terça-feira, 31 de julho de 2012

Vem aí a Braga Mais!

Nasceu ontem, por volta das 23h30, a Braga Mais (+).
Juntos por + Cidadania! Juntos por + Património! Juntos por + Cultura!
Uma associação de bracarense, para os bracarenses e pela preservação da memória de uma comunidade.

Em breve surgirão mais pormenores...

Há fumo nas Sete Fontes

Mais um incêndio fustigou, na tarde de ontem, a mata das Sete Fontes. Uma sucessão de acontecimentos deste género têm flagelado o mais novo monumento nacional bracarense. Não deixa de ser estranho, numa época em que se discute o Plano de Pormenor dos terrenos e em que a especulação imobiliária nesta zona da cidade se torna particularmente apetecível.
Parece a repetição do sucedido com a malograda Casa da Orge, também ela fustigada por pequenos incêndios antes de dar lugar a um mega empreendimento construtivo. Claro que tudo isto é pura coincidência...

É uma pena que não se saiba quem são os proprietários dos terrenos, quando os adquiriram (se muito antes ou depois da alteração do PDM nesta zona), e que tipo de ligação tinham ou têm com a Câmara Municipal de Braga. Deixo aqui esta sugestão. Haveria surpresas?

Para quando a transparência?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O derradeiro suspiro do atletismo em Braga


Imagens destas, a partir de agora, só serão possíveis em arquivo
O atletismo profissional acabou no Sporting de Braga, segundo avança a edição de hoje do jornal Correio do Minho. O clube de António Salvador confirma a aposta no futebol e deixa de ter atletismo sénior, mantendo apenas os escalões de formação. Ou seja, vamos formar atletas para que o Sporting, Benfica ou Maratona aproveitem. Este desfecho já estava pressuposto em palavras recentes de Sameiro Araújo. Trata-se de uma notícia muito triste, curiosamente num período em que o clube dispõe de um estádio para a modalidade e se encontra em boas condições financeiras, ao contrário de certos período do passado, em que, mesmo assim, não se deixou de apostar nas modalidades.
O clube minhoto perde assim uma das modalidades que mais elevou o nome da cidade, no qual alcançou 14 títulos europeus, tendo dado a Portugal algumas atletas olímpicas como Manuela Machado, Albertina Machado, Mário Silva, Fernanda Marques ou Conceição Ferreira.
Admiro muito o trabalho de António Salvador no Sporting Clube de Braga, porém é bom recordar-se que as duas modalidades que mais davam nome à cidade eram a natação e o atletismo, curiosamente as duas que se viram mais afectadas pela sua gestão. Ora aí está o problema de um presidente demasiado concentrado no futebol e que parece pouco dísponível para escutar os legítimos “donos” do clube, que são os seus associados. Este assunto deveria ser discutido numa assembleia geral. É preciso que os sócios do Sporting de Braga se mexam e não se deixem anestesiar pelos sucessos do futebol…caso contrário deixaremos de ser, em breve, a cidade do andebol, a cidade do atletismo e a cidade da natação.

A Regenerar Braga: um bom exemplo

Apesar de estar junto ao cemitério, os moradores desta zona utilizam com frequência este espaço urbano
Podem os especialistas não apreciar este arranjo urbanístico, dado que não apresenta linhas arrojadas ou grandes novidades arquitectónicas, porém é um exemplo de um espaço urbano bem intervencionado e regenerado.
O largo de Monte d’Arcos, reabilitado há cerca de 4 anos, soube arrumar o comércio típico deste local num recanto e com dignidade, não descurou a existência de abundantes lugares de estacionamento, colocou diversos bancos com encosto para que as pessoas possam efectivamente desfrutar deste espaço (e habitualmenet desfrutam), manteve uma parte das árvores, ajardinou algumas zonas e cuidou devidamente do escoamento de águas.

Ora aqui está um bom exemplo de Regeneração Urbana, onde se denota alguma racionalidade e organização, para além de criar condições para que os cidadãos usufruam do espaço. Ao contrário do que vemos actualmente em grande parte dos projectos do programa “A Regenerar Braga”…
Um exemplo para meditar.

domingo, 29 de julho de 2012

O que falta à Sé de Braga?


A Sé Primaz é um dos ícones da cidade de Braga
A Sé Catedral de Braga é o segundo monumento mais visitado da cidade, detendo um fluxo turístico acentuado. Apesar de não haver estatísticas oficiais, uma vez mais verificamos que muitos dos turistas que visitam a Sé e que percorrem algumas das ruas do centro histórico, não pernoitam em Braga.
Há um elevado número de circuitos turísticos disponibilizados pelos agentes sediados na cidade do Porto, que garantem um roteiro de um dia nas cidades de Braga e Guimarães, que obviamente permite dinamizar certos nichos do comércio e restauração, mas não capitaliza nem os outros recursos da cidade nem a possibilidade de gerar outras vantagens económicas.
Uma vez mais estamos perante uma oportunidade perdida. A Sé Primaz foi fundada em 1089, tendo raízes numa basílica paleocristã anterior e sendo a base da cidade medieval. À sua volta localizam-se diversos museus e monumentos, para além do valor patrimonial do conjunto considerado como centro histórico. Há ainda o museu da Sé, recentemente remodelado e que é o mais visitado da cidade, estando inclusive aberto durante a noite, enquanto decorrem as Solenidades da Semana Santa. Os recursos abundam, porém não é visível uma estratégia nem municipal, nem privada que consiga percepcionar o quanto a cidade poderia beneficiar da actividade turística.
Braga será provavelmente uma das cidades de maior valia patrimonial do nosso país, detendo ainda uma ligação fundamental à Igreja Católica, que legou à cidade um conjunto monumental apreciável, nomeadamente do período barroco.

