segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Livros sobre Braga

DM, 11/11/2012
A fundação Bracara Augusta já editou 44 opúsculos sobre Braga
 A propósito de uma mensagem aqui publicada, intitulada "O fim das editoras bracarenses", foi escrito um artigo de opinião da autoria de Eduardo Madureira Lopes, que acima disponibilizamos. Não deixou de se constituir uma surpresa para mim esse facto e as especulações, não apenas sobre o que escrevi, mas inclusive sobre a minha pessoa, algo que no meu entender não é chamado nem para este blogue, muito menos para as páginas de um jornal. Dado o teor do que foi escrito e o facto de se ter tornado público um assunto unicamente discutido neste blogue, sinto-me com absoluta liberdade de publicar o conteúdo da mensagem reencaminhada para o autor da crónica em questão.

«Caro Eduardo Madureira Lopes,

Como está?
Escrevo-lhe a propósito da sua última crónica dominical, que contém referências, não apenas a uma opinião veiculada por mim, como também à minha pessoa, sendo este último o motivo que me leva a escrever-lhe. Salvaguardo, desde já, a excelente imagem que tenho de si, pelos seus méritos pessoais e profissionais, com os quais tomo contacto com relativa frequência.
Em primeiro lugar, cumpre-me esclarecer a minha intenção com o que escrevi e o porquê do meu voluntário lapso relativamente à colecção que a FBA tem vindo a editar. Esclareço, desde já, sem me sentir obrigado a fazê-lo, que ir a livrarias de Braga, procurar edições sobre Braga é um dos meus gestos de predilecção, pelo que de maneira nenhuma me revejo no que escreveu. Esclareço também, que na minha vasta biblioteca pessoal sobre Braga, figura uma parte significativa dos opúsculos que mencionou e que procuro muitas vezes nas livrarias.
O propósito da crítica que expus no blogue, e na qual me continuo a rever, era a referência à ausência de novas monografias, trabalhos inéditos e estudos promovidos por investigadores bracarólogos. Recordo-me ainda de todos os anos adquirir obras de Eduardo Pires Oliveira ou Luís Costa com uma frequência significativa. Os 44 livros editados pela FBA, que saúdo com sincero reconhecimento, são essencialmente publicações de "pedaços" de outras obras mais complexas. Incluo-os, por isso, em outra categoria àquela a que me queria referir. Dou-lhe um exemplo: consegui há tempos uma edição do "Último olhar de Jesus" do Antero de Figueiredo. Preferi obviamente o livro velho e gasto ao capítulo "Roma portuguesa" editado pela FBA. Sem menosprezo para estas edições, que mesmo em tamanho e aspecto gráfico diferem do comum dos livros, convenhamos que não são similares a uma monografia completa sobre um monumento ou sobre um período da história brácara - que era aquilo a que me queria referir no que escrevi. Não perdem, por isso, o seu mérito, em particular na divulgação de textos pouco ou nada conhecidos sobre Braga e, até, na edição de alguns inéditos. O meu lapso voluntário não constituiu menos consideração pelo trabalho desenvolvido.
Em segundo lugar, gostava de dizer-lhe que me redimo se eventualmente o feri no seu trabalho e/ou dignidade, acrescentando um pedido de desculpas, e a garantia que em breve dedicarei uma mensagem do blogue exclusivamente a esta colecção. O tom que adopta no seu texto, obriga-me a fazê-lo. Porém, não me parece - de todo - correcto retirar-se ilações acerca de uma pessoa que não se conhece, ainda para mais absolutamente erradas, sem a tentativa de empreender qualquer tipo de diálogo com a mesma, tornando públicas inverdades e especulações que podem soar muito mal a quem as recebe. Recordo, aliás, que os blogues têm esta forma interactiva de estabelecerem diálogos e debates, através do uso do painel dos comentários, onde há sempre lugar para a crítica, a discordância e outros apontamentos. Várias vezes corrigi alguns textos que escrevi e fiz rectificações onde expus comentários de leitores. Dado que sou humano e frágil, não detendo a informação e a razão universal atrás de mim, não tenho qualquer problema em reconhecer erros e a menor correcção de alguns textos. Lamento não ter podido fazer o mesmo relativamente ao assunto que expôs na sua crónica, explicando melhor o teor do que pretendia afirmar (e mantenho!). Braga perdeu editoras e livrarias e a autarquia deveria colmatar esse défice.
Dado o que escreveu - e como escreveu - não me restou alternativa senão empreender o gesto de lhe escrever.

Despeço-me atentamente, e sempre com a mesma disposição ao diálogo,
Rui Ferreira»

17 comentários:

  1. Rui,

    Creio que a tua opinião, aqui publicada, é pública! Pelo menos assim aparenta. Consequentemente não foi o Eduardo que a tornou pública. Já era. Apenas a comentou noutro local igualmente público, o que sinceramente me parece legítimo.

