segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Petição pela Fonte dos Sete Castelos

A fonte denominada dos “Sete Castelos”, colocada destacadamente ao centro do Largo do Paço, é uma obra da autoria de Marceliano de Araújo, a mando do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles no distante ano de 1723. A iconografia utilizada nesta obra barroca pretende aludir ao brasão de fé do arcebispo, que é representado pelos sete castelos decalcados das armas da família Moura, dos marqueses de Castello Rodrigo.
Dada a valia deste exemplar patrimonial, cabe-me como cidadão, pedir à autarquia - principal zeladora por tudo o que pertence ao domínio e interesse público no município - que empreenda algumas acções que devolvam a dignidade a este monumento:
  • retirar os postes e arames que apenas têm utilidade durante as Festas de São João, Semana Santa e Natal. É incrível como ninguém se preocupa em retirar estas estruturas, apenas para poupar trabalho...
  • voltar a abastecer de água: desde que cortaram a canalização das Sete Fontes, numa das muitas obras de regeneração urbana feitas nos últimos 20 anos, que a fonte ficou seca. Trata-se de um dos principais monumentos barrocos de Braga. Não se entende...
  • remover os balões sanjoaninos: mesmo sendo um dos entusiastas da iniciativa da CEJ durante a véspera de São João, em que a cidade amanheceu submersa em balões coloridos, já não sou capaz de entender que os "cadáveres" dos mesmos continuem por retirar. Tal como acontece na fonte dos Sete Castelos... (Fui informado que os balões já foram retirados! Faça-se justiça. Bem haja por o terem feito. A este propósito recordar que a foto em cima foi tirada na passada quinta-feira!)
Há uns anos era o cimento armado visível entre os blocos do tanque, que uma reconstrução pouco profissional havia proporcionado, depois a falta de iluminação nocturna... Até os frequentes descuidos da empresa de iluminações se expandem neste importante espaço urbano, junto do edifício que foi durante seis séculos o segundo mais importante da cidade: o Palácio dos Arcebispos.

Para quando mais dignidade para o Largo do Paço?

3 comentários:

  1. A resposta é : uma incógnita. Não conhecia a denominação de " Fonte de Sete Castelos." Recuperação do sistema das Sete Fontes deveria ser uma obrigação da Autarquia; deveria ser porque se fala de património, é homenagem ao Barroco em Braga. Este e outros, são Monumentos, e como tal fazem parte das memórias dos nossos antepassados e fará parte das memórias dos nossos netos.
    Fernando Moreira
    P.S.Desejo bom trabalho ao Rui nessa sua demanda, um Abraço para si !!!!

    ResponderEliminar
  2. Descrição no Livro da Cidade (1737):

    "Tem o chafariz que está defronte da galeria dos paços Arcebispais, o qual está assentado sobre um pátio para o qual se sobe por 3 degraus, de todas as partes oitavados de triângulos, nele está assentado um tanque que corre as mesmas linhas que tem 3 palmos e meio de alto, com sua moldura muito bem feita, o qual terá de circunferência 70 palmos. Do meio deste tanque nasce um pilar para receber a taça, no qual serve de adorno 4 atlantes que recebem nas costas, a qual é do mesmo feitio do tanque e das escadas oitavadas de triângulos. Tem esta taça 6 bicas metidas nas bocas de 6 carrancas e sobre cada uma é um castelo com suas ameias. Do meio desta taça se levanta outro castelo também oitavado de triângulos sobre o qual está uma peanha com 6 bicas com 6 bicas pequenas de esguicho em roda por onde espirra água para cima e sobre a dita peanha assenta uma figura de pedra vestida a trágica, em pé com uma esfera sobre a cabeça. Destas 6 bicas da peanha cai água na referida taça e dela se despende ao povo por outras 6 bicas de bronze que ela tem, que a colhem por canos compridos e os reditos se recolhem no dito tanque. Neste chafariz, seus castelos e esferas
    se simbolizam as armas do ilustríssimo senhor D. Rodrigo de Moura Teles, arcebispo e senhor que foi desta cidade e arcebispado, o qual mandou fazer neste lugar donde tiraram um outro que nele se encontrava, que mandou meter dentro do terreiro do seu paço para onde vão as vertentes do mesmo chafariz. A água deste chafariz vem da primeira caixa geral da cidade, por aquedutos e repuxos e do mesmo chafariz vai para outros aquedutos para a cozinha do paço dos arcebispos além das por onde vão as vertentes. Terá este chafariz 37 palmos. Toda a obra deste chafariz é perfeitíssima e a
    segunda em ordem ao chafariz da Porta do Souto, na forma como vai descrito".

    ResponderEliminar
  3. É raro deitar água, mas ela não está seca há 20 anos. Volta meia volta, raramente como disse, lá está ela a deitar água. Não faço é ideia porquê!

    Esta, como todas as fontes da cidade, deviam estar a funcionar, e sempre que possível a funcionar com água potável, um pouco à imagem de Roma.

    ResponderEliminar