quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Benditos suevos...

Recentemente, um certo senhor da arqueologia brácara renovou a sua posição quanto às reclamações de muitos cidadãos bracarenses quanto à destruição de vestígios arqueológicos encontrados no decorrer dos projectos "A Regenerar Braga". O argumento utilizado é o facto desses elementos se referirem ao início do século XX e não se justificar a sua conservação.
Ora, se os suevos - contemporâneos dos romanos - tivessem pensado assim, talvez hoje não restasse nada de romano para nós descobrirmos. Não teríamos vestígios das termas, do teatro, da domus da Escola da Sé, nem as Frigideiras do cantinho teriam tido a oportunidade de fabricar o seu bolo romano, adequando-o ao contexto do seu subsolo.
Os suevos foram o povo que sucedeu aos romanos na cidade de Braga. Provavelmente não teriam grande sensibilidade para a arqueologia, como os cidadãos de hoje felizmente (infelizmente para alguns...) têm. Mas também não promoveram destruições inúteis de estruturas que, se calhar, já nem utilizavam... Benditos suevos!

Será que esses vestígios "recentes" não poderão constituir-se essenciais para as futuras gerações de bracarenses? Não teremos nós a missão de salvaguardar a arqueologia do futuro? Não terão os cidadãos o dever de dar a sua opinião, mesmo que isso pareça incomodar algumas pessoas?

O mercado das flores não é só em Amesterdão

Amesterdão é a cidade afamada pelo mediático mercado onde só se vendem flores. Braga, porém, durante dois dias no ano, tem também o seu mercado das flores, mais modesto, mas tradição a salientar. 
A Praça do Município veste-se de um colorido inusitado e, desde há cinco décadas, oferece aos bracarenses a oportunidade de decorarem os cemitérios com as flores selectas do mercado aqui instalado. Mesmo para aqueles que consideram esta época um pouco confrangedora, devido à ida aos cemitérios, trata-se de uma tradição aliada ao povo português e que tem no Minho uma expressão elevada. A homenagem aos ente-queridos funciona como catarse e tem raízes nas primitivas tribos que nos antecederam. Os romanos tratavam a morte com enorme dignidade e foi o Minho que derrubou um governo por causa do cesar dos enterramentos nas igrejas... 
Este mercado das flores à moda de Braga é uma curiosa tradição que vale a pena apreciar, desfrutar e valorizar.

(publicado em 31 de outubro de 2011)

O fim das editoras bracarenses

Com o encerramento das míticas livrarias Pax e Cruz, e com o fim do consulado do comendador Felix Ribeiro na APPACDM, que com frequência apoiava a edição de livros sobre Braga, o marasmo cultural acentuou-se na cidade augusta. Pontualmente a Câmara Municipal apoia a edição de algumas obras e a Universidade do Minho, por iniciativa do centro de investigação ligado ao Instituto de Ciências Sociais, vai promovendo algumas publicações...
Definitivamente é pouco para uma cidade com a grandeza histórica, cultural e patrimonial de Braga.
Recentemente, Ricardo Rio comentou este défice, prometendo a edição de um livro por ano. Pessoalmente iria mais longe em número de edições, e procurava "ressuscitar" a revista Bracara Augusta, autêntica referência cultural bracarense.
Uma cidade sem editoras reflecte bem a "doença" de que a sua vertente cultural padece...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Há uma agulha no meio do palheiro....

É discutível em termos estéticos, mas como diz o povo "gostos não discutem". O palácio do Raio está a receber um novo pátio e escadaria, iniciativa integrada nos denominados programas "A Regenerar Braga".
Trata-se de uma iniciativa louvável e uma pequena gota no oceano de possibilidades de valorização patrimonial e cultural que poderia ter sido levado a cabo com os recursos dispendidos nestes projectos. Este sim um bom exemplo de regeneração, que nos pode fazer pensar em como teriam sido úteis estes projectos se o critério fosse sempre a valorização...

Pena a pedra ser ligeiramente diferente da que adorna a fachada rococó de uma das principais obras-primas de André Soares. Mas, como já nos habituamos, não podemos pedir de mais. Afinal só isto já é inovação!

PS - Já agora esperamos que voltem a colocar as fontes funcionais (com água!) - como aliás estavam antes das obras - e que coloquem um pouco mais de iluminação nas praças. Afinal também são para ser contempladas de noite...