Ângulo Maior: a Falperra em festa

A Capela de Santa Maria Madalena, voltada à cidade de Braga
A imagem de Santa Maria Madalena, enquadrada pelo rococó de André Soares
A segunda romaria de Braga confirmada pela afluência
Os doces típicos de romaria
A capela de Santa Marta do Leão foi mandada reconstruir por Júlio de Lima em 1917
O retábulo mor desta capela veio do demolido Convento dos Remédios
Não faltam os tradicionais ex-votos em cera
Braga e Guinarães lado-a-lado na fronteira festiva da Falperra
A capela do antigo convento franciscano da Falperra, dedicada a Santo António

@Rui Ferreira, 29 de julho de 2012

Santa Marta: a segunda romaria de Braga

@ Cochinilha
Hoje é dia de Santa Marta, e Braga festeja a sua segunda maior romaria. O percurso que liga a barroca Capela de Santa Maria Madalena à singela Capela de Santa Marta respira festa e alegria.
Para os amantes do património, este dia surge como oportunidade para apreciar devidamente o antigo retábulo-mor do demolido convento dos Remédios, que se encontra da Capela de Santa Marta. Trata-se de um exemplar de talha dourada, ao gosto do barroco do período nacional, executado em meados do século XVIII e para aqui trazido aquando da demolição do referido convento, que aconteceu no ano de 1911. Igualmente apreciável - e já referida neste blog - é a Capela de Santa Maria Madalena. Obra de André Soares, quer a fachada quer os três retábulos do interior, destaca-se também pela fantástica imagem de Cristo crucificado, saída das mãos de João Evangelista Vieira no início do século XX.
Para quem gostar de festa, não falta bom vinho verde e os petiscos típicos das romarias minhotas.

sábado, 28 de julho de 2012

Participação Maior: Braga, uma cidade bonita?

Caros leitores,
Inauguramos, a partir de hoje, uma nova secção intitulada "Participação Maior". O objectivo é dar voz aos bracarenses, provocando o debate e a troca de ideias entre os leitores. Desta forma, quem quiser poderá deixar aqui o seu contributo para uma Braga melhor e Maior, tal como é exposto no objectivo deste blog. Para enviarem as contribuições para esta secção, podem usar o e-mail: blogbragamaior@gmail.com.
 
Recebemos da Ana Matos a seguinte contribuição, que muito saudamos e agradecemos:
O balneário pré-romano da Estação não tem indicações claras acerca da sua localização
Sigo recentemente o Braga Maior e venho falar de uma situação que me deixou inquieta, aproveitando assim o blog que é bastante atento e crítico a tudo o que se passa por aqui.
Primeiro gostaria de me apresentar. Moro há 2 anos em Braga, não sou natural de cá, e achei que seria interessante falar um pouco do meu ponto de vista sobre esta cidade. Inicialmente quando cheguei a Braga, apesar de a ter visitado em anos anteriores, a ideia com que fiquei é de uma cidade muito religiosa em que os pontos a visitar se resumem ao Santuário do Bom Jesus e ao Sameiro.
O tempo foi passando e a adaptação à cidade muito difícil, ainda é. Trata-se de uma cidade como eu costumo dizer só de "caixotes" ao alto, com má distribuição de serviços, poucos espaços verdes e sem caixotes do lixo. Penso que isto pode vir um pouco no seguimento de recentes posts no blog. 
Falando um pouco da distribuição de serviços como por exemplo correios, finanças, centros de saúde, estes estão fortemente concentrados no centro e, por isso, mal distribuídos. Tendo vivido noutras cidades, facilmente resolvia parte de assuntos burocráticos perto de mim deixando menos assuntos para resolver nos centros.
Embora more numa zona perto da rodovia e, portanto, não tenha razão de queixa sobre as condições que esta zona oferece para a prática de desporto ou mesmo lazer, faltam espaços verdes pela cidade. Se quiser mudar de casa não irei encontrar estas condições noutras freguesias o que é bastante decepcionante. Ainda sobre espaços verdes, o pouco verde que existe costuma estar com lixo, bem como as ruas, e é claramente lixo produzido por mão humana. Tal acontece pela falta de caixotes do lixo ou será uma questão de civismo?
Mas a ideia não é falar mal da cidade. Apesar destes pontos achei que devia dar uma oportunidade à cidade e perceber porque tanta gente diz que Braga é uma cidade bonita. Porém ainda não percebi se querem dizer que é bonita pelo que oferece, ou se é porque tem boas condições para algumas das pessoas que conseguem adquirir um elevado estatuto e boa qualidade de vida.
Por isso tenho andado a conhecer a parte histórica da cidade uma vez que à volta o urbanismo não é convidativo. E para meu espanto vejo que esta cidade tem muito para oferecer em termos de locais e recantos a visitar, como em termos de história. Apesar de se assistir a muitas fachadas, prédios, património ao abandono com pena de muita gente por certo, existem locais a visitar deveras interessantes. 
A parte arqueológica foi a que mais me deixou perplexa. Apesar de ainda estar a descobrir estes achados, em locais menos esperados, fico contente por saber que alguns foram preservados e dados a conhecer. Para muitos um monte de pedras por certo e que não deve ter interesse mas considero importante a sua divulgação entre locais e estrangeiros. Refiro-me agora ao itinerário arqueológico da cidade, situação que me levou a escrever este texto, mais concretamente o balneário pré-romano situado na estação dos caminhos de ferro. Tantas vezes lá passei e nunca me passaria pela ideia que tal achado pudesse estar mesmo ali pronto a visitar, por mim e pelos estrangeiros que chegam à cidade de comboio. 
Encontrei na web esta mesma preocupação manifestada pela JovemCoop já em 2009 mas parece que nada foi feito. Pergunto, é assim tão dispendioso colocar indicações ao pé das escadas rolantes e uns panfletos sobre o itinerário arqueológico?! É esta a forma de divulgar a cidade e o que ela tem para oferecer?! Bom, eu ficaria contente só com umas placas indicativas. De facto o local acaba por transmitir um certo abandono. Quem vem do parque de estacionamento e não conhece realmente tem uma surpresa mas até a iluminação é fraca para poder ler os painéis explicativos do local.  
Para terminar e porque nem tudo é mau em Braga, como não nativa, realço o papel da Braga 2012 Capital Europeia da Juventude que claramente está a desenvolver iniciativas para a divulgação desta cidade e dinamização da mesma.
 
