domingo, 16 de setembro de 2012

És de Braga, deixa a porta aberta...


A rua nova no século XVIII, com a Porta Nova (ainda sem o Arco) assinalada.

É frequente ouvirmos dizer "És de Braga, deixaste a porta aberta", associando aos bracarenses o facto de se esquecerem das portas escancaradas. Correm algumas versões para justificar este dito. A mais conhecida diz que os bracarenses foram pioneiros em deixar as portas das muralhas abertas. 
No início do século XVI, o Arcebispo D. Diogo de Sousa lembrou-se de abrir uma nova porta – ainda hoje conhecida como a Porta Nova - na muralha. O objectivo era completar a rua do Souto, com a abertura da rua Nova, criando uma zona comercial na cauda da rua e uma porta que permitisse aceder à zona extra-muros. Só que, como já não havia guerras e como a cidade já se estendia para fora dos muros, não colocou nenhuma porta de madeira. Como as outras sete portas ainda eram fechadas ao fim do dia, esta foi uma excepção para aquele tempo. A partir daí, diz-se os bracarenses ficaram conhecidos por deixar a porta aberta…o que ainda era dado a preconceitos. Nunca se sabe quando surgiria uma horda de castelhanos de surpresa.
A outra hipótese, mais plausível a meu ver, diz que, como no Minho há um grande espírito comunitário entre os vizinhos, e todos se conhecem e sabem da vida uns dos outros, as pessoas não se preocupavam em fechar as portas de casa. Desta forma os vizinhos sentiam-se em casa e entravam e saíam conforme lhes apetecesse. Isso, de facto, ainda hoje se verifica em algumas terras minhotas, daí pensar que é a mais provável. Os bracarenses de gerações pouco recuadas ainda tinham o hábito de deixar a porta aberta.

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