António Braga é o socialista mais popular

Sucessão a Mesquita Machado não está a ser pacífica no seio do PS-Braga
A sondagem já referida, que o Diário do Minho comenta na sua edição de hoje, traça ainda a popularidade dos putativos candidatos PS à Câmara Municipal de Braga. Surpreendente ou não, o rosto mais conhecido é António Braga, com 17,9%. Segue-se Vítor Sousa com 16,2%.
Hugo Pires, com uma popularidade em crescendo, mas ainda desconhecido do eleitorado menos urbano, aparece a uma distância significativa - 7,7% - embora tenha do seu lado a vantagem de poder incrementar a sua visibilidade. Na cauda dos aspirantes surge, sem surpresa, Nuno Alpoim com 4,7% e o independente José Mendes com 3,8%. Cerca de 46% não têm opinião!
Este último dado é o reflexo mais nítido de uma gestão autocrática dos últimos 36 anos, em que os poucos que aspiraram a um pouco mais de protagonismo foram sendo afastados para cargos dourados nas empresas municipais, de forma a não criar sombra. Esta opção deliberada de Mesquita Machado poderá custar caro ao seu partido de eleição.
Hoje, em Braga, há algumas pessoas muito mal dispostas e com alguma azia... Ganham as farmácias, com o incremento das vendas das marcas Compensan ou Rennie...

Ricardo Rio é o preferido para a Câmara Municipal

Passagem de testemunho em 2013?
Uma sondagem da Aximage para o Diário do Minho, tendo em vista as próximas autárquicas, coloca Ricardo Rio na frente com 42,6% de intenções de voto, seguido por um Partido Socialista ainda sem rosto, com 37,8%. É a primeira vez que um estudo de opinião dá uma vantagem tão significativa ao candidato apoiado pela coligação de direita.
Apesar da vantagem ser curta - cerca de 5% - começa a ser significativo o facto de Ricardo Rio, e a coligação que representa, terem do seu lado uma dinâmica de vitória e se afirmarem como os protagonistas de todos os que ambicionam uma política diferente para Braga.
A dinâmica de vitória está do lado da coligação Juntos por Braga, e isso pode ser factor essencial para derrotar os 37 anos de social mesquitismo.
Falta apresentar um verdadeiro plano estratégico para o município, com ideias muito claras e projectos enraizados na argumentação apresentada. De preferência com maior antecedência que o apresentado em 2009. Conquistar a "massa cinzenta" de Braga pode ser factor essencial e determinante para a primeira vitória laranja na autarquia bracarense.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sobre a Academia de futebol do Braga?

Em declarações recentes, António Salvador voltou a referir-se ao sonho da constituição de uma academia de futebol, valendo-se de uma promessa feita por Mesquita Machado ao maior clube do Minho.
Trata-se de um equipamento que, para além de aumentar os activos do clube, pode ser fundamental para a sustentabilidade futura do Sporting de Braga. Todavia, é essencial seguirmos com atenção este processo. A este propósito, e como cidadão e municípe, deixo algumas questões pertinentes:
  • Que terrenos pensa doar a autarquia? 
  • Quanto vão custar? 
  • Que critérios vão ser utilizados na escolha dos terrenos a adquirir? 
  • A quem pertencem estes terrenos? 
  • Existe alguma ligação familiar ou económica entre os detentores dos terrenos a adquirir e os implicados neste processo?

Estaremos muito atentos a este propósito...

Braga visita Pampilhosa (do Botão)

Na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal, o tal troféu conquistado em 1966, o Sporting de Braga visita o terreno do Pampilhosa (Mealhada), da 2.ª divisão, um confronto que abre caminho à próxima eliminatória, após dois anos consecutivos a visitar, nesta fase, o terreno de um dos grandes.
A partida deve realizar-se a 18 de novembro e confirma a festa e intercâmbio que o futebol pode ser na nossa unidade nacional.
Que muitos bracarenses vão à Pampilhosa e aproveitem para conhecer as belas terras do interior do distrito de Aveiro.

PS - Não confundir Pampilhosa (do Botão) - como aqui o fizemos - com  Pampilhosa da Serra. O Braga vai efectivamente a uma freguesia da Mealhada, muito bem servida pelos caminhos de ferro.

O canudo está de regresso!

O lugar do monóculo está agora decorado com cadeados "do amor"
No próximo sábado, a Confraria do Bom Jesus do Monte vai apresentar o renovado "canudo" que vai permitir cumprir um dos mais famosos ditos bracarenses. A pérgola onde outrora se podia ver Braga através de um monóculo está vazia há alguns anos. No mesmo local pegou a moda dos cadeados  do amor, algo que também pode ser visto no renovado Toural em Guimarães. Modas...
Já algumas vezes anunciado, este regresso é uma boa notícia para Braga, para os bracarenses e para os turistas e permitirá mais uma receita extra para a confraria.

