quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Braga hoje em festa!

Hoje a cidade de Braga celebra o seu padroeiro. Contrariamente ao que a maioria dos bracarenses pensa, o padroeiro da cidade não é São João ou Nossa Senhora do Sameiro. Esse estatuto pertence, sim, ao primeiro prelado a ser denominado de Arcebispo que foi São Geraldo.
São Geraldo era francês e tomou o hábito na abadia de Moissac, um dos mosteiros da Ordem de Cluny ainda hoje famosa pelo seu claustro românico. Distinguiu-se no campo das letras e da gramática, tendo sido bibliotecário e mestre dos monges menos letrados. Foi transferido para a Sé de Toledo, na qual foi fiel auxiliar do Arcebispo D. Bernardo até ser nomeado para o sólio bracarense. Governou a diocese de Braga durante um curto período de 12 anos, desde 1096 até 1108. Segundo a tradição terá baptizado D. Afonso Henriques, embora este facto não tenha qualquer tipo de verificação documental, aliás tal como o local de nascimento do primeiro Rei português.
Em Braga, para além das suas virtudes é bem conhecida a sua acção pastoral e governativa. Preocupou-se pela introdução do Rito Romano, em oposição ao rito hispânico, para além de incentivar a formação do clero e as visitas pastorais para conhecer o seu território e ‘rebanho’. Veio a falecer precisamente no dia 5 de Dezembro, o mesmo que é usado para celebrar a sua memória no calendário litúrgico. São Geraldo visitava Bornes de Aguiar, freguesia actualmente pertencente a Vila Pouca de Aguiar, onde se encontrava em visita pastoral durante a qual efectuou a sagração de uma igreja, que ainda hoje se pode contemplar nesta aldeia transmontana.
Os milagres que lhe são atribuídos na região de Braga são inúmeros e vêm citados com pormenor numa biografia sua escrita escassos anos após a sua morte, o que dá credibilidade à sua virtuosidade. Devido à sua popularidade, granjeou o título de padroeiro da diocese e, mais tarde, da cidade de Braga.

8 comentários:

  1. Pergunto-me porquê ele e a partir de que altura passou a ser considerado patrono da cidade. Será por ter sido o único (entre os com fama de santidade) a ser sepultado (e, portanto, cultuado) intra-muros?...
    Acrescendo o facto de o túmulo de Martinho de Dume ter estado desaparecido durante séculos, e de o corpo de Frutuoso ter sido larapiado para Compostela?...

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  2. Outra curiosidade é a capela de S. Nicolau. Como terá surgido a Geraldo a ideia do orago? O nome não aparece nos Censuais, não há testemunhos do seu culto por estas paragens, à época.
    Terá vindo de França? Mas Nancy fica um bocado longe de Moissac...
    Terá vindo de Toledo? É patrono de uma das freguesias criadas/restauradas após a Reconquista...

    Coincidência ou não, vai que Geraldo falece na véspera da festa do santo. E fica a repousar na capela que mandou fazer. E assim as festas ficaram ligadas. Ainda por cima, a fruta também aparece relacionada com lendas e a imagem do Nicolau...

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  3. Um facto interessante, relativamente à capela de S. Geraldo, é que é muito rara a arte fúnebre em talha; ainda para mais, com o túmulo integrado num retábulo-mor, em posição elevada. Penso que em Portugal não haverá nada de semelhante.

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  4. Sobre a capela: alguém consegue explicar a penúltima imagem (nº22) na página do SIPA:

    http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1050

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  5. Acerca do S. Nicolau, uma pista: afinal, a devoção deve ter vindo de Roma.
    Foi o grande acontecimento devocional do fim do século XI: à conta da invasão muçulmana, houve quem se aproveitasse da confusão para "roubar" relíquias de S. Nicolau, sepultado na Turquia, e as trouxesse para Itália, acabando por ser depositadas em Bari, numa cripta solenemente benzida por Urbano II em 1089; e mais tarde, as restantes, em Veneza, no ano 1100 (ano em que S. Geraldo foi pela primeira vez a Roma).

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  6. Acerca da imagem conservada pelo SIPA, é preciso ter em conta de que a fachada da capela foi totalmente refeita na campanha de restauro da década de 40 do século passado.
    De facto, a diferença é enorme...

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  7. Talvez para o ano valha a pena contar-se a lenda do sino de S. Geraldo, ligada às famosas cadeias (cilícios) do santo, muito milagreiras e de forte devoção por parte das parturientes há alguns séculos atrás.

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  8. Atenção: não confundir o S. Nicolau (o de que se fala acima, o verdadeiro Pai Natal) com o Nicolau Tolentino, cuja história é essencial conhecer por quem se interesse pela igreja e convento do Pópulo.

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