Ana Matos

Ângulo Maior: Dolce Vita Braga

Um centro comercial em acabamentos - Julho de 2012

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Cultura Maior: teatro no autocarro

Eis uma boa notícia (rara!) no que toca à inovação cultural na cidade de Braga. Um autocarro da TUB, pronto a ir para a sucata, foi transformado num palco ambulante e vai distribuir a sua arte em diversas freguesias do município de Braga. Um excelente exemplo de colaboração entre uma instituição cultural de Braga e a Capital Europeia da Juventude. O Tin.Bra deu o mote e a CEJ o suporte.
A peça chama-se "Reciclónico" e é um convite à reciclagem feito através de artes circenses, dança e teatro. Com duração aproximada de uma hora, visa consciencializar as crianças e o público em geral acerca da temática da reciclagem, num conceito inovador que leva mais longe o Teatro enquanto plataforma educativa.
A estreia foi esta tarde, em plena praça da República!

Braga e o Turismo de Portugal


Ao analisarmos o site www.visitportugal.com, que é o portal oficial do Turismo em Portugal, ficamos desiludidos com a forma como Braga é encarada. Na perspectiva descritiva do Porto e Norte, Braga nem sequer é mencionada, perdendo relevância para o Porto e para Guimarães. Sendo a terceira maior cidade portuguesa e possuindo uma dos maiores conjuntos patrimoniais, é estranha a sua ausência mesmo na documentação fotográfica utilizada por este portal nas diversas web pages. Só aparecerão referências a Braga em duas das ‘ideas’ mencionadas, uma intitulada ‘baroque routes’ e outra ‘religion in the Minho’. Até as cidades de Chaves, Bragança e Miranda têm lugar com menção directa entre as ‘ideas’.
Já no website da entidade de turismo Porto e Norte, Braga é destacada como centro do Turismo Religioso, da qual detém uma delegação. Parece, contudo, extremamente redutor apenas integrar Braga nesta tipologia turística, que praticamente se reduz, em termos de eventos, às Solenidades da Semana Santa, o maior produto turístico da cidade. Acrescentemos que a foto que ilustra esta web page nem sequer se refere a Braga.
Se o papel das Entidades de Turismo se centralizar primordialmente num único destino turístico, então são subvertidas, à partida, as motivações que levaram à extinção das regiões de turismo locais. Ao denominar – por exemplo – uma entidade de turismo de “Porto e Norte”, estamos desde logo a incentivar um determinado destino e a clarificar o posicionamento estratégico dessa mesma entidade. Ora, o papel destas estruturas deveria ser principalmente o de quebrar as assimetrias e não o de incrementá-las. O que os números revelam é reflexo desta realidade.
Apesar do crescimento confirmado para o ano de 2012, tem-se verificado nos últimos 3 anos uma ligeira redução e estagnação do número de dormidas em Braga, enquanto o Porto capitaliza o crescimento turístico que se tem verificado em toda a denominada região Norte. Uma questão que deveria merecer uma profunda análise das entidades de turismo e uma reivindicação maior da parte das autarquias. 

É por estas e por outras que não quero nada a regionalização, muito menos se Braga ficar condenada a partilhar o território com o Porto...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sinais do fim de um regime

Até hoje nenhum ditador acabou a sua acção governativa sem deixar um rasto de perplexidades e atitudes condenáveis. Pelos vistos, em democracia algumas situações proporcionam-se a um cenário semelhante, atestando como a vertigem do poder provoca muitas azias e actos irreflectidos.
Depois da vergonhosa e lamentável forma como recentemente foi tratado um deputado municipal, quando em plena assembleia foi confrontado com o facto de alguns familiares serem apoiados pela acção social da autarquia (numa tentativa de descredibilização e humilhação), o Presidente da Câmara de Braga é acusado de agredir uma municípe que se manifestava, juntamente com outras dezenas, nas instalações da autarquia.
Mais do que o descrédito que este aparente gesto atribui, sobra uma faceta pouco digna de quem devia ser o servidor máximo do município.

Minho Maior: Viela sentada em Guimarães

À cultura pertence tudo o que valoriza a criatividade humana e se torna, por isso, ocasião de sublimidade, comunidade e elevação. A iniciativa "Vi:ela sentada" é mais uma interessante forma de viver a Capital Europeia da Cultura, algo que os bracarenses poderiam e deveriam estar a viver em 2012, se quem nos lidera tivesse sensibilidade e capacidade. Aproveita quem pode e quem sabe. Parabéns Guimarães!

terça-feira, 24 de julho de 2012

RR versus HP: um duelo antecipado

Vai ser o mais que provável duelo nas próximas eleições autárquicas e já começa a entrever-se. Ricardo Rio e Hugo Pires começam a enfrentar-se mutuamente, aproveitando todos os passos em falso um do outro. A Braga CEJ tem sido o âmbito mais fértil das críticas e acusações. As declarações de Hugo Pires sobre o reconhecimento público da JovemCoop despoletaram uma troca de impropérios nos respectivos perfis "facebookianos" que em nada enobrecem os apoiantes (alguns...) dos dois candidatos à cadeira de Mesquita Machado. Um mau prenúncio do que se vai seguir?

E que tal centrar a discussão nas políticas para o urbanismo? Hugo Pires olha, por exemplo, para a construção nas Sete Fontes de uma maneira. Ricardo Rio tem uma visão completamente oposta.
E que tal abordar a questão da recuperação do centro histórico via expropriação? Que políticas poderia adoptar a autarquia para trazer os jovens para o centro? Leilões a 1 euro??? Ou criação de políticas de apoio aos privados que pretendam reabilitar edifícios, tendo como contrapartida o arrendamento jovem? Criar um prémio de arquitectura para os melhores projectos?

E se discutissem, por exemplo, a necessidade de espaços verdes e de lazer na área urbana? Ricardo Rio acha prioritário o parque das Sete Fontes. E que fará com o projecto do Picoto? E Hugo Pires, como se libertará do jugo de estar ligado a uma gestão que prometeu muitos parques urbanos e não fez nenhum? O que diz aos bracarenses para que estes lhe deem uma prova de confiança?

E a cultura? E o património? Que visão estratégica têm os dois candidatos para estas áreas?

Ricardo Rio tem claramente a vantagem de se apresentar pela terceira vez aos eleitores e representar uma mudança com as actuais políticas municipais. Todavia, vai carregar atrás de si o "peso" de ser o candidato apresentado pelos partidos do Governo central, desgastados pelo actual contexto político.
Hugo Pires representa a força da juventude socialista de Braga e é o rosto da Capital Europeia da Juventude. Porém, se não for capaz de rasgar de vez com o passado, dificilmente terá hipóteses de ganhar. Estou em crer que, se Mesquita Machado se candidatasse hoje já não conseguiria vencer...

