado resultados históricos para este clube. Após Costinha ter deixado o Servette, a direcção imediatamente voltou a contratar João Alves!
Um mestre em relações humanas, portanto...

Como sabemos, Jorge Mendes é muito amigo de Costinha.
Cairá António Salvador na sugestão do seu empresário de eleição? Se cair, é bom prepararmo-nos para algumas dificuldades...

As obras no rio Este

aqui comentamos, mas novamente questionamos as obras de renaturalização do rio Este, que decorrem de forma muito célere apenas na zona onde vão ser expostos os quadros bíblicos durante as Festas de São João.
A propósito do andamento desta empreitada, aqui ficam algumas questões:
  1. Observando os procedimentos reparamos que apenas se está a substituir as paredes de betão, por paredes de pedras graníticas. Será isto uma renaturalização?
  2. Porque é que, aparentemente, as obras estiveram paradas (alguns meses) junto à avenida D. Frei Bartolomeu dos Mártires, sem qualquer evolução reconhecida?
  3. Os prazos estipulados vão ser cumpridos? (A empreitada, que tem um período de execução de 548 dias, foi adjudicada à empresa "Arlindo Correia & Filhos, SA" por 2.348.960 euros e é financiada a 80 por cento por fundos comunitários, no âmbito do programa regional ON 2.)
  4. Tem havido fiscalização da parte da autarquia no sentido de perceber se a empresa privada está a cumprir com o que foi contratualizado, zelando assim pelo destino do erário público?
  5. Porque razão não se acabaram os trabalhos iniciados e se "saltou" para a zona de S. João da Ponte, precisamente em vésperas das festas de S. João?

Peseiro é o novo treinador do Enorme

@ www.abola.pt
Está escolhido o novo treinador do Sporting de Braga. Vai ser José Peseiro e ficará (?) por dois anos. Um treinador com um estilo muito parecido com Jorge Jesus, no que concerne à comunicação e ao carácter, que gosta de equipas que jogam futebol de ataque e com alguma virtude estética. Vamos ter, portanto, espectáculo no Axa! O seu maior feito foi alcançado com a presença na final da Taça UEFA de 2005, um jogo de má memória, que o Sporting perdeu (em casa) para o CSKA.
Não era a escolha ideal - preferia Domingos - mas é bastante mais conceituado e menos arriscado do que alguns nomes que circulavam na imprensa.
Bem vindo Peseiro! Este é o Enorme, o maior clube do Minho e o quarto grande do futebol português!

domingo, 3 de junho de 2012

Cidadania: unidos pelo Parque da Ponte


Os frequentadores habituais do parque da Ponte e os moradores do largo de São João da Ponte, rua da Devesa, largo da Devesa, travessa do Bonfim e rua de Santo Adrião, estão a promover uma recolha de assinaturas para reivindicar junto da Câmara Municipal de Braga, «cinco propostas/correcções urgentes relativas às recentes intervenções no parque de São João da Ponte».
Num texto simples e directo, os cidadãos propõem a colocação de bancos com encosto em diversos lugares do parque, «para que as pessoas possam efectivamente usufruir» deste espaço. «Para que serve um parque “bonito”, se não há espaços para as pessoas estarem?», questiona o documento.
A segunda proposta refere-se à colocação de espaços de estacionamento para veículos ligeiros e pesados no lado sul do parque, tal como estava previsto no projecto inicialmente traçado. «Devido a terem retirado estes lugares, a rua e largo da Devesa e a rua de Santo Adrião encontram-se atualmente deficitárias de estacionamento para moradores e o mesmo se efetua de forma muito desordenada, com prejuízo para os estabelecimentos comerciais aqui sediados», acrescenta o abaixo assinado.
Seguem-se duas propostas relativas ao património. Os cidadãos pedem a recuperação integral da fonte quinhentista do parque, mutilada durante as obras de renovação levadas a cabo em 2009, e ainda a restituição das pedras pertencentes a monumentos demolidos de Braga, nomeadamente o convento dos Remédios, que foram recentemente retiradas deste recinto. Neste último ponto, para além do regresso destas pedras, é sugerida a colocação de um painel com a devida interpretação histórica.
O último ponto requere mais policiamento no parque, «para que as pessoas se sintam seguras a frequentar o seu espaço».
Segundo Rui Ferreira, um dos promotores desta recolha de assinaturas, o objetivo é atingir «mil subscrições» e entregá-las posteriormente ao presidente da câmara e ao vereador responsável pelo recente projeto de reabilitação do parque. «Se tivesse havido diálogo com os cidadãos e habituais frequentadores deste espaço, antes do parque ser intervencionado, esta situação seria evitável», acrescenta, referindo o apoio do presidente da Junta de Freguesia de São Lázaro a esta causa.

