sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O que é ser bracarense?

Não é propriamente algo que possa limitar-se a uma definição por palavras. Ser bracarense é ser diferente do que se se nascesse noutro qualquer local do mundo, detendo características inconfundíveis e eivadas de identidade. É, por assim dizer, peculiar!
Ser bracarense é apreciar o som do cavaquinho ou da concertina, fazer compras na rua do Souto e tertuliar junto à Arcada. Ser bracarense é vestir de roxo na Semana Santa e não perder uma única das seculares procissões.
Ser bracarense é falar alto, trocar os "vês" pelos "bês", e ler o Diário do Minho. Ser bracarense é olhar a cidade do canudo, dizer um palavrão de quando a quando e defender acerrimamente o que é nosso.
Ser bracarense é deitar foguetes quando há festa, juntar a família toda em torno de uma mesa, é rejubilar perante os sucessos e chorar aos pés da Senhora do Sameiro.
Ser bracarense é ser festeiro e viver o São João com toda a pompa, cantarolando o hino sanjoanino, dançando ao ritmo dos Zés-Preiras e desfrutando das seculares exibições que o Rei David e os Pastores não deixam de oferecer anualmente.
Ser bracarense é conhecer o papel decisivo de Braga e dos seus arcebispos na fundação de Portugal, é perceber a grandiosidade da Sé de Braga, do barroco das igrejas e conventos ou do Bom Jesus do Monte. É suspirar por saber quão grande fomos no tempo dos romanos e valorizar os sinais múltiplos da herança legada nos inúmeros vestígios arqueológicos de que a cidade dispõe.
Ser bracarense é ser sócio do Sporting Clube de Braga e viver em ansiedade as horas que antecedem os desafios. É transportar um galhardete pendurado orgulhosamente no automóvel e viver emocionado os grandes momentos da vida do clube, tendo bem presente que o sucesso e o nome da cidade são projectados inexoravelmente a cada destaque que o Enorme alcança.
Ser bracarense é ser apreciador de vinho verde fresco ou de uma malga a transbordar de "tintinho", sorvida na tasca mais tradicional e acompanhada de pataniscas. É sentir intensamente o paladar de um bacalhau à narcisa ou de uns rojões com papas de sarrabulho, e acompanhados do inevitável pudim que, um dia, o abade de Priscos inventou.
Ser bracarense é fervilhar de revolta sempre que a comunicação social ignora os grandes acontecimentos da nossa cidade e sentir o coração a sair do lugar quando o nome de Braga é pronunciado fora das nossas fronteiras.
Ser bracarense é efectivamente especial...

7 comentários:

  1. Vivo em Braga e vivi ~25 dos meus 27 anos de vida em Braga e felizmente não me identifico com 90% do escrito.

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    1. Caro anónimo, se partilharmos 10% de características comuns já é um sinal positivo de que Braga nos une na pertença e na identidade!

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  2. Assim sendo: Não sou Bracarense?!
    Boa vai ela!!!

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  3. Creio que mais importante que a descrição do que é ser Bracarense, é a mensagem subliminar deste post...o orgulho de ser Bracarense.
    Obviamente nem todos os munícipes sentirão o mesmo gosto pela cidade, mas penso que numa sociedade globalizada e com fronteiras ténues a partir da internet, há algo que deve marcar a nossa cidade...e o nosso amor e orgulho por Braga deve ser o alicerce que nos faz querer fazer da cidade, uma cidade Maior, Mais participativa, Mais aberta aos contributos e à sua vivência pelos cidadãos...se nós podermos usufruir da nossa cidade e partilhar o nosso amor por ela, rapidamente ela poderá ser uma cidade de carácter muito próprio que muitos quererão conhecer. Há estas marcas que o Rui fala, desde o cavaquinho, ao tintinho, passando pelo folclore e as papas de sarrabulho...mas isto são vários produtos que nos poderão ajudar a projectar a imagem da cidade. E se nós tivermos orgulho em ser bracarenses, receberemos com ainda mais carinho, simpatia e hospitalidade a nossa cidade a quem a procurar!

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    1. Eu sei que isso é defeito de fabrico, mas o bracarense não é só cidade, é concelho e sobretudo é Minho!

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  4. Caro António Resende, esta é obviamente uma leitura pessoal minha, que não deixa de ser subjectiva. Pessoalmente, não costumo dizer palavrões de quando a quando, nem sou apreciador de vinhos, mas não deixo de considerar a peculiaridade destes traços. Acredito que é essencial partilharmos traços comuns, enquanto membros de uma comunidade. Só isso garantirá a perenidade de tradições e traços característicos que a globalização e a uniformização de costumes e hábitos tenta imprimir às sociedades...

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  5. Obrigado Rui! Eu, felizmente para mim, sou tudo isso e gosto. Claro que gosto de dizer palavrões de quando em quando, e adoro o verde Tinto, único no mundo, que por ser minhoto, mesmo sendo tinto é verde. Onde é que já se viu isto? Só mesmo nesta santa terra.

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