quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Memória Maior: a fábrica Social Bracarense


Fachada principal da Social Bracarense na rua Nova de Santa Cruz (Manuel Araújo 1923)
A fábrica “Social Bracarense” foi fundada em 1866, tendo sido a primeira a fabricar chapéus de feltro de pêlo a vapor na cidade de Braga. Foi fundada por José Baptista da Silva Taxa, António José Rodrigues Bahia, António José Cerqueira da Silva Braga e Manoel Soares Pacheco. No seu início chegou a estar próxima da falência, mas a associação com outra empresa, “Almeida, Pereira e Matos” impediu tal desfecho.
Oficina de suflagem (Manuel Araújo 1923)
O capital da fábrica era de cem contos ouro em 1923, empregando 180 funcionários de ambos os sexos. Antes das máquinas chegarem a empresa ainda empregava mais pessoas. A produção atingia entretanto cerca de um milhar de chapéus diários, uma média de 26 mil por mês.
Manuel de Araújo deixa a memória escrita da linha de produção da Social Bracarense: “a visita começa pela oficina de suflagem de pêlo onde maquinismos possantes realizam a limpeza da matéria-prima. Dali passamos à de bastissagem - que faz a pasta para o chapéu; à de fulagem, que faz o feltro; à de tinturaria; a de estufas, à de engomarão, à de informação, à de afinação, à de apropriagem, e, por fim, à de planchamento, à de guarnecimentos, onde se realiza a última operação, donde o chapéu sai pronto para venda". No piso de cima havia ainda a sala de amostras e os escritórios.
Apesar do aumento significativo da produção, os negócios começavam a ressentir-se devido a outros factores. A fábrica importava todas as matérias-primas, desde o pêlo, tiras de carneira, guarnições e drogas. A 1.ª Grande Guerra fez aumentar exponencialmente os preços das matérias-primas, reduzindo a margem de lucro. Devido à quebra do mercado africano, que de cerca de 30% reduziu para 2% o consumo, e ao valor excessivo que consideram pagar à Câmara Municipal e ao Estado, a fábrica começava a dar sinais de insustentabilidade económica. Acrescia a este dado a proliferação de indústrias deste género em Portugal, nomeadamente as 14 fábricas de chapéus de São João da Madeira.
 Apesar da instabilidade a fábrica havia de sobreviver algumas décadas mais, principalmente dedicando-se ao sector têxtil, dado que chapelaria acabaria por deixar de ser tendência no vestuário tradicional.
Localizava-se na rua Nova de Santa Cruz, sensivelmente no espaço que confrontava a Saboaria e Perfumaria “Confiança”, tendo o edifício da fábrica sobrevivido até 1991, altura em que foi demolido para dar lugar a uma urbanização. Ainda hoje a rua que ladeava a Social Bracarense, e se estendia até ao vale de Lamaçães, é denominada de rua da Fábrica, em memória desta grande indústria bracarense.

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