sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Mobilidades inquinadas...

O denominado Quadrilátero Urbano é uma interessante iniciativa que pretende concretizar formas de unir os quatro centros urbanos de Braga, Barcelos Guimarães e Famalicão. Uma opção estratégica que visa incrementar as relações económicas, culturais e administrativas, visando um papel mais activo na reivindicação de investimentos na terceira maior mancha urbana nacional.
No que diz respeito à mobilidade, o Quadrilátero Urbano pretende estudar, criar e gerir sistemas de transporte integrados, além de gerar condições de intermobilidade no quadrilátero. O objectivo é criar a terceira área metropolitana mais desenvolvida do país (depois de Lisboa e do Porto) e servir as populações dos quatro concelhos através de uma única rede de transportes urbanos. (Colaborar para geral@quadrilatero.eu)
Bem sabemos como o nosso país foi sendo construído primeiro em função de Lisboa, depois em função de Lisboa e Porto. Basta aferirmos as redes de comunicação para percebermos esta lógica. Até há pouco tempo, todas as auto-estradas se dirigiam a estas duas cidades, porém o caso mais escandaloso é a rede ferroviária. Se olharmos para o caso do Minho, vemos uma serie de ramificações em direcção ao Porto. Até os comboios que servem Braga, Guimarães ou Barcelos se denominam "sub-urbanos do Porto", como se estas cidades devessem a sua autonomia a esta cidade. 
Como é possível que Braga continue sem qualquer ligação rodoviária à outra capital de distrito minhota? Como é possível que nenhuma destas quatro cidades se encontre ligada por linha ferroviária?

Vivemos num país hiper-centralizado, por isso mesmo existem tantas disparidades no ritmo de desenvolvimento de muitas regiões. Perante isto, torna-se essencial que Braga se afirme e ganhe capacidade reivindicativa. Caso contrário, um dia destes estaremos completamente enredados pelo lobby do Norte, que é o mesmo que dizer pelos interesses do Porto.

4 comentários:

  1. Acrescentar ainda o vergonhoso estado da Linha do Minho, cuja renovação tem sido constantemente adiada pelos sucessivos governos. Algo que só iria contribuir para um maior desenvolvimento da região do Minho e da ligação desta com a Galiza. É por isso que de uma vez por todas é necessária uma regionalização em que esteja impregnada a região Minho, desligada dos interesses da região do Douro Litoral.

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  2. Estou com todos aqueles que pensam Norte, sem dependências e a verdade é que o Porto que de uma forma parola se queixa de Lisboa, assume no norte os mesmos tiques da capital. Embora se diga que o Porto é uma marca e todo o Norte fica a ganhar com isso, eu penso é que o Porto ganha muito quando se incorpora no Minho. Aí fica a ter paisagem, etnografia, tradição, artesanato, festa, e binho berde. Entendamo-nos no Minho e defendamos a nossa região...sem Porto. Afinal o Porto vale por si, não precisa do Minho para nada. Ou não será assim?

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  3. Claramente assim JMTinoco.
    O Porto faz o que lhe compete, guerrilha contra Lisboa e depois... promove a sua marca e pretende que as suas ramificações (Minho, Douro e Beira Litoral), sejam o mais equilibradas possíveis.

    Dai que ao antigo Entre Douro e Minho em que o Porto ficava a um canto, tenham adicionado o Norte de Aveiro e Trás-os-Montes, uma região à medida do Porto.

    A A3 e a A1 só entram na circular do Porto, e depois inventaram a megalómana CREP com a concessão do Douro que custou quase 1.000.000.000€, fora os contratos de 30 anos que vamos ter que pagar por não ter tráfego. Para ficarem iguais a Lisboa que tem a CREL.
    Enquanto as ligações no Minho ficam por fazer...

    As várias ligações ferroviárias acabam no Porto, com excepção de alguns Alfas e 1 intercidades. Fizeram um metro que chegará à Trofa, Póvoa, Gondomar... mas o Minho nem a linha Guimarães-Braga-Barcelos-Linha do Minho (Viana), tem...

    No Turismo inventaram a marca Porto e Norte (Porto e Restos) e o resultado foi evidente logo no 1º ano, com o Porto a crescer mais de 200.000 dormidas e o Minho a perder mais de 100.000. Agora estamos em ano de CEJ e CEC, mas em 2013, 2014, 2015 a centralização do Turismo no Porto será a realidade perante a promoção da atual marca.

    Nos investimentos ao nível do PIDDAC o Porto está na média mas o Distrito de Braga recebeu per capita metade da média nacional. No que diz respeito ao QREN, o Grande Porto entre 2000 e 2007 com 3,5% da área e menos de 35% da população, centralizou mais de 45% dos fundos regionalizáveis. E muito mais poderia ser dito.

    O único argumento que vejo utilizarem, é que com a Regionalização existirá representantes locais. Contudo para quem conhece a Lei sabe que a AMP terá logo 40% ou mais desses representantes e depois a negociação com os seus "apêndices" numa região à medida, fará com que os outros apliquem o salve-se quem puder, e teremos vários municípios em busca dos "restos".

    Como se vê agora com a Linha do Minho. Para Viana era muito mais importante a modernização da linha até Barcelos e a construção da concordância Barcelos-Braga-Guimarães. Assim teríamos o Minho em rede, muito mais importante do que chegarmos a Vigo em 2 ou 3 horas. Mas Viana prefere defender a posição do Porto, que só lhe interessa a ligação a Vigo, porque para as outras já tem. Mesmo que sejam gastos balúrdios, sejam suprimidas várias estações numa Linha que não tem qualquer fundamento, nem é rápida o suficiente, nem tem área de influencia que a sustente.

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  4. Muito mais podia ser dito mas o texto já ia longo.

    Deixo os valores do Turismo:
    http://img860.imageshack.us/img860/5029/portoerestos.png

    PIDDAC:
    http://i245.photobucket.com/albums/gg64/karlussantus/TabelaPIDDACResumo2001_2007.jpg

    QREN:
    http://i245.photobucket.com/albums/gg64/karlussantus/CCDReditar2.jpg

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