domingo, 8 de julho de 2012

Fazer de conta que não se vê...

A ética na comunicação social é determinante na capacidade de bem informar a sociedade acerca da realidade e dos acontecimentos mais pertinentes para um determinado universo de pessoas. 
É natural que os órgãos de comunicação apresentem inclinações políticas ou religiosas, mais ou menos notórias, dado que as convicções pessoais, e os factos que vão aparecendo, servem de molde à construção de uma opinião fundada. O que é lamentável, é perceber que um órgão de comunicação pode estar ao serviço de interesses económicos ou políticos ocultos, sem os desvelar claramente.
Se ler a "Acção Socialista" já sei que estou diante de um boletim informativo de um partido, e que tudo o que lá está escrito tem um determinado ponto de vista. Da mesma forma, se ler a revista cristã "Cruzada" sei que a mundividência lá apresentada tem uma determinada linha existencialista. O mesmo não acontece quando um órgão de comunicação social se auto-proclama independente e livre...
Qualquer órgão de informação de imprensa nacional ou regional, se quiser reger-se por uma conduta ética e profissional, não pode nunca ocultar factos mediáticos de grande valia, principalmente aqueles que colocam em causa o serviço público e um possível aproveitamento pessoal de um cargo que tem por base a busca do bem comum. Falo de políticos, obviamente. Falo de uma investigação particular sobre corrupção. Falo de um dos mais graves acontecimentos do município de Braga nos últimos anos.
Como é possível que órgãos de comunicação social, que definem a sua missão como a de informar a população de Braga, nem uma linha dediquem a este acontecimento? Não se trata de condenar ninguém, pois todos têm direito a sua defesa. Trata-se de informar sobre uma suspeita de corrupção que envolve um cargo público, portanto, que diz respeito ao universo alargado da população.

Que classificação merece um órgão de comunicação social regional que deliberadamente rejeita a possibilidade de esclarecer os cidadãos sobre uma situação que lhes diz respeito?
Que credibilidade passa a merecer este órgão de comunicação social aos olhos de qualquer cidadãos sensato do município onde está implantado?

Eu já tenho a minha opinião e até as minhas certezas. Quem fica a perder é quem rejeita, em nome sabe-se lá bem do quê, ser fiel aos seus princípios e à missão que definiu para si mesmo.

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