sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Braga não é a América Latina

Sabemos que alguns países da América latina não trazem consigo as melhores referências no que toca à vivência democrática. Aí, onde a pobreza grassa com uma realidade alarmante e onde a iliteracia e o controlo da informação jogam a favor de quem está no poder, ocorrem fenómenos de política populista. Segundo o grande filósofo e sociólogo Max Weber, este tipo de orientação política caracteriza-se menos por um conteúdo determinado do que por um "modo" de exercício do poder, através de uma combinação de plebeísmo, autoritarismo e dominação carismática.
Os candidatos da esquerda extremista de alguns países sul americanos - geralmente a linha ideológica que assume o poder - escolhem a célebre falácia ad misericordiam, apelando aos "pobrezinhos" e "desfavorecidos" para não votarem nos "maus" que se encontram do outro lado, e que pretendem apenas retirar-lhes as casas entretanto oferecidas, o apoio na educação ou na saúde e até os passes para andarem nos autocarros. À falta de argumentos convincentes e de medidas que vão de encontro ao que esses países mais precisam, escolhem o caminho fácil: o populismo. Quando a maioria do eleitorado é iletrado e não está devidamente informado acerca da gestão de um país, este tipo de fenómenos ganham força. É certo que até resulta e o que acontece são líderes muito pouco democráticos, que se perpetuam no poder e raramente têm oposição. Obviamente, que em Braga nada disso sucede...ou alguma vez sucedeu.

Que seria se agora começasse a surgir o boato de que, se o candidato de direita ganhar as eleições a Câmara, vão acabar os passes sociais ou que vai ser brutalmente reduzido o apoio aos clubes sediados no município? Que seria se começassem a dizer por aí que o candidato da direita, caso vença as próximas autárquicas, vai aumentar o preço da água e do Imposto sobre Imóveis... algo que curiosamente não conseguiria fazer, dado que o executivo de esquerda já cobra a taxa máxima de IMI e um dos preços de água mais caros do distrito? Que seria se os candidatos populistas tentassem "diabolizar" o candidato de direita dizendo que é a raiz de todos os males da sociedade, que é igual ao Governo que está no poder e que concorda com todas as medidas que estão a penalizar os portugueses? Que seria se os candidatos da esquerda, aqueles que se dizem ao lado dos desfavorecidos, resolvessem agora dizer que o candidato de direita é o culpado pela extinção de 25 freguesias, ocultando o facto de não se terem pronunciado e com isso terem agravado o número de autarquias perdidas?
Obviamente que isto não acontece em Braga.

Ufa! Ainda bem que sou bracarense e que a democracia em Braga floresce e que o debate político é elevado e esclarecedor.

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