terça-feira, 18 de setembro de 2012

E se aparecer um candidato independente?

Segundo a TV Minho, poderá estar prestes a apresentar-se uma lista independente à Câmara Municipal de Braga, protagonizada por alguém "muito conhecido" e secundada por nomes credíveis.
Sendo positivo, em termos de cidadania e interesse pela causa pública, esta candidatura poderá ter escolhido a altura errada para se apresentar. 

A linha política desta eventual lista vai centrar-se seguramente na política urbana, na tentativa de conquistar os descontentes eleitores, em particular os mais atentos às questões essenciais. Como sabemos, os eleitores com este perfil tendem a votar na coligação Juntos por Braga, a única alternativa que efectivamente pode destronar o actual estado de coisas.
O eleitorado do PS continua a viver à custa das freguesias suburbanas e tendencialmente rurais. São pessoas afastadas das questões friccionantes da política municipal. E vão continuar a votar PS, independentemente de quem se apresente como candidato.
Ao contrário do que possam pensar, as pessoas que enventualmente se associarem a este projecto, o maior beneficiado vai ser quem ocupa actualmente o poder, ou seja, o Partido Socialista. Em vez de contribuírem para uma efectiva mudança, esta lista arrisca-se a ser um factor de continuidade. Conseguem escassos lugares na Assembleia Municipal e entregam de bandeja a vitória a quem pretendem combater.
Não seria mais sensato dar um voto de confiança a quem se oferece como alternativa neste momento, e avaliar depois se efectivamente saíram defraudados nas suas expectativas?
Não entendo...

4 comentários:

  1. Por acaso acho que a expressão "voto de Confiança" para o Ricardo Rio, é bastante apropriada.
    Também se podia apropriar ao mesmo candidato um "Voto de centro de estágios do SCB".


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  2. Tenho opinião bem contrária. Num momento em que os partidos estão descredibiliXados perante a sociedade, as listas independentes só têm a ganhar.
    Eu proprio voto neles sem sequer olhar para o programa, afinal de contas os outros tambem nunca cumprem o programa.
    São precisas caras novas, e dos outros candidatos nenhuma cara é nova.

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  3. Eu acho que os candidatos independentes não têm hipótese nem credibilidade até porque a não ser que essa candidatura seja do Rui ou de alguém parecido, nunca se ouviu ninguém a falar sobre os assuntos de Braga que não os que estão nos partidos em actividade.
    O nome de que a TV Minho fala é provavelmente o António Salvador e deve ter por base a sondagem que andaram a fazer cá em Braga em Julho (em que ele aparecia em oposição ao Ricardo Rio).
    Mas se nem o Pinto da Costa ganharia a Câmara do Porto, quanto mais o Salvador em Braga... O PC ainda sabe falar!
    Eu discordo de si é quanto ao candidato do PS. O desafio mais estimulante seria Rio contra Alpoim.
    É claro que nessa altura virão à baila os múltiplos casos apresentados pelo Correio da Manhã, os negócios do Retail Park e das Sete Fontes, as amizades com certos empresários de Braga e tudo o mais que os camaradas Vítor Sousa e Hugo Pires devem ter no arquivo.
    Mas de todos os possíveis candidatos do PS é o mais sóbrio, o mais inteligente e o mais capaz para governar uma câmara como Braga. Falta saber se o Mesquita quer ou pelo menos deixa.

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  4. Ainda que perceba alguns dos argumentos, parece-me que exagera na conclusão. Acredito que uma eventual candidatura independente possa ter maior apoio no eleitorado urbano, mas não percebo porque desconsidera a eventual erosão do eleitorado socialista urbano. Será que esta candidatura não será igualmente erosiva? Julgo que sim. Naturalmente que será mais perigosa para quem precisa de ganhar terreno, mas não será com toda a certeza indiferente a quem precisa de sustentar o poder. Isto partindo do principio que se trata de uma candidatura séria, porque se for uma barriga de aluguer nem vale a pena perder tempo com ela. Para já, mais importante de pensar nos eventuais efeitos dessa candidatura é pensar no porquê da sua necessidade. Eu que votei Ricardo Rio, e tenciono votar nele novamente, considero que deveria ser essa a preocupação. Julgo mesmo que houve um erro estratégico do PSD que vai prejudicar Ricardo Rio. Ao não ter realizado um debate interno sobre as candidaturas, o PSD não deu a Ricardo Rio uma legitimidade alargada. Julgo que se esse debate tivesse sido realizado o resultado teria sido o mesmo, mas Ricardo Rio teria podido apresentar-se como um candidato diferente. Como disse tenciono votar em Ricardo Rio, mas acho que a coligação precisa urgentemente de dar sinais de mudança. Precisa de uma renovação de ideias e protagonistas. Ideias apresentadas pela positiva e pessoas que tragam coisas novas à lista para a CMB. Percebo que as dúvidas sobre a legislação eleitoral tivessem condicionado a estratégia, mas resolvida essa questão não deveriam perder tempo. Todos esperamos que Firmino Marques seja uma das caras dessa renovação, mas não me parece que seja suficiente. É importante abrir espaço a independentes, mas é importante que esses independentes estejam em lugares elegíveis. É que se o Miguel Bandeira foi uma enorme e agradável surpresa nas últimas eleições, acabou por saber a pouco e hoje já não será novidade a não ser que apareça na lista para a CMB. Muito mais complicado seria apresentar como mandatário o Tarroso da Velha-a-Branca, mas não acredito que seja fácil. Mais do que se preocupar com uma eventual candidatura de independentes, a coligação deveria pensar como responder aos eleitores que ainda não se revêem no seu projeto. Ou seja, responder a essa angústia retirando-lhe o espaço.

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