Sabemos qual é o discurso que rende mais votos, mas também percebemos que há cada vez mais bracarenses atentos e em busca de sensatez nas propostas e no discurso. Esperemos que o debate possa ser nivelado por cima e responda efectivamente aos anseios de todos os bracarenses...

Ângulo Maior: paz às laranjeiras da Senhora-a-Branca

Uma parte das laranjeiras, que haviam sido transplantadas desde o lado sul do Largo da Senhora-a-Branca, foram hoje removidas por não terem sobrevivido à mudança de local. Um desfecho mais do que esperado num processo de regeneração que bem poderia ter contemplado a permanência destas árvores. Que descansem em paz! 

Ainda os números do turismo em Braga


A Semana Santa é um dos principais produtos turísticos consolidados de Braga
Algo que o vereador Hugo Pires acabou por reconhecer na sua recente entrevista ao Campus Verbal da RUM foi que os números do turismo crescente em Braga afinal não se devem propriamente à Capital Europeia da Juventude. Esta ideia, recorde-se, não ficou assim tão clara durante a avaliação do primeiro semestre da Capital Europeia da Juventude, quando Hugo Pires afirmou claramente que “só diretamente relacionada com a CEJ existiram mais de 11 mil dormidas em Braga”. Na mesma entrevista, onde também deixou ideias positivas (como a expropriação de edifícios devolutos no centro histórico com vista à sua reabilitação e reocupação), o presidente da Fundação Bracara Augusta acabou por rectificar os números que tinha anunciado dias antes, referindo que afinal de Janeiro até Abril de 2012 o crescimento no número de dormidas se cifrou em 10%.
Obviamente que não foi a CEJ que provocou o crescimento turístico de Braga, até porque ou se afirma que o evento é para “consumo interno” e para mobilizar a juventude bracarense e se é consequente com esse objectivo, ora se afirma que se quer um evento para atrair visitantes à cidade e ai o programa e orçamento teriam que ser outros. Há que ser consequente com a linha pré-determinada, portanto ao revelar as estatísticas do turismo numa conferência de imprensa de avaliação da CEJ, a necessária pretensão era vincular uma coisa à outra. Não sejamos ingénuos…
Estamos perante uma falácia elementar no âmbito da racionalidade, denominada “non sequitur”:
Braga obteve uma taxa de crescimento turístico na ordem dos 40%
Braga é Capital Europeia da Juventude em 2012.
Logo, Braga recebeu mais 40% de turistas por causa de ser Capital Europeia da Juventude.

Na minha opinião a CEJ não precisa de se escudar em dados deste género, da qual não pode ser responsabilizada, para garantir o sucesso do evento. Ao pôr-se em bicos de pés, o vereador Hugo Pires acaba por legitimar algumas criticas e outras acusações de aproveitamento politico. Como diria o Diácono Remédios, não havia necessidade…
Há que saber escutar as críticas construtivas e aprender com elas a melhorar. Dou o exemplo da comunicação do programa e iniciativas, que inicialmente estava deficitária e, entretanto, auxiliado pelas críticas, melhorou notavelmente, tendo-se criado uma agenda mensal e publicitado com cartazes espalhados por todos os recantos da cidade.
 
De resto, fortaleçam-se os números legítimos da CEJ: mais de 1322 ações realizadas, das quais 644 são no âmbito do empreendedorismo jovem; estimative de cerca de 440 mil participantes nas atividades em mais de 4400 horas de programação, fruto da interação com as associações juvenis da cidade e dos voluntários, que ultrapassam os 300.

Cidadania a crescer

A cidadania cada vez ganha maior peso na nossa sociedade. Em Lisboa surgiu, no ano de 2005, um movimento denominado "Viver Lisboa". Ora aí está uma história curiosa de lisboetas que queriam mais para a sua cidade e que se uniram, primeiro num blog, e depois num movimento de cidadãos activo e reconhecido em prol de causas e de valores. Um reflexo do futuro da democracia. Partidos políticos cada vez mais distantes de ideais e cidadãos com cada vez mais vontade de participar e intervir nas decisões que lhes dizem respeito.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A galeria Mário Sequeira


@ www.mariosequeira.com
A Galeria Mário Sequeira, localizada em Parada de Tibães, a escassas centenas de metros da Estação da C.P., é um recurso cultural bracarense com uma oferta de arte de qualidade muito elevada, com uma missão baseada na contratação de artistas consagrados ou em vias de projecção. É uma das mais importantes galerias portuguesas, sendo das raras a ter lugar nas principais feiras internacionais de arte.
Devido ao facto de procurar promoção apenas em canais internacionais, relegando o mercado interno e as suas fontes de promoção para segundo plano, é pouco conhecida entre os bracarenses, porém eleva o nome da cidade junto de públicos muito exigentes.
Em 2000, instalou-se num novo edifício, com cerca de 900 m2, o qual possui características especificas para a apresentação de arte contemporânea. Tornou-se uma referência da arquitectura especializada na exposição de arte, pelo que é visitado anualmente por centenas de alunos de universidades europeias.
Desde 27 de Novembro de 2010, a Galeria Mário Sequeira, em parceria com Javier Lopez, tem um novo espaço de exposições em Madrid, na zona de La Florida. A galeria após uma fase de exploração e desenvolvimento até 1999, entrou numa fase de crescimento no período 2000-2010.
Os agentes principais de crescimento foram as exposições com artistas de renome e, particularmente, a aposta num edifício que se transformou em referência para a arte contemporânea. Um dos factores determinantes do sucesso, foi a definição clara de um nicho de mercado e a constituição de uma estrutura capaz de a satisfazer.
Os factores que poderiam ser encarados como desvantagem - localização num país e cidade periféricos relativamente rota da arte contemporânea - acaba por ser superado pelo elevado grau financeiro dos clientes e visitantes, que têm facilidade em deslocar-se e agradecem a discrição.
Neste momento a galeria vive uma fase de consolidação, detendo uma grande estabilidade relativamente ao volume de negócios e aos destinatários das suas iniciativas. A internacionalização, confirmada com a galeria de Madrid, revela maturidade e pode proporcionar novos desafios.
A direcção da galeria chegou a ter um projecto de construção de um museu de arte contemporânea, com o espólio particular da galeria. Buscaram apoio junto da autarquia e do Ministério da Cultura, não tendo todavia resposta positiva.
Braga, devido ao novo estádio municipal, desenhado pelo arquitecto Souto Moura, e premiado com o Secil Arquitectura e Engenharia, para além do reconhecimento internacional, está na rota da arquitectura contemporânea. Com o destaque e reconhecimento obtido pela galeria Mário Sequeira, Braga poderia beneficiar de um projecto alargado no âmbito da arte contemporânea, que poderia ser factor de captação de turistas com elevado poder de compra.

