domingo, 30 de dezembro de 2012

Memória Maior: a fábrica "A Industrial"

© José Manuel Lopes Cordeiro


A fábrica “A Industrial” foi a última das grandes fábricas de chapelaria a surgir em Braga. A sua fundação deu-se em 1921, sendo instalada no edifício oposto ao da fábrica Taxa, fazendo gaveto entre a rua do Taxa e a rua D. Pedro V, com as melhores tecnologias disponíveis à época. Com um capital inicial de 300 contos, A Industrial foi fundada por uma sociedade entre Júlio Amorim Lima, Bento Ferreira Braga, Narciso Teixeira da Silva e António Camilo de Almeida.
Empregando cerca de 110 funcionários, detinha uma produção média diária de cerca de 2 mil chapéus, valor que dobrava o alcançado pela Social Bracarense, que há décadas laborava neste sector.
O processo de fabricação dos chapéus é descrito com pormenor por Manuel Araújo: “A visita à fábrica começa pela oficina de distribuição de pêlo. Duas máquinas excelentes – suflósas – realizam a primeira operação para o fabrico do chapéu. Logo a seguir duas basticósas, formam o carapuço, juntando o pêlo por meio de pressão de ar e ligando-o com água quente. Depois, sucessivamente, o chapéu vai passando de máquina em máquina, levando mil e umas voltas, sofrendo constantes alterações. Assim, ele passa pelas mesas de cojar, onde se bate o feltro, unindo-o, dando-lhe consistência; pelas máquinas de «fuleuse», que o apertam; de fulon, que terminam o formato do chapéu; de puchar onde se forma a aba e a copa; de informar, de afinar, de engomar, de lixar e de planchar onde se efectua o último aperfeiçoamento. Há ainda oficinas de tinturaria, de timbradeiras e de costureiras; carpintaria, encaixotamento, etc.[1]
Entretanto, dos relatos recolhidos pelo jornalista do Diário do Minho em 1923, confirmamos que a taxa de exportação para África estava reduzida a 5%, surgindo o Brasil e a Índia como destinos alternativos para as exportações. Os responsáveis da fábrica apontam também as elevadas taxas aduaneiras como entrave à competitividade dos seus produtos, aludindo igualmente à questão das etiquetas. Nas décadas de 70 e 80, esta unidade fabril foi-se dedicando a outros tipos de produção, de forma a fazer face à quebra do sector comercial de chapelaria.
O edifício da fábrica, que se estendia entre a rua D. Pedro V e a cerca do Colégio Teresiano, foi demolido em 1986 para dar lugar a um prédio de habitação.

[1] ARAÚJO, Manuel (1923) – Indústrias de Braga. Notas de um jornalista. Braga: Pax, p.32.

1 comentário:

  1. Vítima da destruição da indústria tradicional portuguesa verificada nos anos 80 e patrocinada pela UE, não?

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