domingo, 7 de julho de 2013

A cidade cinzenta...

A mancha cinzenta de Braga vista de satélite (@ www.google.com)


O único "parque" urbano feito em 36 anos de gestão municipal (Fraião, 2012)

Pensar uma cidade é uma tarefa exigente. Há que reflectir a necessidade de espaços verdes e de lazer, o tipo de solos e respectivo relevo, a previsão da instalação de equipamentos sociais, a existência de nascentes e fios de água, entre outros aspectos que devem ser ponderados. Por isso mesmo, esta tarefa deve ser executada por equipas multidisciplinares e implica uma discussão cuidada.
Ao olharmos Braga a partir de um satélite, detectamos uma mancha cinzenta significativa. Há muiats edificações e vias de comunicação, porém  poucas ou inexistentes zonas verdes e água.
Este facto pode ser reflexo de uma cidade mal planeada, onde a impermeabilização dos solos vai provocando efeitos desagradáveis, como o aumento da temperatura e inundações. Aliás, Braga vai-se revelando uma das cidades mais quentes do país, sempre que são anunciadas as temperaturas máximas. Este fenómeno, que ainda não foi devidamente analisado, deve-se grandemente ao facto da cidade estar a ser construída com demasiado betão, asfalto e pedra. Experimentem passar hoje pelo novíssimo largo da Senhora-a-Branca para perceber o que é a falta de discernimento na concepção urbana da cidade. A pedra aquece e a falta de sombra retém o calor à superfície, o que aumenta severamente a temperatura ambiente.
Uma cidade sem parques, que não salvaguarda o interesse público e o bem estar dos cidadãos, para que se possa construir mais num determinado terreno, é uma cidade construída ao ritmo de interesses privados.
É gritante a falta de espaços verdes e de lazer, tão escandalosa que não se percebe bem como a população continua conformada e calada. O tão propalado parque do Picoto (falado desde os anos 80!) pode ser um oásis no meio do cimento. Mas não chega! O parque da Ponte foi reformulado, porém apenas para ser visto de passagem. Não tem bancos com encosto, por exemplo!
Nas vésperas das últimas eleições autárquicas, o actual líder municipal prometeu um parque nas Sete Fontes, recuperar Guadalupe, para além da devolução das margens do Este aos bracarenses... Em 1997 o grande trunfo eleitoral foi um parque urbano, o "novo Bom Jesus do Monte", na zona norte da cidade. Também não faltou falar de um grande parque de diversões que viria substituir a Bracalândia.
Entretanto, o único "parque" feito em 36 anos de gestão autárquica foi o denominado parque arborizado de Lamaçães, uma anedota no meio de tantas promessas e aspirações...

Aos projectistas e urbanistas da Câmara de Braga fazia falta ir, por exemplo, a Lisboa ou a Loures ver como se faz um parque urbano e a utilização e adesão dos cidadãos a esses espaços. Falo da Quinta das Conchas, no Lumiar, e do Parque Tejo (a seguir ao parque das Nações), dois bons exemplos de concepção de um parque urbano. Temos ainda o parque da cidade, no Porto.

5 comentários:

  1. É bom lembrar que a cidade de Braga sempre foi muito atreita à canícula, à conta da sua disposição geográfica (geografia essa que também lhe valeu o epíteto de penico de Portugal). O imediato sucesso do Bom Jesus e do Parque da Ponte deveu-se precisamente ao seu carácter de refúgio para os dias de estio.
    Claro que a diarreia de betão e cimento só veio piorar a coisa...

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  2. Entretanto, já é possível observar que o largo da Senhora-a-Branca vai contar com algum arvoredo.

    Fica a ideia de que o projecto é deixar o espaço mais ou menos com estava. Depois de estourar uns bons milhares de euros, claro.

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  3. Braga é conhecida como "Penico do céu", por causa do betão também? Ou outra obra da autarquia suponho... Já chegamos ao ponto de culpar os lideres (escolhidos por nós) pela adversidades climatéricas? Desespero, parece...

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    1. O Penico do céu não será devido às muitas chuvas? Sempre ouvi "Está sol em todo o lado, menos em Braga, é mesmo o penico de Portugal"... E está provado cientificamente que uma cidade com muito betão, cimento, granito e pedra e pouca área verde, o lançamento de CO2 para a atmosfera por parte de veículos emissores desse gás ou por parte ce fábricas são causadores de um aumento de temperatura. A ciência não é um mito, e o meio ambiente e a preservação da saúde deve ser a preocupação primária dos lideres, seja de que cor for. Não me parece desespero, parece-me sim um bom levantamento factual. A cidade betuminosa cresceu, a cidade verde não, logo não podemos melhorar a qualidade de vida e a qualidade ambiental da cidade e isto acaba por se reflectir na reflexão de raios solares criando um efeito de estufa e aumentando a temperatura.

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    2. http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=113975

      "Limites de ozono ultrapassados a Norte e em Lisboa

      Os valores de concentração de ozono foram ultrapassados esta segunda-feira em várias estações de medição da qualidade do ar, indicam as comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo.

      No Norte do país também se registou uma ultrapassagem dos valores limites, tendo sido registados, no concelho de Braga, 188 microgramas por metro cúbico entre as 12h00 e as 13h00 e 189 entre as 13h00 e as 14h00. "

      E a notícia no http://www.sapo.pt/ tem como imagem a arcada de Braga... Mas está tudo ok, acham mesmo que é pela falta de zonas verdes? Naaaa o CO2 emitido não destrói camada nenhuma do ozono, vocês são todos masé tolinhos. (ironia off)

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