sábado, 1 de setembro de 2012

E o próximo Presidente da Câmara de Braga é...

Já falta apenas um ano para o mais emocionante e renhido embate autárquico de sempre no município de Braga. As autárquicas 2013 estão a gerar uma expectativa incomum na história da democracia bracarense. Já se perfilam os candidatos - Ricardo Rio assumiu abertamente a sua terceira candidatura e tudo parece compôr-se para que Hugo Pires seja o candidato do PS (a não ser que o bom senso seja inexistente na concelhia do PS e insistam em Vítor Sousa...). Nesta perspectiva recordo alguns dados e trunfos que poderão ser decisivos na hora de acolher os votos dos cidadãos bracarenses.
  • O Futebol: todos sabemos que foi real a sondagem a António Salvador para ser o candidato do Partido Socialista. O capital de confiança de que goza junto da cidade e a proximidade evidente com Mesquita Machado, poderão constituir um apoio de peso para qualquer candidato socialista. O distanciamento de Ricardo Rio para com a maior instituição da cidade e seu principal embaixador poderão fazer temer os associados do Sporting Clube de Braga. Não queremos ver em Braga o que sucedeu com o 'outro' Rio no Porto. A autarquia deverá apoiar sempre incondicionalmente o clube que mais publicita a cidade e cujo crescimento tem trazido incontáveis dividendos para o município. Caso Ricardo Rio se torne cada vez mais braguista e menos sportinguista, talvez a balança fique um pouco mais equilibrada...
  • A Reforma Autárquica: este é outro assunto que fará correr muita tinta até 2013. Segundo os critérios apresentados pelo Governo, o município bracarense poderá 'escangalhar' cerca de duas dezenas de freguesias rurais ou suburbanas. A concretizar-se será um desastre para muitas das nossas pequenas comunidades. Mesquita Machado já mostrou querer fazer deste ponto uma luta política. Todos sabemos que o Partido Socialista goza de maior popularidade nas freguesias menos urbanas. A capitalização desta luta, e caso Ricardo Rio não vinque uma posição de força para com a reforma proposta pelo 'seu' governo, milhares de votos poderão circular para o lado oposto, independentemente do candidato apresentado. A simpatia e gratidão pela obra de Mesquita Machado nas freguesias terão certamente repercursão positiva no seu sucessor.
  • Independência face ao lobby da Construção Civil: Todos sabemos como os lobbys nos corredores do poder são fortíssimos e sufocantes. Os bracarenses estarão seguramente sedentos de isenção relativamente a um sector que está em forte crise. Por tudo isto, o próximo edil terá a ganhar se não lhe reconhecerem amizades pungentes pelos senhores do cimento. Ricardo Rio parte em vantagem neste campo. E o Partido Socialista tanto maior crédito alcançará junto do eleitorado urbano e esclarecido, caso Hugo Pires tenha a coragem de rasgar com todos os protagonistas do passado e seja capaz de representar uma absoluta isenção (Terá coragem?). Em face do actual cenário de crise, é de crer que muitas empresas vejam a autarquia como um cliente valioso para os seus projectos e empreendimentos...
  • Espaços Verdes e Cultura: Caso se efectue um inquérito à população de Braga - em particular à que habita na zona urbana - seguramente que o défice evidente de espaços verdes e de lazer será reportado à autarquia. Também a carência de mais actividade cultural e de respeito e promoção do património da cidade, serão comentados. Ora, o candidato que apresente propostas mais concretas nestes campos terá um maior capital de confiança dos eleitores urbanos. Parques urbanos, defesa intransigente do património e dinamização dos espaços culturais existentes, serão propostas interessantes e que visem a adesão da população a projectos. Neste aspecto Ricardo Rio, pelo trabalho continuado e visível na oposição, poderá estar em vantagem. Veremos!

14 comentários:

  1. Infelizmente penso que o PS vai ganhar de novo. O Rio é muito fraco e parece ser um Mesquita 2.

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  2. Os bracarenses que se desenganem porque o PSD BRAGA tem um ódio de morte ao SCB. Se ganharem vai-se o apoio e carinho das instituições da cidade.

