sábado, 25 de agosto de 2012

Braga, a Cidade dos Arcebispos

A galeria dos Arcebispos, no Paço Arquiepiscopal, mostra os retratos de todos os prelados bracarenses
A história da cidade de Braga confunde-se muitas vezes com a história dos seus bispos, que a partir de 1112 e até 1792 foram administradores de um senhorio, que isentava a cidade do poder real. Muitos destes ilustres prelados merecem referência pela sua notável obra temporal, particularmente no capítulo do urbanismo. Entre eles salientam-se D. Diogo de Sousa e D. Rodrigo de Moura Telles.
O conhecido epíteto que classifica Braga como “Cidade dos Arcebispos” deve-se ao facto dos detentores deste título eclesiástico terem sido senhores da cidade durante quase sete séculos. A Carta de Couto inicialmente concedida pelos condes portucalenses em 1112 e com poderes reforçados por D. Afonso Henriques, nas vésperas da decisiva batalha de S. Mamede em 1128, foi interrompida em 12 de janeiro de 1402 para voltar a ser retomado sete décadas após, a 12 de março de 1472.
Desde aí, até 1792, os Arcebispos acumulavam a sua liderança religiosa, à gestão administrativa do termo de Braga, sobre o qual cobravam impostos e impunham as suas leis. 
A história eclesiástica de Braga assinala S. Pedro de Rates como o primeiro bispo, embora só haja confirmação documental a partir de D. Paterno no ano 404. Porém, foi ainda no tempo da dominação romana que os prelados bracarenses se tornaram bispos metropolitas, liderando um conjunto de dioceses que lhe eram sufragâneas. Desse tempo saliente-se o papel decisivo de S. Martinho de Dume (562-579) e S. Frutuoso (656-665), ambos com uma ação centrada na cristianização dos povos, ainda agarrados a um paganismo herdado dos romanos e dos celtas.
 Após a refundação da diocese e da cidade em 1070 por intermédio do rei D. Garcia, destaque-se o papel de D. Pedro (1071-1091), encarregado deste processo de restauração, bem como os seus sucessores S. Geraldo de Moissac (1096-1108), D. Paio Mendes (118-1137) e D. João Peculiar (1138-1175). O primeiro é o padroeiro da cidade e conseguiu ser o primeiro a usar o título de Arcebispo, sendo grande aliado dos condes portucalenses; o segundo firmou o acordo com o infante D. Afonso, que viria a formar Portugal, sendo firme conselheiro e lutador pela causa da independência; o terceiro foi quem almejou a independência de Portugal, depois de insistente tarefa diplomática da Santa Sé, sendo para José Mattoso a segunda figura mais importante da nossa nacionalidade. Como líderes religiosos de Portugal, os prelados bracarenses eram presença assídua junto da corte e dos monarcas. Destaquemos os arcebispos D. Gonçalo Pereira (1326-1348), que legou a admirável capela da Glória e construiu a primeira versão do Paço; D. João de Cardaillac (1361-1371), que fica para a história como o primeiro a usar o título de Primaz das Hespanhas; D. Lourenço Vicente (1374-1397), apoiante incondicional do Mestre de Avis e participante da batalha de Aljubarrota; e D. Fernando da Guerra (1416-1467) que enfrentou a prelazia mais longa da história.
Algum tempo mais tarde, Braga assiste à chegada do prelado mais importante da sua história: D. Diogo de Sousa (1505-1532), que reformula toda a vida urbana, económica e eclesiástica da cidade. Chegado a Braga deparou-se com uma cidade de ruas escuras e estreitas, apertada pelas rudes muralhas medievais. D. Diogo de Sousa implementa, então, uma revolução urbanística rasgando portas nas muralhas, abrindo e alargando diversas ruas, criando grandes praças que hoje constituem os grandes espaços urbanos de Braga, dotando a cidade de fontanários e edificando ou reconstruindo diversas igrejas, capelas e cruzeiros. Entretanto passam pela cadeira arcebispal homens de boa memória como D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1559-1582), que teve participação célebre no Concílio de Trento, tendo fundado o primeiro seminário da península; ou D. Frei Agostinho de Jesus (1588-1609), que alarga o paço e é responsável pela fundação massiva de institutos religiosos na cidade.
O século XVIII fica inevitavelmente vinculado à obra de dois arcebispos: D. Rodrigo de Moura Telles (1704-1728) e D. José de Bragança (1741-1756). O primeiro foi aquele que mais obras legou à cidade, tendo renovado a Sé e o Paço e sendo o mentor do Santuário do Bom Jesus do Monte e da capela da Falperra. O segundo foi o protetor de André Soares, cujas obras puseram Braga no roteiro do barroco europeu, entre as quais a ala oeste do Paço e a Câmara Municipal.
O final do século fica marcado pelas iniciativas do grande Arcebispo, D. Frei Caetano Brandão (1790-1805). Além da criação do Colégio de Órfãos de S. Caetano (1791), foi o mentor do desenvolvimento industrial na cidade ao criar uma Exposição Industrial (1793), e ainda é fundador da primeira Escola de Cirurgia do país (1798), no Hospital de S. Marcos, tendo sido o último arcebispo-senhor de Braga.

1 comentário:

  1. Podiam convidar a Cecilia Giménez a visitar a galeria. Ia ser uma festa...

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