quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dois orçamentos, duas atitudes

Talvez os mais esquecidos não se recordem, mas na década de 90, sempre que eram apresentados os orçamentos municipais, a Câmara Municipal de Guimarães aparecia a queixar-se da má repartição de transferências de verbas do Estado para a autarquia, quando comparada com Braga. Nessa altura (1991) o município vimaranense detinha 157 mil habitantes, enquanto Braga se cifrava em 141 mil.

Passados 5 anos de "injustiças", segundo o mesmo critério adoptado do outro lado da Falperra, Braga volta a ter um orçamento acima do apresentado pelos vizinhos. Nada de anormal quando falamos de um núcleo urbano mais significativo em número de habitantes e, portanto, ao nível de necessidades de investimento, e administrativamente com maior centralidade. Da mesma forma, e adotando o critério demográfico - Braga detém 181 mil habitantes, enquanto Guimarães tem 158 mil - Braga teria que beneficiar de um orçamento significativamente maior. Tal não se verificou, talvez devido ao grande evento que Guimarães está a acolher, a Capital Europeia da Cultura.

Em 2013, Braga tem um orçamento de 117 milhões de euros. Guimarães apresentou gastos na ordem dos 106 milhões. Passados 5 anos, vale a pena fazer uma análise comparativa. A diferença principal entre os dois municípios esteve na atitude.
Enquanto Guimarães não perdia a oportunidade de, ano após ano, vir reivindicar o facto de ter mais habitantes para deter maior orçamento, ocorrendo o caso inverso verificou-se uma mudança de atitude. Recorde-se que Guimarães chegou a desfrutar de quase mais 50% de orçamento que Braga. Braga queixou-se?

Como diz o povo, pela boca morre o peixe...

3 comentários:

  1. Penso que o raciocínio está mal feito, pois o orçamento não provém apenas das transferências da Administração Central. O orçamento é quanto a câmara tenciona gastar com todas as verbas recebidas (e as câmaras também têm receitas próprias).

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  2. Naturalmente que sim, o que agrava ainda mais as diferenças, dado que Braga provavelmente - e por via de ter mais habitantes, alojamentos e empresas - teve mais receitas próprias.
    Geralmente o que marca a diferença é precisamente as transferências ao nível do Estado Central. Daí a referência.

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  3. caro rui:
    não se queixe das injustiças da Administração Central.Vai concluir que Barcelos recebe mais do Estado do que Braga e tem um orçamento pela metade do da capital minhota. As contas dos orçamentos são mais complexas que a aplicação de uma simples fórmula matemática tipo "regra de três simples".
    Cumprimentos.

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