terça-feira, 9 de outubro de 2012

40 metros quadrados de área verde por bracarense

Segundo a Direcção Geral do Ordenamento do Território e do Urbanismo (DGOTDU), as cidades portuguesas devem disponibilizar 40 m2 de área verde por habitante. Deste valor, 30 m2 deverão corresponder a estrutura verde primária - zonas ribeirinhas de fios de água e área bruta arborizada - e 10m2 deverão ser concretizados em áreas verdes disponibilizadas ao usufruto público.
Ora, se considerarmos que Braga detém cerca de 120 mil habitantes na sua área urbana, chegamos ao número recomendado de 480 hectares de área verde, que corresponderia sensivelmente a 360 hectares de área verde directa. Deste número, e integrando generosamente os espaços arborizados das montanhas do Sameiro, Bom Jesus e Falperra estaremos próximos de cumprir as disposições, dado que são consideradas as zonas peri-urbanas.
Quanto aos 120 hectares de estrutura verde secundária, na qual estão incluídos os corredores verdes secundários ou logradouros integrados na área urbana, desde que dotados de terreno permeável, e os espaços verdes equipados, ou seja, os denominados parques urbanos ou jardins, Braga ainda tem um longo caminho a percorrer.
  • 2012: Parque da Ponte (5) + Rodovia (3) + jardins das urbanizações (+/-10) =  18 hectares
  • Com as promessas adiadas: 18 hectares + Sete Fontes (19 hectares) + Picoto (21 hectares) + Parque Norte (55 hectares) = 113 hectares

O parque da Ponte terá 5 hectares e, mesmo considerando o triângulo turístico - que já é externo à área urbana - não deverá ultrapassar os 50 hectares no seu conjunto. Mesmo juntando as possibilidades de espaços verdes primários aventadas pelo município - Sete Fontes (19 hectares) + Picoto (21 hectares) + Parque Norte (55 hectares) = 95 hectares - estaríamos ainda longe de cumprir as recomendações da DGOTDU. É certo que não estamos a contabilizar o denominado parque arborizado de Lamaçães, os jardins de algumas urbanizações ou a Rodovia, todavia a soma destes espaços não representaria um número acima de 5 hectares. Caso aqueles parques urbanos tantas vezes prometidos fossem uma realidade, poderíamos dizer que estaríamos perto do mínimo recomendado. Sem eles estamos estrondosamente distantes!
Assim não se constrói a qualidade de vida em Braga, pese o facto de muitos bracarenses continuarem a sufragar este tipo de políticas.

Aqui fica mais uma lembrança para quem a quiser escutar.

2 comentários:

  1. Relativamente a este assunto, que me é muito querido, aconselho a leitura da tese de Mestrado de Rute Pinto, defendida na UM em 2005, que nos retrata a situação (ainda) atual da arborização em Braga.
    Hortas Urbanas: Espaços para o Desenvolvimento Sustentável de Braga
    http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/7988

    Neste sentido, no Concelho de Braga, existem à volta de “12 m² de espaços verdes públicos por habitante o que (…) é manifestamente insuficiente para uma cidade como a que Braga perspectiva ser” (PEDUCB, 1995
    …. Os parques do Sameiro e do Bom Jesus situam-se fora do perímetro urbano, no entanto, funcionam como importantes pólos de atracção para o culto e o recreio. Há ainda outros espaços verdes disseminados pelo concelho, com usos diversos, tais como: o kartódromo, os espaços envolventes ao aeródromo, os logradouros das juntas de freguesia e escolas primárias, os viveiros municipais e a Bracalândia.
    Vale a pena ler este trabalho...

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  2. Gostava se saber onde obteve a informação relativamente ao 1º paragrafo, onde diz que "segundo a Direcção Geral do Ordenamento do Território e do Urbanismo (DGOTDU), as cidades portuguesas devem disponibilizar 40 m2 de área verde por habitante." Pois gostaria de fazer essa referencia num trabalho universitário.

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