sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A república bracarense

Hoje celebramos a república portuguesa, cujo percurso se iniciou há precisamente 102 anos. Não foi um caminho histórico isento de precalços e defeitos, todavia foi o meio mais eficaz para colocar o poder, pela primeira vez, nas mãos do povo. Aqueles que mais lutaram, trabalharam, e se resignaram perante as vontades das classes dominantes, puderam finalmente começar a influenciar o rumo legítimo das suas existências.
Em Braga, particularmente, este epíteto tem muito mais de dois séculos. A cidade foi sede de um senhorio eclesiástico que perdurou durante quase sete séculos, e marcou para sempre a identidade dos bracarenses. Os Arcebispos foram senhores de Braga desde 1112 - primeira versão da Carta de Couto - até 1792, altura em que D.ª Maria I acabou com este tipo de organização institucional. Todavia há que citar mais algumas datas. Em 1128, no famoso documento da fundação de Portugal, os privilégios do senhorio eclesiástico foram renovados, e, entre 1402 e 1472, deu-se uma interrupção do Couto de Braga.
No tempo de D. José e D. Gaspar de Bragança, arcebispos da Casa Real, que governaram a cidade entre 1741 e 1789, Braga foi mesmo citada como a segunda corte portuguesa, algo que deu azo a que um autor desconhecido do século XVIII falasse da existência de uma república bracarense, sede de uma ordem civil e religiosa muito própria, onde o senhor dos senhores era um Arcebispo e não o próprio Rei.
Título que hoje, particularmente, se apropria...

Sem comentários:

Enviar um comentário