sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O turismo em Braga está bem e recomenda-se?

O Bom Jesus recebe um milhão de visitantes/ano, mas poucos pernoitam em Braga
No Dia Mundial do Turismo, que se assinalou ontem, ficamos a saber que “o turismo em Braga está bem e recomenda-se”. Esta surpreendente afirmação é do vice-presidente responsável pelo pelouro do Turismo da Câmara Municipal de Braga, Vítor Sousa. Baseando-se no aumento de 22% de turistas que passaram pelo posto de turismo, este responsável regozija-se pelos dados estatísticos referentes a 2012 e dá a entender que não é preciso fazer mais neste âmbito.
A Capital Europeia da Cultura, que se realiza em Guimarães, cidade que detém cerca de metade da capacidade hoteleira de Braga, deverá ser uma das promotoras mais directas deste aumento. A Capital Europeia da Juventude que, com as iniciativas internacionais e nacionais que promoveu, acabou por povocar um aumento directo no número de dormidas, também não foge a esta equação. Outro dado que terá constribuído é o aumento exponencial do turismo no Porto, que afecta também Braga, dado que os operadores turísticos locais trazem os visitantes à Capital do Minho e a Guimarães, para os ocupar durante um dia. Quer isto dizer que os hóteis bracarenses quase não beneficiam deste aumento registado no posto de Turismo, dado que muitos destes turistas não pernoitam em Braga, nem gastam o seu dinheiro nos nossos restaurantes e no comércio tradicional, tanto como poderiam…

Se Braga tivesse um plano estratégico para o turismo, que não tem, poderia potenciar os ganhos económicos neste sector e capitalizar em novos empregos e no aproveitamento directo das instituições culturais da cidade. Sem uma aposta declarada em grandes eventos anuais, com a respectiva divulgação internacional (até agora apenas a Semana Santa adquire projecção), e sem convcar os agents ligados ao património e à cultura para uma estratégia comum, dificilmente a cidade poderá dizer que o turismo está bem e recomenda-se. Aliás, olhando para a forma como os responsáveis autárquicos olham para o património cultural e monumental, não podemos dizer que estamos bem. Recorde-se um dos propósitos inscritos no programa eleitoral de Mesquita Machado para este mandato: a musealização da ínsula das Carvalheiras e do Teatro romano.

Braga deveria aprender a explorar os recursos históricos e patrimoniais que detém, tais como o legado da época romana e os monumentos do período barroco. Onde estão as iniciativas culturais, visitas frequentes ao património, colóquios e congressos históricos, interacção com a Arquidiocese (que detém a maior parte do património construído), divulgaçao nacional e internacional ou a elaboração de pacotes conjuntos Theatro-Circo/Hóteis/Festivais culturais?

Recorde-se que foi Vítor Sousa quem afirmou que as Festas de São João, que já foram o maior evento anual da cidade,  não precisavam de mais turistas, porque já tinha muitos…
Mais do que falta de ambição, isto revela ausência de criatividade e de quadros técnicos capazes de promover um plano estratégico em turismo. Pergunto-me quantos licenciados ou pós-graduados em turismo trabalham na Câmara Municipal de Braga?

Será mesmo verdade que o turismo em Braga está bem e recomenda-se? Pese alguns méritos anunciados ontem, ainda temos muito caminho a trilhar. Perguntem aos especialistas e académicos em turismo da nossa região, o que pensam sobre o caso paradigmático de Braga…

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