Os "milhares" da JovemCoop


«Dantes havia meia dúzia de pessoas que sabiam o que a JovemCoop fazia. Hoje são centenas e milhares de pessoas»
 Hugo Pires, referindo-se ao papel da CEJ como amplificadora do trabalho das associações


Ao escutar a entrevista do vereador Hugo Pires ao programa “Campus Verbal” da RUM, percebe-se que não havia propriamente a pretensão de atacar a JovemCoop ou desmerecer o seu trabalho. É justo dizê-lo. Porém, uma vez mais, este responsável volta-se a colocar em “bicos de pé”, como havia feito já com os números do turismo em Braga.
Para efeitos de clarificação, é bom recordar que a JovemCoop já tem 32 anos de idade, podendo contabilizar-se largas centenas de jovens pertencentes às suas fileiras neste tempo. Quanto ao presumível mediatismo alcançado com a CEJ, recordemos o forte movimento pela defesa das Sete Fontes que esta associação iniciou e que, podemos dizê-lo, salvou este monumento da cobiça e da destruição. Isso, sim, fez a JovemCoop ser conhecida e reconhecida por milhares de bracarenses. Curiosamente num local em que, segundo Hugo Pires, a construção não será um problema, podendo ser permitida até 50 metros das nascentes, pois um parque não pode “ser terra de ninguém” (como se já não houvesse habitações suficientes nas redondezas do monumento…).


É certo que a Capital Europeia da Juventude tem tido um papel muito meritório na mobilização das associações e dos jovens do município e, até, no aumento de mediatismo das mesmas associações e inicativas. Todavia, atribuir louros excessivos não é atitude humilde nem louvável…
É, até, mais legítimo perguntar-nos quantos bracarenses conheciam o Hugo Pires até Braga ser Capital Europeia da Juventude? Ou então quantos bracarenses conhecem o seu percurso cívico, profissional ou académico fora dos corredores da política?

domingo, 22 de julho de 2012

A jóia da Falperra

A marca rococó de André Soares é bem nítida na fachada deste templo
A igreja da Falperra impressiona pela originalidade
No dia em que a Igreja recorda Maria Madalena, é oportuno salientar um dos principais monumentos barrocos de Braga. A Capela de Santa Maria Madalena da Falperra, saída das mãos do grande André Soares na década de 50 do século XVIII, é um dos monumentos barrocos mais relevantes do concelho de Braga.
Apesar das polémicas sobre se a linha de fronteira entre Braga e Guimarães passa atrás da sacristia ou em frente da fachada, a verdade é que foi erigida voltada à cidade dos arcebispos e a expensas dos fiéis bracarenses. Mais bracarense é difícil, mesmo que nos anos 60 alguém se tenha lembrado de desenhar a linha da carta militar um pouco mais à frente do que duas décadas antes...
A fachada marca pela originalidade dos traços, as duas 'falsas' torres, o janelão central e o seu enquadramento no retábulo de pedra desenhado pelo arquitecto do Minho. A planta é inusitada e não se sabe muito bem a quem atribuir a sua autoria.
O traçado rococó continua no interior, onde se podem admirar três retábulos, também de André Soares, que completam com sublimidade o percurso iniciado no exterior. Saliente-se a imagem de Cristo na cruz, que preenche o retábulo-mor, encomenda do início do século XX, ao grandioso escultor bracarense João Evangelista Vieira, e que inspirou o escritor lisboeta Antero de Figueiredo numa das suas grandes obras "O último olhar de Jesus".  Para crentes ou não-crentes, vale a pena admirar!

sábado, 21 de julho de 2012

Reviver o tempo dos brácaros

O povoado dos brácaros decorre entre o largo de S. Francisco e a rua do Castelo
Braga será das raras localidades portuguesas a apresentar um conjunto de vestígios legados de quase todos os períodos de ocupação humana no território português. Para além do barroco, românico ou romano (e provavelmente visigótico), o município de Braga apresenta uma série de povoados datados da Idade do Ferro, cuja musealização poderia ser potenciadora de cultura e turismo.
Aproveitando o povoado dos Bracari, iniciativa da Braga CEJ em conjunto com algumas associações, poderia reflectir-se sobre a importância de salvaguardar os vestígios destes nativos que deram forma à ocupação humana na nossa região.
Assim recordemos, por exemplo:

Aqui está mais uma oportunidade perdida... Enquanto isso desperdiçaram-se, é bom lembrar, 8 milhões de euros num projecto megalómano para umas piscinas olímpicas. Quantos empregos e proveito económico não traria um investimento na musealização de alguns povoados castrejos, para as freguesias de Guisande, Nogueiró ou Esporões? Se a proposta de musealização das Cortiças se cifrava em 384 mil euros, quantos investimentos deste género não caberiam nos 8 milhões desperdiçados nas piscinas olímpicas?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Resquícios das festas

Estes elementos, mais tarde ou mais cedo, vão ser retirados, mas o resto da avenida da Liberdade vai permanecer com fios
Os bracarenses já devem ter reparado que o São João terminou e as decorações que habitualmente são colocadas nas suas principais ruas também já não figuram por lá. Porém, os elementos férreos - nada discretos - utilizados para a sua sustentação continuam a "decorar" a cidade...
Até quando vamos ter que apreciar o Largo do Paço - e dá-lo à apreciação dos nossos visitantes - cheio de ferros e fios de sustentação? Até quando vamos ter a avenida da Liberdade, principal artéria da cidade, povoada de fios entre os postes de iluminação, apenas para que sejam utilizados durante duas semanas por ano?
Recordo-me perfeitamente que os Irmãos Vilaça, quando responsáveis pelas decorações festivas, retiravam não apenas os elementos decorativos, mas também os fios de sustentação. Agora temos que levar com estes neo elementos urbanos durante todo o ano, literalmente por falta de brio da empresa responsável, mas por ainda maior uncúria da parte de quem tem a responsabilidade de fiscalizar.