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  3. Como militante do PS e membro activo da JS, parto um pouco em vantagem em relação ao autor e a muitos leitores deste blogue no que à disputa camarária diz respeito. O que eu posso adiantar é que neste momento de perfilam três possíveis candidatos socialistas, sendo eles Vitor Sousa, Hugo Pires e António Braga, sendo que Vitor Sousa leva vantagem.

    Eu, pessoalmente, e visto que o apoiei para a liderança da secção socialista de Braga, prefiro Vitor Sousa. Quem conhece Vitor Sousa sabe que é uma pessoa afável, sempre disponível e que procura estar perto da população. Depois, Vitor Sousa tem um projecto para a cidade muito diferente do que tem sido a linha de Mesquita Machado. É certo que o facto de ser o actual Vice-Presidente da Câmara leva as pessoas a deduzirem que ele representa a continuidade da actual, mas não! Em Hugo Pires vejo alguém com algumas lacunas, que só poderão melhorar com tempo e experiência. António Braga é muito distante da população bracarense e desconhecedor de muitas realidades existentes no concelho. António Salvador? Nem pensar! E não é por eu ser benfiquista e ele presidente do Braga, mas por outros aspectos... já para nem falar que é uma das caras do lobby da construção civil.

    No que diz respeito à Cultura e ao Lazer, penso que esses dois aspectos devem ser bandeira do próximo executivo camarário, executivo esse que, a meu ver, deve aliar juventude com experiência, de modo a trazer dinamismo à gestão autárquica bracarense.

    Em relação ao ser conveniente que o presidente da Câmara seja braguista, o que posso dizer é que, caso eu fosse eleito edil de Braga, e apesar de ser benfiquista, daria todo o apoio ao Braga, porque, afinal de contas, é um dos grandes baluartes e uma grande fonte de dinamismo da minha cidade.

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    1. Caro Luís Amaro, agradeço o contributo, uma vez mais inteligente e lúcido. Acredito que a simpatia para com Vítor Sousa seja sincera e a dimensão afectiva não pode ser ignorada na escolha de um candidato. Todavia, a dimensão ética e a honestidade não são elementos acessíorios. Não devia ter ocultado na sua análise o facto do candidato a candidato em questão estar a ser investigado por suspeitas de corrupção. Por muito menos, um dos melhores políticos socialistas portugueses (António Vitorino) demitiu-se das suas funções públicas. Continuo a achar que é o caminho mais sério e honesto na vida pública: mostrar que não se está agarrado a lugares ou ambições, mas perceber que a suspeita ou a dúvida matam frequentemente a confiança. Isto é assim na política ou na nossa vida pessoal ou social...

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  4. Desde qdo é que o Rio é independente o lobby da construção? O caso confiança é o ipor exemplo disso.

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  5. O Ricardo Rio afastado do SCB? Como? Só mesmo desconhecendo a sua história familiar. Ricardo Rio é uma presença assíduo e próxima do SCB. Por razões de clubite e pela memória do seu avô, figura marcante na história do SCB. Julgo até que o caso é precisamente o inverso. O Ricardo Rio presidente vai ter que perceber que não pode ser o Ricardo Rio adepto. Isto de ser Sportinguista deve ser brincadeira. Julgo que as crónicas que escreveu no DM sobre futebol podem comprovar isso. Ou então, eu que o conhecia com adepto do SCB tenho que rever tudo o que penso dele. É que o conheço principalmente pelo o que escreve e se não posso confiar nisso...

