quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O mercado das flores não é só em Amesterdão

Amesterdão é a cidade afamada pelo mediático mercado onde só se vendem flores. Braga, porém, durante dois dias no ano, tem também o seu mercado das flores, mais modesto, mas tradição a salientar. 
A Praça do Município veste-se de um colorido inusitado e, desde há cinco décadas, oferece aos bracarenses a oportunidade de decorarem os cemitérios com as flores selectas do mercado aqui instalado. Mesmo para aqueles que consideram esta época um pouco confrangedora, devido à ida aos cemitérios, trata-se de uma tradição aliada ao povo português e que tem no Minho uma expressão elevada. A homenagem aos ente-queridos funciona como catarse e tem raízes nas primitivas tribos que nos antecederam. Os romanos tratavam a morte com enorme dignidade e foi o Minho que derrubou um governo por causa do cesar dos enterramentos nas igrejas... 
Este mercado das flores à moda de Braga é uma curiosa tradição que vale a pena apreciar, desfrutar e valorizar.

(publicado em 31 de outubro de 2011)

1 comentário:

  1. Deixo uma sugestão de roteiro para a JovemCoop. Vem a propósito destes dias (iniciais de Novembro). Poderia aliar caminhada e conferências.

    A sugestão é: a arte funerária em Braga. Poderia abarcar as práticas da cultura castreja e os vestígios das necrópoles romanas; passando pelos túmulos dos bispos Frutuoso (e a sua capela/mausoléu) e Martinho de Dume; os túmulos reais na Sé e os de outros bispos (até mesmo os que estão prontos a ser usados!); e também os que se conservam noutras igrejas, de bispos ou de famílias nobres; o costume de sepultar nas igrejas e os soalhos em caixotões que algumas ainda conservam; a história da Maria da Fonte; o cemitério de Monte d'Arcos, com algumas obras de arte do Romantismo, e sepulturas ligadas a outras culturas/religiões (e continua o mistério: alguém já viu o funeral dum chinês?...).

    Podia-se conjugar com outra vertente: o culto dos mortos na cultura católica. Desde o Cristo morto (esquife, procissão de Sexta-feira santa, capela dos Coimbras...) à representação de santos na sua morte (esquifes nos altares de algumas igrejas). E a questão das relíquias: a devoção aos mártires do Oriente; a invenção da santa Cruz; a história das de santo Estêvão; as de S. Vicente; as de Tiago Interciso; o pio latrocínio; a urna de S. João Marcos, os relicários na Sé, na Santa Cruz, no Carmo... E o culto em desenvolvimento na actualidade: o túmulo do padre Martinho no Sameiro, o do padre Abílio em S. Mamede d'Este, o da madre Estrela na Sé...

    E ainda se podia ajuntar o culto às alminhas do purgatório: lendas minhotas, nichos das almas, as confrarias, os clamores...

    ResponderEliminar