quarta-feira, 21 de novembro de 2012

São João, o Brasil da cidade!

As Festas de São João de Braga, já aqui o dissemos, alcançaram desde o século XVI uma notoriedade pouco comum, num país em que a comunicação ainda se fazia ao ritmo das diligências e de dias assemanados. A Relação do Festivo Aplauso, datada de 1754, apenas vem confirmar as impressões deixadas pelo nosso cronista mais famoso: Inácio José Peixoto.
Nas suas Memórias ficamos a saber que o São João de Braga "não se limitava ao templo", mas tinha direito a vistosos festejos públicos, que "não convinhão ao sagrado assumpto" e que até levava muitas casas a empenharem-se "para sempre". Literalmente os bracarenses perdiam a cabeça com as festas ao Percursor.
A expressão mais feliz até hoje encontrada refere-se ao "Brasil da cidade", apelido encontrado pelo povo para caracterizar tão grandes manifestações de júbilo...
«Em todos os annos se festejava, com danças a S. João e ao Senhor Sacramentado da com publicos e magnificos festejos, mas elles não erão so no templo com triduos, sermoens, apparatos e musicas, patenteavão-se com bailes, comédias e touros, em que se gastavão copiosas somas; muitas casas se empenhavão para sempre. Dous erão juises, hum fidalgo e outro conego. As ultimas destas grandes festas forão feitas por Antonio Pereira de Eça, fidalgo illustre casado na casa dos Biscainhos com D. Antonia Maria de Sousa Montenegro, sobrinha do deão D. Francisco Pereira da Silva [sobrelinha: e filha de Diogo de Sousa e D. Maria Montenegro]. O povo dezia que estas festas erão o Brazil da cidade, mas ellas não convinhão muito ao sagrado assumpto, contudo o povo por isto aviva a fé muitas veses. [À margem: nestes tempos erão as festas os objectos dos bracharenses no tocante às sciencias, não quanto aos costumes porque se respeitavão ambas as corporações].»
In: Memórias Particulares de Inácio José Peixoto

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