O teimoso, o lampião e o super-goleador

O Sporting de Braga venceu esta noite por 2-0 no estádio dos Barreiros, frente ao Marítimo, na ressaca de mais um desafio europeu.
Num jogo longe do brilhantismo de outras partidas, destacou-se o facto do treinador bracarense repetir os erros exibidos em casa frente ao Olhanense e em Manchester. Salino e Elderson, mesmo depois de duas exibições desastrosas consecutivas - confirmadas pela imprensa da especialidade - voltaram a ser titulares e nem o desgaste europeu chegou de justificação a Peseiro para os recambiar para o banco de suplentes. Ruben Micael, o preferido, também voltou a figurar como titular, relegando o "fresco" Mossoró uma vez mais para o banco. Não se entende esta teimosia... Não fosse igual desgaste da equipa da casa e o resultado poderia ser outro.
Outro dos factores que condicionaram a partida foi a encomenda, vinda directamente do clube do Alto dos Moinhos, para "arrumar" com o Braga. Uma das equipas mais disciplinadas da Liga viu 8 dos seus jogadores amarelados, muitos ainda na 1.ª parte. Nem as rídiculas e injustificadas reclamações do Marítimo no segundo golo bracarense servem para mascarar o apito anti-Braga manifestado esta noite. Preparem-se os bracarenses para as cenas dos próximos capítulos...
Por último, é inevitável ressaltar o super Éder, cada vez mais assertivo e com uma capacidade e talento acima da média. Não foi apenas o autor dos dois golos, mas um verdadeiro maestro da equipa. Sempre que a bola lhe chegava aos pés, estava confirmada a magia!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Cidade de Braga escolhe Rio como presidente

Registo das votações nas últimas duas autárquicas na área urbana, considerando as sete freguesias do centro e Dume, Frossos, Fraião, Lomar, Nogueira, Nogueiró, Real, Ferreiros, Lamaçães e Gualtar.

Registo das votações nas últimas duas autárquicas na área urbana, considerando apenas as sete freguesias do centro: Sé, Cividade, S. João do Souto, S. Lázaro, S. Vicente, S. Victor e Maximinos.

Sondagem Maior: Hugo Pires "goleia" Vítor Sousa

© Revista "Sim"
Durante os últimos 16 dias disponibilizamos no blogue Braga Maior uma sondagem que confrontava os dois plausíveis candidatos a candidatos pelo PS à Câmara de Braga.
Até ontem os resultados apontavam 76% de opiniões favoráveis à candidatura de Hugo Pires e apenas 23% favoráveis a uma lista encabeçada por Vítor Sousa. Hoje, por alguma inexplicável situação, a sondagem desapareceu do blog, sem que o administrador deste blogue tenha tido qualquer influência nesse facto. Uma triste coincidência que não pode deixar de ser estranha...

Facto indesmentível é a preferência dada a Hugo Pires pelos leitores deste blogue, talvez conscientes da necessidade de um debate equilibrado entre o candidato Ricardo Rio e uma facção do partido que se proponha renovar a desgastada gestão socialista; ou apenas devido à consciência de que a ética e os valores devem estar pressupostos em alguém que se proponha ser presidente deste município... por mais fortes que sejam algumas ambições familiares.
Esta sondagem apenas contemplava os dois únicos nomes saídos da lista vencedora das eleições concelhias, dado que António Braga já não parece ter condições para se candidatar, a não ser que as suas ambições pessoais colidam com o debate interno do seu próprio partido. Nuno Alpoim também parece estar distante desta corrida. Caso concorresse, imediatamente lhe perguntaria o que fazia em relação às Sete Fontes? Quanto ao independente José Mendes não parece contar com unanimidade no seio do PS, ainda para mais numa secção com tantos militantes e tantos protagonismos.

Desconheço os motivos do desaparecimento da sondagem, mas parece-me que o facto de alguém se ter dado ao trabalho de bloquear a mesma é sinal da responsabilidade cívica crescente deste blogue.
É bom que os ânimos se acalmem no Partido Socialista bracarense, para o bem de Braga e da democracia.

Podem comprar-se votos com bolas, aventais e, até, electrodomésticos, mas a liberdade de pensamento e a sensatez não se compram de qualquer maneira. Por isso mesmo estou certo que as próximas autárquicas vão ser a prova real da maturidade democrática dos bracarenses, e a derrota inequívoca do populismo

Será desta Mesquita?

Uma das grandes medidas ratificada ontem na reunião de vereação da Câmara Municipal de Braga foi o avanço das obras de construção do parque do Monte Picoto. Trata-se de uma excelente notícia com 30 anos de atraso. As obras começam até ao fim do ano e contam com financiamento europeu. Independentemente das trapalhadas originadas pela expropriação de terrenos, é essencial para Braga ter mais parques urbanos, para acrescentar ao único que tem e que foi inaugurado há quase um século! Será que é desta que Mesquita Machado consegue inaugurar um espaço verde em Braga?

