quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Condecorações oportunas

Uma das grandes surpresas - ou não - entre as entidades condecoradas por ocasião do Dia de S. Geraldo é a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho. A surpresa não se refere ao seu evidente e óbvio mérito no salvamento e valorização do legado de Bracara Augusta, mas tanto pelo reconhecimento desse mesmo mérito da parte da autarquia. Porquê só agora?
Poderíamos abordar o que se passou recentemente no largo Carlos Amarante, aquando da destruição de um aqueduto, que colocou do mesmo lado a Unidade de arqueologia e a Câmara Municipal - situação inédita! - contra a opinião das associações ASPA e JovemCoop. Curiosamente numa reacção estranha, dado que o arqueólogo responsável dias antes tinha afirmado em público o seu "amor" pelos cidadãos e pela cidadania. Talvez tenha sido esta postura comum a despoletar este reconhecimento da parte da autarquia...
Poderíamos também tentar explorar a questão eleitoral, dado que se aproximam as autárquicas, e até o Plano de actividades para 2013 voltou a contemplar os projectos prometidos em 2009, de musealização das ruínas das Carvalheiras, do Teatro Romano e da montanha das Cortiças. Tudo isto para atestar que, apesar do que dizem esses "malandros" das associações, a autarquia até é muito atenta ao património...
Sem dúvida que é justo e merecido este reconhecimento da Unidade de Arqueologia, mas peca por tardio e leva, naturalmente, um cidadão atento a levantar certas questões.

PS - Estranha, ou talvez não, foi a recusa de Mesquita Machado em condecorar a ASPA, uma associação que defendeu as Sete Fontes da destruição, em face de interesses privados. Curiosamente a mesma associação a quem se deve a preservação do mosteiro de Tibães, cuja ex-directora vai ser condecorada. A mesma associação que levantou a voz para defender o património bracarense em nome do interesse público, o mesmo que deve sobrepôr-se aos interesses privados e fazer parte dos valores de qualquer líder de uma comunidade. Não entendo...

1 comentário:

  1. Eu não entendo porque é que empresas privadas são condecoradas com medalha de ouro, uma vez que são pagas para desempenhar as suas funções...

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