segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ASPA: uma história de defesa do património

ASPA publica uma revista denominada "Mínia"



A ASPA, denominada de Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural, foi fundada em 1977 na cidade de Braga, tendo como área prioritária de intervenção o Minho (distrito de Braga e Viana do Castelo). Apesar desta motivação inicial denunciar uma abrangência regional, esta associação acabou por dedicar-se com particular afinco à defesa do património existente no município de Braga. O facto da cidade de Braga viver um período de forte incremento demográfico e urbanístico desde 1974, expôs o seu território a uma crescente especulação imobiliária, que conduziu a atentados frequentes contra o património histórico e ambiental. Partindo de uma postura de constante denúncia, a ASPA granjeou antipatias entre os sectores dominantes do poder autárquico, que permanece à frente dos destinos da cidade ininterruptamente desde 1976.
Através de um quadrinómio conhecer-reconhecer-salvaguardar-valorizar, a ASPA foi desenvolvendo as suas actividades, promovendo diverso tipo de intervenções no âmbito de uma cidadania ativa e promovendo a sensibilização da população para as suas causas através de alguns órgãos de comunicação locais, que são veículos fundamentais para esta associação fazer valer as suas causas. É da sua responsabilidade, por exemplo, a página "Entre Aspas", publicada quinzenalmente desde 1996 no “Diário do Minho", o jornal de maior tiragem da região. O impacto mediático destes textos quer na opinião pública, quer em certos setores político-partidários da autarquia, acabou por ser um agente positivo de sensibilização para o património e de efectiva protecção para alguns monumentos, postos em causa por alguns projectos de natureza imobiliária.
Apesar de muitos insucessos e algumas lutas perdidas, como os variados capítulos de moradias do século XIX, de interessante arquitectura denominada ‘brasileira’ e até de exemplares de ‘art noveau’, a ASPA contou também alguns êxitos, que fizeram tremer a estrutura autárquica e muitos interesses imobiliários instalados. Entre as muitas actividades desenvolvidas salientam-se a defesa da cidade romana de Bracara Augusta, a luta pela reintegração do Mosteiro de Tibães no património nacional e a salvaguarda da casa da Orge. Este último caso, que se arrastou por longos meses, resultou numa polémica demolição, que obrigou a autarquia a uma reconstrução parcial da fachada num local próximo. Terá sido a causa mais difícil para a ASPA, mas também a que mais afetou a imagem pública da autarquia.

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