    Aquela promessa de editar um livro por ano, a ser verdade (desconheço a fonte), é que é ridícula...

    abraço,

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    1. Caro Luís,

      Respeito naturalmente a tua opinião. Se achas que é mais importante a questão de ser ou não pública (obviamente que um jornal tem uma visibilidade múltiplas vezes superior ao aqui escrito...), eu prefiro dar atenção ao facto de alguém não se ter limitado a discordar, mas ter tomado a iniciativa de denegrir uma pessoa que não conhece. Acima de ideologias ou convicções, da troca de ideias ou das discordâncias, estão as pessoas.
      Dado o que conheço de ti, acredito que se tivesses sido atacado na tua dignidade como fui, tivesses tomado a mesma iniciativa que tomei. E eu, seguramente, ter-te-ia apoiado.
      Abraço

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  2. Bom dia,

    Vem por este meio ser dado a conhecer a presença deste blog na blogosfera do projecto Bracarae.

    Este projecto conta ainda com um forum(forum.bracarae.com) onde se debate e dá a conhecer Braga.

    Agradecemos a vossa participação nos debates que sejam de interesse.

    O teu comentário aguarda moderação.

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  3. Quando o assunto é connosco reagimos de forma diferente. Eu que estou de fora vejo que publicamente escreveste sobre um tema não fazendo referência - por lapso, não tenho dúvidas - a uma importante editora de livros sobre Braga. O Eduardo, de uma forma mais dura é certo, publicamente chamou atenção para esse esquecimento que, no entendimento dele, não é compatível com uma ida regular a livrarias. Claro que sei que no teu caso está bem longe da verdade! Porém, só quem leu o teu artigo percebe o do Eduardo integralmente...

    De qualquer forma eu referia-me apenas ao facto da tua opinião ter sido publicada, e portanto, pública e também à grande meta de publicar 1 livro por ano!

    abraço!

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    1. Caro Luís,
      O meu lapso foi voluntário, dado que estava a referir-me a outro tipo de edições. Pessoalmente não considero que a edição daqueles opúsculos contribua decisivamente para a cultura em Braga ou que substitua o trabalho memorável da APPACDM, da Pax ou da Cruz. Quanto a isso não altero uma vírgula. É a minha opinião e insatisfação pessoal.
      Quanto à questão do “livro anual”, escrevi o seguinte no tal post que gera estes comentários: «pessoalmente iria mais longe em número de edições, e procurava "ressuscitar" a revista Bracara Augusta, autêntica referência cultural bracarense».

      Repito que nada do que escrevi justifica publicar num jornal um comentário a algo escrito num blogue, com diminuta visibilidade, muito menos a forma como foi escrito. As atitudes, definitivamente, ficam com quem as toma.
      Não irei, certamente, continuar a alimentar este assunto.

      Abraço

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  4. Amizades a parte e numa perspectiva menos gananciosa, quem acompanha a trajetória do gestor deste blog não o identifica nas palavras publicadas no Diário do Minho, o que, na minha opinião, faz-me pensar que houve um julgamento de uma pessoa que, para o dono da publicação, é inteiramente desconhecida.

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  5. Caro Luís Tarroso,
    Uma opinião "informada" distraída, tolera-se. Duas opiniões "informadas" distraídas começa a justificar a perpetuação do actual estado de coisas em Braga.
    Embora de forma mais subliminar, o artigo do Eduardo Jorge Madureira tem um outro "alvo" que não o Rui.
    O teu duplo comentário insiste nesse aspecto e merece-me um imperativo esclarecimento que já fiz também ao EJM (a título particular).
    A proposta que fiz de edição de 1 obra por ano reporta-se a edições de prestígio, centradas na componente visual (e de forma particular a fotográfica, onde há uma enorme lacuna por suprir).
    Por muito respeito que me mereçam as edições de Braga Cidade Bimilenar, não creio que as mesmas se encaixem minimamente nesses parâmetros.
    Em suma, aquilo que espero de pessoas "informadas" é que (ao menos essas) se informem antes de emitirem opiniões, como bem costumas fazer na maior parte dos assuntos.
    O que não foi manifestamente o caso...
    Abraço!
    PS - Quanto ao facto de 1 obra ser muito ou pouco ambicioso, diria que neste momento só existe nas livrarias 1 única edição que preenche esse perfil: o livro do Manuel Correia que ofereci ao Rui Prata. Se houver uma nova por ano, parece-me um progresso muito significativo.

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  6. Ricardo Rio vem em desfesa do seu pupilo. Pelos vistos só ele é que é informado. Pena é que o silêncio sobre o novo mapa autárquico continue.

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  7. Caro Ricardo,

    O Rui, no post intitulado "O Fim das Editoras Bracarenses", escreveu: "Recentemente, Ricardo Rio comentou este défice [edição de livros sobre Braga], prometendo a edição de um livro por ano."

    A propósito disso, acima lê-se, escrito por mim:
    "Aquela promessa de editar um livro por ano, a ser verdade (desconheço a fonte), é que é ridícula... ".

