sábado, 6 de outubro de 2012

Braga, a princesa de remotas eras

Tu és, ó Braga, a princesa,
Que encerras toda a beleza
Do Minho jardim em flor;
Tu és a Roma vetusta,
A Braga fiel e augusta,
Grande na fé e no amor.

P'ra cingir a tua fronte
E' coroa esse horizonte,
Feito d'oiro do arrebol;
Tem esmeraldas - os prados,
Tem flores - rubis doirados,
Um brilhante imenso - o sol.

Nobre princesa do Minho,
Exibes um pergaminho
Da tua nobreza - a Cruz;
E ao mundo que se descobre,
Dizes altiva: "Sou nobre",
E apontas-lhe o Bom Jesus.

Na devoção a Maria,
Em que és fervorosa e pia,
Tu mostras ao mundo inteiro
Brasões da tua piedade:
Guadalupe, na Cidade,
E lá no monte o Sameiro.

Tens um sol - a tua Fé;
Erectos, firmes, de pé,
Tu conservas mil brasões:
São monumentos sagrados,
São pergaminhos herdados
Das passadas gerações.

Tu mostras templos famosos,
Monumentos assombrosos
Da crença que te enobrece...
Dás ao pobre abrigo e pão,
Aos crentes consolação
E aos transviados a prece.

Preservas os inocentes
Amparas os indigentes,
Dás-lhes amor, pão e vida;
E no trabalho bendito
Regeneras o precito
E a triste mulher perdida.

Ostenta, pois, donairosa,
Princesa linda, formosa,
Tuas galas, teu encanto:
Na tua c'roa a luzir,
Tens bellas jóias de Ophir:
- Dos pobres bagas de pranto.

As canções dos teus romeiros,
Que correm prestes, ligeiros,
A visitar-te a beleza,
São os hynos a saudar-te
Ecoando por toda a parte:
- "Salvé Roma portuguesa!"

Padre Gaspar Roriz
Guimarães, Junho de 1901

1 comentário:

  1. Gostei muito desta ode a Braga. Fico particularmente sensibilizado com a parte que refere "Guadalupe, na Cidade e lá no monte o Sameiro."
    Obrigado por esta partilha, Rui!

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