sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Conservar a memória comercial de Braga

O sector comercial tornou-se ao longo dos tempos como o principal motor da economia da cidade de Braga. Devido a isso, as instituições ligadas aos comerciantes adquiriram uma influência muito positiva sobre as forças vivas da cidade, estando quase sempre vinculadas aos grandes acontecimentos do calendário bracarense. É certo que o grémio comercial de Braga não chegava para construir um palácio da Bolsa, como a congénere portuense conseguiu, mas foi autora igualmente de espaços emblemáticos, que hoje se encontram em grande risco.
O Ateneu Comercial, localizado na rua dos Chãos, e o salão egípcio, ligado ao sindicato do Comércio, na rua do Souto, são duas memórias caras a este sector económico brácaro. Se o primeiro já sucumbiu em face de interesses imobiliários, o segundo ainda pode ser salvo. Está a decorrer na galeria Só Arte (rua de S. Marcos, n.º140) uma exposição de fotografia onde pode ser contemplada a memória destes dois espaços, da autoria de Fernando Mendes e Luís Machado.

PS - Se a autarquia quisesse, com os mecanismos legais de classificação como património municipal, poderia tentar a conservação deste espaço, obrigando o proprietário a restaurá-lo (ou a perder os direitos de posse) numa futura reabilitação. E que tal apostar na classificação destes espaços, de forma a não os perder para o futuro? Não tanto pelo seu valor artístico, mas pelo seu inquestionável valor simbólico...

1 comentário:

  1. Espero que seja possível preservar o salão e que ele não seja destruído. Eu não conheço bem a história do salão egípcio embora o tenha visitado uma vez. Confesso que fiquei desagradado com o seu estado. Não percebo porque é que nunca se responsabiliza os utilizadores do espaço pela sua degradação? Não seriam eles quem em primeira instância deveriam zelar pela sua conservação? Porque raio é que a culpa é sempre de ser dos outros? Eu até percebo que um sindicato tenha dificuldades em manter aquela casa, mas então a pergunta não deveria ser se precisam daquela casa? Será que pagam uma renda compatível com o edifício e local que permita que o proprietário faça a manutenção? Será que o dono não estaria interessado em encontrar uma outra solução que permitisse a sua preservação? Enfim... estas coisas possuem sempre outro ponto de vista e é preciso ter cuidado com os discursos desculpabilizadores dos “coitadinhos”. Até porque na notícia que li era o próprio autor da exposição que contava – “Foi na altura também um espaço de recreio, de convívio, de muitas festas e nos últimos anos as pessoas já não tinham aquela motivação para fazer algo e passou a ser uma sala de jogo. Pelo que oiço dizer gastaram-se lá muitas fortunas. Perdeu-se a própria história, porque tinham uma biblioteca com dois mil e tal livros, que foi oferecido à Biblioteca Pública de Braga. Quando a Biblioteca vai lá com o carro e três funcionários para fazer o inventário em dia marcado para trazer os livros, encontram cerca de duzentos livros. Durante a noite desapareceu tudo”. Ou seja, para além do passado pouco recomendável de jogo ilegal terá havido alguém ficou com 1500 livros que já seriam da BPB.

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