domingo, 20 de janeiro de 2013

Subserviência ao Porto? Não, obrigado!

Por um acaso televisivo, colidi ontem com a apresentação, em directo, da candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara Municipal do Porto. Escusando comentários à forma deselegante como distribuiu mimos aos dissonantes da sua candidatura - saber estar em democracia exige algum encaixe perante as críticas... - reparei na sua aparente intenção de dar uma liderança ao Norte.
No meio dos seus devaneios, falou das "cidades médias" do Minho, nunca referindo o nome de Braga como uma protagonista inegável deste vasto território a Norte do Douro. Falou ainda do turismo e da necessidade de trazer mais visitantes ao Porto, esquecendo-se que a cidade que pretende liderar já aglutina quase todo o crescimento do número de chegadas ao aeroporto Sá Carneiro. Ao tocar na questão do turismo, verdadeiro motor económico, não podia ser mais contraditório...
Ora, esta "cidade média" que é Braga, no entender de Luís Filipe Menezes, tem muito pouco a ganhar com estas pretensões aglutinadoras portuenses. Nos últimos anos, a capital do Minho viu fugir delegações regionais administrativas, viu fugir uma justa distribuição das verbas comunitárias, e até sofre a humilhação de pertencer a uma entidade de turismo denominada de "Porto e Norte". Não somos cidade dormitório, como Gaia ou Gondomar, nem temos uma dependência económica do porto de Leixões. O que Braga precisa é de reafirmar a sua posição perante o Porto, dado que se trata da segunda maior cidade a Norte de Lisboa, com uma vitalidade económica própria e com uma identidade histórica muito significativa. Como alguém dizia esta semana, o que o Norte precisa é cooperação e não propriamente de liderança. Para haver um líder teríamos que determinar a existência de uma cabeça e o Porto já mostrou que não sabe ser cabeça da região, porque está apenas centrado nos seus intentos.
Se o que Luís Filipe Menezes quer é fazer crescer o Porto à custa da diminuição do território circundante, então pode crer que vai ter oposição. Embora, o silêncio na defesa dos interesses de Braga seja uma constante nos últimos anos, não é garantido que seja assim a breve trecho.
Subserviência ao Porto? Não, obrigado!

1 comentário:

  1. Braga é subserviente a tudo e todos. Recentemente o turismo foi para Viana, as estradas para Vila Real, o tribunal da relação para Guimarães, a agricultura para Mirandela, o IGESPAR para Vila do Conde. Agora até o ilustre bracarense MMacedo vai levar a Protecção Civil e o silêncio em Braga é total. Total não, porque temos o Porto, sempre o Porto...

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