Bom Jesus do Monte: um diamante em bruto


O santuário do Bom Jesus do Monte, cuja fundação remonta ao século XVIII, e que reúne obras artísticas do período barroco e neoclássico de grande valia, é declaradamente o mais importante produto turístico consolidado do município de Braga. Este sítio monumental receberá todos os anos uma média de um milhão de visitantes por ano, segundo as estatísticas da Confraria do Bom Jesus do Monte, proprietária do monumento[1].
Todavia, acreditando na veracidade dos números, que pode ser atestada por quem visitar o monumento, somos obrigados a concluir que muitos dos visitantes são provenientes do Porto, onde ficam alojados primordialmente.
As motivações principais dos visitantes, correspondem primordialmente a turismo cultural, dada a elevada valia deste conjunto artístico, bastante citado nos guias turísticos internacionais. Haverá também uma percentagem ainda associada ao turismo religioso e ao turismo de natureza, que encontra no Bom Jesus do Monte também um pólo de atractividade.
Apesar das unidades de alojamento instaladas na própria instância, significarem quase 25% da capacidade hoteleira total do município, e apresentarem uma taxa de ocupação que podemos considerar significativa, se todos os visitantes do monumento escolhessem Braga para se hospedarem os ganhos seriam significativamente maiores.
Braga ainda não consegue capitalizar o elevado número de visitantes deste monumento e seduzi-los a permanecer e usufruir de outros produtos que a cidade naturalmente poderia oferecer.

O santuário pretende apresentar uma candidatura a Património Mundial da UNESCO, classificação que, estando ao seu alcance, poderá fomentar ainda mais as suas potencialidades.


[1] Entrevista ao Presidente da Confraria do Bom Jesus do Monte, João Varanda. In: Correio do Minho, 24 de Setembro de 2011, pp.13-16.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ângulo Maior: edifício Dynamic

O edifício Dynamic, na avenida Robert Smith, já está em fase de construção avançada. Um edifício que vai marcar a arquitectura na cidade de Braga.

Picoto: um parque para os bracarenses

O Picoto é o miradouro mais espectacular para se apreciar a cidade de Braga
A última versão do projecto do parque urbano do Picoto
O monte Picoto, ultimamente local mal frequentado e sujo, é provavelmente um dos lugares mais belos da capital do Minho. A ideia de fazer aqui um parque é, no mínimo, acertada. Pena que a vontade de o concretizar seja muito escassa. Mais depressa se gastaram 8 milhões num projecto de umas piscinas olímpicas que não viram o seu termo, do que num verdadeiro parque urbano, que é o maior anseio da população de Braga. A verdade é que os 8 milhões davam para fazer o parque do Picoto, um parque nas Sete Fontes e ainda sobrava algum financiamento para recuperar o jardim de Guadalupe.
Este projecto foi objecto de um concurso público em que concorreram cinco arquitectos, com cinco ideias, para a sua reabilitação em 1982, entre os quais estavam grandes nomes como Fernando Távora e Siza Vieira. Passados 25 anos não foi concretizada nenhuma acção, nem executado o Plano de Pormenor aprovado e publicado pela portaria n.º 777/93. Em 2008 o assunto voltou à agenda municipal e foi mesmo a maior promessa da recandidatura de Mesquita Machado à Câmara Municipal em 2009. Até agora apenas assistimos a grandes anúncios na imprensa...
A verdade é que o maior trunfo para a concretização deste projecto é o facto do mercado imobiliário estar praticamente suspenso e, portanto, os empreiteiros bracarenses precisam de continuar a fazer obras. Infelizmente, a nossa autarquia parece andar a reboque deste tipo de factores. De outra forma não se entende este súbito interesse de Mesquita Machado por espaços verdes e de lazer.

 A área do Parque do Monte do Picoto, totaliza cerca de 21,2 hectares, e é constituída por parcelas de terrenos municipais ou privados que se pretendem adquirir e/ou afectar ao domínio público.O projecto é muito interessante e aliciante. Inclui miradouro, jardins temáticos, circuitos de manutenção, parque radical, serviços de restauração, para além do tratamento da mata e ajardinamento de toda a área.
Se se concretizar, o monte Picoto é efectivamente o local mais indicado para fazer surgir um parque urbano. A vista é espectacular e a área é propícia a servir de local de lazer. Já me imagino a ler um livro ao final da tarde, enquanto assisto ao pôr do sol. Ou então a fazer "jogging" diante da panorâmica da minha Braga em grande angular.

Esperemos que, em breve, tudo isto seja possível.
Enquanto isso os bracarenses desesperam por um parque...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ângulo Maior: casas quinhentistas brácaras

Este conjunto de cinco casas são os raros exemplares de edificações comuns do século XVI na cidade de Braga. Na segunda metade do século XIX, eivados de um espírito progessista, os políticos brácaros desataram a destruir as ruas medievais, a desenhar novos traçados e a destruir edifícios que eram sinónimo de atraso.
Hoje inverteram-se os pontos de vista e Braga é encarada como cidade atrasada, precisamente por continuar a permitir a destruição do seu passado.
As casas acima expostas situam-se na rua D. Frei Caetano Brandão, uma rua inventada no século XIX, e cujo traçado aniquilou as antigas ruas Verde, Sapateiros (ou Sapataria) e do Campo. Sobraram estes exemplares quinhentistas, provavelmente porque não houve dinheiro para as refazer ou porque os seus moradores fizeram fincapé para lá permanecer.
Ainda bem que ficaram!

