segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Anfiteatro romano: perdido para sempre?

Anfiteatro estará sepultado nas fundações destes prédios da rua do Caires


O anfiteatro de Bracara Augusta é outra das vítimas a lamentar da saga urbanística levada a cabo nas últimas décadas. Localizado junto à antiga igreja de Maximinos, este equipamento deveria obedecer a uma estrutura oval e seria palco de festas e das reuniões magnas dos cidadãos de Bracara Augusta. No século XVI, o arcebispo D. Rodrigo da Cunha, comentava já a existência das suas ruínas junto à antiga “parochial”: «aparece um como meio circulo, lugar onde estava o anfiteatro em que os bracarenses ao modo romano celebravam suas festas.» Sabemos que aquando da visita da rainha D. Maria II a Braga, em 1852, foi aconselhada a sua visita «aos restos escassos que ainda aparecem nas escavações d’antigo anfiteatro romano». No mapa de André Soares (ver gravura do post anterior) é possível entrever o tal muro semicircular, que faria parte do anfiteatro bracaraugustano. Os vestígios poderão ter sido aniquilados pelas construções dos edifícios da praça Padre Senna de Freitas e da rua Lopes Gonçalves. É provável que esta edificação tenha sido também afetada pelas obras de construção da via férrea no século XIX, dado que era comum o reaproveitamento de materiais. Talvez um dia, quando se faça a reformulação urbanística desta zona, venha a poder saber-se mais sobre este edifício da cidade romana, talvez perdido para sempre...

4 comentários:

  1. Há 2 anos atrás, numa sessão pública, um arqueólogo da UM afirmou que o anfiteatro estaria na zona atrás da rua do Caires, perto da linha, por baixo de um casario em que as (poucas) fundações não deveriam ter atingido as ruínas...

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  2. Sim, também ouvi essas afirmações por parte do arqueólogo e se assim for é uma excelente notícia.
    Infelizmente, Braga ao longo dos séculos sempre se foi dando mal com a preservação do seu património. Neste caso, penso que esta construção será anterior ao 25 de Abril.
    Relacionado com este tema, está a Fonte de S.Pedro, uma das mais antigas de Braga, na qual se diz que S.Tiago se terá refrescado, e que se encontra totalmente ao abandono e degradada. (http://sino-da-se.blogspot.pt/2011/01/cidade-das-fontes-viii-fonte-de-spedro.html)

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  3. Tendo em conta a dimensão de um anfiteatro romano, é provável que seja possível ainda encontrar os seus alicerces. Será dificil encontrar algo monumental, dado que, como o Rui afirma e bem, os materiais eram reaproveitados, logo, dava aso aos desmonte das estruturas.
    Ainda assim, se o anfiteatro se estender para a linha de ferro, é que pode ser mais complicado encontrar vestígios dessa construção, porque a instituição da linha pode ter arrasado com os niveis romanos. Ainda assim, é algo que os próximos executivos municipais devem ter atenção, pois reformulações naquela zona podem e devem ser bem acompanhadas do ponto de vista arqueológico.

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  4. Sim creio inclusivamente que vestigios da primitiva Igreja podem ocorrer nessa zona. É verdade que a diferença de cota topografica entre a linha de c-de-ferro e a rua sugere que poderao ainda restar vestigios arqueologicos. No entanto a politica patrimonial do burgo não salvaguarda este zona. esta zona não esta dentro de nenhuma ZEP pelo que assim sendo qlq obra so pode ser condicionada pela GA da CMBraga o que me parece q n venha a acontecer. Tomememos como exemplo o Balneario Romano ali bem proximo. O sitio só foi descoberto pq a REFER tem uma politica patrimonial propria da empresa obrigando-se a si mesma a trabalhos arqueologicos em todas as obras que promove sejam elas onde foram. Desde que existam movimentos de terra a REFER promove trabalhos arqueologicos de salvaguarda. Se fosse pela politica camararia ou mesmo pela Governamental (uma vez que ali n existe ZEP tutelada pela DGPC)os vestigios do balnerio romano teriam sido perdidos.

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