quinta-feira, 7 de junho de 2012

O dia em que São Jorge caiu do cavalo...

Hoje, dia em que os cristãos celebram a Solenidade do Corpo de Deus, uma tradição que já vem do século XIII, recordamos aqui uma interessante história ocorrida em Braga neste preciso dia.
A procissão do Corpo de Deus em Portugal tinha o costume de incluir uma imagem de São Jorge, muitas vezes representado a cavalo. O santo e seu estado fora introduzido durante o reinado de D. João I (1385-1433).
Em Braga, capital de uma província que prima ainda por um apego inexorável às tradições instituídas, manteve-se, até ao primeiro quartel do século XX, essa tradição. A imagem de S. Jorge, que ainda se conserva na Sé Primaz, e cujo selim - bordado a ouro - chegou a estar exposto na nova versão do Tesouro-Museu, costumava sair a cavalo na solene procissão do
Corpo de Deus.
Conta-se ainda hoje entre os bracarenses mais antigos - e não há melhor testemunho que os presenciais - que a imagem de São Jorge deixou de ser assídua no préstito sagrado devido a um episódio que nos cabe hoje contar. Também José Saramago, na sua obra “Viagem a Portugal”, quis deixá-lo transcrito, pela singularidade do ocorrido.
Algures na década de 20 do século passado, ia solenemente S. Jorge, abrindo a procissão do Corpo de Deus, quando o cavalo em que ia montado, fornecido por novas ferraduras, tropeçou nos carris dos carros eléctricos e caiu com grande estrondo no chão. Sendo a imagem do santo também projetada
na mesma queda, o inesperado sucedeu. Uma ninhada de ratos, que tinha abrigado no interior da imagem, desatou a correr pelas ruas, causando grande susto às pessoas que assistiam à procissão.
Desde essa data, não mais o São Jorge se passeou pelas ruas de Braga. Tentámos apurar, na imprensa regional, o ano em que tal terá sucedido. Sabemos que, em 1923, São Jorge ainda saiu no préstito, mas em 1926 e anos seguintes, já não há qualquer referência. Dado que os jornais primavam por descrever cuidadosamente a composição da procissão, possivelmente esta história terá acontecido entre 1924 e 1925, anos em que, estranhamente, se oculta a notícia da ocorrência da procissão.
Talvez por vergonha...

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