In: DM, 03/06/2012

PS Braga já tem líder...

Vítor Sousa - Lista A: 1490 votos, que correspondem a 71,3%.
António Braga - Lista B: 608 votos, que correspondem a 28,7%.
Brancos: 9
Nulos: 11
A participação cifrou-se nos 74,8%, com um total de 2118 votantes, num universo de 2805.

Se a lista à concelhia for a mesma que vai candidatar-se à Câmara Municipal em 2013, pouco vai mudar neste PS. Vendo pelo lado positivo, será mais fácil para os bracarenses escolherem em que partido depositar o seu voto...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Igreja e autarquia: que colaboração?


Colaboração na Cultura e Economia: O maior contributo que a Igreja pode dar à sociedade bracarense é indubitavelmente o aproveitamento económico e cultural do seu vasto espólio patrimonial, móvel e imóvel.
Sabemos que actualmente a indústria do turismo já representa cerca de 8% do PIB nacional. Num tempo em que somos chamados a ser particularmente criativos na dinamização da economia, urge um plano de desenvolvimento estratégico para o turismo em Braga. Apesar de ser o terceiro município em número total de dormidas na região Norte, apenas superado pelo Porto e Gaia, Braga não soube ainda potencializar os seus recursos culturais e patrimoniais, apostando afirmativamente na sua imagem e na divulgação dos seus principais eventos. 
Qualquer plano que vise potenciar o desenvolvimento deste sector deve passar, no caso de Braga, por uma profícua relação de colaboração entre a autarquia – sempre promotora de qualquer iniciativa deste género – e a Igreja, a instituição mais significativa na história da cidade e a detentora maioritária do património do município.
É importante salientar que os únicos produtos turísticos consolidados do município são da responsabilidade da Arquidiocese bracarense. Refiro-me ao Bom Jesus do Monte, à Sé e Museu e às Solenidades da Semana Santa. As instituições públicas do município de Braga poderiam aprender com a Igreja, a melhor forma de saber aproveitar recursos e potenciar vontades em prol de um objectivo comum.

Um exemplo: Ao longo da última década algumas confrarias e irmandades foram manifestando vontade de avançar para a constituição de espaços museológicos. Entre estas saliente-se a Misericórdia, que pretende aproveitar o antigo hospital de S. Marcos. Porém, também a Irmandade de Santa Cruz pretende edificar um museu, e ainda os Terceiros e o Pópulo. Sabemos que hoje existem grandes espólios guardados em dependências dos templos e nas sacristias. Porque não juntar todas as confrarias e paróquias num projecto comum? Porque não aproveitar o espólio, valorizá-lo e pô-lo ao serviço da economia da cidade? Porquê cada instituição continuar a querer fazer o seu próprio projecto, quando podem juntas alcançar um projecto de grande magnitude, que projecte o nome da cidade? (o edifício do Hospital de S. Marcos poderia ser o local ideal para desenvolver este projecto)
A evolução da liturgia, com a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II, provocou o desuso de muitas alfaias e objectos de arte sacra. Braga, como a diocese historicamente mais relevante do nosso país, poderia apostar na criação de um grande museu de arte sacra, ao qual se podia associar um centro de investigação e inventariação vinculado à Arquidiocese. O processo de inventariação poderia resultar em frequentes exposições temporárias, à imagem do que já se faz no melhor museu português, o Museu Nacional de Arte Antiga.
Uma outra ideia a ser explorada, poderia ser um curso profissional na área da arte sacra, de forma a potenciar a existência de uma escola de artistas em Braga. Esse sector continua a ser muito procurado, embora a qualidade das esculturas não seja propriamente louvável.


Uma questão: sendo a TUREL uma iniciativa salutar, no âmbito de uma aposta num determinado sector do turismo, não seria desejável uma colaboração mais estreita com a autarquia, de forma a potenciar o alcance da sua acção? Que estratégias poderiam ser adoptadas em conjunto? Que projectos poderiam ser desenvolvidos?