terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Turismo cresceu 5% em 2012. E Braga?

Fonte: INE
O valor da receita do turismo cresceu este ano em Portugal, ascendendo a mais de 8 mil milhões de euros. Este montante representa um crescimento das receitas de 5 por cento em comparação com o ano passado e quase 10% do PIB nacional. 

Apesar deste crescimento, o município de Braga continua a não se afirmar como destino turístico de excelência, não passando de uma subordinada dos interesses económicos e dos operadores turísticos do Porto. Há efectivamente um acréscimo no número de visitantes e dormidas, mas numa taxa muito menor daquela que uma cidade com a história, património e tradições de Braga poderia alcançar. Coimbra, por exemplo, uma cidade que podemos colocar no mesmo patamar que Braga, acolhe quase mais 30% de dormidas que Braga (285 799 contra 396 396) e uma taxa líquida de ocupação na ordem dos 32%, quando Coimbra obtém 40,1%. Quando se analisa a taxa de estrangeiros entre o total das dormidas, Braga fica a perder, uma vez mais. São apenas 27%, contra 47,8% de Coimbra e 35 % de Guimarães. Este dado reflecte a pouca atractividade exercida por Braga sobre os turistas mais influentes e com maior peso económico, que chegam, maioritariamente, do aeroporto Sá Carneiro.

Do Porto vêm os dados mais esmagadores: em 2011 foram 1 783 781 dormidas, uma taxa de ocupação na ordem dos 44%, sendo que 61% das dormidas foram usufruídas por estrangeiros. 
Há que pensar que o turismo pode fomentar economicamente o município e ser uma fonte de riqueza primordial. Braga tem imensos recursos a explorar, mas necessita de elaborar um plano de desenvolvimento turístico devidamente orientado, com as tipologias de turismo que pretende abordar definidas e tendo traçado o perfil do turista que quer alcançar. O essencial é garantir que os visitantes, para além de passarem uma tarde ou manhã em Braga, decidem pernoitar e gastar o seu dinheiro no comércio e restauração da cidade. A estratégia dos operadores turísticos do Porto é dedicarem uma manhã ou tarde a Braga e Guimarães, estratégia que se revela nefasta para ambas as cidades. Para alcançar maior tempo de permanência é necessário criar atractivos, como cheques-oferta com dormida e bilhete para espectáculo no Theatro-Circo, um bilhete comum - com percurso cronológico - pelos museus da cidade, roteiros diversificados e temáticos pelo património (com informações detalhadas quanto à duração dos percursos e horários dos locais a visitar). E, obviamente, mais eventos anuais a decorrer, que sirvam como produtos turísticos consolidados. Neste momento, apenas a Semana Santa consegue alcançar esse estatuto, dado que se soube promover. Por isso mesmo, urge apostar na promoção externa de alguns eventos e aproveitar até as viagens internacionais do Sporting de Braga para elaborar formas de promoção no estrangeiro. O turismo interno também não é de descurar...

2 comentários:

  1. E o S. Geraldo para ali a apodrecer...

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  2. Para iniciar este meu comentário começo por um “disclaimer”: tenho mais de seis décadas de vida, sou descendente de transmontanos, alfacinha de nascimento, vivo no Estoril há mais de 30 anos, adoro o Norte do País particularmente Braga.
    Assim, há cerca de 1 ano, comprei um apartamento para servir de base ás minhas estadias. Nestas, e longos passeios que dou, ao visitar os inúmeros monumentos e sítios, e chegando à conversa com cidadãos de outras nacionalidades, estes ficam admirados com a falta de informação existente, nos seus países, em relação a cidade tão culturalmente rica.
    É lamentável que, a CMB e outros, não tenham uma estratégia/política definida, consistente e proactiva, para mudar este estado de coisas.
    Espero que, no futuro, entre sangue novo e empreendedor no comando dos destinos desta excelente cidade. Bem o merece!
    Parabéns pelo blog.

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