Outras novas resultantes desta reunião foi o facto de se ter comentado finalmente a ausência e insuficiência de iluminação nocturna em muitas zonas da cidade e o "mau" granito aplicado nos projectos "A Regenerar Braga", em observações feitas pela coligação Juntos por Braga.
Lamentável a rejeição de responsabilidade dos assaltos no cemitério, da parte do próprio proprietário, atirando culpas para a PSP. Efectivamente Mesquita Machado precisa de reformar-se, para o bem de todos nós...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Memória Maior: Venha isso!

In: O Bracarense, 22 de junho de 1858

Ângulo Maior: à espera de um novo nariz

© Rui Ferreira 2012

A estátua do rei D. Pedro V, da autoria de Teixeira Lopes pai, perpetuando na cidade de Braga um dos reis mais chorados de Portugal, está sem nariz há algum tempo. Uma infeliz pedrada ou apenas vicissitudes do abandono a que esta bela praça está votada...

Porque não classificar a Arcada?

© Rui Ferreira 2012


Trata-se do edifício mais conhecido de Braga, ponto de encontro dos bracarenses, berço das tradicionais tertúlias. Aqui vive Braga. Se as cidades fossem como os nossos corpos, a Arcada seria, certamente, o coração de Braga. E esta construção até nem tem, aparentemente, grande valia em termos arquitectónicos, todavia foi sendo, desde o século XVI, local de grande movimento comercial e viu surgir à sua volta os edifícios mais relevantes da cidade durante o século XIX. 
Foi D. Diogo de Sousa que transformou esta zona da cidade em ponto de encontro comercial, ao mandar construir o mercado do Pão junto da Porta do Souto, sensivelmente no local onde se localiza hoje o Largo do Barão de S. Martinho. E, já no tempo do arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus(1588-1609), é colocada, defronte do local onde se situa a Arcada, um elegante fontanário (hoje no Campo das Hortas) que, além de atestar a importância que o local já granjeava, demonstra a importância populacional do Campo de Santana nesta época, uma vez que a necessidade de abastecimento de água era sinónimo da elevada fixação de populações na zona abrangente. Hoje observamos um conjunto de edificações apoiadas sobre um piso térreo onde surgem as famosas arcadas, encontrando-se ao centro uma pequena igreja neoclássica, tendo ainda no cimo um conjunto de habitações extremamente peculiar. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Guerreiros até ao fim

© www.maisfutebol.iol.pt
O Sporting de Braga perdeu esta noite frente ao Manchester United. Resultado que não surpreende para quem não viu o jogo. O maior clube do Minho chegou a estar a ganhar por 2-0, cenário pouco expectável, mas que os guerreiros tornaram real. Alan finalizou duas vezes, com o auxílio do talento dos companheiros de equipa. Não fosse o desacerto dos laterais e as substituições tardias e o resultado poderia ser outro.
O Manchester deu a volta e garantiu o triunfo por 3-2.
Fica a honra e uma exibição que afirma esta equipa na Europa.
Parabéns guerreiros!

Ângulo Maior: o Rei David dança todo o ano

Museu Nogueira da Silva (Rui Ferreira, 2012)

Guerreiros no Teatro dos Sonhos

Esta noite o Sporting Clube de Braga entra em campo no mítico estádio de Old Trafford, para defrontar um dos maiores clubes do mundo. Um cenário inimaginável há uns anos atrás, que deixa os verdadeiros bracarenses com muito orgulho da instituição mais representativa do seu município. No teatro dos sonhos queremos todos sonhar!
O nome de Braga há-de circular em muitas televisões, jornais e sites de todo o mundo, confirmando a importância que o sucesso do clube tem na projecção internacional da cidade.
Por isso mesmo, é difícil entender aqueles que criticam o facto da Câmara Municipal garantir todo o apoio ao clube e SAD da qual, curiosamente, também é detentora. Se a publicidade do nome da cidade não serve de garantia; se os empregos criados devido aos que nos visitam por causa dos desafios internacionais; se a alma que o clube devolve à cidade de cada vez que triunfa, não servem de justificação, então não entendo o que servirá.

É tempo de apoiar o clube da cidade e do município. É tempo de entender que o dever de uma autarquia é patrocinar as suas instituições. É tempo de deixar de ficar amuado porque o maior clube do Minho ousou desafiar desportivamente os seus clubes do coração, que curiosamente estão sediados em outros municípios...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

S. Martinho de Dume e os dias da semana

In: Diário do Minho, julho de 2011

E esta hein?

Alex Ferguson é o treinador mais bem-sucedido da história do futebol
«Braga é a terceira melhor equipa portuguesa ... e merecia ter ganho o jogo frente ao Benfica (1.ª jornada)»
Alex Ferguson, treinador do Manchester United

Braga, a cidade das fontes sêcas...

