terça-feira, 22 de janeiro de 2013

S. Vicente em Braga: a festa


Braga, como capital do Minho, província rígida e tradicionalista, conserva até hoje a festividade ao santo patrono de Lisboa. S. Vicente mártir, tradicionalmente associado à protecção contra a varíola (doença infecto-contagiosa caracterizada por febres e uma erupção cutânea), que vitimava grande número de crianças, continua hoje a ser foco de devoção das gentes bracarenses que, apesar de nos dias de hoje esta doença praticamente ser inexistente, continuam a trazer as suas crianças, transportando uma vela na mão, para oferecer piedosamente ao santificado mártir. 
Hoje, o culto a S. Vicente, quase se resume ao dia 22 de Janeiro, o dia em que se festeja liturgicamente este santo. A varíola já não constitui actualmente o perigo que noutras épocas, quando os cuidados de saúde e a higiene eram nitidamente atrasados, constituiria para as populações. Apesar de tudo, todos os anos, a romaria de S. Vicente cumpre a tradição da fogueira que, gigantesca, arde e consome uma pilha de lenha, na véspera do dia de S. Vicente, em pleno adro do templo setecentista. Outra tradição mantida é a venda dos moletinhos: bolo arredondado e doce, pincelado de gema, que faz as delicias de todos quantos visitam a igreja neste dia. Hoje a festa é mais pagã que religiosa. O povo visita o santo, cumprindo a oferta da vela, seguindo depois para os inúmeros pontos de venda de moletinhos, respirando o cheiro de festa que nos faz recordar o S. João de Braga, em ponto pequeno... 

5 comentários:

  1. Popularmente, a varíola era conhecida como bexigas. Daí S. Vicente ser chamado de advogado das (contra as) bexigas.

    ResponderEliminar
  2. Alguns explicam a tradição da fogueira e dos moletinhos (doce que faz lembrar uma grade) na festa de S. Vicente com o facto de alguns passionários terem confundido a história deste mártir com a de S. Lourenço. Terão usado elementos da mais antiga e conhecida para compor a outra.

    ResponderEliminar
  3. Há uma outra data a considerar, atestada por livros litúrgicos medievais de Braga: 4 de Maio, festa litúrgica da transladação de relíquias de S. Vicente, de Lisboa para Braga, cedidas por D. Afonso Henriques ao bispo D. Godinho.
    É bem possível que a relíquia deste santo conservada na igreja de S. Vicente, e que hoje está exposta à veneração, tenha tal proveniência.

    ResponderEliminar
  4. Em S. Vicente, a romaria do dia de hoje liga-se (prolonga-se) à festa da Senhora da Luz (2 de Fevereiro), imagem de muita devoção no templo. Se calhar, também à conta do simbolismo das velas... Era tradição ser o mesmo padre pregador nas duas celebrações.

    ResponderEliminar
  5. Nos tempos em que a freguesia era agrícola, os agricultores estavam atentos a direcção do fumo da fogueira que era indicio de boas ou más colheitas.

    ResponderEliminar