domingo, 26 de agosto de 2012

Avenida Central ou Campo de Santana?


O Campo de Santana no mapa de André Soares (1755)
A avenida Central é o espaço urbano fundamental de Braga. Ali se respira o "braguez" e se sente o pulsar da cidade. Tendo tido diversas designações ao longo da sua história, a sua origem recua ao início do século XVI. 
O antigo Campo de Santana, mandado abrir por D. Diogo de Sousa, fossiliza no seu traçado uma rua, denominada da Corredoura, que sublinha o antigo traçado da via romana XVII que seguia para Astorga. Circundando a ermida que deu nome à praça (de Santana), este prelado mandou colocar um conjunto de marcos miliários romanos e outras pedras relevantes, efetivando o primeiro museu arqueológico de Braga. Este lugar vai também adquirindo importância económica devido ao alpendre mandado colocar junto à muralha do castelo e onde se abrigavam os mercadores.
Dada a significativa fixação de população nesta zona da cidade, o Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus (1588-1609) mandou colocar uma fonte diante do alpendre e junto ao pelourinho, atestando a importância que o local já detinha na vida da cidade. Esta fonte está hoje no Campo das Hortas.
No século XVIII vão surgir vários edifícios de elevado destaque como o Convento dos Congregados, dos padres oratorianos, o Convento da Penha e o Recolhimento das Convertidas. Mais tarde surge a capela da Lapa no centro da Arcada onde foi colocada uma figura que simboliza Braga (hoje no Arco da Porta Nova), num lugar que já disputava a centralidade com a Catedral. Também os fidalgos se quiseram instalar nas proximidades, surgindo alguns edifícios de elevada importância artística como a Casa Rolão, da autoria de André Soares.
No século seguinte este espaço confirma a sua relevância com a fundação do Banco do Minho em 1865 e com a instalação do primeiro teatro da cidade, o Teatro de S. Geraldo que funcionou desde 1857 até 1915 num edifício que se situava no local onde se encontra hoje o Banco de Portugal, que apenas foi construído em 1921 sob projeto de Moura Coutinho. O jardim público, construído defronte da Arcada, bem como os primeiros cafés da cidade, núcleos da sociedade elitista da época, confirmam a importância do local na vida social bracarense. Este espaço urbano foi sempre reflexo das alterações de gostos e épocas, tendo sido transformado por Lopes Gonçalves, em 1915, numa grande avenida com duas faixas pedonais, permitindo grande circulação automóvel. Mais tarde é devolvida novamente aos peões, tendo sofrido entretanto diversas alterações. Ainda hoje é o principal ponto de encontro dos bracarenses.

6 comentários:

  1. Calculo que a igreja dos Terceiros tenha sido construída de forma a ser bem visível do Campo de Santa Ana. Mas depois que se levantaram os torreões da Arcada...

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    1. Os "torreões" da Arcada pertenciam à muralha da cidadela, pelo que já existiam antes da erecção da Igreja dos Terceiros.

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  2. Acho que daria um excelente trabalho para curso de arquitectura fazer uma apresentação gráfica das diversas etapas urbanísticas deste espaço.

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  3. As alterações do ultimo quartel do séx XX tornaram o local bastante inestético na minha opinião.

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  4. Para o anónimo das 00:45:
    Eu referia-me às actuais extremidades da Arcada. Se o mapa do André Soares é exacto, pode-se ver que o sector da cidadela correspondente ainda não encobria os Terceiros naquela época.

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  5. Espero que as obras, ora iniciadas, na parte norte do jardim beneficiem este belo local. Temo bem que que se tranforme em mais um espaço de aquecimento ambiental da cidade.

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