domingo, 2 de setembro de 2012

Braga, cidade de turismo?

@ Grupo Memórias de Braga (Facebook)
Será Braga uma cidade de turismo? Poderá a capital do Minho aproveitar melhor os seus recursos patrimoniais e culturais de forma a tornar-se um efectivo fenómeno de atracção e garantir uma renovada fonte de riqueza para a economia local?
Efectivamente, Braga destaca-se por deter alguns produtos turísticos consolidados (Semana Santa, Bom Jesus ou Sé Primaz), dos quais não consegue tirar o máximo proveito económico, desde logo porque a maioria dos seus visitantes não permanece mais do que o tempo de visita ao produto.
A diferença reside no facto de efectivamente podermos considerar Braga como um destino, embora não detenha um plano efectivo de parcerias e de estimulação do seu sector turístico. O que assistimos actualmente são iniciativas pontuais e derivadas de qualquer evento extraordinário.
É verdade que outras localidades portuguesas, com maior número de dormidas que Braga, não deterão tantos recursos culturais e patrimoniais, nem beneficiarão da sua importância económica e demográfica, como aquela que Braga detém no contexto português. À Universidade de Coimbra ou à Torre dos Clérigos poderíamos sobrepor o Bom Jesus do Monte, a Sé ou a Semana Santa, exemplos claros de produtos turísticos culturais que poderiam ser servidos por uma linha secundária de outros recursos.
A maior analogia que poderemos efectivar entre Braga e outros municípios é a inoperante estratégia dos poderes políticos em perceber o enorme campo de acção que têm diante de si.
O turismo vai representar para Portugal em 2015, cerca de 15% do PIB e 15% da empregabilidade nacional. Trata-se de uma fonte de riqueza, que já não está reduzida ao turismo de sol e praia. Braga, como o terceiro pólo urbano nacional pode beneficiar grandemente da sua posição estratégica, da sua história, do seu património, mas principalmente do facto de ser capital de uma região de fortes tradições.
Ao olhar exemplos de sucesso no desenvolvimento turístico, como Óbidos por exemplo, Braga aprenderia a aproveitar o potencial turístico que detém, e avançar para o desenvolvimento de um plano estratégico para o sector do turismo que, digamos, não existe. O poder político tem, neste aspecto, um papel de relevo, pois só por sua iniciativa se poderia iniciar um plano abrangente que englobasse uma multiplicidade de stakeholders, incluindo os responsáveis pelo planeamento, os residentes, o sector público e privado, assim como os visitantes da região.
O Porto e Lisboa não podem ser encarados como exemplo, dado que apenas beneficiam do papel aglutinador das supostamente regionais entidades de turismo, o que evita qualquer tipo de protagonismo às respectivas autarquias.

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