quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Austeridade, poupanças e empresas municipais

Os portugueses estão em estado de sítio devido às surpreendentes medidas anunciadas pelo Primeiro-Ministro na sexta-feira e por Vítor Gaspar, ontem, coincidentemente antecipando jogos da Selecção Nacional.
A este propósito, para além de podermos recordar as palavras de Pedro Passos Coelho justificando o porquê do chumbo ao famoso PEC 4, vale a pena escutar Medina Carreira. Segundo este conceituado consultor para a área da economia, o Governo deveria propôr-se cortar na área da despesa, nomeadamente nos famosos e lesivos contratos das PPP, nas rendas milionárias da EDP e apertando os municípios que esbanjam o erário público.
Não querendo ser injusto na minha análise, pois bem sei como é difícil a situação económica e financeira do nosso país, entendo que os sectores decisivos da economia não podem ser privatizados. O resultado é este.
Os combustíveis sobem desenfreadamente, a luz e a água vão no mesmo sentido e tudo para sustentar lucros de empresas que pagam centenas de milhares de Euros a administradores e consultores, que geralmente chegam a esses lugares por via da amizade com certos sectores da política portuguesa.
Não é preciso irmos a Lisboa para constatar isto.
Em Braga os administradores das empresas municipais são os mais bem pagos do país. A este propósito gostava de fazer algumas questões:
  • Quem são os administradores das empresas municipais?
  • Como foram lá parar?
  • Que currículo relevante apresentam?
  • Quanto auferem?
  • Que tipo de ligação familiar ou partidária apresentam?
Cada vez mais me parece que as empresas municipais são formas manhosas de multiplicar a capacidade de dívida de um município, e de empregar toda a malta que sai da vereação.
É por estas e por outras que muitos portugueses deixam de ir votar e perdem toda a confiança nos partidos políticos.

Como bracarense, exijo a total transparência no que concerne à gestão das empresas municipais. 
Até quando é que os bracarenses vão andar distraídos?

1 comentário:

  1. Infelizmente o problema não se resume apenas aos bracarenses, mas a todos os portugueses.
    O ideal (e tenho consciência da utopia que vou descrever) era haver uma entidade trabalhadora, justa e imparcial, responsável por uma organização, limpeza e fiscalização de todos os cargos públicos. E podiam seguir as perguntas por ti formuladas como matrizes.
    Somos um povo pacífico, um povo que anda distraído ou que, como acontece em Braga, até sabe do que se passa, mas prefere limitar-se a criticar ou a fazer piadas.

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