A fonte do Campo das Hortas também ficou desprovida de águas com as obras de "regeneração"
As monumentais fontes da cidade dos Arcebispos são uma das imagens de marca das principais praças do centro histórico. Em outras cidades vemos estátuas ou elevados obeliscos. Em Braga admiramos fontanários artisticamente elaborados e que se destacam nos conjuntos urbanos em que estão implantados. Alguns pertenceram a conventos, outros sempre tiveram a missão de dar de beber aos bracarenses.
Mesmo sem essa função utilitária, merecem ser expostos com dignidade. Já aqui falamos do caso da fonte do largo do Paço e da fonte dos Granjinhos. E outros há que explorar...
Porque estão as fontes de Braga sem água? Porque cortou a Câmara Municipal as condutas que traziam água de nascentes para estas fontes, sem encontrar uma alternativa para o abastecimento das mesmas?
A fonte do campo das Hortas, sem dúvida a mais importante de Braga (dado que se encontrou diante da Arcada ao longo de quatro séculos), também está desprovida de água.
Após as recentes obras de regeneração, a fonte do largo Carlos Amarante também passou a estar sêca. Se formos a grandes cidades como Roma, Madrid ou Paris, veremos que as fontes que adornam as suas praças estão devidamente valorizadas. Nem precisamos de ir muito longe, basta ira a Guimarães ou a Barcelos para perceber como se respeitam fontanários históricos, também eles monumentos.

Será isto Regenerar Braga?

domingo, 21 de outubro de 2012

Uma associação para Braga e os bracarenses

Foi hoje apresentada à cidade a Associação Braga+ (Cultura, Património e Cidadania). Do alto da Torre de Menagem emanaram grandes ideias e muitas vontades de trabalhar em prol da nossa cidade!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Braga vinga 2001/2002

Não era de boa memória este adversário, dado que no último confronto com o Sporting de Braga para a Taça de Portugal, o saldo foi seriamente negativo. Jamais esquecerei aquele jogo...terá sido a derrota pior de engolir da minha história como associado do maior clube do Minho. Final da Taça adiada, Taça UEFA a voar, e sentença na continuidade do Cajuda...ainda por cima frente a uma equipa da II Divisão B.
Desta vez a história foi diferente e o Braga bateu o Leixões por 3-0, mesmo que tenha tido que esperar pelo prolongamento e pela entrada dos jogadores chave da equipa. Hugo Viana, Ruben Micael e Éder fizeram o gosto ao pé e terminaram com a ansiedade bracarense (assobios muitos ao intervalo).
O melhor em campo estava a ser o guarda-redes do Leixões, Rui Sacramento, até ao monumental frango no primeiro golo arsenalista.
Mesmo com uma exibição cinzenta, o objectivo foi almejado e estamos na próxima eliminatória da Taça! Este ano é que é! Força Braga!

PS - Porque demora tanto Peseiro a mexer na equipa? Já se percebeu que olho para as susbstituições e sentido de oportunidade tem pouco... Tomara que não lhe faltem outras qualidades.

Funicular do Bom Jesus em vias de classificação

Trata-se de mais uma excelente notícia para o património brácaro: o funicular do Bom Jesus, exemplar raro no âmbito dos transportes movidos a água, vai ser classificado como monumento de interesse público.
O processo de classificação, que se arrastava desde o ano 2000, altura em que a ASPA fez a proposta, entrou agora na sua fase de finalização, após o aval dado pelo Conselho Nacional de Cultura.
Este reconhecimento pode ajudar à candidatura do Bom Jesus do Monte a Património da Humanidade.
Recorde-se que o funicular do Bom Jesus foi o primeiro construído na Península Ibérica e, actualmente, é o único do mundo que ainda funciona pelo sistema de contrapeso de água.

Depois de um tempo de forte penúria no que toca à classificação de imóveis (ou móveis!), verificamos um inusitado acelerar de processos que estavam pendentes. Um aspecto muito positivo a ressaltar deste Conselho Nacional de Cultura. Os bracarenses do presente e do futuro agradecem!

Ângulo Maior: reconstrução da capela de S. Frutuoso






A capela de S. Frutuoso estava escondida, desde tempos imemoriais, no interior de um convento franciscano. Foi Ernesto Korrodi quem alertou para a importância artística desta capela nos finais do século XIX. A partir daí seguiram-se debates entre os pensadores bracarenses e uma polémica reconstrução, levada a cabo na década de 1930 pelo arquitecto Moura Coutinho. Aqui ficam os testemunhos fotográficos da Direcção Geral dos Monumentos Nacionais.