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  6. "O distanciamento de Ricardo Rio para com a maior instituição da cidade e seu principal embaixador poderão fazer temer os associados do Sporting Clube de Braga"? A sério?!?!? Isso ou é desconhecimento, desatenção ou má-fé. O seu (RR) amor pelo Braga já foi demonstrado por diversas vezes (lá está, desatenção?). E nem falo do passado familiar no clube (desconhecimento?) porque as pessoas são diferentes.
    Mas, e este é o cerne da questão: e se RR tivesse uma "costela" sportinguista, não sei se tem ou não, isso faria dele, ou de outro qualquer, pior candidato, pior presidente de câmara?!?! Francamente, pelo que fui percebendo do autor deste blogue, esperava outro tipo de argumentário...
    GS

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  7. Caros anónimos, não estoua dizer que o Ricardo Rio não é braguista ou não apoiará o Sporting de Braga. Aliás, RR destaca-se pelo forma como exalta o ecletismo do clube, pelo que se espera, por exemplo, que apoie a recuperação do atletismo em Braga, algo com que Mesquita não se preocupou muito. O que pretendi dizer com esta análise que, busquei fosse correcta e lúcida, é que Antóio Salvador surge necessariamente bastante "colado" aos actuais protagonistas autárquicos e isso poderá gerar um aproveitamento político em favor do PS. É um facto...

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  8. A questão é que, para mim, como para muitos bracarenses que conheço, essa não é, não deve ser, uma preocupação, saber se o novo presidente da câmara vai apoiar muito ou pouco o Sporting de Braga. Aliás, quanta maior distância, melhor. Quanta menos promiscuidade, melhor.
    Apoiar a formação, sim, e mais nada. Já têm dois estádios onde jogam e treinam as suas equipas A e B e para os quais não gastou um tostão (gastámos nós...). Quer mais apoio que este? Ainda vão arranjar um terreno municipal para a construção (pela Britalar?) da Academia. Quer mais apoio?
    Não cabe ao presidente da câmara recuperar o atletismo do Sporting de Braga...
    Caberá à autarquia, como já acontece, apoiar, ao nível da formação, os clubes, todos (o que não acontece), do concelho, evidentemente que existindo aqui hierarquias.
    António Salvador é suficientemente inteligente (acho eu) para não apoiar ninguém publicamente (já bastou o péssimo exemplo do Manuel Vilarinho...) e, depois, surgirá colado a quem for o novo presidente da câmara.
    GS

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    1. Concordo com tudo o que diz relativamente ao papel da autarquia. Mas a minha análise referia-se à questão eleitoral. Concordará comigo que quanto mais próximo a uma instituição bem sucedida como o Sporting Clube de Braga, mais votos atrairá a si. É um populismo que o PS vai explorar e que o RR deve estar atento. Ser sportinguista não é uma limitação. Também tenho uma costela sportinguistam mas isso não belisca em nada a minha paixão pelo Braga.

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  9. A promiscuidade histórica entre a CMB e o SCB, é que permitiu esta discussão. vamos distrair o povo com a bola, pois apoiar a bola é que da votos?
    acho isto algo de acessório para a campanha eleitoral.

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    1. É um facto que é acessório, todavia é algo que um candidato à CMB não pode descurar ou ignorar. A maioria da população não tem a mesma perspectiva da acção municipal, pelo que também é necessário atender a essa franja do eleitorado...sem populismos obviamente.

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  10. Precisamente, não concordo consigo quando defende "que quanto mais próximo a uma instituição bem sucedida como o Sporting Clube de Braga, mais votos atrairá a si". Não só não estou nada convencido dessa relação causal, como não a defendo, como já expliquei.
    A cidade é uma coisa, o clube outra. Vivo em Braga, sou bracarense, nado e criado por uma geração de bracarenses que antes já tinha sido criada por outra geração de bracarenses, que antes já tinha sido criada por outra geração de bracarenses. Pelo menos isto.
    Gosto muito da minha cidade, e detesto certas coisas nela, ou melhor, o mal que lhe fizeram. E gosto do SC Braga. Mas sou do Sporting CP.
    GS

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    1. Caro GS, não se esqueça que a franja de eleitores esclarecidos e atentos às políticas autárquicas são uma percentagem não muito significativa do eleitorado, pelo que é necessário ser prudente a comunicar com os demais. Não digo, com isto, que o RR deva agora fazer promessas no sentido de apoiar o Sporting de Braga, apenas numa perspectiva eleitoralista, mas que não deve estar tão distante como por vezes parece. É apenas uma questão de comunicação. Pessoalmente, tenho receio do populismo que alguns já estão a preparar...

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