    Há dúvidas que não estou seguro do contexto da afirmação?

    um abraço

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  8. Luís,
    Só achei que havia ali contundência a mais perante tanta incerteza sobre o contexto e a fiabilidade da afirmação.
    Mas, seja como for, fica a pergunta: a Câmara editar uma obra de prestígio por ano com imagens de Braga (seja de novos trabalhos ou de reposição da "Braga Desaparecida") é ou não uma boa iniciativa?
    Abraço,
    Ricardo Rio

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  9. Luís,
    Só achei que havia ali contundência a mais perante tanta incerteza sobre o contexto e a fiabilidade da afirmação.
    Mas, seja como for, fica a pergunta: a Câmara editar uma obra de prestígio por ano com imagens de Braga (seja de novos trabalhos ou de reposição da "Braga Desaparecida") é ou não uma boa iniciativa?
    Abraço,
    Ricardo Rio

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  10. Vamos lá ver:
    (resposta à Marcelo Rebelo de Sousa)

    É melhor do que o que temos tido da CMB? É.
    É ambicioso? Não é. (desde logo porque é apenas uma medida avulsa)

    um abraço,
    Luís

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  11. Ora bem, Luís...
    E se a obra seleccionada para edição em cada ano resultar de um concurso aberto a todos os autores interessados, a coroar na altura dos Encontros de Imagem? E se extractos dos melhores trabalhos concorrentes forem expostos numa iniciativa autónoma no contexto dos Encontros e cada um deles puder dar origem a exposições específicas no Museu da Imagem ao longo do ano? E se as obras editadas (e os respectivos concursos de base) tiverem temas específicos em cada um dos anos - monumentos, jardins, cidadãos Bracarenses, eventos locais, semana santa, s. joão, centro histórico, património das freguesias rurais,... - de forma a diversificar a sua natureza e a criar um espírito de colecção que agregue a memória fotográfica do Concelho? E se houver uma plataforma digital para divulgação de algumas dessas imagens? E se o futuro Museu da Cidade contiver um espaço para dar destaque aos melhores trabalhos fotográficos editados? E se a obra editada em cada ano for oferecida a cada recém-nascido em Braga no ano correspondente? E se a Câmara editar colecções de postais com alguns desses trabalhos para venda pública? E se a Câmara promover exposições itinerantes nas escolas com os registos da Braga Desaparecida?

    [Lembro que a minha proposta se dirigia sobretudo à edição de uma obra de prestígio com conteúdos fotográficos.]

    Como hás-de imaginar, estas foram sugestões que me foram ocorrendo ao sabor da pena mas que poderão configurar um exemplo de uma abordagem mais sustentada e ambiciosa do tema, transversal a várias áreas da gestão municipal.

    Mas, neste como em muitos outros temas, a grande dificuldade não é encontrar ideias alternativas e melhores do que aquilo que tem sido feito pela CMB.
    É, sim, assegurar que os Bracarenses aumentam o seu nível de exigência e o aplicam de forma equitativa entre o poder e a oposição e fazê-los perceber que todas essas ideias e propostas só se vão revelar exequíveis ou não quando quem as promove tiver condições para as implementar.

    O resto são preconceitos.
    Abraço,
    Ricardo

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  12. Eu, felizmente, tenho imaginação. Já comentar uma proposta que está sempre ser alterada depois de eu a comentar é que é tenho mais dificuldade...

    abraço

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  13. Não vejo vantagem em o Luis T. Gomes estar sempre a desviar conversa, quando poderia, em vez de criticar e deitar abaixo, ajudar a encontrar uma solução que fosse mais do agrado dos comuns bracarenses. Mas pelo vistos, o Luis é como a maior parte, faz promessas, mas não diz como as concretiza, limita-se a criticar os outros.
    fraquinho, fraquinho!!!

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  14. Caro Rui,
    (ainda que desconheça quem é)

    Se porventura fizesse promessas, pensaria nelas antes e não depois!

    Essa queixa da falta de participação faz-me lembrar um dos argumentos clássicos do Mesquita: até se dá oportunidade e os críticos não colaboram, preferem queixar-se!

    Eu tenho contribuído para vários projectos da cidade em que, de facto, acredito. Estou, por isso, à vontade nesse campo. Não sou, contudo, a pessoa certa para fazer o balanço do meu trabalho.

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  15. Luis T. Gomes,

    acho bem que não faça promessas, porque não está em condições de as fazer. Deve manifestar as suas opiniões, não recorrendo à depreciação das que são feitas, mas usando da sua experiência e contributos para as melhorar.
    Se queremos que a cidade mude, todos nós temos um importante papel na sua transformação. Não vale a pena deitar a baixo, sem apresentar soluções ou ajudar a construir um projecto.
    Se tem esse know-how de contribuir, então continue a fazê-lo, mas não é a desconstruir as ideias do Ricardo Rio que vai levar água ao seu moinho. Porque não convidar o Ricardo Rio (ou então, Ricardo Rio, porque não convidar o Luis T.Gomes) a sentar à mesma mesa e a encontrar um bom projecto cultural para a cidade. Penso que a construção dos discursos faz-se baseado na cimentação de diálogos.

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