São Frutuoso: Câmara chamada "à pedra"

Ficamos ontem a saber que a Direcção Regional de Cultura do Norte chamou a Câmara Municipal de Braga para uma reunião de urgência devido à abertura de um caminho na zona especial de protecção da Capela de S. Frutuoso.
Este caso, para além de atestar a falta de sensibilidade para com o património que tem abundado na acção autárquica bracarense - dado que se sacrificou um aqueduto oitocentista e um caminho presumivelmente romano - mostra como uma cidadania activa pode ser decisiva para que as leis sejam cumpridas.
Não fosse a denúncia de um cidadão e de uma associação (o Ricardo Silva e a JovemCoop) e a estrada teria sido construída à margem da lei e do respeito pelo património.

A pergunta que fica é esta: quantas atrocidades contra o património já foram perpretadas em Braga, pelo simples facto de nenhum cidadão atento as ter denunciado?

São Frutuoso: recordar um homem


Hoje a Igreja Católica em Braga recorda uma das grandes personalidades da Alta Idade Média na nossa cidade e região: São Frutuoso, mais conhecido devido ao importante monumento de Montélios, cuja averiguação artística e histórica continua a suscitar mistérios.
São Frutuoso foi bispo de Braga entre os anos 656 e 665 da era cristã. Sabe-se, da vida deste prelado bracarense, que se dedicou à fundação de cenóbios em todo o território da primitiva província eclesiástica de Braga. A biografia escrita por S. Valério, para além de louvar as virtudes humanas deste santo, outorga-lhe a fama de instrutor do povo humilde e rude, à imagem de um dos seus mais célebres predecessores na cadeira episcopal, S. Martinho de Dume. Terá nascido na diocese de Astorga, no norte de Espanha, na região de Bierzo. Estudou na Escola da Catedral de Palência, onde adquiriu formação vasta em liturgia e humanidades. 
Depois de um tempo de peregrinação e recolhimento, São Frutuoso terá fundado inúmeros mosteiros por toda a Galiza, vindo parar ao cenóbio de Dume em 653, do qual foi Bispo, ascendendo daí à prelatura bracarense três anos depois.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma cultura de respeito pelo património

A recente denúncia da JovemCoop acerca das obras na Zona Especial de protecção da Capela de S. Frutuoso, monumento nacional, que terão dispensado a presença de arqueólogos, para além de patrocinar a destruição de elementos patrimoniais, veio atestar a falta de sensibilidade para estas questões da parte do executivo autárquico.
As últimas décadas estão cheias de casos, num cadastro pouco recomendável para uma cidade que se quer afirmar em termos culturais. Somos a terceira cidade do país é certo, mas sem a afirmação cultural não vamos a lado nenhum. Por isso mesmo urge fundar uma nova cultura de respeito e valorização do património, sob pena de nos deixarmos ultrapassar por outras cidades e de destruirmos o legado que garante a nossa identidade e continuidade como comunidade humana.
É certo que já há trabalho feito por associações e pensadores, mas é preciso muito mais. Infelizmente em Braga parece ainda haver pouca cultura democrática, verificando-se aspectos escuros e pouco nítidos, que provocam o silenciamento de alguma imprensa, a conivência de instituições que dizem defender o interesse público, e a pouca sensibilidade de grande parte da população para estas questões.
Apesar de tudo, o futuro está nas nossas mãos. Cabe a cada um lutar por esta nova cultura que pode tornar Braga bem Maior!

Evento Maior: Aldeia das Religiões

A paróquia de Priscos vai acolher entre 25 e 28 de outubro representantes de 32 confissões religiosas, uma iniciativa apoiada por Braga 2012 Capital Europeia da Juventude para promover o diálogo entre os diversos credos. Com uma vasta oferta de iniciativas religiosas, culturais e recreativas, a “Aldeia das Religiões” abre nos dias 26 e 27 de outubro, entre as 10h00 e as 22h00, e no dia 28, entre as 10h00 e as 18h00.
Depois do sucesso do Presépio Vivo ( e do pudim...), o nome de Priscos continua a circular pelo mundo. Um bom exemplo de dinamismo comunitário!

Braga com lucro de 5 milhões

Pelo terceiro ano consecutivo, a SAD do Sporting Clube de Braga alcançou um lucro significativo, confirmando a boa gestão financeira e desportiva do clube, protagonizada pelo seu líder, António Salvador. 5,09 milhões de euros foi a margem de lucro, para a qual contribuíram as vendas de alguns jogadores que renderam 13,65 milhões de euros.
Para desgosto de muitos - infelizmente até alguns bracarenses - o maior clube do Minho continua a dar sinais de crescimento, alcançando um patamar nunca antes almejado por clubes fora do eixo Sporting-Porto-Benfica. Nem mesmo o Boavista campeão chegou tão longe, mesmo beneficiando de certas regalias...
Estamos no caminho certo!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Candidato PS à Câmara: alguém acredita nisto?