Topo norte da avenida da Liberdade desclassificado

(@ www.cm-braga.pt)
A fonte desta notícia, que hoje faz a manchete do jornal diário de Braga, vem da perspicácia do autor do blog Braga On e refere-se ao dia 29 de Junho deste ano. Os edifícios do topo norte da avenida da Liberdade, que estavam inseridos num processo de classificação patrimonial desde 1981, foram desclassificados "por ter havido transformação de imóveis que criaram novos espaços e volumetrias que não correspondem a um valor nacional".
Se é um facto que há mais responsabilidade da parte de quem tutela o património, neste caso o IGESPAR e a Direcção Regional de Cultura do Norte, também é um facto que a autarquia não pode aprovar todo o tipo de projectos e tem responsabilidade directa na aprovação dos mesmos.
Esta decisão é reflexo da falta de uma Carta para o Património devidamente elaborada e que efectivamente salvaguarde, não apenas fachadas, mas todos os elementos que possam ser considerados como fundamentais para o entendimento das épocas construtivas e das próprias edificações. As intervenções em certo tipo de edifícios devem reger-se por um conjunto de procedimentos previamente definidos pela autarquia, que não deve descurar também a existência de legislação que facilite os processos de reconstrução de edifícios históricos, de forma a fomentar este tipo de empreendimentos.
Conservar fachadas e descaracterizar tudo o resto é uma solução muito discutível e pouco séria. Um bem patrimonial não se mede apenas pela fachada. O que fizeram ao edifício dos Correios, fazendo desaparecer a fabulosa sala de entrada, escadaria e calabóia ou a destruição das obras de arte em cal que existiam no palacete Matos Graça são atentados contra o património e rebatem esta noção da conservação das fachadas.
O palacete Domingos Afonso é o próximo desta lista de património em desaparecimento.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Leitores do Braga Maior querem políticos fora das empresas públicas


A maioria esmagadora dos  leitores do blog Braga Maior - 83% - querem os politicos afastados da gestão de empresas de capital público ou municipais.
Sei que haverá algumas opiniões diferentes, nomeadamente aqueles que acreditam no bom princípio de honestidade e espírito de serviço que deve presidir à atitude de quem está na política. Todavia, acho que a nossa democracia e o funcionamento das instituições deve legitimamente adaptar-se ao sentimento geral dos cidadãos.
É um facto indesmentível que uma parte significativa da população portuguesa perdeu a confiança na honestidade e boa vontade da classe política. Por outro lado, todos sabemos que os partidos politicos já não representam uma tão afincada defesa de valores e ideologias, perdendo-se em linha de acção determinadas, muitas vezes, por motivações superficiais.
Se a classe política não interpreta os sinais que lhe são enviados pela sociedade, dificilmente conseguirá ser reflexo da evolução e dinamismo da mesma, o que resultará no fechamento da classe política à sociedade civil. Processo que, alias, sinto que já está a suceder. 
Os novos protagonistas politicos (alguns…) são filhos de outros politicos e nada mais fizeram na vida do que andar à sombra da política. Muitos não sabem o que é batalhar para ter um emprego, nunca se envolveram num qualquer movimento cívico ou têm a coragem de se aproximar das pessoas e dos seus problemas. Além do mais assiste-se por vezes a situações estranhas: membros dos "jotas" a rirem-se diante da opinião de um cidadão, apenas porque este apresenta desordenadamente argumentos ou está mais preocupado com o buraco na sua rua, do que propriamente pelas políticas de fomento cultural ou pela revisão do PDM... Um político que não sabe descer à realidade concreta das pessoas, por mais competente e sério que seja, dificilmente vai desempenhar correctamente o seu papel. Não falemos, então, daqueles que usam os cargos públicos para benefício próprio... A política assim não se entende e pode pôr em risco, a médio prazo, a existência da nossa era democrática. Por isso, se exige uma constante revisão das formas de actuar e uma tentativa de melhorar esta relação da política com os cidadãos.
Se os politicos continuarem a alhear-se dos sinais que a sociedade envia, vai começar a crescer a desconfiança e a apatia perante o sistema. Por isso mesmo, se deve repensar quer a necessidade de existirem empresas públicas para a gestão de certos sectores da economia, quer a forma e a competência como são geridas. Ter um gestor independente e com capacidade, cujo contrato depende de objectivos, é muito mais sério e muito mais transparente. Assim se evitaria a nomeação dos "boys" do partido para cargos para os quais não têm efectiva competência.
Esperemos que, no seio da classe política, haja espaço à reflexão.

Uma indisponibilidade muito oportuna

No final da habitual reunião de vereação da passada quinta-feira, Mesquita Machado não realizou a habitual conferência de imprensa. Apenas Ricardo Rio abordou os temas discutidos no final da reunião.
A indisponibilidade do presidente da Câmara prendeu-se com uma consulta médica, muito oportuna, diga-se, numa semana marcada pelo tema "luvas" nos TUB, pela confirmação do desastroso negócio dos parcómetros e ainda pela alteração do valor de expropriação da Fábrica Confiança.

Curiosamente, num dia em que os médicos estavam em greve...

domingo, 15 de julho de 2012

Ângulo Maior: igreja de São Paulo

Inácio de Loyola foi o fundador da Companhia de Jesus. A ele se deve a ordem religiosa mais "revolucionária" da Igreja Católica. Desde as reduções do Paraguai, propostas de espiritualidade que valorizam a liberdade humana, até a um método de ensino inovador, os Jesuítas continuam hoje a estar na vanguarda da insituição que mais marcou a sociedade mundial nos últimos dois milénios.
Em Braga, não apenas a Faculdade de Filosofia, mas principalmente o Colégio de S. Paulo - que funcionou entre 1560 e 1756 - é uma marca incontornável da cultura e da instrução de tantos milhares de bracarenses e minhotos, cujo legado ainda está por explorar. Recentemente, destaque-se o papel do padre Lúcio Craveiro da Silva ou do padre Júlio Fragata, arautos da cultura e da inovação. Muito lhes ficou a dever Braga!