No comments...

Memória Maior: uma porta original

A porta do antigo Seminário de S. Pedro, hoje no largo de Santiago
O Seminário de S. Pedro nos mapas de Braga em 1594 (cima) e 1755 (baixo)
Ruínas do seminário de S. Pedro (à esquerda), nos finais do século XIX
Foi no dia 14 de outubro de 1880, ou seja, há precisamente 132 anos, que o seminário de S. Pedro, fundado em 1560 pelo arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires, foi transferido do seu edifício no Campo da Vinha para o antigo colégio de S. Paulo, que até 1759 pertenceu à Companhia de Jesus.
Nesse dia realizou-se uma "espectaculosa procissão em que foi conduzida a imagem de S. Pedro, que se venerava, como padroeiro na capela do antigo seminário, incorporando-se na procissão cerca de 800 padres".
aqui falamos deste curioso e monumental edifício, que serviu ainda de asilo de mendicidade, até ser demolido nos inícios do século XX. O que resta, como testemunho da memória do antigo seminário de S. Pedro, é uma interessante porta renascentista, transferida para o "novo" seminário e onde pode hoje ser admirada. Basta ir ao largo de Santiago e contemplar este raro elemento de arquitectura renascença, felizmente conservado para os vindouros, que somos todos nós.

Ângulo Maior: nuvens sobre a bela Braga

© Rui Ferreira 2012
«Nuvens, cinzento... teu futuro incerto! De Braga oiço um lamento, triste balada que o vento, da cacilda dúvida gerou...»

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Uma cidade de costas voltadas com a Universidade

aqui comentamos a necessidade de criar pontes entre o centro nevrálgico de Braga e a zona onde está instalada a Universidade do Minho. Para além de explorarmos as iniciativas que poderiam ser tomadas para fomentar esta relação, que muitos benefícios poderia granjear à cidade, ficam alguns aspectos mais visíveis cuja resolução poderia auxiliar este objectivo.
A rua Nova de Santa Cruz é o mais vivo exemplo desta realidade. Não abordando a parte estética, dado que se trata de uma rua verdadeiramente "feia", há dois aspectos que exigem rápida resolução:
  • Com as questionáveis poupanças energéticas promovidas pelo município - que aumentam exponencialmente o sentimento de insegurança em muitas artérias da cidade - esta rua ficou praticamente às escuras. Dada a sua localização e o facto de ser o único acesso pedonal da universidade ao centro histórico, não poderia ter sido poupada a este apagão?
  • Se alguém quiser cumprir o bom civismo de não atirar papéis para o chão, vai encontrar algumas dificuldades nesta rua. Quase não existem caixotes para depositar o lixo! Numa rua onde circulam muitos peões ao longo do dia, não poderia haver maior sensibilidade para a colocação estratégica deste tipo de mobiliário urbano?

domingo, 14 de outubro de 2012

O nome de Braga na música portuguesa

Muitas cidades portuguesas, por via de algumas razões particulares, foram musas inspiradoras para artistas, músicos e poetas. Provavelmente Lisboa e Coimbra conseguem ter esse privilégio, mais que nenhuma outra em Portugal, tendo criado até tipologias musicais próprias.
A nossa cidade de Braga também desperta inúmeras paixões, porém faltou-lhe a arte. Não faltam cânticos de romeiros ou musicas tradicionais populares com referências ao nome da Augusta Cidade, todavia raramente esse reportório extravasou as fronteiras minhotas. Há algumas excepções. Aqui ficam, como contributo para o palpitar da alma brácara...

sábado, 13 de outubro de 2012

Braga, capital da Galiza

Para uns pode soar a um revivalismo falido, porém pode significar hoje uma grande oportunidade económica e cultural. 
Muitos galegos certamente conhecerão um pouco da sua história e saberão que Braga já foi o centro social e político da sua região. Recorde-se que os romanos fundaram a cidade de Bracara Augusta cerca de 16 a.C., obtendo um domínio estratégico e económico sobre o noroeste peninsular, que se vem a confirmar cerca de dois séculos mais tarde, com a elevação da cidade a capital da província romana da Galécia. E é nesta altura de grande afirmação da cidade que o Império se confronta com as invasões bárbaras a que os organizados exércitos romanos não resistiram. Bracara Augusta é invadida pelos Suevos no ano de 409. É o fim do domínio romano na cidade. Sob o domínio suevo, Braga é granjeada com o título de capital do reino, tornando-se no centro político e intelectual do noroeste peninsular, ou seja, da Galiza. Depois deste tempo, Braga foi ainda sede eclesiástica da Galiza, pelo menos até aparecer o fenómeno Compostela, e se assistir ao nascimento de uma rivalidade sem precedentes entre as duas capitais religiosas. 

Se Braga souber aproveitar o epíteto de Capital da Galiza para se promover, buscando novas oportunidades de intercâmbio, poderá tirar muitos proveitos, não apenas turísticos, mas culturais e económicos.
Porque não acelerar o processo de ligação de ferrovia com a Galiza? Porque não aproveitar o fenóneno religioso de Compostela, para fortalecer o papel de Braga neste âmbito? Porque não potenciar os laços culturais existentes, com a criação de festivais itinerantes, colóquios ou exposições conjuntas? Porque não criar feiras para os diversos sectores do tecido económico para potenciar oportunidades de negócio conjuntas?

Ideias para fazer crescer a marca Braga...

O ranking das escolas bracarenses


A Regenerar Braga: gato por lebre?

Algumas obras não foram inauguradas, mas lajes colocadas já se encontram assim
Um dos argumentos apresentados pelos bracarenses que não se reveem nas propaladas obras de regeneração urbana é a má qualidade das lajes graníticas utilizadas. Efectivamente, verifica-se que estas lajes se tornaram feias e sujas em poucas semanas, revelando a sua inadequação para figurar nas calçadas das principais praças bracarenses.
Em Braga temos uma tipologia de granítica, precisamente chamada de granito de Braga. A sua tonalidade morena e o facto de grande parte dos monumentos e edifícios terem sido construídos a partir deste recurso, tornam imperativa a sua presença nas ruas da cidade. Devido aos projectos "A Regenerar Braga", muitos dos nossos espaços urbanos ficam particularmente descaracterizados, dado que as lajes que revestem as calçadas serem diferenciadas notoriamente do tipo de pedra das edificações. O único que escapa a este destino é o largo Carlos Amarante...
Os mais atentos já perceberam que se está a trocar lajes centenárias do granito-tipo da região, por uma pedra muito permeável de marcas e sujidade, que para além de esteticamente questionável, revela uma demasiada fragilidade. São muitos os blocos já fracturados ou esburacados, mesmo antes de se inaugurarem oficialmente muitas das obras.

Que filosofia ou racionalidade presidem a estes projectos?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Memória Maior: antiga igreja de São Lázaro


© Memórias de Braga

A primitiva igreja de S.Lázaro não passava de uma pequena ermida erigida fora das muralhas da urbe medieval, junto à estrada que conduzia à cidade berço. Localizava-se sensivelmente no mesmo local onde se situa hoje o Centro Comercial dos Granjinhos. 
Foi fundada provavelmente no século XVI pelo Arcebispo D. Diogo de Sousa, embora possa ter origem numa basílica paleocristã. Anexado à pequena ermida estava um pequeno hospital certamente edificado para curar os leprosos. S.Lázaro é, como se sabe, o protector dos leprosos e a localização desta capela e hospital num local que na época ficava afastado da urbe deve-se ao facto desta doença ser muito contagiosa. 
Segundo o mapa de Braga de 1594, esta capela apresentava um alpendre e, colocado defronte, estava ainda um cruzeiro, possivelmente o antecessor daquele que se observa hoje junto à moderna igreja de S.Lázaro. A pequena ermida sofreu em 1642 a primeira ampliação. Esta remodelação transformou o acanhado templo numa igreja capaz de servir a crescente população desta zona da cidade. A criação da paróquia de S.Lázaro em 1754, sediada nesta igreja atesta a importância económica e demográfica que esta zona da cidade começava a ter. Contudo a igreja nunca foi muito atractiva quando comparada com as belas igrejas barrocas que eram erguidas por toda a cidade. Por este motivo a igreja é completamente remodelada em 1799, sendo a sua fachada adequada ao estilo arquitectónico que então vigorava, o neoclássico. O interior da igreja só tomou o aspecto que tinha aquando da demolição nos finais do século XIX, quando este templo foi adornado com belos altares e sanefões de elegante recorte. No segundo quartel de oitocentos deu-se a construção da torre sineira.
O projecto da construção e alargamento da actual Avenida da Liberdade levou a que, uma vez que a igreja estava desalinhada com os restantes edifícios do lado Poente desta artéria, se pensasse na sua demolição. Depois de estudadas várias hipóteses os responsáveis decidiram-se a construir um novo templo junto do local da velha igreja, ao fundo da actual Rua 25 de Abril. A demolição foi concretizada em 1976. 
A 17 de Abril de 1982 foi inaugurada, pelo Arcebispo Primaz D. Eurico Dias Nogueira, a nova igreja, cujo projecto inovador, entretanto alterado, foi da autoria do lisboeta João Maia dos Santos.