Braga, cidade do Barroco

O barroco pode ser uma fonte de desenvolvimento turístico e económico para Braga

A cidade de Braga, também batizada de “cidade do barroco”, é uma das localidades portuguesas com maior índice de obras de arte legadas por este estilo, que influenciou a sociedade portuguesa durante mais de um século.
Braga legou ao nosso país alguns dos grandes nomes do barroco português, entre eles o escultor e entalhador  Marceliano de Araújo (1690-1769), de cuja inspiração resultou a caixa de órgão da Sé Primaz, o retábulo da Misericórdia ou as fontes do Pelicano e Sete Castelos; ou Frei José Vilaça (1743-1809), o monge beneditino que fez da talha a sua arte. Porém, o maior nome entre os artistas bracarenses é, indubitavelmente, André Ribeiro Soares da Silva, o “génio” do rococó, cujo estudo e valorização têm sido constantemente aprofundadas (Cf. a tese de doutoramento de Eduardo Pires Oliveira). A sua criatividade, apesar de ter vivido apenas 49 anos (1720-1769), marcaram para sempre a fisionomia da cidade. Basta referirmos que, das suas mãos, saiu o traço dos dois principais edifícios civis da cidade: a Câmara Municipal e o Palácio do Arcebispo. Entre as suas obras destacam-se ainda o palácio do Raio, a bracarense capela de Santa Maria Madalena, a fachada dos Congregados, ou os irrepetíveis ornatos da capela mor de Tibães. Porém, a sua maior obra de arte esconde-se numa das dependências dos Congregados: a capela de Nossa Senhora Aparecida. Quantos bracarenses a conhecerão?
Entre os personagens que marcaram o percurso da história da nossa cidade, não poderíamos excluir os arcebispos D. Rodrigo de Moura Telles (1704-1728) e D. José de Bragança (1741-1756), que foram os grandes mecenas das obras de arte que se iam elaborando na cidade.
Em Braga chegou a existir até uma grande escola de artistas de talha e arte sacra que era procurada por confrarias e ordens religiosas de várias regiões do nosso país, e que chegou a “exportar” para o Brasil. Ainda hoje se verifica essa centralidade no comércio e produção de alfaias litúrgicas e arte sacra. Pena a cidade ainda não ter investido num curso profissional nesta área...
Numa cidade que se ufana de ter uma derivação particular de um estilo arquitectónico, não há nem um roteiro particular do barroco devidamente elaborado, nem iniciativas que permitam explorar este potencial.
A realização de um Festival Barroco, de periodicidade anual, à imagem do que acontece em algumas cidades europeias, poderia ser um foco atrativo para Braga. A quantidade inumerável de monumentos desta época poderia ser mote para conferências, concertos, teatros, exibições temáticas de rua, recriação da entrada dos arcebispos em Braga, e promoção do denominado Barroco bracarense com roteiros e visitas guiadas.
O retorno económico seria seguramente superior ao investimento e poderia ajudar a estabelecer uma rota que perdurasse todo o ano, e que envolveria obviamente empresas privadas, que se responsabilizariam pela dinamização destes eventos.
Poderiam ser integradas neste âmbito as seguintes medidas:
  • criação de uma rota, com logótipo e plano de divulgação próprio;
  • produção de manuais e guias especializados para serem distribuídos aos visitantes;
  • durante os colóquios e congressos, fazer publicações no âmbito da história da arte, que captasse públicos universitários e investigadores;
  • criação de um portal dinâmico na internet, com oferta de pacotes integrados com museus, restauração, hotelaria e Theatro Circo, e descrição da rota e monumentos disponíveis;
  • promover visitas guiadas todo o ano com diversidade de percursos e rotas temáticas. Fazer acompanhar as visitas com personagens vestidas como na época barroca.
  • Entre as rotas temáticas, uma obrigatoriamente dedicada a André Soares, outra ao mecenato do arcebispo D. Rodrigo, e outra debruçada sobre a talha e o azulejo. Outra das rotas poderia dedicar-se à arquitectura civil do período barroco e, ainda, uma rota que percorresse as fontes e chafarizes construídos nesse período.
  • criar placas identificativas em cada monumento desta rota, de forma a criar um circuito informativo, que sirva também para promover a própria marca criada.
  • o Festival Barroco seria o grande certame promovido, que teria que envolver toda a cidade, com uma campanha de marketing que modelasse a imagem da cidade durante o evento, apostando fortemente na divulgação nacional e internacional. Por exemplo, abrir os monumentos à noite, realizar grandes concertos nas igrejas, simular uma grande festa barroca na praça do Município, teatralização da entrada de D. José de Bragança em Braga, visitas guiadas temáticas (todas estas iniciativas seriam uma grande oportunidade para os grupos culturais do município).
  • integrar este plano cultural e turístico na rota do Barroco já existente no Conselho da Europa, o que implicaria um alcance de divulgação europeu, gratuito e eficaz.
Pode ser que um dia...

(artigo publicado no Diário do Minho, 11 de julho de 2012)

sábado, 14 de julho de 2012

1 ano depois Braga Maior

Há precisamente um ano atrás, um bracarense, amante desta vetusta e augusta cidade, decidiu iniciar um projecto chamado Braga Maior.
Um ano depois espero sinceramente ter contribuído para ajudar a despertar consciências para o património e para a cultura, para alimentar o afecto pela nossa história como comunidade, para elogiar tradições, encontrar bons exemplos, criticar o desleixo e a incúria, ou simplesmente para festejar as vitórias do Enorme...
Com um ritmo de crescimento de leitores inesperado, aumenta a responsabilidade de ajudar a construir um lugar de reflexão onde os bracarenses encontrem um apoio para formar opinião sobre o que por cá se vai fazendo e acerca das decisões que a todos nos implicam.
O objectivo aqui - sempre com a minha visão pessoal, mas aberto a comentários e correcções - é promover o amor a Braga, esta cidade que todos queremos ver melhor, mais autêntica e efectivamente MAIOR!
Obrigado a todos os leitores!


Deixo aqui as palavras inaugurais deste blog, sempre actuais e vivas na consciência do seu autor:

Inaugurar o blog é como abrir uma porta. Poderia dizer uma brecha ou um postigo, para ser mais modesto, porém o meu objectivo é atingir o largo horizonte de intervenção que, a meu ver, tem faltado na tão fiel como antiga cidade de Braga.
Deparamo-nos hoje com sérios desafios ao desenvolvimento econónico, cultural e social da nossa cidade e da região da qual é cabeça e justamente capital. A possibilidade entreaberta da extinção dos governos-civis e consequente quebra da organização distrital, o retomar da discussão da regionalização - que poderá 'encostar' Braga à dominação macro-cefálica da área metropolitana do Porto e o surgimento de um partido que visa defender os denominados interesses do Norte, quebrando o vínculo cultural da região Minho, são o motor inevitável deste blog.
Há quem diga que os blogs estão fora de moda e talvez por isso mesmo vejamos definhar as iniciativas salutares de tantos bracarenses... Contudo, o objectivo é ser uma porta nova, aberta ao diálogo e atenta aos assuntos que interessam aos bracarenses.
É preciso mais cidadania! É necessária maior intervenção! Por uma Braga Maior!